Tema: Fé que Obedece

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📖 SERMÃO DO MONTE /PG

Mateus 7.21–23

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.” — Mateus 7.21

1. Introdução

Chegamos a uma das partes mais solenes do Sermão do Monte.
Nos versículos anteriores, Jesus advertiu sobre os falsos profetas:
“Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.16)
Agora, Jesus muda o foco.
Ele não está falando somente sobre falsos profetas, mas sobre falsos discípulos.
É como se Jesus dissesse:
“Não examine apenas aqueles que estão ensinando. Examine também a sua própria vida.”
E isso torna o texto profundamente pessoal.
Jesus apresenta pessoas que:
reconhecem Jesus como Senhor;
possuem linguagem religiosa;
realizam atividades espirituais;
dizem ter profetizado;
dizem ter expulsado demônios;
dizem ter realizado milagres;
aparentemente possuem uma grande experiência religiosa.
Mas, no último dia, elas ouvirão:
“Nunca vos conheci.”
É difícil imaginar palavras mais assustadoras.
Martyn Lloyd-Jones considera essas palavras de Cristo “em muitos aspectos, as palavras mais solenes e soleneizadoras já proferidas neste mundo”, não apenas por um homem, mas pelo próprio Filho de Deus.
Por isso, este não é um texto para simplesmente analisarmos “quem são os falsos cristãos”.
É um texto para examinarmos o nosso próprio coração.

ICT — Ideia Central do Texto

Jesus ensina que a verdadeira fé não consiste apenas em professar seu nome ou realizar atividades religiosas, mas em pertencer verdadeiramente a Ele e viver em submissão à vontade de Deus.

Tese

A verdadeira fé salvadora produz uma vida de obediência, enquanto a religiosidade meramente externa pode produzir palavras, atividades e até grandes experiências sem produzir verdadeira transformação.
Contexto
Observe a sequência de Mateus 7:

Mateus 7.13–14

Dois caminhos.

Mateus 7.15–20

Falsos profetas.

Mateus 7.21–23

Falsos discípulos.

Mateus 7.24–27

Dois fundamentos.
Jesus está construindo um grande chamado ao discernimento.
Primeiro:
Existem dois caminhos.
Depois:
Existem falsos profetas.
Agora:
Existem pessoas que pensam estar no caminho certo, mas estão enganadas sobre sua própria condição espiritual.
E finalmente:
O verdadeiro discípulo é aquele que ouve as palavras de Cristo e as pratica.
Existe, portanto, uma conexão muito importante entre 7.21–23 e 7.24–27.
Jesus não quer apenas ouvintes. Ele quer discípulos que pratiquem sua Palavra.

I. Nem toda confissão revela uma fé verdadeira

Mateus 7.21

“Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus...”
Jesus começa com uma declaração surpreendente:
“Nem todo...”
Isso significa que existe uma diferença entre professar Cristo e pertencer a Cristo.
Essas pessoas dizem:
“Senhor, Senhor!”
Elas reconhecem verbalmente a autoridade de Jesus.
Mas suas palavras não correspondem necessariamente à realidade de seus corações.

Há uma diferença entre:

“Jesus é Senhor” e “Jesus é meu Senhor.”
A primeira pode ser uma afirmação teológica.
A segunda envolve submissão.

📌 Lloyd-Jones

Lloyd-Jones chama atenção para o perigo de alguém confiar simplesmente em sua profissão religiosa.
Ele escreve:
“Um homem que não diz ‘Senhor, Senhor’ jamais entrará no reino dos céus.”
Mas ele imediatamente mostra que a questão não termina na profissão verbal. O problema está em presumir que dizer as palavras corretas, possuir fervor e estar ativo religiosamente seja prova suficiente de que somos cristãos.
Isso é exatamente o perigo de Mateus 7.

🎯 Ilustração

Imagine alguém que usa uma camisa de um determinado time todos os dias.
Conhece o hino.
Sabe os nomes dos jogadores.
Conhece a história do clube.
Mas nunca realmente pertenceu àquele time.
A camisa pode comunicar uma identidade.
Mas não necessariamente revela a realidade.
Da mesma maneira, podemos usar uma “camisa cristã”:
falar como cristãos;
cantar como cristãos;
frequentar a igreja;
conhecer os termos da fé;
sem necessariamente termos experimentado a transformação do evangelho.

Aplicação

Precisamos perguntar:

Minha fé está somente nos meus lábios ou também na minha vida?

