25. Título Exegético: A Bondade e a Impotência da Lei (7.7-12)
Romanos: O evangelho é o poder de Deus para salvação • Sermon • Submitted • Presented
0 ratings
· 13 viewsNotes
Transcript
7 Que diremos, então? Que a lei é pecado? De modo nenhum! Mas eu não teria conhecido o pecado, a não ser por meio da lei. Porque eu não teria conhecido a cobiça, se a lei não tivesse dito: “Não cobice.” 8 Mas o pecado, aproveitando a ocasião dada pelo mandamento, despertou em mim todo tipo de cobiça. Porque, sem lei, o pecado está morto. 9 Houve um tempo em que, sem a lei, eu vivia. Mas, quando veio o mandamento, o pecado reviveu, e eu morri. 10 E verifiquei que o mandamento que me havia sido dado para vida, esse se tornou mandamento para morte. 11 Porque o pecado, aproveitando a ocasião dada pelo mandamento, me enganou e, por meio do mandamento, me matou. 12 Assim, a lei é santa e o mandamento é santo, justo e bom.
Anotações preliminares
Anotações preliminares
Estudo os comentários de Douglas Moo e de Tomas Schreiner para o estudo exegético da perícope.
Utilizo NAA como tradução bíblica de referência para o sermão.
Estudo exegético da perícope
Estudo exegético da perícope
1. O Contexto
1. O Contexto
A. Relacione a perícope à unidade literária maior da qual é parte.
A. Relacione a perícope à unidade literária maior da qual é parte.
Douglas Moo assim intitula a seção de Rm 5.1—8.39: “A segurança fornecida pelo evangelho: a esperança da salvação”.
Nesta carta aos Romanos, Paulo explica e defende seu evangelho a uma comunidade cristã que ele não fundou nem visitou, mas é sua esperança recrutá-la para apoiar uma campanha missionária no Mediterrâneo Ocidental. Com o objetivo de alcançar esse propósito, Paulo escreve uma carta em estilo de “tratado”, com uma estrutura cuidadosa e lógica. Após se apresentar como alguém “separado para o evangelho” e anunciar seus planos de levar essas “boas-novas” a Roma (1.1-15), ele justifica seus compromisso com o evangelho afirmando que a razão disso é que o evangelho transmite “o poder de Deus para [que produz] a salvação” (1.16). E por que o evangelho tem esse poder? Porque, Paulo explica, ele revela a atividade justificadora de Deus — e todos os que respondem a essa atividade com fé se tornam “justos” diante dele (1.17). Esse ensino de “justificação pela fé”, tão básico ao evangelho de Paulo, é o tema principal da primeira seção da carta (1.18-4.25).
B. Relacione a perícope ao seu contexto imediato.
B. Relacione a perícope ao seu contexto imediato.
Romanos 7 é um dos capítulos mais famosos da Bíblia. Temos ali a descrição vívida que Paulo faz da luta e da frustração humana nos versículos 7-25. Contudo, a antropologia (a identidade e a situação do “eu” nos vv. 7-25) é uma questão menor em Rm 7.
O tema principal é a Lei Mosaica. Paulo faz duas observações básicas: 1) Usando a analogia do casamento, ele argumenta que a escravidão de uma pessoa à Lei precisa ser desfeita para que ela possa ser colocada em um novo relacionamento com Cristo (7.1-6). Esse ensino provoca perguntas sobre a origem e a natureza da Lei. Paulo responde a isso em 7.7-25, onde mostra que a Lei é de Deus; no entanto, ela se tornou instrumento involuntário do pecado, sendo usada para confirmar a morte e aprisionar nela. Apesar de sua origem divina, ela não pode justificar nem santificar.
Rm 7.1-6 continua a ênfase de 6.15-23 sobre as necessárias implicações éticas da transferência do crente para o novo domínio da graça.
O ponto de contato entre Rm 7 e o contexto anterior é a afirmação de 6.14,15 de que o crente não está mais “debaixo da Lei”. Essa declaração é a razão imediata do capítulo, em que Paulo explica o que significa não estar mais “debaixo da Lei”, como essa transferência do domínio da Lei foi alcançada e por que ela era necessária.
Esse parágrafo contém a ideia principal que Paulo quer defender nesse capítulo.
Rm 7.7-25 continua a discussão da lei começada em 7.5, onde Paulo diz que a Lei estimula as paixões pecaminosas. Nos versos 7-12 ele responde à questão se a Lei é pecado através da sua própria história. Dos versos 13-25 Paulo responde se a Lei é a causa da morte.
