Companheiros de Jornada

Cristiano Gaspar
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Introdução

Eclesiastes 4.7–12 NAA
7 Então considerei outra vaidade debaixo do sol: 8 um homem sem ninguém, que não tem filhos nem irmãos, mas que não cessa de trabalhar e cujos olhos não se fartam de riquezas. E ele não pergunta: “Para quem estou trabalhando, se não aproveito as coisas boas da vida?” Também isto é vaidade e enfadonho trabalho. 9 Melhor é serem dois do que um, porque maior é o pagamento pelo seu trabalho. 10 Porque se caírem, um levanta o companheiro. Mas ai do que estiver só, pois, caindo, não haverá quem o levante. 11 Também, se dois dormirem juntos, eles se aquecerão; mas, se for um sozinho, como se aquecerá? 12 Se alguém quiser dominar um deles, os dois poderão resistir; o cordão de três dobras não se rompe com facilidade.
Se existe um dia em que tudo parece perfeito, esse dia é o casamento. Uma cerimônia e festa preparada com tanto zelo, cada detalhe e é natural que seja assim. O casamento é um dos grandes presentes que Deus concedeu à humanidade.
Mas vocês perceberam como o texto que acabamos de ler começa? Antes de falar sobre a beleza da companhia, Salomão nos faz sentir o peso da solidão. É justamente desse contraste que nasce a mensagem desta passagem.
Em vez de descrever um casal apaixonado, Salomão apresenta um homem que trabalha sem descanso, acumula riquezas, mas vive completamente sozinho. Então faz uma pergunta que revela o vazio da sua existência: “Para quem estou trabalhando?”
Sua conclusão é dura: tudo aquilo era vaidade, um trabalho sem sentido.
Esse é o cenário em que surge uma das mais belas afirmações de Eclesiastes: “Melhor são dois do que um.”
Essas palavras não são um slogan romântico, mas uma expressão da graça de Deus. O Senhor conhece a realidade deste mundo. Ele sabe que viver significa enfrentar cansaço, perdas, decepções, enfermidades e, um dia, a própria morte. O casamento não foi dado porque a vida é fácil, mas porque a vida é difícil.
Quando Deus une um homem e uma mulher, ele não promete uma vida sem tempestades, mae concede o privilégio de atravessá-las juntos. O casamento não elimina o sofrimento, mas transforma a maneira como ele é enfrentado. Deus oferece ao marido e à esposa a companhia um do outro para a jornada da vida.
É por isso que este texto é tão apropriado para uma cerimônia como esta. Ele não fala apenas do dia de hoje, mas da vida que começa amanhã. Fala das alegrias e desafios que virão e da perseverança que será necessária ao longo dos anos.
Lucas e Rebeca, hoje vocês não estão apenas celebrando o amor que Deus despertou entre vocês. Estão assumindo o compromisso de caminhar juntos até o fim da jornada. E é exatamente isso que Salomão deseja nos ensinar quando afirma:
“Melhor são dois do que um.”

1. Deus nos dá alguém para compartilhar a missão da vida (v. 9)

Depois de apresentar o retrato de um homem completamente sozinho, Salomão passa a mostrar por que a companhia é um dos grandes presentes de Deus para esta vida. E ele começa de um lugar curioso: o trabalho.
Isso nos surpreende porque costumamos pensar no casamento a partir dos sentimentos. Salomão, porém, começa pela vocação. Desde o princípio, Deus chamou homem e mulher para caminharem juntos no cumprimento da sua missão. Antes mesmo da Queda, o Senhor confiou ao homem a tarefa de cultivar e guardar o jardim e, em seguida, criou a mulher como uma auxiliadora que lhe correspondesse.
Quando Salomão afirma que “dois têm melhor paga do seu trabalho”, ele está observando uma realidade simples: juntos, realizamos mais do que sozinhos. Há cooperação, encorajamento e complementaridade. O peso deixa de ser carregado por apenas um, e as conquistas passam a ser compartilhadas.
Lucas e Rebeca, é isso que começa hoje. Vocês compartilharão muito mais do que uma casa. Compartilharão responsabilidades, sonhos e desafios e construirão um lar.
Por isso, a pergunta que sustentará este casamento não deve ser: “O que posso receber deste relacionamento?”, mas: “O que Deus deseja realizar por meio de nós?” Quando essa é a perspectiva, o casamento deixa de ser um projeto de realização pessoal e passa a ser um instrumento para a glória de Deus.

