Honrem uns aos outros
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Transcript
Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.
Na primeira parte desse verso, domingo passado, fomos desafiados a nos dedicarmos uns aos outros com amor fraternal.
Das quatro palavras gregas traduzidas por amor na Bíblia (ágape, eros, fileo e storge), esse texto combinou duas delas para falar do tipo de compromisso que somos chamados a ter uns com os outros:
φιλοστοργος philostorgos – um profundo afeto, amor e preocupação, do tipo que existe em contextos familiares.
φιλαδελφια philadelphia – o amor que nutrem entre si aqueles que vieram do mesmo ventre.
Vimos que para cumprimos a missão somos chamados por Deus a cultivar entre nós o tipo de amor que entretece relacionamentos familiares sadios, e a nos comprometer com as pessoas de uma forma desafiadora:
Compassivo – sensível à dor do outro, terno, carinhoso. Não há lugar para grosseria ou rispidez.
Misericordioso – que não retém o perdão. Não o lugar para rancor ou para a vingança.
Humilde – que reconhece suas limitações. Não a lugar para arrogância ou soberba.
Bendizente – que se nega a amaldiçoar, prejudicar ou denegrir, mesmo quando amaldiçoado, prejudicado e denegrido. Não lugar para o bateu-levou.
Sincero – sem fingimento. Ao pé da letra, sem a maquiagem usada nas apresentações teatrais, que encobriam as reais feições do ator. Não há lugar para fazer de conta que está comprometido.
Constante – que permanece, estável, sem grandes variações. Não há lugar para compromissos volúveis, que mudam ao sabor das circunstâncias.
Hospitaleiro – que acolhe, protege e abriga. Não há lugar para o esquecimento, o abandono ou para o descaso.
Vimos também que apenas aqueles que nasceram de novo pelo poder do Espírito Santo de Deus podem ter a esperança de algum sucesso nesse compromisso de amor.
Hoje vamos lidar com a segunda parte do mesmo verso :
Dediquem-se uns aos outros com amor fraternal. Prefiram dar honra aos outros mais do que a si próprios.
Nesse contexto, do compromisso mútuo que assumem aqueles que se renderam a Jesus como seu Senhor e Salvador, somos chamados pelas Escrituras a preferir dar mais honra aos outros que a nós mesmos.
O Pr. Gene Getz propõe uma comparação para nos ajudar a compreender isso.
Ele conta a história de um jovem pianista (Breno) que foi chamado a acompanhar a apresentação de uma cantora muito conhecida. Durante o ensaio, na tentativa de demostrar que ia dar conta do recado, Breno fez uma elaborada introdução e em seguida tocou com ênfase, dedicação e técnica usando ao máximo suas habilidades de maneira que seu piano pudesse ser ouvido claramente.
Quando terminou a primeira parte da música, aquela cantora parou, olhou para o jovem pianista e disse com um sorriso amistoso:
“Acho que vai dar tudo certo, sabe? Você toca muito bem! Vou me esforçar para ser uma acompanhante à sua altura, Breno”.
Depois dessa ironia simpática, Breno percebeu o que tinha feito. Ele esquecera que o convite era para ser acompanhante. Seu papel era ajudar a cantora… fazer com que a apresentação dela acontecesse da melhor maneira possível; e não estava ali para chamar atenção pra suas próprias habilidades.
1. Pratique com o(a) cantor(a). Desse modo, você aprenderá a seguir a liderança dele(a).
2. Abra mão do protagonismo. Toque discretamente (não muito alto), com técnica básica.
3. Deixe que a melodia seja feita pelo cantor, de modo que você apenas execute de modo inteligente e rítmico os acordes ao longo das partes vocais
Honrar é, portanto, servir ao outro criando as condições para que ele seja reconhecido em suas qualidades e habilidades.
Essa forma de agir nunca foi muito popular e hoje em dia é ainda menos. O problema é que viver assim é colocar o outro em posição de destaque e muita gente pensa que essa não é a melhor maneira de conseguir vencer na vida.
