A FELICIDADE DE CAMINHAR COM DEUS

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A verdadeira felicidade está na comunhão com Deus, na força que Ele concede e na confiança em sua bondade.

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Texto: Salmo 84 Tema: A verdadeira felicidade está na comunhão com Deus, na força que Ele concede e na confiança em sua bondade. Tempo estimado: 25 a 30 minutos

Introdução

O Salmo 84 é um cântico de peregrinação atribuído aos filhos de Corá. Ele retrata a alegria daqueles que viajavam para Jerusalém a fim de adorar a Deus no templo.
A viagem não era fácil. Havia longas distâncias, caminhos perigosos, subidas cansativas e regiões áridas. Mesmo assim, os peregrinos prosseguiam, porque a alegria de chegar à presença de Deus era maior do que as dificuldades encontradas pelo caminho.
O salmista não estava encantado apenas com a beleza de um prédio. Seu desejo não era simplesmente pelo templo, mas pelo Deus que se revelava ali:
“A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (v. 2).
Os átrios mencionados no Salmo 84 referem-se aos espaços abertos do templo de Jerusalém onde os adoradores se reuniam para culto.
Seu coração estava tomado de saudade de Deus. Ele desejava intensamente estar na presença do Senhor, participar da adoração e desfrutar da comunhão com o povo da aliança.
O Salmo 84 contém três declarações diretas de felicidade:
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa” — versículo 4;
“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti” — versículo 5;
“Bem-aventurado o homem que em ti confia” — versículo 12.
Essas três bem-aventuranças mostram onde se encontra a verdadeira felicidade: na comunhão com Deus, na força de Deus e na confiança em Deus.
Frase de transição: A primeira verdade apresentada pelo salmista é que a felicidade não começa nas coisas que possuímos, mas na comunhão que desfrutamos com Deus.

1. FELIZES SÃO AQUELES QUE TÊM COMUNHÃO COM DEUS

Salmo 84.1–4

“Quão amáveis são os teus tabernáculos, Senhor dos Exércitos!”
O salmista contempla a Casa de Deus e declara que ela é amável, desejável e preciosa. Entretanto, o objeto principal de sua alegria não era o edifício, mas o Senhor que ali era adorado.
Ele não diz apenas que sua mente pensava em Deus. Afirma que sua alma suspirava, seu coração exultava e sua carne clamava pelo Deus vivo. Todo o seu ser estava envolvido nesse desejo.
O salmista não tinha uma religião meramente formal. Ele não estava satisfeito em conhecer algumas doutrinas, cumprir algumas cerimônias ou manter uma aparência religiosa. Ele desejava o próprio Deus.
Aqui temos um diagnóstico importante de nossa vida espiritual: sentimos falta da presença de Deus?
Há pessoas que sentem falta de entretenimento, de passeios, das redes sociais e de muitas outras coisas, mas não sentem falta da oração, da Palavra, do culto e da comunhão com a igreja.
Quando a presença de Deus deixa de ser nosso maior prazer, outras coisas começam a ocupar o lugar que pertence ao Senhor.

O pardal e a andorinha

“O pardal encontrou casa, e a andorinha, ninho para si, onde acolha os seus filhotes, junto aos teus altares” (v. 3).
O salmista observa que até os pequenos pássaros encontravam abrigo perto do altar. O pardal era uma ave pequena e de pouco valor. A andorinha era inquieta, voando constantemente de um lado para outro.
Ambos, porém, encontraram lugar junto à Casa de Deus.
Essa figura nos ensina duas verdades:
Na presença de Deus há acolhimento para aquele que se considera pequeno e sem valor.
Na presença de Deus há descanso para o coração inquieto.
O mundo pode nos desprezar, mas Deus nos recebe. Nossa alma pode estar agitada, mas encontra descanso junto ao altar do Senhor.
O versículo 4 conclui:
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.”
O salmista não está falando de uma visita ocasional. Ele fala de habitação, permanência e comunhão contínua.
A felicidade não está apenas em entrar na Casa de Deus, mas em viver na presença de Deus. Não podemos ser cristãos somente durante o culto. Nossa comunhão com o Senhor deve continuar em casa, no trabalho, na escola e em todos os nossos relacionamentos.

