Ele nos chama a navegar

Sermão do Monte  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Transcript

Introdução:

Chegamos ao final da série do sermão do monte, 15 domingos, mais de 3 meses de travessia meditando sobre o discurso de Jesus. E hoje, no último ponto de parada, vamos descobrir para que direção Ele estava nos guiando esse tempo todo.
Jesus apresenta, sentado, ensinando, os valores do Reino do qual Ele é Rei. Através de expressões positivas (bem-aventurados) e negativas (vocês ouviram o que foi dito, mas eu...) apresenta a essência do Reino que Ele estava para inaugurar.
As palavras dele impressionam até hoje, o sermão do monte é analisado por quem crê ou não crê que Ele de fato é o messias, mas nesse momento Ele finalizar com o ponto que ninguém pode escapar, a decisão.
Não é apenas sobre a beleza do discurso, pois de fato ele é Belo, mas sobre o que fazer depois de escutar tudo isso.
Então, repito o que tenho dito a cada domingo. Cremos na presença Real do Cristo Ressurreto aqui, como seus discípulos sentaram e foram impactados pela sua palavra, convido cada um a sentar aqui, e também ser impactado pelas palavras do mestre que se faz presente.
João 6.68 “68 Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, para quem iremos? Tu tens as palavras de vida eterna.”
Se ajeite na cadeira, que as palavras não só cheguem ao seu ouvido, mas toquem no seu corpo e encontrem seu coração. Porque hoje Jesus não está apenas encerrando um discurso. Ele está nos chamando para dentro de uma travessia — e, ao final, vamos descobrir que o convite dele sempre foi para um lugar bem maior do que uma lista de regras para seguir."

Texto Base: Mateus 7:24-29

Mateus 7.24–29 NVI
24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”. 28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino, 29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.

Contexto

Jesus estava falando do que conhecia, a parábola tinha algo que ele aprendeu, construção. Carpinteiro naquele tempo era muito mais do que mexer com madeira, era o pedreiro de hoje.
Jesus falava com uma multidão que entendia bem, Ele se importava em falar a “língua dos homens”, não como escriba que dificultada o ensino para criar castas especiais, mas como um Mestre que queria que sua mensagem fosse alcançada por todos.
Então ao usar esse exemplo, ele desce para o chão da vida de quem o escutava, ele está interessado em que você entenda, por isso falará aquilo que seu coração vai captar.
É importante destacar que há somente dois tipos de construtores, não três, nem quatro ou cinco; e que esses dois formam um claro e poderoso contraste..
O Senhor está constantemente dividindo os homens em duas classes, aqueles que obedecem ou não. Aqueles que são ou não de verdade. Tirando as máscaras que colocamos em nós mesmos, o que sobra?
Jesus é o que acende a luz e nos aponta, só há duas portas, dois caminhos, duas árvores, dois construtores.
O final do sermão é o ponto que Ele vai se levantar e nos perguntar: - estão prontos para me seguir?

