Até Chegarmos a Roma

Cristiano Gaspar
Igreja em Movimento  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Introdução

Atos 28.1-16
No século XVII, o poeta inglês John Donne escreveu uma frase muito popular: “Nenhum homem é uma ilha.”
Donne entendia que fomos criados para viver em relação com Deus e com o próximo. A vida humana não floresce no isolamento. Séculos depois, porém, um jovem chamado Chris McCandless decidiu provar exatamente o contrário. Em 1992, aos 24 anos, entrou sozinho no interior do Alasca. Inteligente, formado em uma boa universidade e com um futuro promissor, abandonou tudo para viver em completa independência. Por trás daquela decisão havia uma ideia muito presente também em nossa cultura: ser verdadeiramente livre significa não depender de ninguém. Quanto menos eu precisar das pessoas, mais forte serei. Quanto menos depender delas, mais livre serei.
Sua aventura, terminou de forma trágica. Isolado, enfraquecido e sem conseguir voltar à civilização, morreu sozinho. Entre seus últimos escritos havia uma frase que se tornou famosa: “A felicidade só é real quando compartilhada.”
É como se, no fim da jornada, McCandless tivesse descoberto que John Donne estava certo. Talvez você pense: “Mas eu nunca faria uma viagem dessas.” Provavelmente não. Mas existem outras maneiras de construir nosso próprio Alasca. Podemos estar cercados de pessoas e, ainda assim, viver como ilhas. Não pedimos ajuda. Não permitimos que ninguém conheça nossas fraquezas. Queremos controlar o caminho, buscamos aprovação e resistimos a depender dos outros. Frequentamos a igreja sem permitir que ela realmente faça parte da nossa vida. É exatamente nesse ponto que Atos 28 nos encontra.
O capítulo começa com Paulo chegando a Malta e termina com Paulo chegando a Roma. Entre esses dois lugares, Lucas nos mostra um homem que precisa de uma fogueira, de hospitalidade, de alimento e dos irmãos. Ao mesmo tempo, esse mesmo homem serve, acolhe e se torna instrumento da graça de Deus na vida de outras pessoas. Porque Deus havia prometido levar Paulo a Roma. Mas nunca prometeu que Paulo chegaria lá sozinho. Talvez essa seja uma das grandes lições desta passagem.
Atos dos Apóstolos 28.1–3 NAA
1 Uma vez em terra, verificamos que a ilha se chamava Malta. 2 Os nativos nos trataram com singular humanidade, porque, acendendo uma fogueira, acolheram a todos nós por causa da chuva que caía e por causa do frio. 3 Tendo Paulo ajuntado e atirado à fogueira um feixe de gravetos, uma víbora, fugindo do calor, prendeu-se na mão dele.

