Tema: Aula 2 — Semelhança com Cristo

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EBD — O DISCÍPULO RADICAL

Capítulo 2 — Semelhança com Cristo

Autor: John Stott Texto-base: Romanos 8.29; 2 Coríntios 3.18; 1 João 3.2 Tema: Semelhança com Cristo: o propósito de Deus para o seu povo

Ideia Central da Lição — ICT

Deus deseja que seu povo se torne semelhante a Cristo, e realiza esse propósito progressivamente pelo Espírito Santo, chamando-nos a seguir o exemplo de Jesus em sua humildade, serviço, amor, longanimidade e missão.

1. INTRODUÇÃO

Qual é o propósito de Deus para o seu povo?

Stott começa o capítulo contando que, quando era jovem, ele e seus amigos se perguntavam:
“Qual é o propósito de Deus para o seu povo? O que vem depois de nos convertermos?”
Ele menciona duas respostas que já conheciam.
A primeira vinha do Breve Catecismo de Westminster:
“O fim principal do homem é glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.”
A segunda era ainda mais simples:
“Ame a Deus, ame o seu próximo.”
Stott reconhece a verdade dessas afirmações, mas afirma que elas não lhe pareciam responder completamente à questão.
Então apresenta a conclusão que considera fundamental:
“Deus quer que o seu povo se torne como Cristo, pois semelhança com Cristo é a vontade de Deus para o povo de Deus.”

PERGUNTA PARA A CLASSE

Se alguém perguntasse: “Qual é o propósito de Deus para a minha vida depois que fui convertido?”, o que você responderia?
Deixe a classe responder antes de apresentar a tese do capítulo.

TRANSIÇÃO

Portanto, para Stott, discipulado não é simplesmente aprender coisas sobre Jesus.
É tornar-se semelhante a Jesus.

2. BASE BÍBLICA

Stott deixa claro que sua argumentação não depende de um único texto.
Ele apresenta três textos que precisam ser mantidos juntos:
Romanos 8.29;
2 Coríntios 3.18;
1 João 3.2.
E eles apresentam uma sequência extraordinária:

PASSADO → PRESENTE → FUTURO

A. ROMANOS 8.29 — O PROPÓSITO ETERNO

Leia Romanos 8.29.
“...os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho...”
Stott observa que a queda afetou profundamente a imagem de Deus no ser humano, mas que Deus a restaura em Cristo.
Por isso, ser conforme à imagem de Deus significa ser como Jesus.
E aqui está a primeira perspectiva:

Deus nos predestinou para sermos semelhantes a Cristo.

Não é uma ideia secundária.
É o propósito eterno de Deus para o seu povo.

Pergunta

Quando pensamos na salvação, normalmente pensamos apenas em perdão dos pecados. O que Romanos 8.29 acrescenta à nossa compreensão da salvação?

3. 2 CORÍNTIOS 3.18 — A TRANSFORMAÇÃO PRESENTE

Agora leia 2 Coríntios 3.18.
Paulo afirma que somos:
“transformados [...] na sua própria imagem”.
Aqui a perspectiva muda.
Romanos 8.29 fala do propósito eterno de Deus.
2 Coríntios 3.18 fala da obra que Deus está realizando agora.
Stott destaca exatamente essa mudança:
passamos do propósito eterno para a transformação presente realizada pelo Espírito Santo.

Isso significa:

Deus não apenas decidiu que seríamos semelhantes a Cristo.
Deus está trabalhando em nós para que nos tornemos semelhantes a Cristo.
Portanto, santificação não é simplesmente:
“Eu preciso me esforçar para ser uma pessoa melhor.”
É uma obra do Espírito Santo em nós.

