COMO A IGREJA TODA PARTICIPA DA REUNIÃO?

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LEITURA DO TEXTO

Atos dos Apóstolos 2.42 “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”

INTRODUÇÃO

O sermão desta noite é uma continuação do sermão do domingo passado. Então, para você entender melhor o que estamos ensinando, será muito importante que você ouça o áudio do sermão do domingo passado que está em nosso canal no YouTube. O título do sermão é: “O que devemos fazer quando nos reunimos?”.
Se semana passada ensinamos sobre “o que devemos fazer quando nos reunimos”, hoje nós ensinaremos sobre o “como”: como a igreja toda participa da reunião?
Obviamente os que nos visitam e os frequentadores de nossa igreja são convidados a não só aprender, mas participar cada vez mais ativamente de tudo o que estamos buscando viver em cada culto público dominical, mas este ensino sobre a membresia possui um caráter normativo; ou seja, é uma responsabilidade de cada membro que está no rol de nossa igreja local aprender e procurar praticar esses ensinamentos.
Como expomos a Palavra semana passada, temos os elementos, as formas e as circunstâncias do culto público e a parte principal são os elementos e estes são cinco: ler a Palavra, orar a Palavra, cantar a Palavra, pregar a Palavra e ver a Palavra no batismo e na Ceia do Senhor. Não estou disposto como pastor desta congregação a trazer qualquer outro elemento — na verdade eu teologicamente quero rejeitar qualquer outro elemento adicional porque eu vejo que com estes cinco nós seguimos mais que uma tradição batista reformada; nós caminhamos sobre um sólido fundamento da teologia bíblica que prevê a adoração comunitária da igreja dentro dos princípios que regulam a adoração e estes princípios surgem da revelação da Palavra de Deus que é a Escritura.
Com todo o respeito a outras igrejas locais que introduzem uma série de elementos ao culto público que realizam e sem a menor pretensão em nos comparar com ninguém e menos ainda pensando que somos melhores, apenas estamos voltados para a melhor condução bíblica possível do nosso ministério em todos os aspectos e isso inclui a teologia do culto público. Queremos a liberdade do Espírito que se dá dentro das responsabilidades e delimitações da Escritura.
Não desejamos um engessamento do culto, mas também não desejamos uma mentalidade focada muito mais no incrédulo como um cliente do que na fidelidade a Deus e sua Palavra. Creio que a edificação do povo de Deus, a evangelização dos descrentes e a exaltação do nosso Senhor dependem dessa mentalidade mais conectada com a história da igreja, da teologia e do próprio cristianismo e sabemos que é o próprio Espírito de Deus quem nos conduz nessa fidelidade que se manifesta nessa realidade de consciência que conjuga muito sabiamente liberdade com responsabilidade.
Isto posto, vamos procurar responder a pergunta principal deste sermão: como a igreja toda participa da reunião? A congregação (especialmente os membros da igreja) é passiva ou ativa no processo de ler, orar, cantar, pregar e ver a Palavra de Cristo que é o Evangelho?