1. A providência de Deus frequentemente chega através de meios comuns

Atos 28.1-3
Depois de tudo o que aconteceu no capítulo anterior, Lucas inicia o capítulo 28 de maneira quase surpreendente. Não há um novo milagre extraordinário, ou um grande discurso. Apenas uma frase simples: “Uma vez em terra, verificamos que a ilha se chamava Malta.”
Eles sobreviveram. A promessa de Deus havia se cumprido. Nenhuma das 276 pessoas pereceu no mar. Mas observe como Deus continua cuidando delas. “Os nativos nos trataram com singular humanidade, porque, acendendo uma fogueira, acolheram a todos nós por causa da chuva que caía e por causa do frio.”
Observe que o mesmo Deus que governou os ventos e preservou aquelas vidas durante a tempestade agora exerce sua providência através da hospitalidade daqueles habitantes. Eles sequer conheciam o Deus de Israel, mas se tornaram instrumentos da sua bondade. Essa é uma das grandes lições desta passagem. Nós costumamos procurar a providência de Deus apenas no extraordinário. Esperamos a resposta espetacular, a intervenção miraculosa, a porta que se abre de maneira inexplicável. Mas, muitas vezes, a providência chega de forma tão comum que quase passa despercebida. Às vezes, ela tem a forma de uma refeição preparada por alguém. De uma casa aberta, uma ligação inesperada, um irmão que simplesmente pergunta: “Como você está?”
O Deus que governa tempestades também governa fogueiras. Talvez o problema não seja a ausência da providência de Deus, mas a nossa dificuldade de reconhecê-la nas coisas comuns. Esperamos que Deus aja de maneira extraordinária, enquanto Ele já está cuidando de nós através dos meios ordinários que escolheu. Então Lucas acrescenta um detalhe aparentemente insignificante: “Tendo Paulo ajuntado e atirado à fogueira um feixe de gravetos…”
Mas, na Bíblia, detalhes raramente são insignificantes. Depois de duas semanas enfrentando uma tempestade, sobreviver a um naufrágio e chegar à praia molhado e exausto, o grande apóstolo está recolhendo gravetos para manter uma fogueira acesa. Lucas poderia simplesmente ter omitido essa informação. Mas não o faz, porque ela revela o coração de Paulo. Ele não exige tratamento especial. Não reivindica sua posição. Não espera ser servido. Ele apenas vê uma necessidade e serve. Isso confronta nossa maneira de pensar. Gostamos das tarefas importantes, ministérios visíveis, responsabilidades que trazem reconhecimento. Queremos descobrir nosso grande chamado, enquanto há gravetos espalhados aos nossos pés.
Mas maturidade espiritual não consiste em deixar de fazer tarefas pequenas. Consiste em amar tanto a Cristo que nenhuma tarefa parece pequena quando serve ao próximo. Jesus lavou os pés dos discípulos, Paulo recolheu gravetos. Ambos nos ensinam que, no Reino de Deus, a grandeza não se mede pela visibilidade do serviço, mas pelo amor com que ele é realizado. Na segunda-feira, isso talvez signifique algo muito simples. Servir sua família sem esperar reconhecimento, ajudar um colega de trabalho sem qualquer benefício pessoal, abrir sua casa para um Pequeno Grupo, preparar uma refeição para alguém enfermo, fazer uma ligação para um irmão desanimado. É assim que a providência de Deus costuma alcançar outras pessoas.
Perceba como a graça circula nesta narrativa. Os malteses acolhem Paulo, depois Paulo serve os malteses. Públio hospeda Paulo, depois Paulo ministra à família de Públio. Deus cuida de pessoas através de pessoas. Permita-me, então, fazer duas perguntas.
Você consegue reconhecer as pessoas através das quais Deus tem cuidado de você?
E a segunda talvez seja mais desconfortável.
Na vida de quem você tem sido uma fogueira acesa pela providência de Deus?
Porque é possível passar anos recebendo cuidado da igreja sem aprender a cuidar de ninguém. Mas quem foi alcançado pela graça aprende também a distribuí-la. Paulo chegou à praia precisando de uma fogueira. Poucos minutos depois, já estava colocando lenha nela. Essa talvez seja uma das imagens mais bonitas da vida cristã. Recebemos o cuidado de Deus e, com as mesmas mãos que o receberam, começamos a cuidar de outros. É justamente nesse momento, enquanto Paulo serve, que Lucas muda a cena. Entre aqueles gravetos havia uma víbora. E, em poucos segundos, as mesmas pessoas que testemunharam seu serviço começariam a dizer quem acreditavam que Paulo realmente era.
Atos dos Apóstolos 28.4–10 NAA
4 Quando os nativos viram a víbora pendurada na mão de Paulo, disseram uns aos outros: — Certamente este homem é assassino, porque, salvo do mar, a Justiça não o deixa viver. 5 Porém ele, sacudindo a víbora no fogo, não sofreu mal nenhum. 6 Mas eles esperavam que Paulo viesse a inchar ou a cair morto de repente. Depois de muito esperar, vendo que nada de anormal lhe acontecia, mudando de opinião, diziam que ele era um deus. 7 Perto daquele lugar havia um sítio que pertencia ao homem principal da ilha, chamado Públio, o qual nos recebeu e hospedou com muita bondade durante três dias. 8 Aconteceu que o pai de Públio estava enfermo de disenteria, ardendo em febre. Paulo foi visitá-lo e, orando, impôs-lhe as mãos, e o curou. 9 À vista deste acontecimento, os demais enfermos da ilha vieram e foram curados, 10 os quais nos distinguiram com muitas honrarias; e, tendo nós de prosseguir viagem, nos puseram a bordo tudo o que era necessário.

