Entre amigos e o Amigo

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Jo 15.12-13

Introdução:
O que é um amigo? Um companheiro que esconde meus segredos dos outros? É aquele que pede à sua mãe para jogar bola porque você aprontou e só se ele pedir ela vai deixar. Se seguirmos essa linha, qual a diferença de um amigo para um objeto que só é útil quando é necessário?
A grande questão não é se eu tenho muitos amigos, mas, como os vejo, e como os trato. Não posso tratá-los como se não tivessem valor, pois eles, como você, também tem sentimentos; não podem ser vistos como figuras descartáveis.
Se eu busco apenas aqueles que concordam comigo, eu estou buscando amigos ou apenas cúmplices que me ajudam a pecar, e podem me abandonar quando a coisa ficar feia?
Bom, quando nós criamos os nossos conceitos é fácil perder a linha e transformar pessoas em coisas, sentimentos em produtos que devem ser gastos etc. O melhor é observar um alguém que não precisava de nada, e ainda assim chamou outros de amigos.
Aquele que é o nosso padrão, viu pessoas cheias de falhas e não os usou, na verdade, os amou e tratou com dignidade. Quão diferente é essa atitude das nossas!
Em João 15.12-13 diz: O meu mandamento é este: que vos ameis uns aos outros, assim como eu vos amei. 13 Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos.
Introdução:
Poderíamos citar a seguinte base para se construir uma amizade: o amor; é o alicerce na qual podemos confiar no nosso grande Amigo. Jesus deseja que seus discípulos partilhem dessa concepção dentro da relação que eles teriam uns com os outros e com as demais pessoas que iriam compor a família na fé.
Até porque, anteriormente, Cristo já havia alertado sobre que, no futuro, até mesmo os familiares dariam às costas para eles lembra de Mateus 10.36 “os inimigos do homem serão os da sua própria família’.” O que restaria para cada um era sua família na fé, e dentro desse corpo, que estava sendo esclarecido, o amor é um pressuposto que recorda do iniciador dessa união.
Tanto é, que no próprio texto diz, “como eu vos amei”, nós não temos apenas uma ordenança, mas um chamado de Cristo para recordar das suas próprias atitudes para com os discípulos — Cristo diz, em outras palavras, vocês têm o meu padrão, o observem.
Não seria difícil imaginar que dentro das relações humanas, pensemos que os verdadeiros amigos são aqueles que nunca discordam de nós, porém, não seria esse o que podemos chamar de o pior inimigo?
Os tapinhas nas costas, muitas vezes, são piores que um tapa cheio de amor.
Lembre bem: Jesus ainda que tenha elogiado a Pedro, quando foi necessário não teve receio de repreendê-lo na frente dos outros, mostrando que aquele pensamento não deveria ser partilhado pelos demais.
Um bom amigo, não teme nos ferir, se isso é para o nosso bem, como diz Pv 27.6 “leais são as feridas feitas pelo que ama, porém os beijos de quem odeia são enganosos”.
Esse Provérbio é interessante e casa com a necessidade de verdade entre as pessoas. Um amigo não é alguém que tem receio de nos magoar, mas sente receio de nos ver no chão.
No verso treze ele diz que ninguém tem maior amor do que quem dá a própria vida pelos amigos. Jesus, basicamente, fala do próprio padrão que deve nos acompanhar nas nossas relações.
Não estamos falando de, literalmente, morrer pelos outros, mas precisamos recordar que o verdadeiro amor é acompanhado de sacrifícios, e isso não apenas pelos amigos, mas até por aqueles que nos odeiam.
Nosso padrão é viver um amor sacrificial, um amor que não passa a mão na cabeça, até porque o sacrifício de Cristo é uma clara declaração da pecaminosidade humana.
A morte de Cristo, ainda que terrível, é a parte mais bela que podemos contar de nossa história. A parte difícil é aceitar que somos o lado errado diante de Deus.
Por que ele morreu? Havia uma grande culpa, a nossa culpa a ser redimida e isso era impossível para nós. Mesmo assim, ele nos deu sua vida, e estabelece esse princípio como algo que deve nos acompanhar.
Não usamos pessoas e sim às amamos, não vemos os outros como objetos, mas com a mesma graça com que fomos vistos e amados até a última gota cair do Calvário.
Lewis faz uma citação interessante no livro Quatro Amores: “Sozinho, não sou grande o suficiente para externar em atividade o homem que sou por inteiro; quero outras luzes, além de minha própria, para mostrar todas as suas facetas”.
Imagine o quanto que seus amigos o transformaram numa pessoa melhor, quanto fizeram florescer qualidades que você jamais percebeu. Eles afiaram você como o provérbio também diz.
Mas, recorde o quanto você se fechou quando alguém partiu. Ela não foi só, levou uma parte de você! Amizade também dói, logo mais os discípulos sentiriam a falta do seu grande amigo.
Ainda que a saudade os apertasse, havia uma palavra que não permitiria que essa chama morresse, um dia eles se reencontrariam outra vez.
E a mesma expectativa é a nossa: um dia nós não vamos mais precisar cada um ir para sua casa, e mesmo a constante presença dos outros não vai te deixar enjoado deles.
O nosso grande Amigo reunirá todos nós, e às lágrimas começarão a encontrar seu fim.
Há tantos que já partiram, mas o amor sacrificial do nosso Amado Senhor, permite que o reencontro aconteça.
Que não precisemos aguardar esse dia chegar para valorizar os outros. Não é necessário aguardar o dia que amaremos sem falhas para exercitar o amor que o Senhor nos chama a amarmos.
Mesmo com nossas falhas, já coloquemos esse como nosso alvo, amando ainda que imperfeitamente, mesmo ferindo, mas que seja por querer que o outro se pareça mais com Cristo.
Nossas circunstâncias não são perfeitas, nós não somos perfeitos. Importante colocar isso diante de nossa vida para nunca colocar essa desculpa como o empecilho para não amar o irmão em Cristo.
Cristo amou os discípulos mesmo sabendo que seria abandonado. Cristo os amou ainda que tenha ouvido declarações mentirosas. Ele não deixou de amar, quando se viu só diante do pior momento da sua vida na terra.
Conclusão:
Somos peregrinos andando pelo mesmo caminho, e é fato que a estrada é melhor a dois. Precisamos uns dos outros, e que amemos a companhia daqueles que também caminham para o mesmo alvo. Os pés podem ser feridos durante o percurso, mas podemos nos apoiar nos nossos irmãos quando a dificuldade chegar. E ser o apoio quando também suceder com ele. Que nosso alvo seja ser leal, como leal foi o nosso grande Amigo.
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