Fiéis como Deus
A vida na presença de Deus • Sermon • Submitted • Presented
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· 11 viewsEm “Fiéis como Deus”, o sétimo mandamento, “Não adulterarás”, revela que Deus forma um povo fiel porque Ele mesmo é fiel. A fidelidade protege o casamento, alcança pensamentos e desejos e testemunha o caráter de Deus. Cristo, porém, restaura os infiéis e santifica sua Igreja. O casamento aponta para a aliança de Cristo com sua Noiva. Por isso, vivamos em fidelidade, confiando naquele que jamais quebra sua aliança conosco.
Notes
Transcript
Ex 20.14 / Dt 5.18
Não adulterarás
Introdução
Introdução
Continuamos com a série de pregações no Decálogo, “A vida na presença de Deus”. Chegamos ao sétimo mandamento. E, assim como o mandamento não matarás que vimos semana passada, este é um mandamento onde a mentalidade humana tende a se prender em seu significado superficial, de maneira que Jesus Cristo teve que explicar esse mandamento em seu conhecido Sermão do Monte.
Este é o último dos mandamentos para os quais o Senhor exige a pena de morte, no caso de afronta direta. Ou seja, era sempre punível com pena máxima em caso de fato consumado, devido à grande seriedade dessa ofensa.
Imagino que se fosse aplicada essa regra à sociedade brasileira atual, teríamos um verdadeiro genocídio, já que, até certo ponto, o brasileiro valoriza o adultério, justificando-o ou amenizando-o de maneiras diversas, com frases como “acabou o amor”, “aconteceu” e “é só um caso”, ou com músicas que incentivam o adultério ou tratam os adúlteros como vítimas.
Mas antes de analisarmos o mandamento, olhemos um pouco da palavra hebraica traduzida como “adulterarás” (תִּֿנְאָֽ֑ף – tine-af). Ela, assim como vimos no 5º Mandamento é uma ordem forte e é geralmente usada para se referir ao homem que não é fiel à esposa, mas pode ser usado também para se referir à idolatria, como figura de linguagem.
Aqui se refere exclusivamente ao adultério.
Dito isso, veremos que Deus forma um povo fiel, pois Ele mesmo é fiel.
Motivos da proibição do adultério que tornam o mundo melhor
Exposição
Exposição
Fidelidade: reflexo da aliança de Deus
Fidelidade: reflexo da aliança de Deus
Ml 2.14 14 E perguntais: Por quê? Porque o SENHOR foi testemunha da aliança entre ti e a mulher da tua mocidade, com a qual tu foste desleal, sendo ela a tua companheira e a mulher da tua aliança.
[Desenho: Deus como testemunha da aliança. Conceito visual: Um casal fazendo uma promessa, com um símbolo de presença de Deus acima deles. Significado: Malaquias destaca que o Senhor é testemunha da aliança matrimonial.]
A fidelidade no casamento é realmente importante? Para nossa cultura atual, parece que não.
Músicas celebrando o adultério, altos índices de divórcio e uma legislação que considera que o adultério “é ruim para as pessoas, mas não é um mal social grave” [1], mostram como a cultura ocidental tem tentado diminuir a importância do casamento entre homem e mulher.
Mas será mesmo que a fidelidade no casamento é pouco importante? Pensando bem, parece que os efeitos da infidelidade são devastadores não só ao casal, mas para toda a sociedade, pois se a pessoa é capaz de trair a confiança, descumprir a palavra e mentir para quem diz amar, o que será capaz de fazer com os outros, com quem não tem compromisso?
Para ficar mais claro, você votaria em um político, ou contrataria uma empregada doméstica, ou confiaria algo importante a uma pessoa que você sabe que, para realizar desejos pessoais, está disposta a desprezar acordos, fingir lealdade e mentir para encobrir tudo isso?
E, se somos infiéis, que motivo nossos vizinhos, colegas e familiares tem para confiar em nossa palavra se nem nosso cônjuge pode confiar em nós?
Contudo, Deus discorda de nossa cultura. Deus se relaciona com seu povo mediante aliança e, como vemos no texto de Malaquias, o casamento foi criado por Ele em formato de aliança também.
Observe estas três expressões. Primeiro, “o Senhor foi testemunha”. Deus assistiu aos votos, ele ouviu as promessas de amor e fidelidade. Segundo, “a mulher da tua mocidade... tua companheira”. Para Deus, o casamento não é apenas um contrato, mas uma história compartilhada de companheirismo e confiança. Terceiro, “foste desleal”. Antes de ser um pecado sexual, o adultério é um ato de traição, uma prova de deslealdade.
Nessa série de pregações temos visto que o Senhor YHWH libertou os israelitas da escravidão no Egito e estabeleceu uma aliança com eles, de maneira que eles seriam Seu povo e Ele seria o Deus deles. No Sinai, Deus não estava apenas entregando leis; estava formando um povo que aprendesse a ser fiel à aliança, assim como Ele é fiel à aliança.