Não basta dizer:
“Eu sou cristão.”
Precisamos perguntar:
Minha vida está sendo transformada?
Estou crescendo em santidade?
Estou lutando contra o pecado?
Estou aprendendo a obedecer?
Amo Cristo?
Amo sua Palavra?
Amo a igreja?
Tenho arrependimento quando peco?
A verdadeira fé não é perfeita.
Mas é viva.
E aquilo que está vivo cresce.

II. Nem toda atividade religiosa revela um relacionamento com Cristo

Mateus 7.22

“Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres?”
Agora Jesus torna o texto ainda mais assustador.
Essas pessoas não apenas falavam.
Elas faziam coisas.
Elas apresentam suas obras diante de Jesus:
“Não profetizamos?”
“Não expulsamos demônios?”
“Não fizemos milagres?”
Observe o que está acontecendo.
Elas estão tentando apresentar suas atividades religiosas como evidência de sua salvação.
Mas Jesus não responde:
“Vocês deveriam ter feito mais.”
Ele responde:
“Nunca vos conheci.”

⚠️ Uma grande advertência

É possível estar muito ocupado com a obra de Deus e, ao mesmo tempo, estar distante do Deus da obra.
Podemos:
pregar;
ensinar;
liderar;
cantar;
evangelizar;
participar de PG;
organizar eventos;
servir em ministérios;
e ainda assim precisar examinar nosso coração.
Isso não significa que servir seja errado.
Pelo contrário.
O problema é transformar serviço cristão em substituto para comunhão com Cristo.

📌 Lloyd-Jones e o perigo da autoengano

Lloyd-Jones trata esse texto também como uma advertência contra o autoengano espiritual.
Ele aponta perigos como:
uma falsa segurança baseada apenas em palavras;
recusar-se a examinar a própria vida;
viver apenas de atividades religiosas;
comparar uma área positiva da vida para compensar outra área que está errada.
Isso é muito importante para nós.
Porque o autoengano é perigoso justamente porque a pessoa não sabe que está enganada.

🎯 Ilustração

Imagine um funcionário que trabalha em uma empresa há muitos anos.
Ele conhece todos os procedimentos.
Sabe onde ficam os documentos.
Conhece os colegas.
É extremamente ativo.
Mas nunca teve qualquer relacionamento com o dono da empresa.
Ele pode conhecer muito bem a instituição sem conhecer o proprietário.
Da mesma forma:

Podemos conhecer muito bem a igreja sem conhecer verdadeiramente Cristo.

Aplicação

Precisamos tomar cuidado com uma espiritualidade baseada somente em atividade.
Pergunte:
Se eu não pudesse exercer nenhum ministério durante um mês, minha comunhão com Cristo continuaria viva?
Se eu não pudesse:
pregar;
cantar;
liderar;
ensinar;
participar de uma função;
eu continuaria buscando Jesus?
Essa é uma pergunta importante.
Porque ministério não pode substituir relacionamento com Cristo.

III. O verdadeiro discípulo é conhecido por Cristo e vive em obediência

Mateus 7.23

“Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniquidade.”
Aqui chegamos ao coração do texto.
Jesus não diz:
“Vocês não fizeram coisas suficientes.”
Ele diz:
“Nunca vos conheci.”
A questão fundamental não é:
“Quanto você fez?”
É: “Você pertence a Cristo?”
“Nunca vos conheci”
Na Bíblia, “conhecer” frequentemente envolve muito mais do que possuir informação.
É relacionamento.
É pertencimento.
É intimidade.
Portanto, Jesus está dizendo:
“Nunca houve entre nós o relacionamento que vocês imaginavam existir.”
Essa é a grande tragédia.
Eles pensavam conhecer Jesus.
Mas descobriram que não eram conhecidos por Ele.

Obediência não compra a salvação

Aqui precisamos ter muito cuidado.
Quando Jesus diz:
“...mas aquele que faz a vontade de meu Pai...” (v.21)
Ele não está ensinando que somos salvos pelas obras.
A Bíblia é clara:
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus; não de obras...” — Efésios 2.8–9
Mas o versículo seguinte diz:
“Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus para boas obras...” — Efésios 2.10
Portanto:

Não somos salvos pelas obras.

Mas:

Somos salvos para uma vida de boas obras.

As obras não são a raiz da salvação.
São o fruto.
É exatamente a lógica que Jesus apresentou anteriormente:
“Pelos seus frutos os conhecereis.” (Mt 7.16)

“Naquele dia”, o dia do julgamento

Existe ainda outra expressão que não podemos ignorar:
“Naquele dia...”
Jesus está falando do dia em que haverá julgamento.
Naquele dia:
títulos não importarão;
reputação não importará;
quantidade de seguidores não importará;
posição na igreja não importará;
aparência não importará;
atividades religiosas não poderão esconder a realidade.
Tudo será revelado.
E existe algo extremamente importante aqui:

O julgamento pertence a Jesus.