4. 1 JOÃO 3.2 — A ESPERANÇA FUTURA

Leia 1 João 3.2.
João diz:
“...quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele...”
Aqui está a terceira perspectiva:

FUTURO

Ainda não somos tudo aquilo que seremos.
Mas sabemos qual será o destino final:
seremos semelhantes a Cristo.
Stott observa algo muito interessante: não sabemos todos os detalhes sobre aquilo que seremos, mas sabemos o suficiente:
estaremos com Cristo e seremos como ele.
Então ele junta as três perspectivas:
PerspectivaTextoO que Deus fazPassadoRm 8.29Deus nos predestinou para sermos como CristoPresente2Co 3.18Deus nos transforma pelo EspíritoFuturo1Jo 3.2Seremos semelhantes a Cristo
Stott conclui:
Tudo isso aponta para uma mesma finalidade: semelhança com Cristo, pois esse é o propósito de Deus para o seu povo.

FRASE PARA O QUADRO

O propósito eterno, a transformação presente e a esperança futura de Deus apontam para uma coisa: SEMELHANÇA COM CRISTO.

5. “SE AFIRMAMOS SER CRISTÃOS, DEVEMOS SER COMO CRISTO”

Stott então passa da doutrina para a vida.
Leia 1 João 2.6:
“Aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou.”
A pergunta agora deixa de ser:
“Cristo é o meu Salvador?”
E passa a ser:
“Cristo está sendo reproduzido na minha vida?”
Stott é direto:
“Se afirmamos ser cristãos, devemos ser como Cristo.”
Essa frase poderia ser o centro da aula.

6. EXEMPLOS DO NOVO TESTAMENTO

Depois de estabelecer a base bíblica, Stott passa para exemplos concretos do Novo Testamento.
Ele apresenta cinco maneiras principais pelas quais devemos nos assemelhar a Cristo:
em sua encarnação;
em seu serviço;
em seu amor;
em sua longanimidade;
em sua missão.

I. DEVEMOS SER COMO CRISTO EM SUA ENCARNAÇÃO

Leia Filipenses 2.5-8.
Aqui Stott faz uma distinção importante.
Não podemos imitar a encarnação como evento redentivo.
Jesus é o Filho eterno de Deus que assumiu nossa humanidade uma vez por todas.
Mas podemos imitar a humildade demonstrada na encarnação.
Paulo diz:
“Tende em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus...”
Cristo:
não se agarrou aos seus privilégios;
assumiu a forma de servo;
humilhou-se;
tornou-se obediente.
Stott resume o princípio:
a encarnação é única, mas a humildade de Cristo deve ser imitada por nós.

APLICAÇÃO

Pergunte:
“Tenho usado aquilo que Deus me deu para servir ou para ser servido?”
Porque o caminho de Cristo é o caminho da humildade.

II. DEVEMOS SER COMO CRISTO EM SEU SERVIÇO

Agora Stott leva a classe para o Cenáculo.
Leia João 13.14-15.
Jesus tira a veste, coloca água numa bacia e lava os pés dos discípulos.
E depois diz:
“Eu vos dei o exemplo...”
O ponto de Stott é muito interessante.
Na cultura de Jesus, lavar os pés era uma tarefa própria de um escravo.
Então o princípio para nós é:
Não devemos considerar nenhuma tarefa simples ou humilhante demais.

PERGUNTA

O que eu considero “humilhante demais” para fazer na igreja?
Essa pergunta pode gerar uma boa conversa.
Porque existe uma tentação de querer:
púlpito sem toalha; liderança sem serviço; posição sem humildade.
Mas Jesus mostrou que autoridade e serviço não são opostos no Reino de Deus.

III. DEVEMOS SER COMO CRISTO EM SEU AMOR

Leia Efésios 5.2.
Paulo diz:
“E andai em amor, como também Cristo nos amou e se entregou a si mesmo por nós...”
Stott chama atenção para duas expressões:

“Andai em amor”

Isso significa que o amor deve caracterizar todo o nosso comportamento.

“Entregou-se por nós”

Aqui está a referência à cruz.
Portanto, somos chamados a amar como Cristo amou:
um amor que se entrega.
Stott relaciona três imagens:
o Cristo da encarnação, o Cristo do lava-pés e o Cristo da cruz.