EXPOSIÇÃO DO TEXTO

Atos dos Apóstolos 2.42 “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
Uma análise meramente superficial desse versículo que lemos já nos indica que a igreja, os que assumiram um compromisso de arrependimento dos pecados e uma declaração pública da sua fé em Jesus Cristo, desde o seu nascedouro era ativa na participação de toda a dinâmica do reino de Deus: eles perseveravam. Eles quem? A IGREJA.
A igreja se comprometia com o ouvir o ensino apostólico (o que hoje se equivale a ouvir o sermão bíblico e fiel à essa doutrina dos apóstolos), estava presente em cada reunião (comunhão), não abria mão da ceia do Senhor como parte dessa adoração comunitária da igreja e era também perseverante na prática da oração coletiva (porque eles “perseveravam nas orações”).
Logo, podemos ver por esse texto que o povo de Deus salvo por Jesus possui uma demanda ministerial coletiva: todo cristão membro da igreja visível tem uma responsabilidade com a pregação, com a unidade, com a prática das ordenanças e com o desenvolvimento do relacionamento com Deus através da oração tanto no individual quanto no coletivo.
COMO A IGREJA TODA PARTICIPA DA REUNIÃO?
Mas então. Precisamos responder mais claramente a pergunta chave deste sermão. Como a igreja toda participa da reunião? Vamos a alguns pontos para construirmos essa resposta.
1- Lendo a Palavra.
Deus cria o seu povo e o santifica pela sua Palavra. Paulo instrui Timóteo (vamos ler):
1Timóteo 4.13 “Até a minha chegada, dedique-se à leitura pública das Escrituras, à exortação, ao ensino.”
Lemos a Palavra de Deus para a nossa santificação em casa, mas precisamos entender que devemos ler também quando nos ajuntamos no domingo.
Mateus 18.20 “Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”
A leitura pública da Palavra de Deus marcou a história de Israel. Vemos a nação se reunir para ouvir a lei debaixo da liderança de Josué, Josias e Esdras. Quero conduzir vocês a esses três textos.
Josué 8.33–35 “Todo o Israel, tanto estrangeiros como naturais, com os seus anciãos, os seus chefes e os seus juízes estavam de um e de outro lado da arca, diante dos sacerdotes levitas que levavam a arca da aliança do Senhor. Metade deles se postou em frente do monte Gerizim, e a outra metade, em frente do monte Ebal, como Moisés, servo do Senhor, havia ordenado anteriormente, para que o povo de Israel fosse abençoado. Depois, Josué leu todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, segundo tudo o que está escrito no Livro da Lei. Não houve uma só palavra, de tudo o que Moisés havia ordenado, que Josué não lesse para toda a congregação de Israel, e para as mulheres, as crianças e os estrangeiros que viviam no meio deles.”
Percebeu? Josué possivelmente leu o livro do Deuteronômio inteiro para “todo o Israel, tanto estrangeiros como naturais, com os seus anciãos, as mulheres, crianças, os chefes e os seus juízes e os sacerdotes levitas que levavam a arca da aliança do Senhor”. E se ele leu Deuteronômio, certamente leu o mandamento fundamental da lei que diz:
Deuteronômio 6.4 “— Escute, Israel, o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor.”
2Crônicas 34.30 “O rei subiu à Casa do Senhor, e com ele foram todos os homens de Judá, os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os levitas e todo o povo, desde o maior até o menor. E o rei leu diante deles todas as palavras do Livro da Aliança que havia sido encontrado na Casa do Senhor.”
Quero que você perceba o detalhe do texto: “e o rei leu diante deles todas as palavras do Livro”. O rei não leu sozinho ou para si. Josias leu diante do povo de Deus porque o povo de Deus precisava ser santificado pela Palavra de Deus. Vamos ao terceiro texto, que nós lemos no culto desta noite.
Neemias 8.3 “Esdras leu o livro em voz alta, diante da praça que fica em frente ao Portão das Águas, desde o amanhecer até o meio-dia, na presença dos homens, das mulheres e dos que podiam entender. E todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro da Lei.”
Três destaques: 1) ele leu o livro em voz alta; 2) entre aproximadamente 6h e 12h e 3) todo o povo, todo o povo tinha os ouvidos atentos ao Livro. Esse aspecto da espiritualidade de Israel não deve ser perdida na era da Igreja. Ler a Palavra é fundamantal para o crescimento espiritual de um cristão, e a leitura pública da Escritura é um meio ordenado expressamente na Palavra de Deus para que a fé do povo de Cristo cresça e se fortaleça e mais: é uma das maneiras de adorarmos a Deus comunitariamente, porque essa reverência e essa expressão pública da nossa fé expressa a nossa unidade e revela a glória de Deus através dessa nossa unidade.