De forma geral as pessoas se sentem humilhadas quando não são o prato principal; não querem ser o acompanhamento. Sentem-se inferiores quando são chamados a servir outras pessoas... Porque não estão dispostas a gastar sua vida em benefício dos outros, mas apenas para si mesmos.
Bom, vejamos qual é o modo de Cristo pensar sobre isso:
Jesus sabia que o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder, e que viera de Deus e estava voltando para Deus;
assim, levantou-se da mesa, tirou sua capa e colocou uma toalha em volta da cintura.
Depois disso, derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos seus discípulos, enxugando-os com a toalha que estava em sua cintura.
Quando terminou de lavar-lhes os pés, Jesus tornou a vestir sua capa e voltou ao seu lugar. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que lhes fiz?
Vocês me chamam ‘Mestre’ e ‘Senhor’, e com razão, pois eu o sou.
Pois bem, se eu, sendo Senhor e Mestre de vocês, lavei-lhes os pés, vocês também devem lavar os pés uns dos outros.
Eu lhes dei o exemplo, para que vocês façam como lhes fiz.
Como era possível que Jesus estivesse disposto a fazer um serviço que era obrigação dos escravos mais simples? Como era possível que ele gastasse o seu precioso tempo fazendo algo tão pouco notório? Como ele conseguia manter uma imagem correta sobre si mesmos enquanto honrava os seus amigos limpando-lhes os pés empoeirados?
O verso três possui três chaves para compreendermos essas e outras indagações que cercam o modo de Jesus pensar sobre honrar os outros ou a si mesmo. Vejamos:
Primeira Chave
Jesus sabia que... o Pai havia colocado todas as coisas debaixo do seu poder
A primeira chave para seguir o exemplo de Jesus é resolver nosso relacionamento com Deus. Não é possível honrar uns aos outros se nosso relacionamento com Deus não estiver sido resolvido e pacificado. Há ao menos dois aspectos sobre esse assunto no texto.
1. Para Jesus, Deus é um pai que cuida, zela e provê tudo que é necessário. Jesus confiava nas provisões de Deus para a vida. Ele se sentia cuidado. No deserto, ao ser tentado ele esperou pela provisão do Pai. Ao ensinar os discípulos a orar pedindo o pão de cada dia, ele estava dizendo que Deus é confiável.
E para você, Deus é confiável? Você está disposto a depender dele para suprir as suas necessidades? Você está pronto para chamá-lo de pai e de pedir que para que Ele cuide de você?
2. Para Jesus, Deus é todo poderoso, isto é, tudo está sob seu controle. Na economia da trindade, o Filho reconhece que recebeu a autoridade que ele tem do Pai. Isso significa que Jesus não está fazendo algo para si mesmo. Ele não está em disputa com Deus.
E para você, Deus é todo poderoso? Você está disposto a se deixar liderar por ele? Você está pronto para se submeter a ele e confiar na direção que lhe for dada?
Essa é a primeira chave para honrarmos uns aos outros: resolver nosso relacionamento com Deus.
Segunda Chave
Jesus sabia que... viera de Deus,
A segunda chave que torna possível preferirmos uns aos outros em honra é reconhecermos que o sentido da existência está em Deus.
João nos diz que Jesus estava no princípio com Deus, quando tudo foi criado e que tudo foi criado por meio de Jesus e para ele. Portanto ele não foi criado mas existe desde a eternidade. Ainda assim, o mesmo João diz que Jesus sabia que viera de Deus e, portanto, para Jesus, tudo encontrará sentido em Deus.
Para seguir Jesus na disposição de honrar aos outros, é preciso abraçar o ponto de vista dele sobre a existência da vida humana. Quem adotar o entendimento de Jesus sobre a vida verá se abrirem sobre sua mente janelas iluminadas e começará a perceber em seu coração significados antes desconhecidos.
Jesus sabia que viera de Deus e que a existência encontrará sentindo nele. E você de onde vem? Que sentido a vida faz para você?
Terceira Chave
Jesus sabia que... estava voltando para Deus,
A terceira chave para vivermos de forma desprendida e reconhecermos as qualidade e habilidades dos outros é saber para onde estamos indo. Jesus sabia que estava voltando para Deus. Essa chave está relacionada à compreensão de que o projeto de Deus tem em vista a eternidade.
