O coração que vive de joelhos
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O coração que vive de joelhos
O coração que vive de joelhos
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;
15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
Ilustração
Ilustração
A lista de compras impossível
A lista de compras impossível
Conta-se a história de um homem que recebeu da esposa uma simples lista de compras.
Era curta.
pão
leite
manteiga
fruta
Quando chegou ao supermercado começou a pensar:
"Já agora levo uma televisão."
Depois viu uma promoção de ferramentas.
"E uma betoneira também faz falta."
Mais à frente apareceu uma churrasqueira.
"Já agora..."
Quando chegou à caixa...
Não tinha dinheiro para metade.
Voltou para casa sem pão.
Sem leite.
Sem manteiga.
Mas muito satisfeito por trazer uma churrasqueira enorme.
A esposa olhou para ele e perguntou:
— "E o pão?"
Ele respondeu:
— "Não trouxe... mas olha para esta promoção!"
Todos percebemos o ridículo.
Mas fazemos exatamente isto na vida espiritual.
Vivemos obcecados com aquilo que Deus nunca prometeu...
...e esquecemo-nos precisamente daquilo que Ele disse que devemos pedir.
introdução
introdução
A Oração do Senhor começa com a saudação: "Pai nosso que estás nos céus".
A nossa oração começa com esta saudação. Em segundo lugar, ela prossegue com a preocupação pela glória de nosso Pai.
Que o seu nome seja honrado, o seu reino estabelecido e a sua vontade obedecida. Assim, a principal preocupação dos filhos que vêm à presença de seu Pai em oração não é que recebamos o que precisamos, mas que Ele receba o que merece, que é honra ao Seu nome, a expansão do Seu reino, o cumprimento da Sua vontade, e essa é a nossa preocupação.
E depois temos a 3ª na sequencia da oração que vemos: a petição.
Para termos um pano de fundo voltemos atrás no tempo
O povo hebreu era um povo agrícola. Eles viviam perto da terra. Mas para nós, a urbanização separou-nos da terra. Grande parte do que comemos vem de latas, pacotes ou congeladores. Consumimos peixe que não vê o mar talvez há meses e ervilhas que talvez não vejam a terra há anos.
Mas, apesar da urbanização, todos nós permanecemos filhos da terra simplesmente porque somos seres humanos.
Acredito que só voltando a nossa mente para a origem entendemos o profundo desta oração onde encontramos o 1º pedido pessoal.
11 o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;
1. O Pão Diário: A Prova da Nossa Dependência de Deus
1. O Pão Diário: A Prova da Nossa Dependência de Deus
a dependência constante do Pai e o fim do medo do amanhã
John Stott escreve algo extraordinário:
"É a primeira petição que trata das necessidades humanas e é um reconhecimento franco da nossa dependência física de Deus."
Vivemos numa geração que gosta de falar de independência.
Mas Jesus ensina dependência.
Reparem no verbo.
"Dá-nos."
Não é:
"Ajuda-me a conquistar."
Nem:
"Permite-me produzir."
É:
"Dá."
Tudo o que temos...
é dado.
Enquanto não descermos do nosso cavalo branco que nos dá a sensação de poder, não conseguimos entender uma profunda verdade que Jesus nos quer ensinar, muito nesta época.
Respiramos porque Deus quer.
O coração bate porque Deus quer.
A saúde existe porque Deus quer.
O emprego permanece porque Deus quer.
A mesa está posta porque Deus quis.
Nós trabalhamos.
Mas Deus sustenta.
É exatamente isto que Tiago escreve:
"Toda a boa dádiva vem do alto."
Até o agricultor mais experiente...
não consegue fabricar chuva, ou levantar o sol.
O melhor médico...
não consegue criar uma única célula.
O empresário mais competente...
não controla o dia de amanhã.
Somos radicalmente dependentes.
E Jesus quer que essa dependência seja diária.
Não diz:
"Dá-nos o pão para um ano."
Nem para um mês.
Mas para hoje.
Porque Deus quer filhos que caminham pela fé...
não pessoas que vivem apoiadas nas reservas.
Israel recebeu maná todos os dias.
Não podiam armazená-lo.
Porque Deus queria ensinar-lhes confiança diária.
Hoje.
Amanhã.
Depois de amanhã.
Sempre.
Recordo um período em quanto criança, os meus pais como qualquer um de nós confiou no frigorifico, mas certo dia quando abriram a porto um cheiro a podre que ainda hoje me lembro.
Há uma enorme diferença entre confiar em Deus para um milagre...
e confiar n'Ele pelo milagre do nosso pequeno-almoço.
O pão diário ensina-nos que Deus está interessado nas pequenas necessidades da nossa vida.
Orar pelo pão diário não é uma condição para recebê-lo.
