Quando Deus governa a casa

A vida na presença de Deus  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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A restauração da sociedade não começa na política, mas no lar. Expondo Êxodo 20.12 e Deuteronômio 5.16, vemos que o quinto mandamento ordena dar o devido peso à autoridade dos pais, pois eles representam o governo do próprio Deus. Embora o pecado arruíne as famílias, a autoridade bíblica existe para servir e proteger. Cristo cumpriu este mandamento perfeitamente e, pela cruz, reconcilia lares falhos, formando um povo abençoado que vive debaixo do Seu senhorio.

Notes
Transcript
Ex 20.12 ​Honra teu pai e tua mãe, para que se prolonguem os teus dias na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
Deuteronômio 5.16 — “Honre o seu pai e a sua mãe, como o Senhor, seu Deus, lhe ordenou, para que você tenha uma longa vida e para que tudo vá bem com você na terra que o Senhor, seu Deus, lhe dá.”

Introdução

Continuamos com nossa série “A vida na presença de Deus”, onde , através dos 10 Mandamentos, vemos como Deus molda o povo que Ele libertou.
Como introdução a essa sessão dos 10 Mandamentos, semana passada vimos que o amor ao próximo é a expressão visível do amor a Deus, e que os mandamentos de 5 a 10 respondem a pergunta “como amamos o próximo?”
Hoje, veremos o 5º Mandamento que, num primeiro momento, parece ser direcionado somente às relações de pais e filhos. No entanto, este mandamento molda toda a sociedade e até a nossa relação com o próprio Senhor.
Afinal, como todos os mandamentos revelam o cuidado de Deus por seu povo, o quinto revela que Deus cuida de seus filhos por meio das autoridades que ele mesmo estabeleceu.

Exposição

Família: reflexo da autoridade de Deus

[Desenho: A Árvore e as Raízes. Conceito Visual: Uma árvore forte onde o tronco é a casa/família e os frutos são os bons comportamentos na sociedade. Significado: Representa que a estabilidade de uma sociedade inteira depende da saúde e instrução que vêm de dentro das casas.]
O primeiro e mais óbvio alvo do mandamento é o respeito e a ordem na família.
Desde Gênesis, a Bíblia conta a história de famílias marcadas pelo pecado: irmãos que matam irmãos, filhos que enganam pais, pais que fracassam com os filhos. A crise da família não começou no século XXI; começou no Éden.
Sabemos que o pecado só terá uma solução final quando Jesus Cristo voltar, mas, até lá, Deus tem uma solução provisória: O quinto mandamento.
Esse mandamento começa com a palavra honrem, que, no hebraico bíblico kabbed, piel) significa literalmente “dar muito peso”. É uma palavra utilizada para honrar a Deus (1Sm 2.30), glorificar a Deus (Is 29.13) e dar peso ao nome de Deus (Sl 86.9). E aqui ela é usada para honrar os pais. Deus não pede um respeito superficial aos pais. Ele ordena: “Dê muito peso à palavra dos seus pais.” Não porque os pais sejam deuses. Mas porque representam a autoridade de Deus.
É interessante que Deus escolha a palavra “honra” e não “afeição” ou “carinho”. Não porque a afeição seja ruim, mas porque a honra permanece mesmo quando os sentimentos são abalados pelo pecado. A honra continua reconhecendo a autoridade que Deus estabeleceu, mesmo quando o relacionamento precisa ser restaurado.
Na prática, pergunte a si mesmo:
Como falo com meus pais?
Quando preciso de conselho, eles ainda são minha referência?
Quanto peso a opinião deles realmente tem?
Esse problema aparece dos dois lados. Pais enfraquecem sua autoridade quando repetem a mesma ordem cinco vezes antes de agir. Filhos a desprezam quando procuram qualquer pessoa antes de ouvir seus pais.
Mas alguém pode dizer: Ok, Pedro! Mas o meu pai não é um homem sábio, aliás ele é um homem bastante ímpio! Comentando este texto, Calvino alerta que um pai mau não anula a ordem de Deus[6]. Isso não significa obedecer a um pai quando ele nos leva ao pecado — nosso limite sempre será a obediência ao próprio Senhor —, mas significa que a falha dos pais não nos autoriza a responder com desonra.
Pais e filhos, percebam: aprender a honrar pai e mãe é o primeiro passo para aprender a viver debaixo da autoridade do próprio Deus. Pois quem aprende a tratar corretamente uma autoridade visível é preparado para reconhecer a autoridade invisível.
Outro alvo do mandamento que quero destacar é:

Família: formação do povo de Deus

[Desenho: O Cajado do Pastor. Conceito Visual: Um pastor de ovelhas usa um cajado para segurar uma ovelha pelo pescoço que está indo para o precipício. O pastor está com semblante gentil e apreensivo. Significado: Ilustra que a autoridade dada por Deus aos pais existe para proteger e guiar, não para dominar.]
Quantas vezes nós ouvimos a expressão “educação vem de casa”? Professores gostam de citar essa expressão quando alguém tenta atribuir à escola a responsabilidade pelo mau comportamento de certos alunos.
Mas essa expressão denuncia a consequência terrível de não se cumprir o quinto mandamento: perde-se ou distorce-se a ideia de certo e errado e isto se reflete no péssimo comportamento social dos indivíduos que, ou não foram corretamente instruídos por seus pais, ou deliberadamente se negaram a se submeter a eles.
A Bíblia mostra isso. O povo de Israel não era “educado” por escolas públicas, nem por universidades, nem pela mídia. Sua “educação” passava pela mesa; pelas conversas; pelos pais; pela repetição (Dt 6.6-9).
Os pais eram responsáveis por instruir seus filhos na fé e, quando esta instrução falhava, havia graves consequencias para a sociedade, pois quem nunca aprende limites não respeita professor, não respeita patrão, polícia, juiz, governo, igreja… No final, não respeita Deus.
A Bíblia não trata a família como uma instituição isolada. Ela é a célula, a base da igreja e da sociedade. Quando a família adoece, a sociedade inteira adoece.
Por isso, em casos extremos de desrespeito ao 5ºMandamento, até a pena de morte poderia ser aplicada aos filhos costumeiramente desobedientes (Dt 21.20-21). E embora isso pareça muito duro, podemos ter a dimensão do problema quando vemos o texto de Ezequiel 22.7:
Ez 22.7 No meio de ti, desprezam o pai e a mãe, praticam extorsões contra o estrangeiro e são injustos para com o órfão e a viúva.
Autoridade: uma questão além da casa
O profeta deixa este pecado lado a lado com pecados que nós achamos mais graves como adultério, subornos e extorsões. A questão é que os males sociais, problemas políticos e economia em mau estado estão intimamente ligados com a desobediência ao quinto mandamento.
Veja a promessa do mandamento: vida longa e próspera na terra dada por Deus. Perceba que Deus não liga a promessa à força militar de Israel, nem à economia, nem ao tamanho das cidades. Ele liga a bênção da terra à saúde das famílias. Isso nos ensina que a estabilidade de um povo não começa nos palácios, mas nas casas.
Honrar pai e mãe não garante uma vida sem sofrimento, mas é um dos meios pelos quais Deus preserva o crescimento do seu povo. Onde a autoridade é desprezada, a comunidade se desintegra. Onde a autoridade é exercida com amor e recebida com honra, a vida tende a florescer.
A própria ordem dos mandamentos fala bastante, porque a obediência às autoridades é o que nos ajudará a respeitar e proteger a vida, o casamento, a propriedade, a honra e o coração.
Quando olhamos para um país dividido, violento e corrupto, normalmente procuramos respostas na política, na economia ou na segurança pública. Deus começa em outro lugar: Ele começa na família.
Então, se queremos que nosso país mude para melhor, mais que torcer pelo político da esquerda ou o da direita, comece a mudança na sua casa!
Talvez alguém tenha ouvido tudo isso até aqui e pensado: "Então basta obedecer qualquer autoridade?" Não. Porque a mesma Bíblia que manda honrar a autoridade também ensina como a autoridade deve agir.
Ser autoridade é servir
A autoridade é necessária porque Deus preserva seu povo através dela. Justamente por ser tão importante, ela nunca pode ser usada para exploração.
Veja a promessa para este mandamento, especialmente na versão de Dt 5.16:
Dt 5.16 Honra a teu pai e a tua mãe, como o SENHOR, teu Deus, te ordenou, para que se prolonguem os teus dias e para que te vá bem na terra que o SENHOR, teu Deus, te dá.
Honrar pai e mãe é necessário para que SE VÁ BEM NA TERRA.
Este mandamento, como os demais, foi dado para aqueles que já foram libertos por Deus e vivem em aliança com Ele. Através dele, o Senhor forma uma nova comunidade. Mas isso não significa que Deus esteja autorizando qualquer forma de autoridade.
O objetivo do quinto mandamento não é fortalecer o autoritário. O autoritário usa sua posição para servir a si mesmo; Jesus mostrou que a autoridade de Deus nunca é exercida para autopromoção. O Rei lavou os pés dos discípulos. O Senhor tornou-se servo. A autoridade de Deus sempre se manifesta em amor sacrificial.
A autoridade dada por Deus existe para servir ao próximo. Pais exercem autoridade para proteger, corrigir e conduzir seus filhos ao Senhor, nunca para descarregar suas frustrações ou impor sua própria vontade.
E, como nem todos aqui são pais, mas todos somos filhos, lembremos: Deus nos chama a honrar nossos pais, mesmo quando eles falham, sem jamais colocar a autoridade deles acima da autoridade do próprio Deus.
Quando famílias aprendem a viver assim, tornam-se testemunho de uma transformação que política nenhuma consegue produzir.
Vimos até aqui que o 5º Mandamento estrutura a família e a sociedade, estabelecendo a autoridade dos pais como meio de benção para o indivíduo, para a família e para a nação. Mas uma questão inevitável vem à mente: qual de nós obedece esse mandamento perfeitamente?