APLICAÇÃO

Não basta perguntar:
“Eu amo?”
Pergunte:
“Meu amor me leva a me entregar pelo bem do outro?”

IV. DEVEMOS SER COMO CRISTO EM SUA LONGANIMIDADE

Agora Stott muda de Paulo para Pedro.
Leia 1 Pedro 2.18-21.
O contexto é o sofrimento.
Pedro fala daqueles que sofriam injustamente e os chama a não responder ao mal com o mal.
Por quê?
Porque Cristo também sofreu e deixou um exemplo para seguirmos.
Stott chama isso de semelhança com Cristo no sofrimento injusto.
Aqui precisamos entender:
longanimidade não é fraqueza.
É a capacidade de permanecer semelhante a Cristo mesmo quando somos feridos.

PERGUNTA

Como normalmente reagimos quando somos injustiçados?
Retribuímos?
Guardamos ressentimento?
Procuramos vingança?
Falamos mal?
Ou tentamos responder como Cristo?

V. DEVEMOS SER COMO CRISTO EM SUA MISSÃO

Leia João 17.18 e João 20.21.
Jesus diz:
“Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo.”
E:
“Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio.”
Stott percebe aqui algo profundo:
nossa missão deve se parecer com a missão de Cristo.
Cristo entrou no nosso mundo.
Nós precisamos entrar no mundo das outras pessoas.
Não significa concordar com tudo.
Significa aproximar-se para compreender, ouvir, servir e anunciar Cristo.
Stott chama isso de missão encarnacional.

PERGUNTA

Nós esperamos que as pessoas venham até nós ou estamos dispostos a entrar no mundo delas?
Isso vale para:
família;
vizinhos;
trabalho;
escola;
universidade;
comunidade;
cidade.

7. AS CINCO MARCAS DA SEMELHANÇA COM CRISTO

Até aqui, podemos fazer uma síntese:

CRISTO

ENCARNAÇÃO → SERVIÇO → AMOR → LONGANIMIDADE → MISSÃO
E a pergunta é:
Essas cinco marcas estão aparecendo na minha vida?
Não precisamos ser perfeitos.
Mas precisamos estar sendo transformados.

8. TRÊS CONSEQUÊNCIAS PRÁTICAS

Stott então conclui o capítulo apresentando três consequências práticas.

1. SEMELHANÇA COM CRISTO E O MISTÉRIO DO SOFRIMENTO

Stott afirma que o sofrimento pode fazer parte do processo pelo qual Deus nos torna semelhantes a Cristo.
Ele coloca Romanos 8.28 e 8.29 juntos.
Romanos 8.28 afirma que Deus trabalha para o bem.
Romanos 8.29 mostra qual é esse bem:

sermos conformados à imagem de Cristo.

Assim, um sofrimento, desapontamento ou frustração não precisa ser interpretado apenas como algo sem sentido.
Deus pode utilizá-lo em nosso processo de transformação.

PERGUNTA

Como muda nossa maneira de enfrentar uma dificuldade quando entendemos que Deus também pode usá-la para nos tornar mais semelhantes a Cristo?

9. SEMELHANÇA COM CRISTO E O DESAFIO DO EVANGELISMO

Aqui está uma das frases mais provocativas do capítulo.
Stott pergunta:
Por que nossos esforços evangelísticos frequentemente são desastrosos?
E aponta uma razão importante:

Porque não parecemos com o Cristo que proclamamos.

Isso é muito sério.
Podemos dizer:
“Jesus ama você.”
Mas se nossa vida demonstra:
arrogância;
desprezo;
falta de misericórdia;
egoísmo;
intolerância;
nossa mensagem perde credibilidade.
O capítulo cita John Poulton para destacar que a pregação mais eficaz vem daqueles que vivem de acordo com aquilo que dizem.
E aparece então aquela frase provocadora:
“Se vocês, cristãos, vivessem como Jesus Cristo, a Índia estaria aos seus pés amanhã.”
Não precisamos tomar essa frase como uma fórmula matemática de evangelização.
O ponto é:

A vida do discípulo deve dar credibilidade à mensagem que ele anuncia.