Pelo que sei, cristãos que fazem a oração antes das refeições e cristãos que omitem a oração antes das refeições, ambos têm refeições.
O pão diário não é dado a quem ora e negado a quem não ora.
A razão pela qual oramos pelo pão de cada dia é para expressar nosso reconhecimento de que, sem a graça sustentadora de Deus concedida a toda a humanidade, nós nos tornaríamos pó e morreríamos.
MacArthur escreveu o seguinte
“Devemos dar a Deus o privilégio e a oportunidade de revelar Sua glória através do atendimento das mais profundas necessidades humanas.
Mas é porque queremos que Deus seja exibido, não porque fazemos exigências a Ele para nosso benefício. Se a oração se torna centrada no homem e a oração se torna egocêntrica e a oração se torna egoísta em qualquer sentido, ela deixa de ser o tipo de oração que nosso Senhor disse que deveria ser característica de Seu reino.”
Frase de impacto
Quem aprende a receber do Pai o pão de hoje deixa de viver escravo do medo do amanhã.
(Pausa)
12 e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores;
14 Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará;
15 se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.
2. O Perdão: O Reflexo Inevitável da Cruz
2. O Perdão: O Reflexo Inevitável da Cruz
Só forma de esclarecimento o termo usado no verso 12, perdoa-nos as nossas dividas, quando lemos em Lucas diz perdoa-nos as nossas ofensas ou pecados.
Entre os rabinos e os judeus da época de Mateus, a palavra mais comum usada para pecado era a palavra “koba”, que é uma palavra aramaica, e eles falavam aramaico em sua linguagem cotidiana, não o grego em que isso está escrito.
E assim “koba” era o termo judaico mais comum para pecado.
E “koba” significa uma dívida, porque para um judeu a responsabilidade primária na vida era obedecer a Deus, e quando você desobedecia a Deus, você Lhe devia uma dívida por sua desobediência.
E assim o judeu pensava nesses termos.
Mateus, com sua orientação judaica, foca neste conceito de dívida porque ele sabe que sua audiência judaica realmente entenderá isso.
Concordarão comigo que a coisa mais essencial, mais abençoada e mais difícil que Deus já fez foi prover ao homem o perdão do pecado.
É o mais essencial porque nos livra do inferno eterno e nos dá alegria mesmo nesta vida.
É o mais abençoado porque nos introduz a uma comunhão com Deus que dura para sempre
É o mais difícil porque custou a vida do Filho de Deus, numa cruz.
“Não posso deixar de salientar algo que é muito importante
O pecado tem um efeito duplo, geralmente, e é que ele condena os homens para sempre… esse é o seu efeito futuro… seu efeito presente é que ele rouba os homens da plenitude da vida, trazendo à sua consciência uma culpa incessante e implacável.
E assim, ao enfrentarmos o problema do pecado, enfrentamos o fato de que o pecado traz consequências imediatas, culpa e a perda de significado, paz, alegria e vida, e a consequência futura de que o pecado traz condenação eterna.”
Voltando para a oração
O perdão ao próximo flui diretamente do perdão que recebemos de Deus
Esta é talvez a petição mais desconfortável e desconcertante de toda a oração.
"Perdoa-nos... assim como nós perdoamos."
Jesus volta ao assunto logo a seguir.
É a única petição que Ele explica.
Porquê?
Porque sabia que seria aqui que os discípulos mais tropeçariam.
Todos gostamos de receber perdão.
Poucos gostam de oferecê-lo.
Vivemos numa cultura onde guardar ressentimento parece uma virtude.
Mas no Reino de Deus...
o perdão não é opcional.
É uma evidência de que fomos alcançados pela graça.
Jesus não está a ensinar que ganhamos o perdão de Deus porque perdoamos.
Está a ensinar que quem foi verdadeiramente perdoado...
não consegue continuar a viver preso ao ódio.
Uma pessoa que conhece a cruz...
não consegue viver abraçada à vingança.
A cruz destrói o orgulho.
A cruz desmonta o ressentimento.
A cruz lembra-nos constantemente:
"Eu fui perdoado de muito mais do que aquilo que me fizeram."
Cada vez que recusamos perdoar...
estamos a dizer que a dívida do outro é maior do que a dívida que Deus apagou na nossa vida.
E isso nunca será verdade.
Talvez alguém esteja aqui há anos preso a uma ofensa.
Essa prisão já não é do outro.
É tua.
O perdão não muda o passado.
Mas liberta o coração para o futuro.
Frase de impacto
Quem vive aos pés da cruz não consegue viver de punhos fechados.
(Pausa)
13 e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal !
3. A Consciência da Fraqueza: O Caminho para a Proteção do Pai
3. A Consciência da Fraqueza: O Caminho para a Proteção do Pai
a maturidade espiritual nasce da dependência e não da autoconfiança
"Não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do Mal."