Família: transformada por Cristo

[Desenho: ]
A realidade nem sempre é generosa.
Enquanto você ouve esta mensagem, talvez pense: "Isso é bonito, mas minha família está longe disso." Alguns tiveram pais ausentes, injustos ou violentos. Outros reconhecem que falharam como pais.
O quinto mandamento pesa justamente porque revela uma realidade que nenhum de nós viveu perfeitamente.
Mas o evangelho não apenas expõe nosso fracasso; ele anuncia a restauração de Deus.
Na plenitude dos tempos, o Pai enviou o seu Filho para viver exatamente onde todos nós fracassamos. Desde criança, Jesus submeteu-se aos seus pais terrenos; durante toda a sua vida, honrou perfeitamente o Pai celestial; e, até na cruz, cuidou de sua mãe.
Jesus foi o único Filho que cumpriu perfeitamente o quinto mandamento.
Mas, na cruz, aconteceu algo extraordinário: o Filho obediente foi tratado como filho rebelde, para que filhos rebeldes fossem recebidos como filhos amados.
Por isso, o evangelho não apenas nos perdoa; ele nos adota.
E somente quem foi reconciliado com o Pai celestial pode aprender, pouco a pouco, a honrar as autoridades que Ele estabeleceu, a servir quando exerce autoridade e a viver como membro da nova família de Deus: a igreja.
Uma comunidade onde pais aprendem a servir, filhos aprendem a honrar e todos reconhecem um único Pai acima de todos.
Será por isso que ninguém transformou mais a família, a sociedade e as pessoas que Ele?

Conclusão

Vimos hoje que Deus cuida de seus filhos por meio das autoridades que Ele mesmo estabeleceu.
Mas vimos também que todas essas autoridades apontam para uma maior: Jesus Cristo.
O verdadeiro Filho honrou perfeitamente o Pai, serviu em vez de dominar e entregou sua vida para nos tornar filhos de Deus.
Por isso, a transformação que Deus deseja para a família e para a sociedade não começa nas leis, nem na política. Ela começa no evangelho.
Quando filhos aprendem a honrar, pais aprendem a servir e todos vivem debaixo da autoridade de Cristo, Deus está formando o povo que sempre desejou: uma família que vive na sua presença.
[1]1Tm 1.8-11
[2] Rm 3.20; Gl 2.17; 3.19,22,24
[3]João 14.15; Rm 8.1-15; Gl 5.3-14
[4]Livro “Reformissão”
[5] TERRY, Milton Spenser. NEWHALL, Fales H. Genesis and Exodus. In WHEDON, Daniel. Daniel Whedon's Commentary. 1909 (The Word). “The filial relation best represents the true relationship of man to God as his author and preserver”
[6] CALVIN, John. Calvin’s Complete Commentary. The Word.
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