2. Quem sabe a quem pertence não vive escravo da opinião dos outros

Atos 28.4-10
Assim que a víbora se prende à mão de Paulo, os habitantes de Malta chegam imediatamente a uma conclusão: “Certamente este homem é assassino, porque, salvo do mar, a Justiça não o deixa viver.”
Segundo a crença deles, a deusa Justiça perseguia os culpados até que recebessem o castigo merecido. Para eles, a explicação era óbvia: Paulo escapou do mar, mas finalmente foi alcançado pela justiça divina. Observe que essa reação revela a profunda superstição daqueles homens. Sem conhecer o verdadeiro Deus, interpretavam todos os acontecimentos a partir de suas crenças religiosas. Mas, antes de julgarmos os malteses, talvez devêssemos reconhecer que fazemos algo semelhante. Eles não conhecem Paulo, sua história, nem o seu caráter. Conhecem apenas uma circunstância, e isso parecia suficiente para definirem quem Paulo é. É impressionante como temos facilidade para explicar a vida dos outros. Com poucas informações, construímos histórias completas. Transformamos circunstâncias em identidade e acontecimentos em diagnósticos.
Mas Lucas continua a narrativa. Paulo simplesmente sacode a víbora no fogo. Todos esperam que ele inche ou caia morto. Nada acontece. Então Lucas registra um mudança de opinião muito rápida: “Mudando de opinião, diziam que ele era um deus.” Em poucos minutos, Paulo passa de assassino a divindade. E as duas avaliações estão igualmente erradas. Ele não era menos quando foi chamado de assassino, nem se tornou mais quando foi chamado de deus.
É exatamente aqui que Lucas toca um dos grandes ídolos do coração humano: a necessidade de aprovação. Gostamos de acreditar que somos independentes da opinião das pessoas. Mas basta uma crítica para descobrirmos o quanto ainda dependemos dela. Alguém interpreta mal nossas intenções, questiona nosso trabalho ou ignora nosso esforço, e passamos dias tentando reconstruir aquela conversa. Mas existe outro perigo, o elogio também pode nos escravizar. Quando precisamos constantemente ser admirados, reconhecidos ou valorizados, entregamos às pessoas um direito que pertence somente a Deus: o direito de dizer quem nós somos.
Talvez você nunca tenha pensado nisso, mas toda vez que a crítica destrói você ou o elogio controla você, existe um ídolo escondido ali. Porque somente aquilo de que realmente dependemos possui poder para governar nosso coração. É por isso que Atos 27 nos ajuda a compreender Atos 28. No meio da tempestade, Paulo declarou: “O Deus a quem pertenço e a quem sirvo.”
Essa frase explica sua reação em Malta. Paulo já sabia quem era antes que alguém dissesse qualquer coisa sobre ele. Sua identidade não começava na voz da multidão, começava em Deus. Agostinho dizia que o orgulho é a tentativa do ser humano de bastar-se sem Deus. À primeira vista, orgulho e necessidade de aprovação parecem opostos. Mas caminham juntos. Quem vive desesperadamente buscando a aprovação das pessoas continua esperando delas aquilo que somente Deus pode oferecer: identidade, segurança e descanso.
É justamente aqui que o evangelho nos liberta. Na cruz, Deus nos mostra que somos mais pecadores do que gostaríamos de admitir. Por isso, não precisamos fingir que toda crítica é injusta. Mas a mesma cruz também declara que somos mais amados em Cristo do que qualquer elogio poderia nos fazer sentir. O evangelho nos torna humildes diante da crítica e livres diante do elogio.
Agora observe o que Lucas faz. Ele não registra Paulo tentando defender sua reputação, Paulo simplesmente continua servindo. Públio o recebe em sua casa. Seu pai está enfermo. Paulo entra, ora, impõe-lhe as mãos, e Deus o cura. Depois disso, outros enfermos da ilha também recebem cuidado. Perceba a beleza da narrativa. Quando o chamaram de assassino, Paulo continuou servo. Quando o chamaram de deus, Paulo continuou servo. A crítica não interrompeu sua missão. O elogio não redefiniu sua missão. Isso confronta nosso coração. Quantas vezes deixamos de servir porque não fomos reconhecidos? Quantas vezes uma crítica nos afastou de um ministério? Quantas vezes nosso entusiasmo depende mais dos aplausos do que da fidelidade?
Quem vive tentando proteger constantemente a própria reputação acaba tendo pouco tempo para servir. Mas quem sabe a quem pertence encontra liberdade. Liberdade para receber críticas sem desmoronar e para receber elogios sem se exaltar. E, sobretudo, liberdade para continuar servindo, porque sua identidade já não depende daquilo que as pessoas dizem, mas daquele a quem pertence. No final, acontece algo belíssimo. Os mesmos habitantes que acolheram Paulo agora são profundamente abençoados através dele. A graça continua circulando. Porque é isso que acontece quando deixamos de viver para proteger nossa reputação e começamos a viver para servir.
Atos dos Apóstolos 28.11–16 NAA
11 Três meses depois, embarcamos num navio de Alexandria, que tinha passado o inverno na ilha. O navio tinha por emblema os deuses gêmeos Castor e Pólux. 12 Chegando a Siracusa, ficamos ali três dias. 13 Dali, navegando ao longo da costa, chegamos a Régio. No dia seguinte começou a soprar o vento sul e, em dois dias, chegamos a Putéoli, 14 onde encontramos alguns irmãos que nos pediram que ficássemos com eles sete dias; e foi assim que nos dirigimos a Roma. 15 Tendo ali os irmãos ouvido notícias nossas, vieram ao nosso encontro até a Praça de Ápio e as Três Vendas. Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se mais animado. 16 Uma vez em Roma, Paulo recebeu permissão para morar por sua conta, tendo em sua companhia o soldado que o guardava.

