PERMANEÇA NA GRAÇA DE CRISTO!
O RESGATE DIVINO: LIBERTOS PARA COMUNHÃO • Sermon • Submitted • Presented
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· 5 viewsPaulo nos ensina que não há nada mais urgente em nossa santificação, senão o dever de permanecer no evangelho de Jesus Cristo.
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INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
Em 1539, João Calvino protagonizou uma das grandes defesas da fé cristã. Após sua expulsão de Genebra, o cardeal Jacopo Sadoleto escreveu à cidade defendendo a unidade da Igreja e a autoridade papal, causando profunda inquietação entre os genebrinos.
Mesmo expulso, Calvino foi chamado pelo conselho de Genebra para responder à carta. Sua defesa exaltou a glória de Deus, a centralidade das Escrituras e a Reforma como retorno ao evangelho, especialmente à justificação pela fé. Por isso afirmou: “As vossas doutrinas não dão a Deus toda a glória que lhe é devida!”
Essa história ilustra a verdade do nosso texto: o evangelho de Jesus é inegociável, pois dele dependem a glória de Deus e a salvação dos homens. Pergunta homilética: como permanecemos na graça de Cristo?
1. PERMANECENDO NO EVANGELHO DE CRISTO (6,7A)
1. PERMANECENDO NO EVANGELHO DE CRISTO (6,7A)
1.1 Frase introdutória: Ninguém poderá permanecer na graça, sem que esteja firmado no evangelho. Leia o texto.
1.1 Exposição: Normalmente, esse seria o espaço utilizado para uma ação de graças. Há urgência na escrita: alerta contra a infidelidade. O espanto se dá pela rapidez com que os gálatas estavam passando daquele que os chamara para um novo evangelho.
1.1.1 O verbo “passando/desertando” (μετατίθεσθε/desertando) está no tempo presente. O grito apostólico para o retorno, poderíamos chamar essa carta.
1.1.2 Paulo utiliza duas expressões interessantes para descrever esse desvio: ἕτερον εὐαγγέλιον e ἄλλο εὐαγγέλιον.
1.2 Ilustração: Moisés e o bezerro de ouro (Ex 32). Eles viram, eles ouviram, mas, ainda assim, estavam deixando o Senhor pelos ídolos! Conecte com os gálatas.
1.3 Aplicações: O dever de permanecer!
Assim como nós, os gálatas receberam tudo o que era necessário!
Deus deu-nos os meios de graça, deu-nos oficiais (Ef 4.11-16)
Entretanto, não podemos negligenciar a nossa responsabilidade de cultivar uma vida devocional ativa e saudável! (Mateus 7.24; CMW 161)
1.3.1 Há apenas um evangelho! (Segunda Aplicação)
Ilustração: Sproul e a professora que era avessa ao cristianismo (livro Razão Para Crer). Objetivo da ilustração: Por que há um caminho ainda?
Frase de transição: Não cedamos aos gritos da pós-modernidade!
Paulo não está sendo intolerante; está sendo bíblico (Jo 14.6).
A Igreja possui uma mensagem exclusivista!
Conselho da IPMS, permaneçam firmes na mensagem apostólica!
1.4 Ponte Cristocêntrica: A mensagem do evangelho e sua simplicidade!
Ilustração: A história da sabatina de Jonatas
O evangelho é simples; caso percamos de vista essa simplicidade, inverteremos as coisas: quem salvou fui eu, e Cristo foi o moribundo.
Permaneça nessa graça! Como permaneceremos? Não se demovendo do evangelho!
1.5 Frase Conclusiva: Paulo está ensinando aos gálatas que a mensagem é suficiente; embora eles tivessem boas motivações, estavam perdendo aquilo que possuíam de mais precioso.
2. REJEITANDO TODO FALSO MESTRE (7B)
2. REJEITANDO TODO FALSO MESTRE (7B)
2.1 Frase introdutória: A dificuldade de dizê-lo; a necessidade de fazê-lo!
2.2 Exposição do verso 7.
Pergunta hipotética: se um adulto ensinar matemática errada a uma criança?
