Tema: Frutifique no Espírito

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Texto Base: Gálatas 5.19–24 “19 Ora, as obras da carne são conhecidas e são: imoralidade sexual, impureza, libertinagem, 20 idolatria, feitiçarias, inimizades, rixas, ciúmes, iras, discórdias, divisões, facções, 21 invejas, bebedeiras, orgias e coisas semelhantes a estas. Declaro a vocês, como antes já os preveni, que os que praticam tais coisas não herdarão o Reino de Deus. 22 Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, 23 mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei. 24 E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.”
ICT (Ideia Central do Texto - O que o autor quis dizer aos leitores originais):O apóstolo Paulo ensina aos crentes da Galácia que a verdadeira liberdade cristã não é uma licença para pecar, nem uma submissão a regras legalistas, mas uma vida controlada pelo Espírito Santo, cuja atuação substitui as obras da carne pelo Fruto do Espírito.
Tese (O que o texto diz para nós hoje):A evidência incontestável de que somos justificados e pertencemos a Cristo não está no ativismo religioso ou no cumprimento mecânico de regras, mas na transformação progressiva do nosso caráter operada exclusivamente pelo poder do Espírito Santo.

Introdução (Ampliada)

Vivemos em uma geração evangélica fascinada por pragmatismo, resultados rápidos e aparências. O evangelicalismo moderno costuma perguntar: "Quão grande é o seu ministério?" ou "Quantos dons você tem?". No entanto, o Deus Soberano está interessado, antes de tudo, no caráter. Dons são dados instantaneamente por graça; o fruto demanda tempo, raízes e a seiva do Espírito.
O contexto da carta aos Gálatas é fundamental para entendermos este texto. A igreja estava dividida entre dois perigos mortais, que João Calvino chamou de "inimigos do evangelho":
O Legalismo: Os judaizantes diziam que para ser salvo era preciso guardar a lei de Moisés (circuncisão, dietas).
O Libertinismo (Antinomismo): Outros achavam que, por estarem debaixo da graça, poderiam viver de qualquer jeito, na carne.
Paulo entra com o machado na raiz dos dois problemas dizendo: A verdadeira graça não te faz escravo de regras, mas também não te deixa escravo do pecado. A graça te une a Cristo e te dá o Espírito Santo! A pergunta do texto, portanto, não é se você é moralmente superior aos outros, mas: Quem controla as rédeas do seu coração? A sua velha natureza (carne) ou o Espírito de Deus?

I. A Carne e Sua Produção de Morte (vv. 19-21)

Explanação (Comentário Reformado):Quando Paulo fala de "carne" (sarx no grego), ele não está falando do nosso corpo físico (pele e osso). Na teologia reformada, entendemos isso pela doutrina da Depravação Total. A "carne" é a natureza caída herdada de Adão, em total inimizade contra Deus. Ela afeta o homem todo: mente, vontade e afetos. Note que Paulo chama o que a carne faz de "obras" (trabalho, esforço de uma fábrica morta).
A lista que Paulo apresenta mostra a extensão dessa corrupção em todas as áreas:
Área Sexual: Prostituição, impureza, lascívia.
Área Religiosa: Idolatria, feitiçaria (tentativas de manipular o divino).
Área Social/Relacional: Inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias. (Perceba que pecados de relacionamento são listados junto com feitiçaria e imoralidade sexual!).
Ilustração:Imagine uma fábrica de produtos químicos cuja tubulação está podre e vazando veneno. Você pode pintar as paredes da fábrica de branco, pode colocar funcionários com uniformes novos (isso é o moralismo/legalismo), mas o produto que sai na esteira continuará sendo tóxico, porque as máquinas dentro dela estão corrompidas. Sem um milagre no interior da fábrica, o rio ao redor continuará sendo envenenado.
Aplicação:Pare de tentar vencer a carne apenas com regras humanas ou força de vontade. A Lei de Deus pode nos mostrar o nosso pecado, mas não tem poder para curá-lo. Você não precisa de uma "reforma íntima" baseada em autoajuda; você precisa de regeneração. Você precisa reconhecer sua incapacidade total de agradar a Deus sem a obra do Espírito. A carne promete prazer e liberdade, mas o salário dessa obra é sempre a morte e a escravidão.