Se lermos também os versículos 5 e 6, temos mais algo a aprender não sobre elementos do culto público, mas sobre uma proposta bíblica saudável em relação à forma. Lembrando que o elemento é o que é essencial de acontecer num culto público; a forma é variável e cada pastor fará a sua aplicação à congregação que lidera. Eu quero te conduzir a este entendimento lendo contigo Neemias 8.5-6
Nehemiah 8:5–6 NAA
Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, porque se encontrava num lugar mais elevado do que todo o povo. Quando abriu o livro, todo o povo se pôs em pé. Esdras louvou o Senhor, o grande Deus, e todo o povo, levantando as mãos, respondeu: — Amém! Amém! Inclinaram-se e adoraram o Senhor, com o rosto em terra.
O que estamos vendo aqui? Expressões de adoração do povo de Deus durante o ajuntamento solene. Quero que você perceba mais três destaques:
1- O povo de pé para a leitura pública da Escritura.
É obrigatório? Não. Mas demonstra um ato solene e bastante reverente. Estamos na presença de Deus e vamos ouvi-lo falar por meio de sua Palavra. Ficar em pé durante a leitura pública da Escritura é ficar em pé diante de duas santas autoridades sobre nós, igreja: o próprio Senhor e a sua bendita Palavra.
É por isso que lemos publicamente a Palavra de pé.
2- O povo de mãos levantadas dando respostas ao louvor de Esdras.
O texto diz que o povo, ao ouvir o louvor de Esdras ao Senhor, repare “o grande Deus”, de forma unânime levantou as mãos.
Eu entendo que levantar as mãos no culto público deve ser sempre em louvor a Deus. Sempre que nos reunimos, somos livres para erguer as mãos aos céus, na direção onde entendemos que o nosso grande Deus reina, e assim darmos respostas fieis de louvor tanto pelo que Deus diz em sua Palavra quanto pelo que ouvimos sobre que Ele é quando a Palavra é cantada. Definitivamente não considero um erro que o povo de Deus livremente e reverentemente levante suas mãos sem a menor necessidade de que um líder de louvor tenha que pedir e fazer isso espontaneamente e com total senso de maravilhamento diante da grandeza de Deus.
3- O povo respondendo “Amém” e se inclinando e adorando com o rosto em terra.
A igreja pode e num certo grau deve se ajoelhar nos ajuntamentos solenes. E aqui entra um cuidado pastoral. Você que tem dificuldades de levantar as mãos e deixa-las no ar por um tempo ou você que tem dificuldades de se ajoelhar ou ficar muito tempo em pé, não se sinta constrangido a fazer em qualquer condição. Se sente em paz, deixe suas mãos abaixadas em paz e não precisa se ajoelhar se o seu corpo não suporta ficar nessa posição. Agora, aprenda comigo nesta noite e não fique escandalizado se um membro, que é seu irmão ou irmã, usar da própria liberdade para se expressar dessas formas se ele tem as condições físicas para isso.
O que eu quero dizer para fechar essa parte é que qualquer membro está autorizado a se ajoelhar durante a adoração (exceto quando ouvimos o sermão, pois precisamos estar numa posição adequada para prestar atenção e ouvir) e isso se aplica também para o levantar as mãos, dizer “amém” como quem está confirmando, concordando e principalmente se comprometendo com aquilo que está dizendo ser verdadeiro, e
Voltando para o Novo Testamento, podemos ver o apóstolo Paulo instruindo os colossenses a respeito da sua carta, dizendo a eles:
Colossenses 4.16 “E, depois que esta carta tiver sido lida entre vocês, façam com que seja lida também na igreja dos laodicenses. E vocês, leiam também a carta que vier de Laodiceia.”
Ele este mesmo engargo à igreja de Tessalônica:
1Tessalonicenses 5.27 “Peço, com insistência, em nome do Senhor, que esta carta seja lida para todos os irmãos.”
E o último livro da Bíblia chega até mesmo a prometer:
Apocalipse 1.3 “Bem-aventurado aquele que lê, e bem-aventurados aqueles que ouvem as palavras da profecia e guardam as coisas nela escritas, pois o tempo está próximo.”
Temos uma simples lição a aprender com esses versículos: a Palavra de Deus une o povo de Deus. Em todos os contextos, no AT e no NT, podemos ver sugestões profundas e sutis que remetem à aliança. Deus escolheu falar a seu povo, a quem ele chama por seu próprio nome. Matt Merker vai dizer: “O simples ato de ouvir a Palavra partilhando o compromisso de crer nela e obedecê-la promove a união da igreja.”
A ideia é que a leitura pública da Escritura gere conversas espirituais entre os discípulos. Para além da edificação espiritual pessoal — que pode acontecer na privacidade do discípulo — a leitura pública da Palavra tem o poder de formar discípulos mais fortes espiritualmente porque saem do culto público para continuarem a rotina proposta na reunião durante a própria rotina pessoal.
2- Pregando a Palavra.
Ler e pregar a Palavra são atos que estão intimamente relacionados. Pregar é expor a Palavra de Deus e aplicá-la ao seu povo. Assim como a leitura da Escritura, pregar é um ato coletivo.