Jesus termina mostrando outra verdade desconcertante.
Não somos tão fortes quanto pensamos.
O maior perigo espiritual é acreditar que somos suficientemente fortes para vencer sozinhos.
Pedro disse:
"Mesmo que todos te abandonem..."
Poucas horas depois...
negava Jesus.
Nós não oramos esta petição porque Deus tenha prazer em tentar-nos.
Tiago deixa claro que Deus não tenta ninguém.
Mas pedimos que Deus nos preserve...
nos fortaleça...
nos livre das circunstâncias onde a nossa fraqueza poderá cair.
O cristão maduro não é aquele que diz:
"Eu consigo."
É aquele que ora:
"Pai, guarda-me."
O maior sinal de maturidade espiritual não é autoconfiança.
É dependência.
Todos temos pontos fracos.
Todos temos áreas vulneráveis.
Todos precisamos da mão do Pai.
Quem deixa de orar esta oração...
normalmente começa a confiar demasiado em si próprio.
E foi exatamente isso que aconteceu com Pedro.
Mas Jesus ensina-nos a começar cada dia conscientes de que precisamos da proteção de Deus.
Frase de impacto
Quem conhece a própria fraqueza corre para Deus antes da tentação chegar.
Pausa
13 [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!
4. O Regresso ao Trono: A Oração Termina Onde Tudo Começa
4. O Regresso ao Trono: A Oração Termina Onde Tudo Começa
o fecho da oração retira o foco do homem e devolve-o inteiramente à soberania de Deus
"Porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. Amém."
Há algo maravilhoso nesta conclusão.
A oração começou assim:
"Santificado seja o teu nome."
E termina assim:
"Tua é a glória."
Começou com Deus.
Acaba com Deus.
Porque a verdadeira oração nunca coloca o homem no centro.
Coloca Deus no centro.
Mesmo que esta frase não esteja presente nos manuscritos gregos mais antigos, ela foi usada durante séculos pela Igreja primitiva e resume de forma extraordinária toda a oração que Jesus ensinou.
Ela lembra imediatamente as palavras de David:
"Teu é, Senhor, o reino, o poder, a glória..." (1 Crónicas 29)
Jesus ensina-nos que, depois de apresentarmos todas as nossas necessidades, devemos levantar novamente os olhos.
Porque a oração não termina nos nossos problemas.
Termina na grandeza de Deus.
Observemos as três afirmações.
1. "Teu é o Reino"
1. "Teu é o Reino"
Não é o meu reino.
Não é o reino da minha vontade.
Não é o reino dos meus planos.
Tudo pertence a Deus.
É Ele quem governa a História.
Quando oramos isto estamos a dizer:
"Pai, Tu continuas sentado no trono."
Os governos mudam.
As economias mudam.
As circunstâncias mudam.
Mas o Reino de Deus permanece inabalável.
Que descanso!
O discípulo dorme tranquilo porque sabe Quem continua no trono.
(Pausa)
2. "Teu é o poder"
2. "Teu é o poder"
Nós chegámos à oração cheios de necessidades.
Agora lembramo-nos de Quem tem poder para responder.
Não estamos a falar para um pai impotente.
Estamos diante do Criador do Universo.
Aquele que criou tudo pela Palavra.
Aquele que abriu o Mar Vermelho.
Aquele que ressuscitou Cristo.
O mesmo poder continua disponível.
As nossas limitações não limitam Deus.
As nossas impossibilidades são apenas o palco da Sua omnipotência.
(Pausa)
3. "Tua é a glória"
3. "Tua é a glória"
Este é o destino de toda a oração.
Não é que Deus realize os meus sonhos.
É que Deus receba toda a glória.
Até quando Deus responde às minhas necessidades...
o objetivo final não sou eu.
É que Ele seja glorificado.
Até o pão diário existe para a Sua glória.
O perdão existe para a Sua glória.
A proteção existe para a Sua glória.
Tudo converge para Deus.
Como dizia John Piper:
"Deus é mais glorificado em nós quando estamos mais satisfeitos n'Ele."
A oração termina onde a vida cristã termina.
Não em nós.
Mas n'Ele.
Frase de impacto
Frase de impacto
A verdadeira oração começa com a santidade de Deus, passa pelas necessidades do homem e termina na glória eterna do Pai.
(Pausa longa)
Conclusão
Conclusão
Lembram-se daquele homem da lista de compras?
Entrou no supermercado à procura do essencial...
e saiu carregado de coisas secundárias.
Trouxe uma churrasqueira.
Mas esqueceu-se do pão.
É engraçado...
mas quantas vezes fazemos exatamente isso diante de Deus?
Gastamos a vida inteira a correr atrás daquilo que passa...
e esquecemo-nos daquilo que permanece. O Reino Eterno de Deus