Ponto 1 - A luta de viver o que cremos

Mateus 7.24–29 NVI
24 “Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha. 25 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela não caiu, porque tinha seus alicerces na rocha. 26 Mas quem ouve estas minhas palavras e não as pratica é como um insensato que construiu a sua casa sobre a areia. 27 Caiu a chuva, transbordaram os rios, sopraram os ventos e deram contra aquela casa, e ela caiu. E foi grande a sua queda”.
Jesus escolhe as palavras com cuidado: chuva, rios que transbordam, ventos que sopram e batem contra a casa. Não é uma casa que simplesmente existe num dia de sol — é uma casa testada. As duas serão testadas, a do sábio e do imprudente.
E a tempestade que Ele descreve carrega mais de um sentido. Ela é a vida — as pressões, as perdas, as decisões difíceis que vão testar, ano após ano, sobre o que realmente estamos apoiados. Mas ela também aponta para além da vida cotidiana: para o dia em que tudo o que construímos será provado diante de Deus.
A tempestade não é só o que já está batendo na sua porta — é também o que ainda vai vir, no fim de tudo.
Um ditado que se tornou popular:
Faça o que eu digo mas não faça o que eu faço.
Falamos para nossos filhos não usarem celular enquanto estamos com ele não mão
O mundo está inundado hoje de pessoas que ensinam, mas não fazem
Nutricionistas que não controlam sua alimentação
Gestores de recursos financeiros que tem sua vida financeira arruinada
As palavras não deixam de ser verdade, na maioria da vezes, porque a pessoa não faz o que diz.
Mas Jesus está apontando que o ponto não é ouvir ou dizer, e sim praticar.
Em 1973 foi realizado um estudo intitulado, Bom Samaritano.
Pesquisadores pediram a estudantes de teologia de Princeton que preparassem uma palestra. Metade recebeu como tema a Parábola do Bom Samaritano. No caminho para o auditório, os organizadores colocaram um ator caído no chão, gemendo de dor. A variável principal não era o tema da palestra, mas o tempo: disseram a alguns que estavam adiantados, e a outros que estavam muito atrasados. Estudantes que iriam pregar sobre o Bom Samaritano, mas estavam com pressa, passaram direto pelo homem caído — alguns até pisaram por cima dele.
Jesus está nos trazendo para o ponto central de uma vida que construímos, os tijolos não são as palavras que ouvimos ou falamos, mas os atos que praticamos. E lutamos contra um mal dentro de nós, o pecado que nos arrasta para a desobediência, o mesmo que essas tempestades da vida vão insistir em revelar, muito antes do dia em que tudo será provado diante de Deus.
Lutamos contra um mal dentro de nós, o pecado que nos arrasta para desobediência.
O mesmo tipo de revelação apareceu, de forma ainda mais dura, no polêmico Experimento da Prisão de Stanford — tema do filme de 2015. Estudantes comuns, colocados no papel de carcereiros, deixaram aflorar tão rápido um comportamento abusivo que o estudo, planejado para durar semanas, foi encerrado em seis dias. A estrutura não criou o que estava dentro deles — só revelou.
Jesus está pontuando que ouvir apenas não leva a vida, vir a igreja, escutar, vestir roupa certa, escutar a música certa, usar as palavras certas enganam a nós e nossos pares, mas não levam a vida.
Romanos 7.18 “18 Sei que nada de bom habita em mim, isto é, em minha carne. Porque tenho o desejo de fazer o que é bom, mas não consigo realizá-lo.”
Jesus fala do dois construtores, que constroem casas que ninguém notaria a diferença olhando de fora. Eles escolhe o terreno, colocam o projeto, vivem a vida de forma semelhante, mas o final não é o mesmo
O texto fala de uma diferença entre os dois, onde essas casas estavam alicerçadas.

Ponto 2 - O que vai ser provado em mim?