Voltar para Deus é voltar para aquele que nos criou e que nos ama e implica em acreditar que a existência não se resume à breve vida que temos neste nosso mundo confuso e caótico. Às vésperas de sua morte Jesus sabia que estava voltando para Deus. E você para onde está indo?
Sem a perspectiva da eternidade, a vida aqui se torna angustiante. Nossas almas acabam cheias de ansiedade diante dos detalhes corriqueiros e enfadonhos do cotidiano, se nossos olhos não estiverem mirando a eternidade.
Quem quiser seguir a Jesus e fazer como Ele, honrando mais aos outros que a si mesmo, precisa se juntar a Jesus na confiança de que o projeto de Deus é para a eternidade. O Projeto Eternidade com Deus está disponível para quem estiver disposto a aceitar suas próprias incapacidades, se render a Jesus com seu Senhor e Salvador e começar a viver de um jeito novo.
Três chaves que tornam possível honrarmos mais os outros que a nós mesmos: (1) resolver o relacionamento com Deus, (2) buscar em Deus o sentido da existência e (3) viver hoje na perspectiva da eternidade.
Conclusão
Se você ja rendeu-se a Jesus como seu Senhor e Salvador, essas três chaves já estão no seu chaveiro e você pode usá-las a qualquer momento e usufruir da liberdade de honrar outras pessoas. Peça ao Espírito de Deus que o ajude nisso.
Antes de concluir permitam-se apenas fazer dois alertas e um exercício prático.
Primeiro Alerta
Cuidado com a falsa honra. Honra não é bajulação em busca de recompensa. Honra não é uma senha para rasgar seda e jogar confetes entre amigos.
Quem usa do artifício da falsa honra não está servindo ao outro, mas a si mesmo e geralmente não suporta a falta de retribuição. Quem elogia para ser elogiado pode se tornar amargo e vingativo quando não é correspondido. Portanto avalie suas reações.
Segundo Alerta
Fique atento também às suas resistências interiores quanto a elogiar outras pessoas. Não deixe isso passar despercebido.
Algumas pessoas têm dificuldade em elogiar e de se alegra com o sucesso alheio porque se acostumaram, às vezes desde a infância, a ser o centro das atenções.
Outras não conseguem honrar os outros porque têm pouca percepção sobre suas próprias qualidades pessoais. Para elas é impossível elogiar outros porque elas mesmas não se sentem suficientemente reconhecidas.
Exercício Prático
De certa forma, honrar é também reconhecer que temos recebido de muitas pessoas para sermos quem somos. Por isso gostaria de propor um exercício prático.
Pense agora no nome de uma ou duas pessoas que você gostaria de honrar hoje à noite. Lembre daqueles que fizeram diferença em sua vida, pessoas que foram sinais do amo de Deus. Podem ser pessoas com quem você conviveu e convive por muito tempo, ou alguma que teve uma breve passagem. Não importa! O que importa é que elas fizeram ou fazem diferença sua vida.
Pense também na razão pela qual você deseja honrá-las. Que qualidade pessoal elas têm que fizeram diferença em sua vida? Em que elas são dignas de elogio? Que virtudes demonstradas por elas você experimentou?
Hélio Medeiros – Pelo encorajamento para uma criança de 10 anos de idade para conhecer a vida de homens e mulheres que serviam a Deus.
Fábius Bonnet – Porque haver apresentado a um adolescente a beleza da matemática.
Antônio Filgueiras – Pelo respeito a um jovem de 17 anos e pela liberalidade em perdoar minha dívida.
Ivana Clark – Pela disposição em ajudar um jovem estagiário de 21 anos, recém-casado, com uma filha pequena.
Valdeci de Almeida – Por ter tido paciência com um jovem pai/marido cheio de convicções e pouca humildade.
Romilson Lima – Pelo alerta preciso sobre minha vida financeira, quando eu não tinha experiência nem conhecimento para lidar com o assunto.
Cameron Young – Pela amizade estável confrontadora e graciosa, pelo ouvido disponível e o encorajamento a prosseguir.