Aplicações

Primeira aplicação: Devemos examinar se nosso culto é movido pela fome de Deus ou apenas pelo hábito religioso

O salmista declara:
“A minha alma suspira e desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 84.2).
Essas palavras revelam que ele não procurava o templo apenas para cumprir uma obrigação religiosa. Ele sentia uma necessidade profunda de estar na presença de Deus. Sua alma suspirava, seu coração exultava e todo o seu ser desejava o “Deus vivo”.
Essa declaração nos leva a examinar nossa motivação quando vamos à igreja. Por que participamos do culto? Vamos apenas porque nos acostumamos? Porque nossa família espera isso? Porque ocupamos algum cargo? Ou vamos porque reconhecemos que precisamos encontrar-nos com Deus, ouvir sua Palavra e adorá-lo juntamente com os irmãos?
O hábito de participar dos cultos é importante e saudável. O problema surge quando preservamos o hábito, mas perdemos a fome espiritual. Podemos continuar frequentando a igreja, cantando os hinos, contribuindo financeiramente e exercendo um ministério, enquanto nosso coração permanece distante do Senhor.
O povo de Israel enfrentou esse problema. Por meio do profeta Isaías, Deus declarou:
“Este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim” (Is 29.13).
Exteriormente, eles continuavam praticando sua religião. Interiormente, porém, não desejavam verdadeiramente a Deus. Havia movimento religioso, mas não comunhão; palavras de adoração, mas não entrega do coração.

É possível estar no templo sem estar diante de Deus

O simples fato de entrarmos em um templo não significa que entramos espiritualmente na presença do Senhor. Podemos estar fisicamente presentes e, ao mesmo tempo, manter nossa mente ocupada com preocupações, negócios, conversas ou distrações.
Também podemos participar do culto apenas como espectadores. Avaliamos se a música estava boa, se o sermão foi interessante e se a programação nos agradou, como se o culto tivesse sido preparado somente para nosso entretenimento.
Entretanto, no culto cristão, Deus é o centro. Não vamos primeiramente para receber uma experiência agradável, mas para glorificar o Senhor. Vamos reconhecer sua grandeza, confessar nossos pecados, agradecer por sua graça, ouvir sua Palavra e responder-lhe com fé e obediência.
A pergunta principal depois do culto não deveria ser apenas: “Eu gostei?”, mas:
Deus foi glorificado?
Meu coração realmente o adorou?
Ouvi sua Palavra com disposição para obedecer?
Confessei meus pecados com sinceridade?
Saio daqui decidido a viver de maneira diferente?

A fome espiritual aparece antes, durante e depois do culto

A fome de Deus começa antes de chegarmos à igreja. Quem deseja verdadeiramente encontrar-se com o Senhor procura preparar o coração. Ora pela reunião, evita distrações desnecessárias e chega com expectativa espiritual.
Durante o culto, essa fome se manifesta por meio da atenção, da reverência e da participação sincera. A pessoa não canta apenas com os lábios, mas medita nas palavras que está cantando. Não ouve o sermão apenas para adquirir informações, mas permite que a Palavra confronte sua vida.
Depois do culto, a fome de Deus aparece na obediência. Não basta ouvir a verdade; precisamos praticá-la. Um culto verdadeiro produz frutos durante a semana.
Portanto:
Antes do culto, devemos preparar o coração.
Durante o culto, devemos oferecer o coração.
Depois do culto, devemos demonstrar a transformação do coração.

Quando perdemos a fome de Deus

A ausência de fome espiritual não aparece de uma só vez. Geralmente, ela começa de forma silenciosa. A oração vai diminuindo, a leitura bíblica se torna esporádica, o culto passa a parecer cansativo e as coisas do mundo começam a produzir mais interesse do que as coisas de Deus.
A pessoa ainda pode continuar ativa na igreja, mas já não encontra prazer no Senhor. Trabalha para Deus, porém deixou de desfrutar da comunhão com Deus.
Nesses momentos, não devemos simplesmente abandonar a igreja alegando que não sentimos mais vontade. Precisamos reconhecer nosso esfriamento, confessá-lo como pecado e pedir ao Senhor que renove nosso coração.
Davi orou:
“Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito inabalável. Restitui-me a alegria da tua salvação” (Sl 51.10,12).
Davi não pediu apenas que Deus mantivesse suas atividades religiosas. Pediu que restaurasse seu coração e a alegria da salvação.

