ENCARNAR É PRECISO
Quem é Jesus? • Sermon • Submitted • Presented
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No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.
Houve um homem enviado por Deus, e o nome dele era João. Este veio como testemunha para testificar a respeito da luz, para que todos viessem a crer por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz, a verdadeira luz, que, vinda ao mundo, ilumina toda a humanidade.
O Verbo estava no mundo, o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o conheceu. Veio para o que era seu, e os seus não o receberam. Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o poder de serem feitos filhos de Deus, a saber, aos que creem no seu nome, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.
INTRODUÇÃO & CONTEXTO
INTRODUÇÃO & CONTEXTO
Nada existe sem palavra.
Palavras iniciam tudo.
Pensamentos e projetos, ações e reações, relações e rompimentos — tudo nasce em um vocábulo; tudo acontece em algum vernáculo.
João sabia disso. Ele abre seu evangelho falando justamente sobre o poder criador da Palavra.
Contudo, é importante destacar que ele não parou nesse ponto. Ele prosseguiu; e nós também (aqueles que creem) precisamos prosseguir.
O apóstolo escreve que o Verbo virou gente e morou conosco. João diz (e eu creio) que a encarnação é real; e além disso, encarnar é preciso pois a Redenção é real — não apenas um ideal subjetivo.
O logos se vestiu da natureza humana e habitou entre nós demonstrando, em plenitude, duas características indissociáveis que devem nos chamar à atenção — graça e verdade.
Para aqueles que sustentam a doutrina da inspiração verbal e plenária da Bíblia (como eu sustento), não apenas o “sentido geral” do texto é importante — cada palavra, e a ordem de cada uma destas palavras importa.
Primeiro, graça; depois, verdade.
Não apenas uma e nem somente a outra; mas graça e verdade juntas, e cada uma em sua devida posição — dançando no eco de um das canções mais belas do antigo saltério:
A graça e a verdade se encontraram,
a justiça e a paz se beijaram.
Cristo, ao encarnar-se, transbordou em graça e em verdade.
E assim, escreve São João, ele nos mostrou a sua glória — a glória do verdadeiro Filho de Deus.
O QUÃO IMPORTANTE ISSO É?
O QUÃO IMPORTANTE ISSO É?
João revela que, no que diz respeito ao Emanuel (Deus conosco), não existe verdade sem graça; nem tampouco graça sem verdade.
Graça sem verdade não é graça propriamente dita.
Verdade sem graça não é verdade de fato.
Quando a Palavra encarna essas duas características se mostram inseparáveis — assim como são inseparáveis as naturezas (divina e humana) do Redentor.
É na plenitude da graça e da verdade (juntas) que a glória do Pai é revelada no Filho.
Essa é uma das doutrinas inegociáveis da fé cristã.
Posteriormente, em sua primeira carta, o apóstolo do amor escreve dizendo que quem nega a realidade da encarnação de Jesus (o Filho) não possui o Espírito de Deus (o Pai) — mas do anticristo.
Nisto vocês reconhecem o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa isso a respeito de Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual vocês ouviram dizer que viria e que agora já está no mundo.
Esse é o nível de importância dessa doutrina.
E, AGORA, COMO VIVEREMOS?
E, AGORA, COMO VIVEREMOS?
Se tudo o que vimos até aqui for verdadeiro (e creio que seja), isso deve mudar radicalmente a forma como a Igreja (o corpo encarnado do Cristo encarnado) vive suas relações interpessoais — intra e extra-communio.
O chamado cristão é um chamado à encarnação.
O serviço cristão é um serviço prestado em habitação.
O caráter cristão é um caráter marcado por graça e verdade.
O alvo cristão é demonstrar, como verdadeiros filhos, a glória do Pai.
Encarnar pode se resumir em “nascer, sofrer e morrer” — sentir na pele; na carne e nos ossos.
É doloroso, mas é necessário. É a sine qua non da vida cristã.
Cristo fez isso por amor a nós; e nos chama a fazer o mesmo por nossos semelhantes.
Uma igreja que não vive a encarnação nega que Jesus veio em carne.
Habitar é conviver; compartilhar — dividir dores e somar alegrias no dia a dia junto aos nossos irmãos.
Isso demanda intenção e, é claro, compromisso. Requer vontade de estar junto; desejo de se aproximar.
O Cristo encarnado não viveu isolado (ou encarnou porque foi “obrigado” pelo plano de Deus).
Ele quis calçar os nossos sapatos e experimentar a limitação da nossa natureza.
Uma comunidade que não convive fora de suas programações nega o Deus conosco.
Graça e verdade deveriam ser os maiores distintivos de qualquer cristão — e ainda mais — de qualquer ajuntamento destes.
Foi assim que o Cristo se revelou; e é assim que devemos revelar o Cristo.
Graça sem verdade é graça barata — inimiga mortal da Igreja que esvazia o sacrifício de Jesus sem exigir nada em troca.
Verdade sem graça é, na maioria das vezes, um instrumento pontiagudo que se utiliza para ferir aqueles a quem nos recusamos a amar.
Congregações que isolam qualquer uma dessas características perdem sua identidade como corpo genuíno de Cristo.
A glória do Pai é o início, meio e fim da vida em comunhão.
Uma assembleia cristã não existe de si, por si e para si mesma.
Ela existe para que Deus seja glorificado pelo que fez na vida daqueles pecadores no passado.
Existe para que Ele seja glorificado pela forma como está trabalhando na santificação daqueles justos no presente.
E existe para que, no final, por meio de seus filhos e filhas, o Pai seja glorificado para todo o sempre.
Comunhões que não tem a glória de Deus como alvo negam o seu verdadeiro propósito.
Somos o povo da Palavra e não podemos, nem devemos nos esquecer, que o Verbo se materializou, conviveu conosco transbordando graça e verdade; e revelou a glória do Pai. Agora, Ele nos convida e capacita a fazer o mesmo.
Que essa seja, com a ajuda de Deus, a nossa descrição.
