O QUE PODEMOS APRENDER COM O SOFRIMENTO?

O Evangelho no Antigo Testamento  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Jó 42.1–6 “Então, respondeu Jó ao Senhor: Bem sei que tudo podes, e nenhum dos teus planos pode ser frustrado. Quem é aquele, como disseste, que sem conhecimento encobre o conselho? Na verdade, falei do que não entendia; coisas maravilhosas demais para mim, coisas que eu não conhecia. Escuta-me, pois, havias dito, e eu falarei; eu te perguntarei, e tu me ensinarás. Eu te conhecia só de ouvir, mas agora os meus olhos te veem. Por isso, me abomino e me arrependo no pó e na cinza.”

INTRODUÇÃO & CONTEXTO

Chegamos ao fim da história de Jó, e como diria o sábio: “O fim é melhor que o começo” (Ec 7.8)
Isso não significa que este sermão será melhor do que os outros. Não crie expectativas — pode ser frustrante.
Chegamos juntos ao final deste livro fascinante.
Um livro de sacrifícios; redenção pessoal; necessidade de um mediador; ressurreição dos mortos e outros assuntos.
Comentei com os jovens em nosso acampadentro o quanto eu era atraído por esse livro quando era criança e o quanto sou mais atraído por ele hoje — há dinossauros e dragões aqui.
Hoje é aquele dia depois de uma semana cheia de percalços que termina bem — a mensagem é leve e como a brisa fresca da manhã.
A história tem um final feliz e bem humorado — contrastando com a tristeza e o peso de seu início.
As três maiores divisões do livro: 1. moldura – 2. núcleo – 3. moldura
Você sofre, mas por quê? Nem tudo o que acontece tem uma explicação compreensível.
O que você possui, de verdade? Importa o que realmente temos quando perdemos todo o resto.
Semana passada falamos dos amigos de Jó — “Teologia simples é teologia satânica”.
Nos capítulos 32 — 37, ainda no núcleo, aparece um outro personagem: Eliú. Ele prepara o palco do drama de Jó para a aparição do próprio Deus, e quando Deus fala todos os debates acabam!
Nos capítulos 38 — 41 Deus finalmente quebra o silêncio e mostra sua onipotência ante a fragilidade humana.
Jó 40.3-5 registra o silêncio constrangedor de Jó.
Então Deus fala mais uma vez, e Jó declara o que ele aprendeu com tudo isso.

1ª LIÇÃO: QUANDO DEUS FALA, A GENTE CALA

Podemos colocar Deus na parede e exigir respostas — mas precisamos ter o estômago de Jó. Quando Ele responder, vamos desejar nunca ter perguntado nada. Por quê?
Nem mesmo sabemos fazer as perguntas corretas — somos extremamente limitados.
Deus não responde nada acerca do sofrimento de Jó.
Jó nem fez questão de lembrar disso. Ele aprendeu que o mais importante é a presença e a voz do próprio Deus em meio ao sofrimento.
Jó reconhece o poder de Deus (v.2); reconhece sua limitação e fraqueza (vv.3-4); reconhece que não conhecia o Soberano como ele imaginava (v.5); reconhece a necessidade de contrição (v.6).

2ª LIÇÃO: MISERICÓRDIA E HUMOR DIVINOS

Jó 42.7–9 “Tendo o Senhor falado estas palavras a Jó, o Senhor disse também a Elifaz, o temanita: A minha ira se acendeu contra ti e contra os teus dois amigos; porque não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Tomai, pois, sete novilhos e sete carneiros, e ide ao meu servo Jó, e oferecei holocaustos por vós. O meu servo Jó orará por vós; porque dele aceitarei a intercessão, para que eu não vos trate segundo a vossa loucura; porque vós não dissestes de mim o que era reto, como o meu servo Jó. Então, foram Elifaz, o temanita, e Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, e fizeram como o Senhor lhes ordenara; e o Senhor aceitou a oração de Jó.”
A partir deste momento a história começa a ficar bem humorada e, além disso, misericordiosa.
Deus defende Jó de todas falsas acusações de seus amigos teólogos.
As palavras de Jó foram duras mas foram, de longe, melhores que a teologia de seus amigos.
Deus ordena que Jó interceda pelos amigos como fazia pelos seus próprios filhos.

3ª LIÇÃO: DEUS PODE! ELE FAZ SE ELE QUISER

Jó 42.10–17 “Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos; e o Senhor deu-lhe o dobro de tudo o que antes possuíra. Então, vieram a ele todos os seus irmãos, e todas as suas irmãs, e todos quantos dantes o conheceram, e comeram com ele em sua casa, e se condoeram dele, e o consolaram de todo o mal que o Senhor lhe havia enviado; cada um lhe deu dinheiro e um anel de ouro. Assim, abençoou o Senhor o último estado de Jó mais do que o primeiro; porque veio a ter catorze mil ovelhas, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas. Também teve outros sete filhos e três filhas. Chamou o nome da primeira Jemima, o da outra, Quezia, e o da terceira, Quéren-Hapuque. Em toda aquela terra não se acharam mulheres tão formosas como as filhas de Jó; e seu pai lhes deu herança entre seus irmãos. Depois disto, viveu Jó cento e quarenta anos; e viu a seus filhos e aos filhos de seus filhos, até à quarta geração. Então, morreu Jó, velho e farto de dias.”
Notem a completa humilhação de Satanás.
Deus pode não só restaurar — Ele pode aumentar as posses de Jó; quando ele orava pelos seus amigos.
Ele não orou por si mesmo — ele orou pela salvação dos amigos.
A conclusão do drama é um anticlímax — leve, alegre e festivo.
Essa é a resposta para as acusações de Satanás no início do livro — o diabo odeia crente feliz.
Tudo em dobro — incluindo os próprios filhos. Jó ficou muito mais rico!
A história termina com Jó velhinho e cheio de netos. Tem forma melhor de terminar a vida?

O QUE JÓ APRENDEU?

O livro e a história de Jó acabam bem e nos deixam com mais perguntas do que as que tínhamos no início.
Afinal, por que Jó precisou sofer? E a mulher dele? É a mesma? É outra? Por que ela não é mencionada no final? O que aconteceu com Eliú?
Sabe o que Jó aprendeu com tudo isso?
DEUS: Ninguém pode enfrentar Deus de igual para igual. Jó aprendeu sua posição de criatura perante o Criador e não mais o confrontou. O confronto acabou, Jó se dobrou — mesmo não tendo as respostas para o seu sofrimento.
AMIGOS: Os teólogos precisavam mais da oração de Jó do que ele das articulações teológicas deles.
SATANÁS: Quando Deus quer, ele abençoa de forma inimaginável — humilhando o acusador.

O QUE NÓS APRENDEMOS?

Esses versos narram Jó recebendo a vida eterna.
E o que é a vida eterna? (Jo 17.3; 1Jo 5.11)
Você conhece esse Deus? Conhece esse Jesus?
Nesta noite, Ele te oferece essa vida de graça!
Mas, o que também aprendemos?
Nem todas as nossas perguntas serão respondidas — mas sempre há algo a ser aprendido. O foco do livro não é o motivo do sofrimento, mas o que Jó aprendeu com o sofrimento.
O sofrimento nem sempre é punição por algum pecado cometido — mas para os filhos de Deus é sempre um instrumento para nos moldar à imagem do Filho.
Por conta de nossas limitações, neste mundo nunca entenderemos por completo o fato de Deus ser bom e soberano e o mal ainda assim existir.
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