A infidelidade conjugal não é apenas uma quebra de confiança entre um homem e uma mulher, mas um sinal visível de que o coração do adúltero despreza a aliança, a comunhão com o próprio Deus. E quando quebramos nossa comunhão com Deus essa infidelidade se espalha para todas as nossas relações.
Quem trai o cônjuge trai qualquer um, porque trai a Deus. Pensando assim, percebemos que não é à toa que a idolatria é chamada de adultério contra o Senhor.
Então, o sétimo mandamento não existe apenas para proteger casamentos. Ele existe para formar um povo que reflita o caráter do Deus da aliança. Cada ato de fidelidade entre marido e mulher proclama algo sobre a fidelidade do Senhor ao seu povo.
Um outro motivo para o Senhor proibir o adultério é:
Fidelidade: proteção do povo de Deus
Fidelidade: proteção do povo de Deus
Mt 5.27-30 27Ouvistes que foi dito: Não adulterarás. 28Eu, porém, vos digo: qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração, já adulterou com ela. 29Se o teu olho direito te faz tropeçar, arranca-o e lança-o de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não seja todo o teu corpo lançado no inferno. 30E, se a tua mão direita te faz tropeçar, corta-a e lança-a de ti; pois te convém que se perca um dos teus membros, e não vá todo o teu corpo para o inferno.
[Desenho: Pensamentos direcionados para o que é puro. Conceito visual: Uma cabeça com pequenos símbolos de coração, estrela e luz ao redor, apontando para um caminho claro. Significado: Filipenses 4.8 ensina a ocupar os pensamentos com aquilo que é verdadeiro, respeitável, justo, puro e amável.]
Semana passada mostrei como Jesus explica a Lei de Moisés, mostrando que o alvo do mandamento é o coração. Vimos que Deus olha além das mãos que matam e vê o coração que odeia.
Hoje Jesus mostra que Deus também olha além do corpo que adultera e vê o coração que cobiça. Isso significa que nós também nos tornamos adúlteros quando nossos pensamentos e sentimentos buscam satisfação sexual/emocional em qualquer outra pessoa que não seja nosso cônjuge. E isso inclui os solteiros alimentando desejos ilícitos por outras pessoas.
Veja que a pureza que Deus requer de seus filhos é mais que a mera abstinência sexual. É uma pureza enraizada até nos pensamentos e desejos mais escondidos.
Quando entendemos o princípio que Jesus está ensinando aqui, percebemos que muitas atitudes, aparentemente inocentes, passam a ser incompatíveis com uma vida de pureza. Por exemplo:
a) Vestir-se de maneira a provocar o desejo em outros;[2]
b) “Admirar” repetidamente a beleza de outros;
c) Buscar satisfação sexual visual (pornografia, voyeurismo);
d) Buscar satisfação em cantadas ou flertes indevidos;[3]
e) Imaginar-se em ato com outra pessoa que não seja o próprio cônjuge.
Quando colocamos os desejos do coração na conta, percebemos que, assim como o homicídio, o adultério é um pecado que qualquer um pode cometer.
E, quando consumado, o adultério nada mais é que o reflexo de uma vida de escravidão. É o ato que mostra que, por dentro, a pessoa já havia perdido o controle de seus pensamentos e, como um escravo, apenas obedecia cegamente aos seus desejos.
Assim como os israelitas quando receberam os 10 mandamentos, quem está em aliança com Jesus, não é mais escravo. Ele disse:
“se, pois, o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres”(Jo 8.36).
Assim como não há liberdade verdadeira sem Jesus, também não há escravidão em Cristo.
Meu amigo, se você não se entregou ainda a Cristo e acha que é livre porque faz o que quer, saiba que é justamente por fazer o que quer que você não é livre! Você simplesmente não consegue fazer nada que seus desejos pecaminosos não te obriguem, mesmo quando isso te prejudica. Você é um escravo do seu pecado e só Jesus pode te libertar disso.
Agora se você é cristão, ou seja, arrependeu-se de seus pecados e suplicou o perdão de Deus, aceitando o sacrifício de Jesus em seu lugar, então NUNCA DIGA que você não consegue vencer os impulsos da sua carne. Se Jesus te libertou, você não é mais um escravo do pecado, ainda que você tropece de vez em quando.
Jesus nos deixou tanto seu Espírito para nos fortalecer contra o pecado, quanto sua Palavra para nos ensinar como lutar. E esta mesma palavra nos diz:
Fp 4.8 8Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.
Ef 5.3 8Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas ou cobiça nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a santos 18E não vos embriagueis com vinho, no qual há dissolução, mas enchei-vos do Espírito, 19falando entre vós com salmos, entoando e louvando de coração ao Senhor com hinos e cânticos espirituais. [4]
O cristão foi liberto por Jesus Cristo e por causa disso podemos não somente desejar ser puros, como também podemos refletir a fidelidade de Deus. E um mundo onde as pessoas não são mais escravas de seus impulsos sexuais sombrios é um lugar melhor para se viver.