Exemplos práticos

Frequentamos o culto apenas por hábito quando:
Cantamos, mas não prestamos atenção naquilo que estamos dizendo a Deus.
Ouvimos a pregação pensando apenas em como ela se aplica a outras pessoas.
Ficamos mais preocupados com o horário de encerramento do que com aquilo que Deus está falando.
Participamos de muitos trabalhos, mas quase não temos vida de oração.
Sentimos irritação quando o culto não atende às nossas preferências.
Saímos da igreja sem qualquer intenção de obedecer à Palavra recebida.
Demonstramos fome de Deus quando:
Preparamo-nos espiritualmente para o culto.
Chegamos desejosos de adorar, e não apenas de receber.
Ouvimos a Palavra com humildade e disposição para mudar.
Valorizamos a comunhão com os irmãos.
Confessamos nossos pecados e buscamos restauração.
Levamos para a semana aquilo que aprendemos no domingo.

Perguntas para reflexão

Cada cristão deve perguntar a si mesmo:
Tenho sentido falta da comunhão com Deus?
Ainda encontro prazer na oração e na Palavra?
Vou à igreja para adorar ou apenas para cumprir uma rotina?
Estou oferecendo a Deus somente minha presença física ou também meu coração?
Minha participação no culto tem produzido obediência durante a semana?
O que desperta mais entusiasmo em mim: as coisas passageiras deste mundo ou a presença do Deus vivo?

Desafio à igreja

Precisamos pedir que Deus nos livre de uma religião sem vida, de um culto sem coração e de uma participação sem entrega. Não queremos apenas estar nos átrios do Senhor; queremos encontrar-nos com o Senhor dos átrios.
O salmista não sentia saudade apenas do templo. Ele clamava pelo “Deus vivo”. Esse também deve ser o clamor da Igreja: não buscamos apenas um ambiente agradável, uma programação bem organizada ou uma mensagem emocionante. Buscamos o próprio Deus.
O hábito pode nos levar até o templo, mas somente a fome espiritual nos faz buscar verdadeiramente o Deus que habita nele.

Segunda aplicação: Precisamos valorizar a comunhão da igreja

O versículo 4 declara:
“Bem-aventurados os que habitam em tua casa; louvam-te perpetuamente.”
Para o salmista, estar na Casa de Deus era um grande privilégio. Ele não considerava a reunião do povo de Deus uma obrigação cansativa, mas uma fonte de alegria. Sua distância do templo aumentava sua saudade da adoração comunitária.
Embora Deus não esteja limitado a um prédio, o templo representava o lugar onde o povo da aliança se reunia para adorá-lo, ouvir sua Palavra, oferecer sacrifícios e desfrutar da comunhão.
No Novo Testamento, a Igreja não é formada por pedras, paredes ou edifícios. Ela é a comunidade daqueles que foram redimidos por Jesus. Por isso, valorizar a Casa de Deus significa, sobretudo, valorizar a reunião, a comunhão e a vida do povo de Deus.

A fé cristã não foi planejada para ser vivida isoladamente

É verdade que a salvação é pessoal: ninguém pode arrepender-se ou crer em nosso lugar. Contudo, a vida cristã não é individualista. Quando Cristo nos salva, Ele não nos deixa sozinhos; incorpora-nos ao seu corpo, que é a Igreja.
A Bíblia apresenta os cristãos como membros de um mesmo corpo:
“Assim também nós, embora sejamos muitos, somos um só corpo em Cristo e membros uns dos outros” (Rm 12.5).
Um membro separado do corpo não consegue permanecer saudável. Da mesma maneira, um cristão que se afasta deliberadamente da comunhão da igreja fica espiritualmente vulnerável. Ele perde oportunidades de ser ensinado, corrigido, encorajado e cuidado pelos irmãos.
A comunhão cristã não é um detalhe secundário. É parte do plano de Deus para nosso crescimento espiritual.