Já vimos que a tempestade da parábola aponta para mais do que as dificuldades do dia a dia — ela aponta para um julgamento. Mas o que, exatamente, esse julgamento vai provar?
Quando lemos o texto, pelo menos a maioria de nós, imagem uma casa construída na praia, na areia solta e outra em cima de uma rocha.
Mas não é isso, as casas estavam construídas em lugares iguais, a diferença não era o solo, mas o esforço de cavar abaixo dele.
Qualquer casa que vai ser construída precisa de um alicerce, são colocas estacas, colunas, linhas abaixo do piso, encontrando um terreno mais firme e sobre essa estrutura que são levantadas as paredes e demais estruturas.
O texto fala que um construtor simplesmente colocou as paredes na superfície, fez o que era mais fácil, afinal, quem via de fora ia ver uma bela casa, e construída mais rápida. Este era o insensato.
O outro colocou sua casa sobre a rocha porque cavou, achou terreno firme e começou a construção, por mais que a demora foi maior, ele fez seguro do fundamento onde estava. Este é o sábio.
E é exatamente esse fundamento invisível que vai ser provado. Jesus aponta que as obras que construímos serão testadas — e os teólogos concordam que Ele está falando, principalmente, do fim da vida, do julgamento final. Porque seremos julgados.
Mateus 25.31-32 “31 “Quando o Filho do homem vier em sua glória, com todos os anjos, assentar-se-á em seu trono na glória celestial. 32 Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará umas das outras como o pastor separa as ovelhas dos bodes.”
Mateus 25.46 “46 “E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”.”
Mateus 13.41–43 “41 O Filho do homem enviará os seus anjos, e eles tirarão do seu Reino tudo o que faz tropeçar e todos os que praticam o mal. 42 Eles os lançarão na fornalha ardente, onde haverá choro e ranger de dentes. 43 Então os justos brilharão como o sol no Reino de seu Pai. Aquele que tem ouvidos, ouça.”
Então sim, seremos julgados. Sim ao olhar para o padrão divino a reação é de inicial é de Vergonha e medo.
Vergonha porque cada palavra de Jesus mostra meu coração egoísta e pecados, eu sou o Aluno que colocado como carcereiro em pouco tempo posso passar a deixar fluir o mal em mim, e pior, não preciso passar pelo teste da prisão.
Eu digo que vou amar os inimigos, mas como, se nem a esposa que eu prometi amar como Cristo amou a igreja eu faço. E não com palavras, mas com ações
Eu sou o aluno que passa por cima do homem sofrido porque estou correndo para falar, parecer e até fazer, mas fazer com o coração no lugar que Cristo não me chamou a estar.
Medo de se perguntar, então quem poderá ser Salvo, e ouvir de mim mesmo a resposta você não é capaz. Os discípulos passaram por esse sentimento
Ao falar com o Jovem Rico - O que faço para herdar, eu obedeço, vende tudo que tem, ele vai triste, é mais fácil passar o camelo pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus
Mateus 19.25 “25 Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram perplexos e perguntaram: “Neste caso, quem pode ser salvo?””
Quem poderá ser Salvo?
Mas Jesus não só ouvindo a pergunta dos discípulos, o texto de mateus diz que ele olha para eles, e eu tento imaginar a cena de compaixão, diante do medo real da percepção de quem somos, Jesus olha para nós e diz:
Mateus 19.26 “26 Jesus olhou para eles e respondeu: “Para o homem é impossível, mas para Deus todas as coisas são possíveis”.”