II. O Espírito e Seu Fruto Singular (vv. 22-23)

Explanação (Comentário Reformado):O contraste de Paulo aqui é maravilhoso. A carne tem "obras" (plural, esforço, fadiga), mas o Espírito tem "Fruto" (singular, orgânico, natural, obra divina). Paulo não diz "os frutos", mas "o fruto". É uma única realidade espiritual com 9 manifestações: Amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio.
Na perspectiva reformada da União com Cristo, esse fruto nada mais é do que o próprio caráter de Jesus Cristo sendo reproduzido no crente. Como Calvino ensinava, o Espírito Santo é o "vínculo" pelo qual nos unimos a Cristo. Quando a seiva de Cristo entra em nós, as virtudes de Cristo aparecem em nós. Não é um cardápio onde escolho ser paciente, mas não ser manso. Tudo cresce junto, porque é o mesmo Espírito.
Ilustração:Pense em um prisma de vidro. Quando a luz branca incide sobre o prisma, ela se divide no outro lado em um arco-íris com diversas cores. É apenas uma luz (a presença do Espírito Santo), mas quando ela passa pelo prisma da nossa vida, ela refrata em 9 cores espirituais brilhantes (as virtudes do versículo 22). Outra imagem é a de João 15: o ramo não faz força, não geme, não sofre de ansiedade para produzir uvas. Ele simplesmente permanece grudado na Videira, e a seiva faz o trabalho.
Aplicação:A santificação não é você dizendo a si mesmo: "Vou me esforçar muito para não gritar com minha esposa hoje, vou tentar ser manso". Isso pode funcionar por um dia. A verdadeira santificação é cultivar a presença do Espírito. Como fazemos isso? Através dos Meios da Graça: leitura zelosa da Palavra, oração fervorosa, participação na Ceia e culto público. Quanto mais perto de Cristo você estiver, mais parecido com Cristo você será. A maçã nasce da macieira; a santidade nasce da presença do Espírito Santo.

III. A Crucificação da Carne e a Luta Diária (v.24)

Explanação (Comentário Reformado):Aqui Paulo fala de Santificação Definitiva. Note o tempo do verbo: "Os que são de Cristo Jesus CRUCIFICARAM a carne". É um evento no passado. Quando Deus nos salvou, fomos unidos a Cristo na cruz (Romanos 6). O domínio tirânico do pecado foi quebrado. O pecado pode morar em nós, mas ele não reina mais. Não somos mais escravos, somos livres em Cristo.
Mas por que ainda pecamos? O puritano John Owen, mestre na doutrina do pecado, ensinou: "O pecado não tem mais domínio, mas ele ainda tem vida. Portanto, esteja matando o pecado, ou o pecado estará matando você." (A Mortificação do Pecado). Nós crucificamos a carne na conversão, mas a crucificação é uma morte lenta. A carne ainda grita, esperneia e tenta nos seduzir, por isso temos que mantê-la na cruz todos os dias.
Ilustração:No Império Romano, quando um criminoso era pregado na cruz, ele estava definitivamente derrotado. Ele nunca mais voltaria à vida normal. Porém, ele não morria na hora. Ele passava dias agonizando, gritando, blasfemando e se contorcendo na cruz. Assim é a velha natureza em nós. Cristo já a pregou na cruz. Ela não dita mais as regras. Mas enquanto estivermos neste corpo, ela vai gritar e tentar nos atrapalhar. A nossa função é não tirar a carne da cruz para alimentá-la.
Aplicação:Qual é o seu pecado de estimação? Aquele que você tira da cruz de vez em quando, dá um pouco de comida (através do que você assiste, do que você fala, dos ambientes que frequenta) e depois tenta colocar na cruz de volta? Nós não fazemos carinho na carne, nós a crucificamos. Mortifique a carne privando-a de alimento. Se você alimentar o Espírito com a Escritura e matar a carne de fome pela disciplina bíblica, o Fruto florescerá.

Conclusão e Apelo Final

Os reformadores cunharam uma frase essencial: "Somos justificados somente pela fé, mas a fé que justifica nunca está sozinha". Ela sempre vem acompanhada de frutos. O mundo não conhecerá o Evangelho apenas pela precisão da nossa teologia, mas pelo amor e transformação da nossa vida. O próprio Senhor Jesus disse: "Pelo fruto se conhece a árvore".
A espiritualidade reformada e bíblica não acontece apenas nos gabinetes teológicos, ela acontece na paciência no trânsito, na fidelidade no leito conjugal, no domínio próprio com o uso do celular e na bondade para com o irmão chato da igreja.
Apelo:Faça uma autoavaliação honesta (2 Coríntios 13.5). Ao olharmos para sua vida na última semana, o que estava transbordando do seu coração: o veneno da fábrica da carne (ansiedade, intrigas, egoísmo) ou o fruto do Espírito?
O congresso/culto acaba hoje, mas a vida real começa amanhã. Que não saiamos daqui carregados de informações religiosas, mas cheios do Espírito Santo. Que Ele nos conceda a graça de vivermos de tal modo que, ao olharem para nós, as pessoas vejam a face de Jesus.
"Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto; e assim vos tornareis meus discípulos."(João 15.8)
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