Reunimo-nos primeiramente para adorar a Deus

O salmista declara que aqueles que habitam na Casa de Deus o louvam continuamente. O centro da reunião não é o homem, mas o Senhor.
Não vamos ao culto apenas para encontrar amigos, ouvir uma boa música, buscar uma bênção ou receber uma palavra que nos faça sentir melhor. Reunimo-nos, antes de tudo, porque Deus merece ser adorado.
Quando a igreja canta, ela proclama coletivamente a grandeza de Deus. Quando ora, reconhece sua dependência. Quando ouve a Palavra, submete-se à autoridade do Senhor. Quando celebra a Ceia, anuncia a morte de Cristo e reafirma sua esperança na volta do Salvador.
O culto não deve ser avaliado apenas por aquilo que recebemos, mas principalmente por aquilo que oferecemos a Deus: louvor, gratidão, reverência, confissão e obediência.

Reunimo-nos também para cuidar uns dos outros

A igreja não é somente uma multidão que ocupa o mesmo espaço. É uma família espiritual. Nela, somos chamados a compartilhar alegrias, carregar fardos e servir uns aos outros.
A Palavra nos orienta:
“Levem as cargas uns dos outros e, assim, estarão cumprindo a lei de Cristo” (Gl 6.2).
Muitas vezes, Deus ministra seu consolo por meio de um irmão. Uma oração, uma visita, uma conversa, um conselho bíblico ou um gesto de cuidado pode renovar as forças de alguém que está atravessando um vale.
Quando nos afastamos da comunhão, não apenas deixamos de receber cuidado; também deixamos de cuidar. Talvez Deus desejasse usar nossa palavra, experiência ou presença para fortalecer alguém.

A igreja não é uma comunidade de pessoas perfeitas

Alguns se afastam da igreja porque foram decepcionados por outras pessoas. Precisamos reconhecer que feridas causadas dentro da igreja são reais e podem ser profundas. Entretanto, a igreja visível é formada por pecadores que estão sendo transformados pela graça.
Isso não significa tolerar abusos, encobrir pecados ou ignorar injustiças. Pecados devem ser confrontados biblicamente. Quando necessário, a liderança deve agir com verdade, justiça e proteção.
Mas não devemos exigir da igreja uma perfeição que somente encontraremos na glória. A igreja é um hospital de pecadores, uma família em processo de santificação e uma comunidade que precisa praticar continuamente o perdão e a reconciliação.
Cristo não abandona sua Igreja por causa das imperfeições dela. Pelo contrário, Ele a ama, santifica e aperfeiçoa. Se amamos a Cristo, também devemos amar aquilo que Ele ama.

Quando deixamos de valorizar a comunhão

Podemos perceber a desvalorização da comunhão quando:
Participamos do culto somente quando não temos outro compromisso.
Consideramos a igreja dispensável para nosso crescimento.
Chegamos, assistimos à programação e saímos sem conversar ou cuidar de ninguém.
Procuramos os irmãos apenas quando precisamos de alguma ajuda.
Abandonamos a comunhão por causa de pequenas divergências.
Criticamos constantemente a igreja, mas não nos dispomos a servi-la.
Desejamos receber atenção, mas não demonstramos interesse pelas necessidades dos outros.

Como valorizar a comunhão na prática

Valorizamos a comunhão quando:
Participamos fielmente das reuniões da igreja.
Oramos pelos irmãos e pela liderança.
Procuramos conhecer e ajudar aqueles que estão enfrentando dificuldades.
Recebemos os novos e aproximamo-nos daqueles que estão isolados.
Exercemos nossos dons para edificação do corpo.
Tratamos os conflitos com verdade, amor, humildade e perdão.
Não somos apenas frequentadores, mas membros comprometidos com a missão da igreja.

Perguntas para reflexão

Tenho tratado a comunhão da igreja como privilégio ou como obrigação?
Minha presença contribui para o fortalecimento dos irmãos?
Conheço as necessidades das pessoas que cultuam ao meu lado?
Estou apenas recebendo ou também servindo?
Há alguém que preciso perdoar, procurar ou ajudar?
Tenho amado a Igreja pela qual Cristo entregou a própria vida?

Desafio à igreja

Não devemos ser apenas consumidores de cultos, mas participantes da vida do corpo de Cristo. A igreja não é um lugar que frequentamos quando nos convém; é uma família à qual pertencemos e na qual somos chamados a servir.
Quem ama o Deus da casa também aprende a amar, cuidar e caminhar com o povo que Ele reuniu nessa casa.