Rm 7.-12 tem dois propósitos: 1) exonerar a Lei da acusação de que ela é pecaminosa e 2) explicar melhor a relação entre a Lei, o pecado e a morte. Apesar de a Lei não ser pecado, ela tem uma forte relação com o pecado, pois ela não apenas permite o reconhecimento do pecado, mas até incentiva a pecar (v. 7b-8). O verso 11 resume: o pecado usou a Lei como uma ponte para enganar e condenar.
C. Apresente o fluxo argumentativo da perícope (sua estrutura mais ampla).
C. Apresente o fluxo argumentativo da perícope (sua estrutura mais ampla).
Estrutura exegética:
I. (v. 7a) Paulo rejeita a ideia de que a lei seja pecado.
II. (v. 7b-8) Paulo explica sua rejeição a essa ideia sem contradizer-se em relação ao v. 5.
a. A lei se tornou aliada ao pecado, pois através da Lei “conhecemos” o pecado (v. 7b).
i. “Conhecer o pecado” no sentido de que a lei nos revela o que o pecado é a transgressão da lei de Deus (4.15).
ii. “Conhecer o pecado” num sentido mais profundo, prático : A lei desperta em nós todo tipo de cobiça (v. 7c, v. 8 desenvolve).
b. Por outro lado, foi o pecado e não a Lei que produziu todo tipo de cobiça (v. 8a).
c. Paulo insere uma nota explicativa declarando que “sem Lei, o pecado está morto”, o que mostra que a lei fomenta o pecado (v. 8b).
III. (v. 9-11) Paulo esclarece a resposta de 7b-8a com seu próprio testemunho.
a. Antes “eu” vivia sem a lei, mas a lei revelou o pecado (v. 9ab).
b. O resultado é que “eu” morri (v. 10a).
c. O mandamento que Deus deu para trazer vida paradoxalmente produziu morte (v. 10b).
d. A razão para isso é que o pecado se aproveitou da lei, me enganou e me matou (v. 11).
IV. Portanto, a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom (v. 12).
D. Examine os detalhes da perícope.
D. Examine os detalhes da perícope.
I. A lei não é pecado.
v. 7a
“Que diremos, então?” - Essa pergunta, como em 6.1, reflete uma crítica ao evangelho de Paulo.
“Que a lei é pecado?” - se a Lei “aumenta a transgressão (5.20) e desperta paixões pecaminosas (7.5), então a Lei é má e pecaminosa”. Muitos judeus cristãos e gentios cristãos acusavam Paulo de pensar assim!
“De modo nenhum!”
II. Paulo explica a relação correta entre a lei e o pecado.
v. 7bc
“Mas eu não teria conhecido… por meio da lei”.
Que tipo de conhecimento a Lei de Moisés nos dá?
A possibilidade óbvia é: “através da Lei eu sei que alguns atos são pecaminosos”. Mas Paulo indica que esse conhecimento também está disponível até para quem não conhece a Lei de Moisés (1.32).
O contexto sugere que a Lei, ao classificar o pecado como transgressão (4.15) revela o que o pecado realmente é. Mas devemos ir mais longe nesse sentido, e devemos conceber o “conhecimento” do pecado também como uma experiência real: por meio da Lei “eu” experimentei o pecado na prática como ele realmente é. E, por meio dessa experiência concreta do pecado, então, que “eu” vim a entender a real “pecaminosidade” do pecado.
“Pois eu não teria conhecido a cobiça… ‘Não cobice’.”
O uso paulino de “cobiça” sugere que ele se refere a todo tipo de desejo ilícito. Certamente faz uma referência aos Dez Mandamentos aqui, pois o décimo mandamento resume toda a lei.
v. 8
“Mas o pecado… todo tipo de cobiça”.
A primeira frase do verso 8 desenvolve v. 7c.
“ocasião” - mais literalmente, “base de operações militares”.
“mandamento” - refere-se ao mandamento que citou no v. 7: a “cobiça”.
“cobiça”, como vimos, resume os Dez Mandamentos.
Reforçando os dois sentidos de “conhecimento” que a Lei nos dá do pecado no v. 7b, não somente o mandamento me levou a perceber a natureza da “cobiça”, mas também o pecado se aproveitou da ocasião para produzir todo tipo de “cobiça”. Em outras palavras, a Lei não é pecado, nem causadora do pecado, mas é a base usada pelo pecado para alcançar seu propósito mau e mortal. É como se a Lei fosse a teia uma aranha usa para para matar sua presa. O pecado usa a Lei como uma base de operações militares para seu avanço perverso em nós.
Como a Lei pode dar ocasião, ou servir de base de operações para o pecado despertar todo tipo de cobiça? A Lei suscita o desejo pecaminoso ao ordenar que não se pratique o pecado: como dizer para o filho: “Não pise na grama!”