2. Deus nos dá alguém para sustentar nossa fraqueza na caminhada (vv. 10-11)

Depois de falar sobre o trabalho, Salomão volta os olhos para a fragilidade humana. E há um detalhe importante: ele não diz “se um dia vocês caírem”, mas simplesmente “se caírem”. A queda é tratada como uma realidade inevitável da vida.
Essa é uma das marcas da sabedoria bíblica. A Bíblia não idealiza o casamento nem promete uma vida sem sofrimento. Ela une dois pecadores que continuam vivendo em um mundo marcado pela Queda. Haverá dias de cansaço, enfermidades, perdas e momentos em que um dos dois terá dificuldade para continuar caminhando. É justamente para esses dias que Deus instituiu o casamento.
Quando um estiver fraco, o outro o sustentará. Quando um estiver desanimado, o outro lhe lembrará da fidelidade do Senhor. Quando um tropeçar, o outro estenderá a mão para levantá-lo. A beleza do casamento não está na ausência de dificuldades, mas na graça de não enfrentá-las sozinho.
A segunda imagem reforça essa verdade. Dois viajantes dividem o mesmo cobertor durante uma noite fria. Eles não conseguem impedir o frio, mas conseguem atravessar a noite juntos. Assim também é o casamento. Ele não elimina a dor, mas Deus o usa para aliviar o fardo e revelar seu cuidado por meio do cônjuge.
Lucas e Rebeca, haverá dias em que um de vocês sustentará o outro. E o maior presente que poderão oferecer não será apenas conforto, mas ajudá-lo a permanecer firme em Cristo. Amar também significará ouvir, perdoar, corrigir, orar e lembrar as promessas do evangelho. Afinal, o casamento não existe apenas para tornar a vida mais feliz, mas para ajudar um homem e uma mulher a perseverarem na fiéis g até o fim.

3. Deus nos dá alguém para perseverar até o fim da jornada (v. 12)

“Se alguém quiser dominar um deles, os dois poderão resistir; o cordão de três dobras não se rompe com facilidade.”
Salomão conclui sua reflexão com mais uma cena do cotidiano. Um viajante sozinho é vulnerável aos perigos do caminho. Mas, quando caminha acompanhado, encontra forças para resistir. A companhia não elimina as lutas, mas fortalece quem precisa enfrentá-las.
Essa é uma bela imagem do casamento. A aliança que vocês fazem hoje não é apenas para os dias de celebração, mas também para os dias de batalha. Vocês estão prometendo permanecer um ao lado do outro quando vierem as pressões, as tentações e as dificuldades. A fidelidade se revela justamente quando permanecer exige sacrifício.
É nesse contexto que aparece a conhecida expressão: “o cordão de três dobras não se rompe com facilidade.” Muitas vezes ela é entendida como uma referência ao marido, à esposa e a Deus. Embora essa seja uma bela aplicação à luz de toda a Escritura, esse não parece ser o sentido original da metáfora. Salomão está apenas reforçando seu argumento: um cordão formado por várias fibras é mais resistente do que um fio isolado. Da mesma forma, uma vida compartilhada é mais forte do que uma vida solitária.
Mas a Bíblia também nos revela de onde vem essa força. O casamento cristão permanece porque marido e esposa são sustentados, dia após dia, pela graça de Deus. O amor humano é precioso, mas limitado. A fidelidade de vocês será continuamente alimentada pela fidelidade daquele que os chamou para esta aliança.
Lucas e Rebeca, quanto mais vocês caminharem com Cristo, mais encontrarão forças para caminhar um com o outro. E o casamento de vocês será um testemunho de que a graça de Deus sustenta o seu povo até o fim da jornada.