Terceira aplicação: Precisamos cultivar diariamente a presença de Deus

O salmista desejava intensamente os átrios do Senhor, mas sua fome não estava restrita a determinado lugar. Ele declarou:
“O meu coração e a minha carne exultam pelo Deus vivo” (Sl 84.2).
Seu desejo principal era pelo próprio Deus. O templo era precioso porque ali o Senhor era adorado, mas o Deus vivo não estava limitado às paredes do santuário.
Essa verdade é ainda mais clara no Novo Testamento. Por meio de Cristo, temos acesso ao Pai, e o Espírito Santo habita em todos os que foram salvos. Portanto, a comunhão com Deus não deve acontecer somente durante o culto público. Ela precisa ser cultivada diariamente.

Não podemos viver apenas da experiência do domingo

O culto comunitário é indispensável, mas não substitui a devoção pessoal. Uma única refeição por semana não é suficiente para manter o corpo saudável. Da mesma maneira, ouvir a Palavra somente no domingo não é suficiente para nutrir nossa vida espiritual durante toda a semana.
Há cristãos que tentam sobreviver espiritualmente apenas com aquilo que recebem no culto. Não leem regularmente a Bíblia, quase não oram e raramente meditam nas coisas de Deus. Como resultado, chegam ao domingo enfraquecidos, vulneráveis e espiritualmente desanimados.
O sermão pregado no domingo deve alimentar nossa fé, mas também nos incentivar a continuar buscando o Senhor durante a semana.

Cultivar a presença de Deus é manter comunhão consciente com Ele

Deus está presente em todos os lugares. Portanto, não precisamos fazê-lo aproximar-se de nós. Cultivar sua presença significa viver conscientemente diante dele, reconhecendo-o em todas as áreas da vida.
Isso inclui:
Começar o dia reconhecendo que pertencemos ao Senhor.
Consultar sua Palavra antes de tomar decisões importantes.
Conversar com Deus ao longo do dia.
Examinar nossas atitudes à luz das Escrituras.
Reconhecer sua providência nas situações comuns.
Confessar rapidamente nossos pecados.
Agradecer pelas bênçãos recebidas.
A presença de Deus não deve ser lembrada somente durante os momentos difíceis. Não podemos procurá-lo apenas quando a enfermidade chega, o casamento entra em crise ou os recursos diminuem. Deus não é apenas um socorro emergencial; Ele é nosso Pai, Senhor e maior tesouro.

A Palavra alimenta nossa comunhão com Deus

Deus se revela de maneira objetiva em sua Palavra. Por isso, não devemos buscar sua presença guiados apenas por sentimentos, impressões ou experiências subjetivas.
Quando lemos a Bíblia, não estamos apenas adquirindo informações religiosas. Estamos ouvindo aquilo que Deus revelou sobre si mesmo, sobre nós, sobre a salvação e sobre a maneira como devemos viver.
Jesus declarou:
“Não só de pão viverá o ser humano, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4.4).
Ler a Bíblia não deve ser apenas uma tarefa para aliviar a consciência. Precisamos lê-la com reverência, atenção e disposição para obedecer.
Podemos fazer perguntas simples ao texto:
O que esta passagem ensina sobre Deus?
O que revela sobre meu coração?
Existe algum pecado que preciso abandonar?
Há uma promessa em que devo confiar?
Existe uma ordem que preciso obedecer?
Como essa verdade aponta para Cristo?

A oração mantém nosso coração voltado para Deus

Na Palavra, Deus fala conosco; na oração, respondemos a Ele. Orar é mais do que apresentar uma lista de necessidades. É adorar, confessar, agradecer, interceder e entregar nossa vida ao Senhor.
Jesus cultivava essa comunhão com o Pai. Mesmo cercado por multidões e envolvido em intenso ministério, retirava-se para lugares solitários a fim de orar.
Se o próprio Filho de Deus valorizava os momentos de oração, não podemos imaginar que conseguiremos viver fielmente sem eles.
Não precisamos esperar condições perfeitas para orar. Podemos conversar com Deus enquanto trabalhamos, viajamos ou realizamos atividades comuns. Entretanto, também precisamos separar momentos específicos de silêncio, atenção e busca.