Um homem prega, mas a presença da igreja reunida significa que o sermão é um evento público. Não se trata de uma live, ou uma pregação via rádio, alcançando pessoas sem nome e rosto, mas sim um discurso vivo, presencial e dirigido a membros reais, em carne e osso, conhecidos do pastor e uns dos outros.
Como já ensinei há pouco tempo, quando a igreja diz “amém” ou “aleluia” ou “glória a Deus” ao longo de um sermão fiel e bíblico, isso é mais uma demonstração da participação ativa da igreja no culto público, especialmente no momento da pregação da Palavra.
É importante que ao longo do sermão o bispo pregue aquilo que se aplica à realidade da membresia. É preciso uma sensibilidade pastoral para que não se fale de coisas muito distantes da realidade do povo sem deixar de ser profundamente teológico e bíblico.
1 Timothy 6:17 NAA
Exorte os ricos deste mundo a que não sejam orgulhosos, nem depositem a sua esperança na instabilidade da riqueza, mas em Deus, que tudo nos proporciona ricamente para o nosso prazer.
2 Timothy 2:14 NAA
Relembre a todos essas coisas, dando testemunho solene diante de Deus, para que evitem brigas a respeito de palavras, pois isso não serve para nada, a não ser para prejudicar os ouvintes.
Titus 3:1 NAA
Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, que sejam obedientes e estejam prontos para toda boa obra.
Cada igreja tem os seus dilemas e desafios, e muitas são as demandas e aplicação da Palavra de Deus aos corações dos ouvintes e pastor precisa estar atento a tudo isso.
Contudo, a igreja também tem a sua responsabilidade como ouvinte da Palavra — especificamente por aquilo que ouve.
2 Timothy 4:3 NAA
Pois virá o tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, se rodearão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos.
Ao continuar a ouvir um falso pregador, a igreja endossa o que ouve. Temos que imitar o exemplo dos cristãos bereanos, meus irmãos!
Acts 17:11 NAA
Ora, estes de Bereia eram mais nobres do que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim.
3- Oração.
A oração comunitária durante o culto de adoração reflete e promove a unidade da igreja. Reunida perante o trono da graça, a igreja expressa sua dependência de Deus por meio da oração. Assim como no caso da leitura e da pregação da Palavra, a oração comunitária é um fenômeno totalmente congregacional, ainda que dirigida por uma pessoa. A igreja toda, como um só coração, concorda com o líder e expressa sua concordância dizendo “amém”.
Jesus nos ensinou a orar na primeira pessoa do plural.
Mateus 6.9–12 “— Portanto, orem assim: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia nos dá hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também perdoamos aos nossos devedores;”.
A igreja primitiva se dedicava à oração.
Atos dos Apóstolos 2.42 “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações.”
E muitas vezes elevava a voz a Deus em face de perseguição.
Atos dos Apóstolos 4.24 “Ouvindo isto, unânimes, levantaram a voz a Deus e disseram: — Tu, Soberano Senhor, fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há!”
Paulo instrui: 1Timóteo 2.8 “Quero, pois, que os homens orem em todos os lugares, levantando mãos santas, sem ira e sem animosidade.”. Observe que nesse versículo a oração requer mútua reconciliação. Uma igreja comprometida com a oração trabalhará para aniquilar a divisão.
4- Batismo e Ceia do Senhor.
Temos três textos a trabalhar neste tópico do batismo.
1- 1Coríntios 12.13 “Pois, em um só Espírito, todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres. E a todos nós foi dado beber de um só Espírito.”
Como dizem, as águas do batismo são mais consistentes do que sangue. O elo que você partilha com outros crentes batizados no corpo de Cristo vai muito além dos elos da família biológica, da etnia e da nacionalidade, ainda que muitos não entendam e nem queiram aceitar esse fato.
2- Mateus 18.15–20 “— Se o seu irmão pecar contra você, vá e repreenda-o em particular. Se ele ouvir, você ganhou o seu irmão. Mas, se não ouvir, leve ainda com você uma ou duas pessoas, para que, pelo depoimento de duas ou três testemunhas, toda questão seja decidida. E, se ele se recusar a ouvir essas pessoas, exponha o assunto à igreja; e, se ele se recusar a ouvir também a igreja, considere-o como gentio e publicano. — Em verdade lhes digo que tudo o que ligarem na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligarem na terra terá sido desligado nos céus. Em verdade também lhes digo que, se dois de vocês, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que vierem a pedir, isso lhes será concedido por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles.”
Os crentes não pode batizar a si mesmos. Eles são batizados na igreja e pela igreja local. Nós fazemos discípulos através do batismo de novos crentes e essa responsabilidade não é apenas do pastor. Jesus promete habitar com aqueles que se reúnem em seu nome, que trazem consigo as chaves que podem ligar e desligar na terra o que está ligado e desligado no céu.