3. Ninguém foi chamado para chegar a Roma sozinho

Atos 28.11-16
Depois de três meses em Malta, finalmente chega o momento de continuar a viagem. Lucas escreve: “Três meses depois, embarcamos num navio de Alexandria… e foi assim que nos dirigimos a Roma.”
É impossível ler esses versículos sem lembrar da promessa que Cristo fizera a Paulo em Atos 23.11: “Assim como você deu testemunho a meu respeito em Jerusalém, é necessário que você testemunhe também em Roma.”
Desde aquela promessa, muita coisa havia acontecido. Prisões, conspirações, julgamentos, dois anos de espera, uma tempestade, um naufrágio, Malta, a víbora e mais três meses de espera. Humanamente, havia inúmeras razões para acreditar que Paulo jamais pisaria em Roma. Mas nenhuma delas foi capaz de impedir uma única palavra de Cristo. Essa é a providência de Deus. A providência não significa que o caminho entre a promessa e o cumprimento será fácil. Significa que nada pode frustrar aquilo que Deus decidiu realizar.
Talvez alguns de vocês estejam vivendo exatamente nesse intervalo, entre a promessa e o cumprimento, entre aquilo que sabem sobre o caráter de Deus e aquilo que ainda não conseguem enxergar nas circunstâncias. Nossa tendência é medir a fidelidade de Deus pela facilidade do caminho. Se tudo vai bem, concluímos que Deus está conosco. Se surgem dificuldades, imaginamos que alguma coisa saiu do controle. Mas Atos nos ensina exatamente o contrário. Às vezes, o caminho da vontade de Deus passa por estradas que jamais escolheríamos. Paulo chegou a Roma, mas chegou como prisioneiro. A promessa não falhou, apenas não se cumpriu da maneira que ele provavelmente imaginava. Então Lucas registra uma das cenas mais belas de toda essa viagem. Os irmãos de Roma ficam sabendo que Paulo está chegando e caminham até a Praça de Ápio e as Três Vendas apenas para recebê-lo.
Então Lucas escreve: “Ao vê-los, Paulo deu graças a Deus e sentiu-se mais animado.”
Que frase extraordinária. Estamos falando do apóstolo Paulo. O homem que sustentou a esperança de quase trezentas pessoas durante a tempestade. Agora precisa ser encorajado. Paulo precisava dos irmãos. E Deus sabia disso.
Dietrich Bonhoeffer escreveu, em Vida em Comunhão, que muitas vezes o Cristo presente no irmão é mais forte do que o Cristo presente em mim. Não porque Cristo seja diferente, mas porque, quando meu coração está cansado, Deus usa meu irmão para me lembrar das promessas que eu mesmo já conheço. É exatamente isso que acontece aqui. Paulo não precisava de uma nova revelação. Precisava da presença dos irmãos. Perceba como Deus escolhe cuidar dele. Não envia outro anjo. Não realiza outro milagre. Envia a igreja. Isso confronta nossa ideia de maturidade espiritual. Existe um conceito de maturidade que o Novo Testamento simplesmente não conhece: a ideia de que alguém amadurece até não precisar mais da igreja. Deus é suficiente, nós não somos. E o Deus suficiente decidiu cuidar de nós através do seu povo.
Por isso o Novo Testamento está repleto dos “uns aos outros”. Amar, servir, suportar, orar e levar as cargas uns dos outros não são recomendações para cristãos mais sociáveis. São mandamentos para todo discípulo de Jesus. Talvez seja por isso que C. S. Lewis escreveu que a amizade começa quando alguém olha para o outro e diz: “O quê? Você também? Pensei que fosse o único.”
É isso que acontece na comunhão cristã. Descobrimos que não somos os únicos lutando. Não somos os únicos sofrendo. Não somos os únicos precisando da graça de Deus. E aqui preciso falar pastoralmente à nossa igreja. É possível participar dos cultos durante anos sem realmente pertencer à igreja. Chegamos, cantamos, ouvimos a Palavra, voltamos para casa, mas ninguém conhece nossas lutas. Ninguém conhece nossos pecados. Ninguém sabe quando estamos desanimados. Chamamos isso de privacidade. A Bíblia talvez lhe dê outro nome. Autossuficiência, orgulho ou simplesmente desobediência. Porque a fé cristã é profundamente pessoal, mas nunca foi planejada para ser privada. Ao mesmo tempo, talvez alguns estejam esperando que alguém caminhe em sua direção, enquanto Deus está dizendo: “Seja você quem caminhe.”
Quem Deus colocou diante de você esta semana? Quem está desanimado? Quem chegou recentemente à igreja? Quem desapareceu do Pequeno Grupo? Quem precisa de uma refeição, de uma oração ou simplesmente da sua presença?
Os irmãos de Roma não disseram apenas: “Paulo sabe que gostamos dele.”
Eles caminharam, e Deus transformou aquela caminhada em instrumento da sua providência. Talvez Ele queira fazer exatamente isso através de você. Porque, muitas vezes, a resposta de Deus para a oração de alguém tem um nome. O seu. Por isso, quero deixar duas perguntas.
Quem tem caminhado ao seu lado até a sua “Roma”?
E a segunda.
Na caminhada de quem Deus está chamando você para estar presente?
Porque Deus prometeu levar Paulo a Roma. Mas nunca prometeu que Paulo chegaria lá sozinho.

