22. Título exegético: Onde Abundou o Pecado, Superabundou a Graça (Rm 5.20-21)
Romanos: O evangelho é o poder de Deus para salvação • Sermon • Submitted • Presented
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20 A lei veio para que aumentasse a ofensa. Mas onde aumentou o pecado, aumentou muito mais ainda a graça, 21 a fim de que, como o pecado reinou pela morte, assim também a graça reinasse pela justiça que conduz à vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.
Anotações preliminares
Anotações preliminares
Estudo os comentários de Douglas Moo e de Tomas Schreiner para o estudo exegético da perícope.
Utilizo NAA como tradução bíblica de referência para o sermão.
Estudo exegético da perícope
Estudo exegético da perícope
1. O Contexto
1. O Contexto
A. Relacione a perícope à unidade literária maior da qual é parte.
A. Relacione a perícope à unidade literária maior da qual é parte.
Douglas Moo assim intitula a seção de Rm 5.1—8.39: “A segurança fornecida pelo evangelho: a esperança da salvação”.
Nesta carta aos Romanos, Paulo explica e defende seu evangelho a uma comunidade cristã que ele não fundou nem visitou, mas é sua esperança recrutá-la para apoiar uma campanha missionária no Mediterrâneo Ocidental. Com o objetivo de alcançar esse propósito, Paulo escreve uma carta em estilo de “tratado”, com uma estrutura cuidadosa e lógica. Após se apresentar como alguém “separado para o evangelho” e anunciar seus planos de levar essas “boas-novas” a Roma (1.1-15), ele justifica seus compromisso com o evangelho afirmando que a razão disso é que o evangelho transmite “o poder de Deus para [que produz] a salvação” (1.16). E por que o evangelho tem esse poder? Porque, Paulo explica, ele revela a atividade justificadora de Deus — e todos os que respondem a essa atividade com fé se tornam “justos” diante dele (1.17). Esse ensino de “justificação pela fé”, tão básico ao evangelho de Paulo, é o tema principal da primeira seção da carta (1.18-4.25).
Como o cap. 5 se encaixa na estrutura geral da carta é disputado. O cap. 5 dá continuidade ao argumento de Paulo? Uma vez que Paulo continua mencionando a justificação (5.1, 9, 16-19, 21) e somente em 6.1 interrompe o curso do argumento com uma pergunta retórica. Embora não devamos estabelecer uma linha divisória muito acentuada entre os capítulos 4 e 5, a evolução do argumento de Paulo revela que aqui ocorre uma transição no tema.
B. Relacione a perícope ao seu contexto imediato.
B. Relacione a perícope ao seu contexto imediato.
Essa passagem tem grande importância teológica. Paulo pinta com pinceladas amplas um quadro bastante geral da história da redenção. Não ouvimos nada nesse parágrafo sobre judeus e gentios. A perspectiva é coletiva, não individual. Todas as pessoas, Paulo ensina, estão relacionadas a um dos dois homens cujas ações determinam o destino eterno de todos os que pertencem a eles: ou a pessoa pertence a Adão e está debaixo da sentença da morte por causa de seu pecado, ou desobediência; ou pertence a Cristo e recebe a certeza da vida eterna por causa de seu ato justo, ou obediência.
Paulo argumentou em 5.1-11 que a esperança dos crentes é assegurada em virtude da obra de Jesus na cruz. Agora, nos vv. 12-21, ele contempla os dois principais poderes e inimigos que ameaçam a esperança dos crentes, a saber, o pecado e a morte. Esses dois poderes gêmeos foram introduzidos no mundo através do pecado de Adão e tem dominado a raça humana desde então. Mas a esperança dos crentes não é destruída pelo pecado e pela morte. Jesus Cristo conquistou ambos, provando portanto que seu impacto na história é maior que o de Adão. Os dois Adãos exerceram influência na história humana, mas o impacto do último Adão é maior do que o primeiro. Os crentes experimentarão a esperança da glória de Deus porque agora estão em Cristo, e não mais em Adão. Adão e Cristo não são apenas exemplos, mas representantes vicários dos indivíduos. Assim, não há exortação para seguir a Cristo aqui, nem há alguma referência à fé. Ao contrário, o impacto e o efeito tanto de Adão quanto de Cristo são apresentados.
O poder do ato de obediência de Cristo de vencer o ato de desobediência de Adão é o grande tema desse parágrafo.
A comparação entre Adão e Cristo domina o parágrafo. Em cada caso, Adão, o seu pecado e as respectivas consequências aparecem nas frases com “assim como” ou “não como”, enquanto Cristo, o seu ato de justiça e as respectivas consequências ocorrem nas frases com “assim também” ou “assim é”. As consequências universais do pecado de Adão são a pressuposição do argumento de Paulo; o poder do ato de Cristo de cancelar essas consequências é o seu objetivo.
Que relação esse argumento guarda com o restante da carta? O que é necessário estabelecer aqui é a relação entre 5.12-21 e o curso anterior do argumento de Paulo. A conexão principal é com o ensino de certeza de salvação final no parágrafo imediatamente anterior (vv. 2b, 9, 10).
O argumento do parágrafo ocorre de modo desarticulado porque Paulo começa no v. 12a uma comparação (“assim como”) que ele não completa (no grego koiné). Em vez disso, concentra-se em desenvolver a primeira parte de sua comparação — o pecado de Adão. No fim do v. 14, ao afirmar que Adão é um “tipo” de Cristo, Paulo alude à comparação completa. Entretanto, antes de a afirmar, institui uma série de contrastes entre Adão e Cristo (vv. 15-17). Por fim, em duas afirmações aproximadamente paralelas (vv. 18-19), ele completa a comparação. O v. 20 introduz a questão da Lei, pois um crente judeu certamente poderia objetar que Paulo omitiu de sua rápida exposição da história da salvação o acontecimento mais importante de todos: o Sinai. O v. 21, então, conduz o texto para um resumo e uma conclusão triunfante. E a nota final dessa conclusão é novamente cristológica: “por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor”.
C. Apresente o fluxo argumentativo da perícope (sua estrutura mais ampla).
C. Apresente o fluxo argumentativo da perícope (sua estrutura mais ampla).
Possível estrutura:
1. A graça de Cristo Jesus triunfa sobre o pecado (v. 20).
a. A lei veio para que aumentasse a ofensa.
b. Mas, onde abundou o pecado, superabundou a graça.
2. Em Adão, o pecado reinou para a morte (v. 21a).
2. A graça reina justificando o pecador e o conduzindo à vida eterna (v. 21a).
a. A graça “reina”.
b. A graça reina “pela justiça” - pela: meio; justiça - justificação.
c. Essa justificação conduz à vida eterna.
3. Tudo isso por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor (v. 21b).
a. É através de Jesus Cristo que a graça opera opera.
b. Jesus Cristo é o nosso Senhor.