Aplicando: Eles poderiam estar crentes em sua mensagem, mas estavam equivocados completamente!
Sinceridade não exclui o objetivo maligno: perverter (Μεταστρέψαι).
Ao fazerem isso, estavam perturbando a Igreja (perturbadores: no grego, “mar agitado”).
2.3 Aplicação: Os falsos mestres agem sorrateiramente!
Encontramos na internet mensagens como: Faça a sua parte, Cristo salva, mas veja bem: purgatório! Cristo salva: graça barata.
Tomemos cuidado com esses tipos de mensagem; apesar de usarem o nome de Cristo como se o servissem, na verdade, consciente ou inconscientemente, são agentes da perturbação.
Frase de Apoio: Philip Graham Ryken: ‘Os professores mais perigosos são aqueles que pregam um Cristo diferente, mas ainda o chamam de Jesus’.[1]
2.4 Frase de Conclusão: Caso desejemos ser cristãos saudáveis, precisamos estar saturados do evangelho. Todavia, não faremos isso se estivermos abrindo as portas do nosso coração aos falsos mestres (Salmos 1.1,2)
Sobre esta pedra, fundamentarei a Igreja (Mateus 16.16-18).
2.4.1 Citação: ‘Quando a glória da justificação é atribuída a outrem, uma armadilha para a consciência das pessoas é preparada e o Salvador não tem mais o seu lugar ali; e a doutrina do evangelho é arruinada.’[2] (Calvino)
[1] Ryken, Philip Graham. Estudos bíblicos expositivos em Gálatas. Tradução Letícia Scotuzzi. – São Paulo: Cultura Cristã, 2018.
[2]CALVINO, João. Gálatas, Efésios, filipenses e Colossenses: Série Comentários Bíblicos. Tradução de Valter Graciano Martins. São José dos Campos, Sp: Editora Fiel, 2013. Edição Pilgrim.
3. CONDENANDO TODA NOVIDADE DOUTRINÁRIA (8,9 VS.)
3. CONDENANDO TODA NOVIDADE DOUTRINÁRIA (8,9 VS.)
3.1 Frase Introdutória: Não é um argumento retórico, mas pastoralmente necessário!
3.2 Exposição dos versículos 8,9
O versículo oito apresenta uma situação hipotética “ainda que”, porém provável de acontecer.
A questão era: mesmo que eu, meus companheiros ou um anjo de Deus pregue outro evangelho que vá além do que já fora pregado, deve ser considerado maldito de Deus!
No versículo nove, Paulo trabalha uma questão real: censura os falsos mestres.
Anátema (ἀνάθεμα) indica alguém ou algo entregue formalmente ao juízo divino.
Na LXX, o termo traduz a expressão ḥērem, ligada à remoção total dos ídolos e da impureza de Israel.
No Novo Testamento, anátema expressa a fidelidade de Deus à sua aliança; logo, se alguém mexesse na glória do Senhor (evangelho), pelo Senhor seria destruído!
3.3 Aplicações
3.3.1 A autoridade da Palavra (Primeira Aplicação)
Não está em personalidades nem em alguma denominação, mas no próprio Deus, que não permite que ela volte vazia sem cumprir o seu propósito.
Eis a régua à qual devemos submeter cada ensino (arte, ideologia, sermões e conselhos): o evangelho! (CFW 1.9: A regra infalível!)
3.3.2 Citação de Apoio: “Aquele que não ensina Cristo não é apostólico, mesmo que Pedro e Paulo sejam os mestres. Por outro lado, aquele que ensina Cristo é apostólico, ainda que Judas, Anás, Pilatos ou Herodes o estivessem fazendo.”[1]Martinho Lutero.