A obediência confirma a autenticidade da comunhão

A presença de Deus não é cultivada apenas por meio de emoções. Podemos sentir-nos comovidos em um culto, cantar com lágrimas e, ainda assim, resistir à vontade do Senhor.
Jesus afirmou:
“Se vocês me amam, guardarão os meus mandamentos” (Jo 14.15).
A comunhão verdadeira produz obediência. Quem anda com Deus aprende a abandonar aquilo que o entristece e a praticar aquilo que lhe agrada.
Não podemos desejar a presença de Deus e, ao mesmo tempo, alimentar conscientemente pecados secretos. O pecado tolerado não destrói a onipresença de Deus, mas prejudica nossa comunhão com Ele.
Por isso, cultivar a presença do Senhor inclui arrependimento diário, confissão sincera e disposição para mudar.

A presença de Deus transforma as atividades comuns

Muitas pessoas separam a vida em duas áreas: a sagrada e a secular. Pensam que Deus está presente no culto, mas não se interessaria pelo trabalho, pelos estudos, pelas finanças ou pela vida familiar.
A Bíblia, porém, ensina que toda a vida deve ser vivida para a glória de Deus:
“Portanto, quer vocês comam, quer bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus” (1Co 10.31).
Podemos honrar a Deus na maneira como tratamos nossa família, desempenhamos o trabalho, utilizamos o dinheiro, conversamos com as pessoas e enfrentamos as dificuldades.
A comunhão diária transforma o comum em oportunidade de adoração.

Quando deixamos de cultivar a presença de Deus

O enfraquecimento espiritual pode ser percebido quando:
Começamos o dia consultando o celular, mas não buscamos o Senhor.
Passamos vários dias sem ler a Bíblia e isso não nos incomoda.
Oramos somente quando enfrentamos problemas.
Tomamos decisões sem considerar os princípios das Escrituras.
Praticamos no cotidiano aquilo que condenamos durante o culto.
Alimentamos pecados secretos enquanto mantemos aparência religiosa.
Permitimos que as preocupações ocupem nossa mente mais do que as promessas de Deus.

Como cultivar essa comunhão na prática

Separe diariamente um horário possível e realista para a Palavra e a oração.
Comece com uma porção bíblica que possa ser compreendida e aplicada.
Ore sobre aquilo que leu.
Memorize versículos que fortaleçam sua fé.
Faça pequenas orações ao longo do dia.
Examine suas decisões à luz da Bíblia.
Termine o dia agradecendo, confessando os pecados e entregando suas preocupações ao Senhor.
Não desista quando falhar; retome a disciplina com humildade.
Essas práticas não conquistam o amor de Deus. Buscamos o Senhor porque, em Cristo, já fomos alcançados por sua graça. A disciplina espiritual não é uma tentativa de merecer a salvação, mas uma resposta de amor ao Deus que nos salvou.

Perguntas para reflexão

Minha comunhão com Deus acontece apenas no domingo?
Tenho separado tempo para ouvir sua Palavra e falar com Ele?
Busco o Senhor por amor ou apenas quando preciso de ajuda?
Minhas escolhas diárias demonstram que vivo na presença de Deus?
Existe algum pecado prejudicando minha comunhão com o Senhor?
Que mudança prática preciso fazer para cultivar uma vida devocional mais constante?

Desafio à igreja

Não devemos ser cristãos que visitam a presença de Deus apenas durante o culto. Por meio de Cristo, fomos chamados para andar com Deus todos os dias.
A presença buscada no templo deve ser desfrutada em casa. A Palavra ouvida no domingo deve orientar as decisões da segunda-feira. A adoração cantada na igreja deve continuar por meio de uma vida de obediência.
Quem realmente deseja o Deus vivo não se satisfaz em encontrá-lo somente no culto; procura caminhar com Ele todos os dias e em todas as áreas da vida.
Frase de transição: A comunhão com Deus não nos isenta de enfrentar caminhos difíceis. Por isso, o salmista mostra que, além de buscar a presença de Deus, precisamos encontrar nele forças para atravessar os vales da vida.