O último motivo por que Deus proíbe o adultério que desejo destacar é:
Fidelidade: restaurada por Cristo
Fidelidade: restaurada por Cristo
Ef 5.25-27 25Maridos, amai vossa mulher, como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela, 26para que a santificasse, tendo-a purificado por meio da lavagem de água pela palavra, 27para a apresentar a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem coisa semelhante, porém santa e sem defeito.
[Desenho: A Coroa e o Véu. Conceito Visual: Uma coroa real de um lado e um véu de noiva do outro. Significado: Simboliza Cristo (o Rei e Noivo) e a Igreja (a Noiva santa que Ele está preparando).]
Este texto é muito usado quando se aconselha casais, especialmente para citar os deveres matrimoniais da esposa e do esposo. É claro que o texto está falando sobre isso também, contudo, se nos limitarmos aos deveres de cada um, tornamos esse texto extremamente antropocêntrico (centrado no ser humano).
A Bíblia certamente foi escrita para os seres humanos e traz ensinamentos para o bem dos seres humanos, contudo ela é um livro TEOCÊNTRICO[5], ou seja, cada história, lei, poesia, explicação tem como objetivo primeiro a glória de Deus. O centro é Deus. O alvo é Deus.
O texto de Paulo aos efésios sobre o casamento deixa claro que o casamento traz em si mesmo uma imagem do amor de Jesus pelos salvos, a Sua Igreja. Um casamento deve, portanto, ser permeado de amor para demonstrar o tamanho do amor de Cristo pelos salvos. A esposa deve respeitar o marido para demonstrar o respeito que nós, a Igreja, temos por Jesus.
Um casamento bem sucedido não é aquele que nunca passou por problemas, mas aquele que mostra a todos a profundidade do amor de Deus por nós.
O adultério distorce esse testemunho. Em vez de anunciar a fidelidade de Cristo, comunica ao mundo que alianças sempre acabam e que nenhum amor permanece para sempre. Afinal, por que alguém acreditaria no amor eterno de Deus se aqueles que dizem representá-lo tratam suas alianças como descartáveis?
Mas onde nós falhamos, Jesus foi vitorioso.
Jesus é o único cujo amor nunca falhou. Apesar de o Senhor Deus haver entrado em aliança com os israelitas quando os entregou os 10 Mandamentos, esse mesmo povo O abandonou, adulterou para seguir outros amores (Ex 32.7-8; Jz 2.11-13; Os 1.2). Mas como noivo fiel, Deus não abandonou seu povo, veio buscá-lo na pessoa de Jesus Cristo e fez uma nova aliança no sangue derramado na cruz (Jr 31.31-32; Ef 5.25-27), uma aliança que não pode ser destruída.
Ele provou seu amor por nós quando ainda o rejeitávamos (Rm 5.8; Ef 2.4-5) e nos atraiu com seu amor (Jr 31.3; Jo 12.32). Hoje, constrangidos e maravilhados pelo amor de Cristo, Ele continua nos santificando, nos lavando e nos tornando cada vez mais fiéis. E porque Deus é fiel às suas promessas, sabemos que essa história terminará como todo casamento deveria apontar: o Noivo voltará para encontrar sua Noiva. (Ap 19.7-9).
Conclusão
Conclusão
Nas primeiras páginas da Bíblia temos um casamento. Nas últimas páginas, também temos um casamento.
O primeiro foi marcado pela infidelidade do homem para com Deus. O último celebrará a fidelidade perfeita do Cordeiro para com sua Noiva.
É para esse dia que Deus está formando seu povo desde o Sinai.
O sétimo mandamento, portanto, não existe apenas para impedir o adultério. Existe para preparar uma Noiva fiel (a Igreja) para o seu Noivo (Cristo Jesus).
Talvez você tenha falhado. Talvez seu casamento carregue marcas profundas. Talvez sua própria história tenha sido marcada pela infidelidade.
Mas Cristo continua chamando para si pessoas infiéis e transformando-as em uma Noiva santa.
Vivamos, então, como quem já pertence ao Noivo. Sejamos fiéis porque fomos amados por um Salvador que jamais quebrará sua aliança conosco.
[1] SANTOS, Simone Moraes dos. Adultério, traição e dano moral. Revista Jus Navigandi, ISSN 1518-4862, Teresina, ano 11, n. 936, 25 jan.2006. Disponível em: <https://jus.com.br/artigos/7871>. Acesso em: 24 maio 2017.
[2] Se não é intencional, outros pecados poderão estar em jogo, como a defraudação e a indecência.
[3] O flerte e a cantada podem ser lícitos, se com intensões e formas puras e entre solteiros. Mas alguns casados se valem desses artifícios para “sentirem-se vivos”.
[4] O contexto aqui trata de conduta imoral entre outros pecados a serem abandonados.
[5] Ainda que alguns prefiram a expressão cristocêntrico.