Conclusão

No início deste sermão, lembramos de Chris McCandless. Um jovem que entrou sozinho no Alasca acreditando que a verdadeira liberdade consistia em não depender de ninguém. No fim da vida, porém, escreveu uma frase que se tornou famosa: “A felicidade só é real quando compartilhada.”
Era uma percepção importante. Mas o evangelho vai ainda mais longe. O problema não é apenas que precisamos uns dos outros. Antes de tudo, precisamos de Deus. E Atos 28 nos mostra que esse Deus escolhe cuidar dos seus filhos, muitas vezes, através das pessoas que coloca ao nosso lado. Foi assim com Paulo. Quando estava com frio, Deus lhe deu uma fogueira. Quando precisava de abrigo, Deus deu uma casa. Quando precisava continuar a viagem, Deus deu recursos. Quando seu coração precisava de ânimo, Deus lhe deu irmãos. A providência invisível de Deus chegou através de mãos visíveis.
Mas essa não foi a única lição da jornada. Chamaram Paulo de assassino, depois o chamaram de deus. Mas nenhuma dessas vozes definiu quem ele era. Sua identidade já estava firmada naquele a quem pertencia. Talvez seja exatamente aqui que Deus esteja confrontando alguns de nós. Talvez você tenha vivido buscando nas pessoas aquilo que somente Deus pode dar. A aprovação que nunca é suficiente, o reconhecimento que sempre precisa ser renovado. O valor que depende do olhar dos outros, mas o evangelho nos oferece algo infinitamente melhor. Na cruz, Cristo carregou nossa culpa. Na ressurreição, garantiu nossa aceitação diante do Pai.
Por isso já não precisamos viver tentando provar nosso valor. Somos livres para servir, amar, para abrir nossa casa e para carregar as cargas uns dos outros. Não para conquistar o amor de Deus, mas porque já fomos plenamente amados em Cristo. Por isso, quero deixar três perguntas para que você leve consigo nesta semana.
Você consegue reconhecer as “fogueiras” que Deus tem acendido no seu caminho?
Você está construindo sua identidade na voz de Deus ou na voz das pessoas?
E na caminhada de quem Deus está chamando você para estar presente?
Porque, até chegarmos à nossa “Roma”, ainda haverá tempestades, víboras, dias em que precisaremos de coragem, mas haverá também um Deus que continua governando o caminho. Haverá irmãos caminhando ao nosso lado e haverá um Salvador que prometeu: “De maneira nenhuma deixarei você, nunca jamais o abandonarei.”
Paulo chegou a Roma porque Cristo foi fiel à sua promessa. Nós também chegaremos ao fim da nossa caminhada pela mesma razão. Não porque conseguimos permanecer firmes, mas porque Cristo permanece fiel. Por isso, até chegarmos à nossa “Roma”, descansemos na providência do Pai, na identidade que recebemos em Cristo e na comunhão do povo que Ele nos deu.
Amém.
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