Ponto 3 - O Alicerce da companhia Dele

O homem sábio cavou para encontrar o fundamento.
O que temos aprendido ao longo do sermão é que a graça é o que torna possível ao homem ser salvo.
Vimos que ela que nos puxa para porta estreita, e lá dentro do caminho apertado passamos a tomar decisões alinhadas com o aperto, em resposta ao convite da graça, através da fé que nos grita que de fato não meremos, mas ...
João 3.16 “16 “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna.”
O que Jesus esta colocando não é uma barreira para a vida eterna, mas um convite para andar na companhia dele.
O alicerce não aparece, cavar para estrutura-lo leva tempo, se faz no segredo, por isso não sermos julgados pelo tamanho da igreja que fazemos parte, pela quantidade de alimento que distribuímos, mas se somos conhecidos por Jesus, se andamos com ele.
Se ao final do sermão do monte, depois de ouvir tudo respondemos, sim Senhor, vamos te seguir.
No escondido das nossas orações no nosso quarto,
No espaço de leitura e reflexão aos seus pés,
Na vida comunitária vivida com honestidade
Porque não temos como nos salvar, mas a fé Nele nos salva, e o processo de santificação tem um mestre de obras que está aqui em nós, o Santo Espírito.
João 14.24–27 “24 Aquele que não me ama não obedece às minhas palavras. Estas palavras que vocês estão ouvindo não são minhas; são de meu Pai que me enviou. 25 “Tudo isso lhes tenho dito enquanto ainda estou com vocês. 26 Mas o Conselheiro, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, lhes ensinará todas as coisas e lhes fará lembrar tudo o que eu lhes disse. 27 Deixo-lhes a paz; a minha paz lhes dou. Não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe o seu coração, nem tenham medo.”
Abrimos a nossa boca para chama-lo de Mestre e Senhor, temos que tomar a decisão de lutar para alinhar nossa vida a dele. Ele é o prumo. Não obedeço por medo, mas em resposta ao encontro com a vida. Essa verdade é que cria em mim um pobre de espírito, porque sei a graça que me alcançou e tomo a decisão de todos os dias decidir por ele
Ao final o povo ficou abismado/maravilhado com o ensino porque vinha da boca de quem tinha autoridade.
Jesus faz mais do que nos dar regras, ele mostra a Vida.
O autor do livro Pequeno príncipe tem outro livro chamado Cidadela que tem uma frase que me captura de um jeito incrível. Ele descreve a construção de um navio assim:
"Um tecerá as velas, outro, na floresta, derrubará a árvore com o relâmpago do seu machado. Outro ainda forjará os pregos, e haverá os que observam as estrelas para aprender a guiar. E, no entanto, todos serão um só. Criar o navio não é tecer as velas, forjar os pregos, ler os astros, mas sim dar o gosto do mar, que é um só, e à luz do qual nada mais é contraditório, mas comunhão no amor."
Antoine de Saint-Exupéry
Essa ideia ficou tão conhecida que hoje circula numa versão popular, atribuída a ele, ainda que não apareça assim, ao pé da letra, no texto original: "Se você quer construir um navio, não chame as pessoas para juntar madeira ou atribua-lhes tarefas e trabalho. Em vez disso, ensine-as a desejar a infinita imensidão do mar."
Construir o barco, Esse é o "check-list" do Jovem Rico e a aparência verde do joio. Quando a fé se resume a construir um barco perfeito para alcançar o céu como um prêmio distante, a obediência se torna um fardo insuportável. A hipocrisia nasce exatamente aí: escondemos os buracos do nosso barco porque achamos que a nossa salvação depende da perfeição da nossa própria carpintaria.
O céu não é um lugar físico para onde o barco nos leva; o céu é estar com Ele, viver eternidade hoje. Cristo é a imensidão do mar. A verdadeira transformação não acontece porque alguém nos gritou ordens sobre como serrar madeira, mas porque nossos olhos foram abertos para a beleza de quem Jesus é.
Nós só conseguimos soltar algo de valor quando as nossas mãos são atraídas por algo infinitamente mais valioso.
É por isso que focar na obediência pura e simples — na obrigação de "juntar madeira" — gera hipocrisia ou exaustão. Sem a visão do tesouro, a renúncia cristã parece uma perda injusta, e a mente logo começa a negociar atalhos e pequenas trapaças. Mas quando a beleza de Cristo se torna o tesouro real, quando meus olhos são abertos para a Beleza do mar, a beleza de estar com Ele, a obediência deixa de ser uma negociação comercial para ser a consequência inevitável da alegria.

Conclusão - O convite

Lá no início eu disse que essas palavras terminam no ponto do qual ninguém escapa: a decisão. Chegamos nele.
O convite hoje é: permita que Cristo, que está aqui, lhe mostre a imensidão e a beleza do mar que Ele é — e para o qual Ele te chama a entrar.
Solte as ferramentas humanas de construção de aparências. Comece a cavar, na companhia dele, o alicerce dessa relação — onde, quando você pede, Ele responde; quando busca, Ele se deixa encontrar; quando bate, a porta se abre.
Você não precisa construir um barco perfeito para merecer o mar. Precisa só decidir entrar nele. Então decida agora — em silêncio, no seu banco, sem precisar de plateia: eu vou seguir Jesus. Não porque tenho medo do que Ele vai provar de mim, mas porque já vi, nesses domingos, a beleza de quem Ele é.
Cristo está aqui, o convite e navegar no mar da sua presença
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