3.3.3 Segunda Aplicação: Rejeite as invencionices modernas!
Aqueles judaizantes não estavam mudando exposição, estavam aplicando de um modo errado!
Hoje em dia, pessoas arrogam para si novas interpretações e revelações, com o objetivo de acrescentar algo à mensagem. Paulo diz: anátema!
Existem pontos de divergência em questões superficiais, mas o que torna a Igreja universal é sua profissão de fé no evangelho!
Não temos o direito de acrescentar novas doutrinas! CBW 86: A fé salvadora recebe Cristo como é oferecido nas Escrituras.
Não existe um Jesus para os negros, para os homossexuais, para as outras religiões e um diferente para nós; só existe o Cristo, Filho do Deus vivo, Cordeiro e ressurreto!
A reforma foi a volta ao fundamento apostólico, e aqui permanecemos!
Citação de Apoio: Essas invencionices confundem e não edificam! Marcos 9.42 (leia)
3.3.4 Apontamento Escatológico: O dia do Juízo.
Sermão da Montanha (Mt 7.15-23): falsos mestres surgirão!
A censura temporal de Paulo nos lembra a censura de Jesus: em teu nome profetizei, curei, expulsei demônios! (Mateus 7. 22,23)
Todavia, os crentes mais humildes serão honrados como príncipes e, com Cristo, julgarão o mundo, porque se refugiaram no Cordeiro e foram achados fiéis.
[1] Ryken, Philip Graham. Estudos bíblicos expositivos em Gálatas.
4. SERVINDO SOMENTE A CRISTO (V. 10)
4. SERVINDO SOMENTE A CRISTO (V. 10)
4.1 Frase introdutória: Acredito que todos os que estão aqui ambicionam ser servos de Jesus. Aprendamos, portanto, o quanto esse serviço exige exclusividade!
4.2 Exposição do versículo 10
Uma série de perguntas retóricas: quem deseja agradar os homens fala deste modo?
Houve um tempo em que Paulo queria agradar a si e aos homens (Fp 3.4-6)
Paulo não está ensinando que sejamos grosseiros; ele mesmo fazia de tudo para ganhar a muitos, mas não em detrimento do evangelho!
O interesse do apóstolo era servir a Cristo integralmente, mesmo que isso significasse sofrer pela causa do evangelho e pela Igreja; os falsos mestres não estavam dispostos a isso (6.12).
Ilustração: A questão entre Calvino e Sadoleto não era sobre quem tinha os argumentos mais eloquentes, mas sobre quem estava com a verdade que glorifica a Deus!
4.3 Verdades do nosso Texto
4.3.1 Desista de servir a dois senhores!
Paulo deixa claro: se somos servos de Cristo, não procuramos agradar a ninguém mais!
Jesus declarou a impossibilidade disto (Mateus 6.24)
Paulo diz “eu sou escravo”, expressão grega indica o escravo que foi comprado e que não tem vontade própria!
Você está servindo a quem, irmão? Aos homens ou ao seu coração?
Uma das formas de descobrirmos isso é examinando as suas motivações.
4.3.2 Crucifique o seu ego!
Paulo fizera isso; ele não viveria mais para si (2.19-22).
Falarei aos casados: o que acham de crucificar o seu ego?
Falo aos pastores, presbíteros e seminaristas: o que acham de fazer um solene voto de dominar o nosso ego e não pleitear causas que não sejam do interesse de Cristo?
Jovens, não vivam para agradar seus impulsos, mas para agradar a Jesus!
Igreja, viveremos em maior unidade, alegria e saúde quando buscarmos agradar ao Senhor!
Citação de Apoio: ‘Uma vez que compreendemos o único e verdadeiro evangelho, deixamos de viver para nós mesmos, ou para os outros, e começamos a viver para Deus’
4.3.3 Ponte Cristocêntrica: Cristo é o nosso exemplo.
Sua comida e bebida eram a vontade de seu Pai!
Como bússola nas horas difíceis: seja feita a tua vontade, e não a minha!