2. FELIZES SÃO AQUELES CUJA FORÇA ESTÁ EM DEUS

Salmo 84.5–8

“Bem-aventurado o homem cuja força está em ti, em cujo coração se encontram os caminhos aplanados.”
Os peregrinos precisavam de força para chegar a Jerusalém. A jornada era longa e exigente. Entretanto, sua segurança não estava na resistência física, nos recursos materiais nem na facilidade do caminho. Sua força estava no Senhor.
O texto diz que os caminhos estavam em seu coração. Isso significa que eles haviam tomado uma decisão interior: apesar dos obstáculos, continuariam caminhando em direção a Sião.
Antes de o caminho estar debaixo de seus pés, já estava dentro de seu coração.
Da mesma maneira, a vida cristã exige uma decisão: precisamos colocar no coração o propósito de permanecer firmes com Deus. Quem não decide antecipadamente permanecer fiel poderá desistir quando encontrar as primeiras dificuldades.

Os peregrinos passavam pelo vale

“Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um manancial” (v. 6).
O vale de Baca representa um lugar árido, difícil, marcado pelo choro e pela escassez. Era uma região hostil no caminho dos peregrinos.
Observe que o texto não diz que aqueles cuja força estava em Deus seriam poupados do vale. Eles também passavam por ele.
Nossa comunhão com Deus não nos livra de todas as adversidades. O cristão também enfrenta enfermidades, luto, decepções, conflitos, crises financeiras e noites de lágrimas.
A diferença não é a ausência do vale, mas a presença de Deus durante a travessia.

O vale é passagem, não destino

O salmista diz: “Ao passarem pelo vale”. Eles não construíam sua residência ali. Não interrompiam a caminhada nem permitiam que o vale se transformasse em seu endereço definitivo.
Algumas pessoas entram no vale e pensam que nunca sairão dele. Passam a interpretar toda a vida a partir da dor que estão enfrentando.
Mas, para quem caminha com Deus, o vale não é o destino final. É apenas uma parte da caminhada.
Podemos passar pelo vale da enfermidade, da perda, da solidão ou da decepção. Contudo, continuamos caminhando para Sião, para a presença de Deus.

Eles transformavam o vale em manancial

O texto não diz apenas que os peregrinos suportavam o vale. Diz que faziam dele um manancial.
Deus pode transformar os lugares mais áridos de nossa história em fontes de bênçãos. Ele pode usar aquilo que nos fez chorar para fortalecer nossa fé e abençoar outras pessoas.
José passou pelo vale da rejeição, da escravidão e da prisão. Contudo, Deus transformou seu vale em instrumento de salvação para muitas pessoas.
Paulo enfrentou prisões, açoites e perseguições. Entretanto, dessas experiências surgiram testemunhos e cartas que continuam edificando a Igreja.
Não é o vale em si que produz a bênção. É a ação de Deus na vida daquele que atravessa o vale confiando nele.

Eles avançavam de força em força

“Vão indo de força em força; cada um deles aparece diante de Deus em Sião” (v. 7).
A força que possuíam no início da jornada não seria suficiente para todo o caminho. Deus, porém, renovava suas forças a cada etapa.
O Senhor não promete dar hoje toda a força de que precisaremos durante o restante da vida. Ele promete conceder graça suficiente para cada dia.
Quando nossas forças terminam, os recursos de Deus continuam inesgotáveis. O crente não vive apenas com as forças que possui, mas com aquelas que recebe do Senhor.

Aplicações

Primeira: Não devemos confiar apenas em nossos recursos.
Nossa inteligência, experiência e capacidade são limitadas. Nossa força verdadeira vem de Deus.
Segunda: Não devemos interpretar o vale como abandono de Deus.
Podemos estar no vale e continuar dentro da vontade do Senhor.
Terceira: Não devemos construir residência emocional no lugar da dor.
O sofrimento faz parte do caminho, mas não determina nosso destino.
Quarta: Devemos permitir que Deus transforme nossas feridas em fontes de consolo.
A pessoa consolada por Deus torna-se capaz de consolar aqueles que passam por tribulações semelhantes.
Frase de transição: Quem desfruta da comunhão com Deus e recebe forças para atravessar o vale descobre algo ainda maior: nada neste mundo pode ser comparado ao privilégio de pertencer ao Senhor.