Observe:
“Então, lhes direi...”
Jesus está se apresentando como o Juiz.
Isso é impressionante.
Aquele que está ensinando humildemente no Sermão do Monte será aquele diante de quem todos comparecerão.

A grande pergunta do texto

Diante de Mateus 7.21–23, duas perguntas precisam ser feitas:

1. Eu conheço Jesus?

2. Jesus me conhece?

Não estamos falando simplesmente de conhecimento intelectual.
A pergunta é:
Existe uma relação verdadeira entre mim e Cristo?

Como podemos examinar nossa fé?

A Bíblia nos dá alguns sinais importantes.

1. Existe arrependimento?

Quando pecamos, somos indiferentes ou quebrantados?

2. Existe desejo de santidade?

Mesmo lutando contra o pecado, desejamos agradar a Deus?

3. Existe amor por Cristo?

Jesus é apenas uma parte da nossa vida ou é o centro dela?

4. Existe amor pela Palavra?

Queremos conhecer e obedecer às Escrituras?

5. Existe amor pelos irmãos?

1 João 3.14 afirma que sabemos que passamos da morte para a vida porque amamos os irmãos.

6. Existe fruto?

Não perfeição.
Fruto.
A árvore saudável não é aquela que nunca enfrenta problemas, mas aquela que produz fruto.

11. Uma aplicação pastoral para o PG

Este texto não deve produzir apenas medo.
Ele deve produzir exame, arrependimento e segurança em Cristo.
Jesus não está dizendo:
“Fique desesperado e nunca tenha certeza da salvação.”
Ele está dizendo:
“Não seja enganado.”
Por isso Paulo também diz:
“Examinai-vos a vós mesmos se realmente estais na fé.” 2 Coríntios 13.5
E Pedro:
“Procurai, com diligência cada vez maior, confirmar a vossa vocação e eleição...” 2 Pedro 1.10
A advertência de Jesus é uma expressão de sua graça.
Ele nos alerta agora, enquanto há tempo.

12. Perguntas para discussão no PG

1. Qual é a diferença entre dizer que Jesus é Senhor e realmente submeter-se ao senhorio de Cristo?

2. Por que Jesus apresenta pessoas tão religiosas como exemplo de pessoas que estavam enganadas?

3. É possível alguém estar muito envolvido com atividades da igreja e, ainda assim, estar espiritualmente distante de Cristo? Como?

4. Qual é a diferença entre ser salvo pelas obras e ser salvo para as boas obras?

5. O que significa Jesus dizer:

“Nunca vos conheci”?

6. Quais são alguns frutos que demonstram que uma pessoa está crescendo em Cristo?

7. Por que o autoexame espiritual é importante? Quando ele pode ser saudável e quando pode se tornar apenas insegurança?

8. Se você tivesse que resumir o ensino de Mateus 7.21–23 em uma frase, qual seria?

Desafio da semana

Durante esta semana, leia Mateus 7.21–23 diariamente.
Depois, faça três perguntas em oração:

“Senhor, eu realmente te conheço?”

“Minha vida demonstra que pertenço a ti?”

“Existe alguma área em que estou dizendo ‘Senhor, Senhor’, mas resistindo à tua vontade?”

Escolha uma área específica de obediência e coloque em prática.
Não fique apenas no estudo.

Conhecimento sem obediência produz uma falsa segurança.

Conclusão

Mateus 7.21–23 é um dos textos mais solenes do Sermão do Monte.
Jesus nos mostra pessoas que tinham:
palavras corretas,
atividades religiosas,
experiências impressionantes,
mas não tinham aquilo que realmente importava:

um relacionamento verdadeiro com Cristo.

Por isso, a grande questão não é:
“Eu faço coisas para Jesus?”
Mas:
“Eu pertenço a Jesus?”
Não é:
“As pessoas sabem que sou cristão?”
Mas:
“Cristo me conhece?”
Não é:
“Tenho uma grande atividade religiosa?”
Mas:
“Minha vida está sendo transformada pelo evangelho?”
E aqui está a beleza da sequência.
Em Mateus 7.21, Jesus fala daquele que faz a vontade do Pai.
Em Mateus 7.24, Ele dirá:
“Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica...”
Ou seja, Jesus está preparando o terreno para a conclusão do Sermão do Monte.

A verdadeira fé ouve Cristo e obedece a Cristo.

Não obedecemos para comprar a salvação.
Obedecemos porque fomos alcançados pela graça.
Não fazemos obras para sermos conhecidos por Cristo.
Fazemos porque já pertencemos a Cristo.
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