Em Filipenses 2.5-11: Tenhamos o mesmo sentimento que houve em Jesus!
Recapitulação:
Como permanecemos na graça?
1. Permanecendo no evangelho! (6,7ª)
2. Rejeitando todo falso mestre (7b)
3. Condenando toda novidade doutrinária (8,9 vv.)
4. Servindo somente a Cristo (10 v.)
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Ilustração: C. S. Lewis descreve, com muita precisão, uma das astúcias do pecado. Um homem começa a deixar de confiar em suas grandes resoluções e passa a depender de Deus nas tentações concretas do dia a dia. Isso deveria ser motivo de alegria; porém, na lógica do inferno, é motivo de preocupação. Afinal, ele está se tornando humilde.
Então, surge a tentação mais sutil: fazê-lo admirar a própria humildade. Basta que ele pense: “Como estou sendo humilde!”, e logo a humildade se corrompe em orgulho. Assim, até uma virtude pode ser sequestrada quando o coração deixa de olhar para Cristo e passa a contemplar a si mesmo.[1]
Podemos cair nesse pecado quando atribuímos a nós a causa ou participação em nossa salvação. Sanamos essa fissura com o evangelho! Como precisamos, todos os dias, refrescar a nossa mente com essas santas verdades.
Não podemos ter Cristo e mais alguma coisa juntos; a obra de Jesus não permite isso. Caso o façamos, teremos que diminuir Jesus, esvaziar completamente sua obra, tê-lo apenas como um mestre da boa moral e, fatalmente, submeter-nos a ídolos vãos.
Ouça-me, caro descrente, se há algum nesta noite: sei que o seu coração tem andado inquieto; o mundo lhe parece atrativo, mas seu coração busca um lugar para descansar, para que sua culpa seja calada. O evangelho lhe basta! Venha a Cristo, procure o conselho desta Igreja e pergunte-lhes o que deve fazer; todavia, de pronto lhe digo: comece descansando na suficiência de Jesus hoje mesmo!
Façamos como João Calvino: não nos importemos com a eloquência das palavras sedutoras do diabo, nem nos movamos pela comoção popular. E, se formos perseguidos, continuemos firmes em dizer: vossa doutrina não concede a Deus toda a glória que lhe é devida; aqui permaneço. Mesmo que percamos família, bens e prazeres, se tudo acabar e a morte enfim chegar, com ele reinaremos!
Amém e amém.
[1]Lewis, C. S. Cartas de um diabo a seu aprendiz. Traduzido por Gabriele Greggersen. 1a ed. – Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2017. Edição Pilgrim.
BIBLIOGRAFIA UTILIZADA
BRUCE, F. F. Gálatas: comentário exegético. Tradução de Marcio Loureiro Redondo. São Paulo: Vida Nova, 2024.
CALVINO, João. Gálatas, Efésios, Filipenses e Colossenses. Tradução de Valter Graciano Martins. São José dos Campos: Fiel, 2013.
GEORGE, Timothy. Galatians. Nashville: Holman Reference, 1994.
HENDRIKSEN, William. Comentário do Novo Testamento: Gálatas. São Paulo: Cultura Cristã.
LONGENECKER, Richard N. Galatians. Grand Rapids: Zondervan Academic, 2017.
RYKEN, Philip Graham. Estudos bíblicos expositivos em Gálatas. Tradução de Letícia Scotuzzi. São Paulo: Cultura Cristã, 2018.
STOTT, John R. W. A mensagem de Gálatas: somente um caminho. Tradução de Yolanda Mirdsa Krievin. São Paulo: ABH Editora, 2007.
KELLER, Timothy. Gálatas para você. Tradução de Jurandy Bravo. São Paulo: Edições Vida Nova, 2015. Edição Pilgrim.
SPROUL, R. C. Razões para Crer. Tradução de Neyd Siqueira. São Paulo: Mundo Cristão, 1986. p. 26.