3. FELIZES SÃO AQUELES QUE CONFIAM NA BONDADE DE DEUS

Salmo 84.9–12

“Pois um dia nos teus átrios vale mais que mil; prefiro estar à porta da casa do meu Deus, a permanecer nas tendas da perversidade” (v. 10).
O salmista faz uma comparação: um dia na presença de Deus é melhor do que mil dias em qualquer outro lugar.
Ele não está dizendo que a vida com Deus é sempre mais confortável. Está afirmando que ela é infinitamente mais valiosa.
Moisés compreendeu essa verdade. Ele preferiu ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar por algum tempo os prazeres do pecado. Entendeu que sofrer dentro da vontade de Deus era melhor do que desfrutar os prazeres do Egito longe do Senhor.
O salmista também preferia a posição mais humilde na Casa de Deus ao lugar mais confortável nas tendas da perversidade.
O menor privilégio com Deus é melhor do que a maior vantagem sem Ele.

O Senhor é sol e escudo

“Porque o Senhor Deus é sol e escudo” (v. 11).
Essas duas figuras revelam quem Deus é para seu povo.
Como sol, Deus ilumina nosso caminho. Ele dissipa as trevas, orienta nossos passos e nos concede vida.
Como escudo, Deus nos protege. Ele não promete impedir todas as batalhas, mas garante que nenhuma delas frustrará seus propósitos eternos.
O mesmo Deus que mostra o caminho também nos protege durante a caminhada.

O Senhor concede graça e glória

“O Senhor concede graça e glória.”
A graça é aquilo que recebemos durante a jornada; a glória é aquilo que nos aguarda no final.
A graça nos perdoa, sustenta, fortalece e restaura. A glória será nossa participação na presença eterna de Deus.
O Senhor nos concede graça para atravessar os vales e nos conduz à glória de sua presença.

O Senhor não recusa nenhum bem

“Não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade.”
Isso não significa que Deus satisfará todos os nossos desejos. Há coisas que consideramos boas, mas que poderiam nos afastar dele ou nos causar profundo prejuízo.
Deus não promete entregar tudo o que desejamos; promete não negar aquilo que é verdadeiramente bom segundo sua perfeita sabedoria.
Quando Deus fecha uma porta, ainda é bom. Quando nos manda esperar, continua sendo bom. Quando não compreendemos seus caminhos, podemos descansar em seu caráter.
Por isso, o salmo termina:
“Ó Senhor dos Exércitos, feliz o homem que em ti confia” (v. 12).
O salmista começou desejando a Casa de Deus e terminou depositando sua confiança no Deus da casa.
Nossa felicidade não depende de estarmos em determinado lugar, de possuirmos determinadas coisas ou de vivermos circunstâncias favoráveis. Nossa felicidade está em confiar no Senhor.

Aplicações

Não troque a presença de Deus por vantagens passageiras.
Não negocie sua fidelidade para obter reconhecimento ou prosperidade.
Não avalie a bondade de Deus apenas pelas circunstâncias.
Confie em Deus mesmo quando não conseguir compreender seus caminhos.

Conclusão

O Salmo 84 apresenta a jornada do peregrino em busca de Deus:
Ele encontra felicidade na comunhão com Deus.
Encontra força em Deus para atravessar os vales.
Transforma as experiências áridas em mananciais.
Avança de força em força.
Descansa na certeza de que Deus é sol e escudo.
Termina sua caminhada confiando plenamente no Senhor.
Todavia, nosso pecado nos afastou da presença de Deus. Não tínhamos força para retornar nem justiça para entrar em sua presença.
Foi por isso que Jesus Cristo veio.
Por meio de sua morte, o véu do templo foi rasgado. Pela sua ressurreição, um novo e vivo caminho foi aberto. Agora, todo aquele que se arrepende e crê em Cristo pode aproximar-se de Deus.
Jesus é o caminho que nos conduz ao Pai. Ele é a fonte que nos sustenta no vale e o escudo que garante nossa salvação.
Talvez você esteja atravessando um vale. Não pare no meio do caminho. O vale não é seu destino.
Talvez seu coração esteja frio e já não sinta saudade da presença de Deus. Peça ao Senhor que renove sua fome espiritual.
Talvez você esteja procurando felicidade nas tendas deste mundo. Cristo o convida a encontrar nele uma alegria que as circunstâncias não podem oferecer nem retirar.
O salmo não ensina que feliz é aquele que nunca atravessa vales. Ensina que feliz é aquele que, mesmo passando pelo vale, mantém sua comunhão, encontra sua força e deposita sua confiança em Deus.
A verdadeira felicidade não é viver sem vales, mas atravessá-los na presença de Deus, indo de força em força até chegarmos à Sião celestial.
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