10. SEMELHANÇA COM CRISTO E A HABITAÇÃO DO ESPÍRITO

E chegamos à pergunta inevitável:
Como podemos ser semelhantes a Cristo?
Stott responde:

Não pela nossa própria força.

Deus nos deu o Espírito Santo para nos capacitar a cumprir esse propósito.
Então ele apresenta a famosa ilustração atribuída a William Temple.
A ideia é simples:
Não adianta mostrar a alguém uma obra de Shakespeare e simplesmente dizer:
“Agora escreva assim.”
A pessoa não consegue.
Mas imagine se o próprio “gênio” de Shakespeare pudesse habitar naquela pessoa.
Então ela poderia produzir algo semelhante.
Da mesma maneira:
não conseguimos simplesmente olhar para a vida de Jesus e reproduzi-la pela força humana.
Precisamos do Espírito de Jesus habitando em nós e nos transformando.
Stott conclui:
O propósito de Deus é nos fazer como Cristo, e a maneira como ele faz isso é nos enchendo com o seu Espírito Santo.

11. APLICAÇÃO FINAL PARA A CLASSE

Agora eu faria cinco perguntas bem pastorais:

1. Estou me tornando mais parecido com Cristo?

Não apenas:
“Estou frequentando a igreja?”
Mas:
“Meu caráter está mudando?”

2. Estou aprendendo a servir como Cristo?

Existe alguma tarefa que considero pequena demais para mim?

3. Estou amando como Cristo?

Meu amor é sacrificial ou condicionado?

4. Estou reagindo às dificuldades como Cristo?

O sofrimento está me tornando mais parecido com Cristo ou mais amargo?

5. Minha missão se parece com a missão de Cristo?

As pessoas conseguem perceber Jesus na maneira como eu vivo?

DINÂMICA FINAL

Escreva no quadro:
ENCARNAÇÃO — SERVIÇO — AMOR — LONGANIMIDADE — MISSÃO
Peça:
“Escolha uma dessas cinco áreas em que você precisa crescer mais.”
Depois pergunte:
“Qual será uma atitude concreta que você pode tomar nesta semana?”
Dê alguns segundos de silêncio.

CONCLUSÃO

Volte à pergunta que abriu o capítulo:
Qual é o propósito de Deus para o seu povo?
Agora a classe tem a resposta.

Deus quer que o seu povo se torne como Cristo.

E isso envolve:
um propósito eterno — Romanos 8.29;
uma transformação presente — 2 Coríntios 3.18;
uma esperança futura — 1 João 3.2.
E, no meio desse processo, Deus nos chama a seguir os passos de Cristo:
humildade, serviço, amor, longanimidade e missão.
Portanto:
Não basta carregar o nome de cristão. O discípulo de Jesus deve tornar-se semelhante ao seu Mestre.
E o mais bonito é que Deus não apenas nos dá o padrão — Cristo — mas também nos dá o Espírito Santo para realizar essa transformação em nós.

FRASE PARA ENCERRAR

“O propósito de Deus para o discípulo não é apenas que ele conheça Cristo, mas que ele se torne semelhante a Cristo.”
Oração: “Senhor, faze-nos semelhantes a Cristo. Que a nossa fé não esteja apenas nos nossos lábios, mas seja vista em nosso caráter, em nosso serviço, em nosso amor, em nossa maneira de enfrentar o sofrimento e em nossa missão. Pelo teu Espírito, transforma-nos cada dia mais à imagem de Jesus. Amém.”
Observação: as citações acima foram feitas diretamente a partir das páginas 23–31 do capítulo 2 do PDF que você enviou, preservando a sequência argumentativa do próprio Stott.
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