Provavelmente Paulo tem em mente a história de Israel: Logo após terem recebido os Dez Mandamentos (Ex 20), Israel ordenou a Arão que fizesse um bezerro de ouro para ser adorado (Ex 32). Esse é um perfeito exemplo de como a Lei, usada por todos nós de maneira imprópria por causa do nosso próprio pecado, estimula todo tipo de manifestação do pecado.
Em 8b-9, Paulo explica como a Lei se tornou ocasião para o pecado.
v. 8b
“Porque, sem lei, o pecado está morto”.
“morto” no sentido de não provocado, estimulado, pela Lei.
v. 9
“Houve um tempo em que, sem a lei, eu vivia.”
“Eu” - debate. Adão? Israel? Toda a humanidade? Contudo, o sentido primário aqui é o próprio apóstolo. Veja sua confissão dramática nos v. 13-25. Contudo, a experiência pessoal de Paulo é paradigmática aqui: ele apresenta um modelo, que se encaixa na vida de Israel e, em certo sentido, a toda a humanidade.
“Houve um tempo” - passado. Antes de ele ter decidido seguir a Lei, como um judeu.
“sem a lei, eu vivia” - ou “eu existia”, o tempo em que o pecado não era levado em conta (5.13).
“Mas, quando veio o mandamento, … para morte”.
“Mandamento” - refere-se à Lei “não cobice” (final do v. 7).
“o pecado reviveu” - ganhou vida novamente.
“e eu morri” - é a consciência e o estado de o pecado ter suscitado todo tipo de cobiça em sua vida e ele ter cometido a transgressão. Então, teve consciência da ofensa causada contra Deus.
v. 10
“E verifiquei que… para morte”.
No mesmo instante que o pecado ganhou vida, “eu morri”, diz o apóstolo. Agora sim ele se viu completamente incapaz de agradar a Deus, porque o pecado ficou despertado pela lei.
“o mandamento me havia sido dado para vida”.
Afirmação polêmica. Os judeus tinham a lei em alta consideração, e afirmavam que ela não apenas restringia o pecado, mas também poderia dar vida a quem a obedecesse:
5 Portanto, guardem os meus estatutos e os meus juízos. Aquele que os cumprir, por eles viverá. Eu sou o Senhor.
Paulo questiona essaas convicções. A Lei não conteve o pecado, mas “despertou todo tipo de cobiça”. A lei não produziu vida, mas “ira” (6.5) e “morte” (v. 8b-10a).
Precisamos entender essa passagem. A lei teria dado vida se tivesse sido plenamente obedecida. Nesse sentido a Lei promete dar vida. A história de Israel nos mostra a incapacidade do homem de viver esse padrão. Por isso, embora o mandamento tenha “sido dado para a vida”, foi uma causa de morte, tanto para Paulo quanto para Israel.
v. 11
Paulo agora volta ao discurso de 8a.
Ele novamente afirma que o pecado usou a Lei como uma base de operações militares, e por meio dela trouxe o mal para “mim”.
Porém, aqui no v. 11 ele diz que a lei foi usada para “enganar” e “matar” - referência a Adão e Eva. Gn 3.13: “a serpente me enganou, e eu comi”.
Entretanto, apesar do efeito condenatório da Lei, ela serviu a algo positivo: para que Paulo e Israel pudessem aprender a depender de Deus tanto para o perdão dos pecados quanto para a capacitação para viver esse santo padrão.
v. 12
Conclusão sobre o verdadeiro papel da Lei.
A Lei é “santa, justa e boa”.
“Santa”: sua origem - ela vem do Deus santo.
“Justa”: ela determina apenas o que é correto - não pode ser acusada de nada errado.
“Boa”: fim proveitoso, conforme a bondade de Deus (Mc 10.18).
Conclusão
Conclusão
Embora Paulo esteja falando de sua própria experiência nessa passagem, ela é representativa da história de Israel e, em última instância, representa a nossa própria história. Não adianta tentarmos viver por esforços próprios esse padrão divino de vida.
Agostinho: “Deus ordena o que não conseguimos fazer, a fim de que saibamos o que devemos buscar Dele.”
A experiência de Paulo e de Israel com a Lei deve nos lembrar de nunca nos voltar para a Lei pensando que nossas próprias obras de obediência nos darão vida ou mérito diante de Deus.
6 Jesus respondeu: — Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.
17 Tendo ouvido isto, Jesus lhes respondeu: — Os sãos não precisam de médico, e sim os doentes; eu não vim chamar justos, e sim pecadores.
É apenas através do poder de Deus operando em nós que teremos um novo coração e seremos capazes de obedecer a Deus de coração.
Música: Quebrantado