Conclusão

Ao chegarmos ao fim deste texto, percebemos que Salomão apresenta o casamento como um dos grandes presentes de Deus para a vida neste mundo. Deus não prometeu uma existência sem dificuldades, mas concedeu ao marido e à esposa o privilégio de caminharem juntos, compartilhando a missão, sustentando um ao outro nas quedas e perseverando nas batalhas da vida.
Mas, por mais belo que seja, o casamento tem seus limites. Haverá dores que o outro não poderá aliviar, lágrimas que nenhum abraço conseguirá enxugar e enfermidades que nenhum cônjuge poderá curar. E chegará o dia em que a própria morte separará aquilo que hoje está sendo unido. O casamento é um dom extraordinário de Deus, mas não é o nosso Salvador.
É exatamente aqui que Eclesiastes nos faz olhar para além de si mesmo. O livro descreve a vida debaixo do sol, marcada pela Queda, pelo sofrimento e pela morte. E foi para esse mundo que Deus enviou o seu Filho.
Jesus Cristo entrou na nossa condição. Conheceu o cansaço, a rejeição e a dor. Caminhou pelas mesmas estradas que nós percorremos. Mas houve um momento em que caminhou completamente sozinho. No Getsêmani, seus discípulos dormiram. Na cruz, foi abandonado pelos homens e suportou a separação que nós merecíamos diante de Deus.
Cristo enfrentou sozinho a maior de todas as batalhas para que jamais enfrentássemos sozinhos a mais importante de todas as jornadas: a nossa reconciliação com Deus. Por sua morte e ressurreição, abriu o caminho para que todo aquele que nele crê jamais seja abandonado. Por isso, a promessa que sustenta um casamento cristão não é apenas a promessa que um cônjuge faz ao outro, mas, antes de tudo, a promessa que Cristo faz ao seu povo: “E eis que estou convosco todos os dias, até a consumação do século.”
Lucas e Rebeca, é sobre esse fundamento que vocês começam hoje a vida de casados. Compartilhem a missão que Deus lhes confiou. Sustentem um ao outro nas horas difíceis. Perseverem lado a lado, mantendo os olhos naquele que prometeu nunca abandoná-los. Porque o casamento não é o destino da história. É um presente de Deus para a jornada. Cristo é o Senhor da jornada e o destino para o qual ela conduz.
Daqui a alguns instantes, vocês trocarão alianças e farão votos diante de Deus e destas testemunhas. Lembrem-se apenas de que o casamento não começa com um sentimento, nem se sustenta apenas por emoções. Ele nasce de uma aliança, uma decisão solene de caminhar juntos por toda a vida.

Entrada das alianças

“Estas alianças são pequenos objetos, mas carregam um grande significado. Elas não criam o casamento, nem possuem qualquer poder em si mesmas. Elas apenas simbolizam a aliança que vocês estabelecem hoje diante de Deus. Seu formato circular nos lembra a permanência do compromisso assumido. Seu valor nos recorda que aquilo que é precioso deve ser cuidadosamente preservado. Que cada vez que olharem para estas alianças, vocês se lembrem não apenas da promessa feita um ao outro, mas também da fidelidade daquele que prometeu jamais abandonar os seus.”

Votos dos Noivos

Troca das alianças

“Rebeca, receba esta aliança como símbolo do meu amor, da minha fidelidade e da aliança que hoje faço diante de Deus.” Depois Rebeca

Perguntas aos noivos

Lucas, “Você recebe Rebeca como sua esposa, prometendo amá-la, honrá-la, protegê-la e permanecer fiel a ela enquanto ambos viverem, conforme a Palavra de Deus?”
Depois Rebeca.

Assinatura da Ata / Termo de Casamento Civil

Oração de consagração

Declaração

Pela autoridade da Palavra de Deus e diante deste compromisso assumido perante ele e destas testemunhas, eu os declaro marido e mulher.

Beijo

“Que o Senhor os abençoe e os guarde. Que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre vocês e lhes conceda graça. Que o Senhor sobre vocês levante o seu rosto e lhes dê a sua paz. Que o amor de Cristo seja o fundamento do lar que hoje se inicia e que, por meio desta união, Deus seja glorificado por todos os dias da vida de vocês. Amém.”
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