3- Mateus 28.18–20 “Jesus, aproximando-se, falou-lhes, dizendo: — Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra. Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a guardar todas as coisas que tenho ordenado a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias até o fim dos tempos.”
Aqui ele lembra a seus seguidores que ele possui “toda autoridade no céu e na terra”, dá a eles o encargo de batizar pessoas no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e promete morar com eles para sempre. Então podemos concluir que batizar novos discípulos é uma expressão da autoridade que Jesus delegou à igreja local, a instituição que representa seu nome e desfruta de sua presença com autoridade.
E temos mais três textos para trabalhar o tópico da Ceia do Senhor.
1- Lucas 22.14–20 “Chegada a hora, Jesus se pôs à mesa, e os apóstolos estavam com ele. Então Jesus lhes disse: — Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa com vocês, antes do meu sofrimento. Pois eu lhes digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus. E, pegando um cálice, depois de ter dado graças, disse: — Peguem e repartam entre vocês. Pois eu digo a vocês que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. E, pegando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: — Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois da ceia, pegou o cálice, dizendo: — Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado por vocês.”
Se o batismo é o sinal da entrada da pessoa na nova aliança da família de Deus, a ceia do Senhor é a refeição familiar regular da igreja. O cálice que partilhamos é a nova aliança no sangue de Cristo e essa é uma aliança comunitária do início ao fim. Como templo do Espírito de Deus (1Coríntios 3.16 “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?”), a igreja local tem comunhão com Cristo e os membros uns com os outros quando se reúnem em torno da mesa.
2- 1Coríntios 10.17 “Porque nós, embora muitos, somos unicamente um pão, um só corpo; porque todos participamos do único pão.”
A ceia nos une.
3- 1Coríntios 11.20–33 “Quando, pois, se reúnem no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que vocês comem. Porque, quando comem, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia, e enquanto um fica com fome outro fica embriagado. Será que vocês não têm casas onde podem comer e beber? Ou menosprezam a igreja de Deus e envergonham os que nada têm? Que posso dizer a vocês? Devo elogiá-los? Nisto certamente não posso elogiá-los. Porque eu recebi do Senhor o que também lhes entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, pegou um pão e, tendo dado graças, o partiu e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim.” Do mesmo modo, depois da ceia, pegou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue; façam isto, todas as vezes que o beberem, em memória de mim.” Porque, todas as vezes que comerem este pão e beberem o cálice, vocês anunciam a morte do Senhor, até que ele venha. Por isso, aquele que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente será réu do corpo e do sangue do Senhor. Que cada um examine a si mesmo e, assim, coma do pão e beba do cálice. Pois quem come e bebe sem discernir o corpo, come e bebe juízo para si. É por isso que há entre vocês muitos fracos e doentes e não poucos que dormem. Porque, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados. Mas, quando julgados, somos disciplinados pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo. Assim, meus irmãos, quando vocês se reúnem para comer, esperem uns pelos outros.”
Um dos erros mais graves da igreja de Corinto era que estavam negligenciando as dimensões comunitárias da ceia do Senhor. Eles tinham dividido o corpo que Cristo havia morrido para unir, o que levou Paulo a dizer: “quando, pois, se reúnem no mesmo lugar, não é a ceia do Senhor que vocês comem” (v. 20). O apóstolo insiste com eles para que esperem uns pelos outros e, em fazendo, participem da ceia de um modo que discirna o corpo de Cristo por inteiro (11.29;33).

APLICAÇÕES

1- Você está disposto a viver a dimensão prática e dinâmica de pertencer ao povo redimido de Deus?
2- Como você pode contribuir mais para a unidade da igreja e para o avanço do evangelho e onde o culto público entra nesse processo?

CONCLUSÃO

No culto público, em todos esses aspectos, servimos uns aos outros. São ministérios da igreja toda. A adoração comunitária é prenúncio da nova criação, em que os membros do povo de Deus serão para sempre ministros uns dos outros no amor perfeito. Em cada elemento do culto, preparamos uns aos outros para a eternidade.
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