O Sermão se Torna Carne
Depois do Monte • Sermon • Submitted • Presented
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Introdução: Depois do Monte
Introdução: Depois do Monte
Terminamos uma longa série no Sermão do Monte. Foram semanas ouvindo Jesus e, se ouvimos direito, percebemos que aquela ética toda não era só sobre como devemos viver: era sobre quem Ele é. Palavras que confrontaram os religiosos daquele tempo e continuam nos confrontando hoje.
Mateus da destaque a reação do povo diante de tudo que ouviram.
28 Quando Jesus acabou de dizer essas coisas, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino,
29 porque ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os mestres da lei.
As palavras de Jesus deixaram as pessoas impactadas, o que Ele falou e como Ele falou demonstravam algo que os mestres da lei não tinham, Autoridade.
Há 13 anos, numa conferência nos Estados Unidos com alguns irmãos da igreja, tive a chance de ouvir ao vivo Timothy Keller, um teólogo que me inspira até hoje. Saí de lá impactado. Tão impactado que, no fim, a gente foi seguindo ele pelo corredor, e teve um amigo que seguiu até a porta do banheiro. Eu achei melhor parar ali.
Mas por mais que Keller tenha me impressionado, ele não falava como Jesus. Keller citava Paulo, Agostinho, Lewis. Eu, deste púlpito, cito Keller. É assim que ensina quem ensina com responsabilidade: a gente se apoia em quem estudou antes.
Os mestres da lei faziam isso. Até os profetas diziam: "Assim diz o Senhor". Jesus não cita ninguém. Ele diz: "Vocês ouviram o que foi dito… eu, porém, lhes digo". Um homem que fala assim não nos deixa a opção de achá-lo apenas um bom mestre.
Esse ponto é importante, porque considerando que o texto bíblico narra a história do homem chamado Jesus, homem que a história já comprovou a existência humana, fica claro que Ele não tinha dúvidas de quem ele era, ele enquanto esteve fisicamente aqui, não era apenas um sábio ou louco, mas o Deus encarnado.
Um homem que fosse apenas um homem e dissesse as coisas que Jesus disse não seria um grande mestre de moral. Seria um louco — no mesmo nível de quem diz que é um ovo estalado — ou então o demônio em pessoa.
Você precisa fazer sua escolha: ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou não passava de um louco ou coisa pior. Você pode calar a boca dele por louco; pode cuspir nele e matá-lo como a um demônio; ou pode cair a seus pés e chamá-lo de Senhor e Deus.
C S LEWIS
E é aqui que o texto nos surpreende. As multidões ficaram maravilhadas. E depois?
Mateus conta que, quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiram, mais ou menos como nós seguimos Keller pelo corredor. Mas admirar não é o mesmo que se render.
No meio daquela multidão maravilhada apareceu alguém que nem podia estar ali. E é com ele que o Sermão do Monte desce a prática.
Texto Base: Mateus 7:28-29 Mateus 8:1-4
Texto Base: Mateus 7:28-29 Mateus 8:1-4
1 Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.
2 Um leproso, aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me!”
3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Quero. Seja purificado!” Imediatamente ele foi purificado da lepra.
4 Em seguida Jesus lhe disse: “Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”.
Ponto 1 - Seguir e se aproximar
Ponto 1 - Seguir e se aproximar
1 Quando ele desceu do monte, grandes multidões o seguiram.
2 Um leproso, aproximando-se, adorou-o de joelhos e disse: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me!”
O texto comenta que as multidões o seguiram, depois de tudo que Ele falou, considerando tudo que ele demonstrou, o que Ele vai fazer?
Era mais ou menos o que eu e meus amigos fazíamos atrás do Keller: como vive alguém que fala com tanta autoridade? No nosso caso, seguir de perto nos mostrou que ele era homem como qualquer um. Seguir Jesus de perto mostraria àquela multidão algo que nenhum homem faz.
Mateus relata que um homem se aproximou, um homem que não deveria estar ali, um leproso
A palavra cobria várias doenças de pele, não só a hanseníase que conhecemos. Mas o peso maior não era a doença, era o que ela fazia com a vida.
A Lei mandava que ele rasgasse as roupas, cobrisse o rosto e gritasse pela rua: "Impuro! Impuro!". Enquanto tivesse a doença, moraria sozinho, fora do acampamento, e quem o tocasse ficaria impuro também (Lv 13.45-46).
Não era crueldade. Era um sinal visível de que Deus é santo, a ponto de nada impuro poder permanecer perto do lugar onde Ele habitava. Mas a mesma Lei tinha um caminho de volta (Lv 14). Com o tempo, o povo guardou a separação e esqueceu o caminho.
Mas a Lei tinha um caminho de volta que o povo esqueceu, era essa caminho de volta que o homem estava buscando, e depois de ouvir o que Jesus disse, seja diretamente ou por outras pessoas, se aproximou Dele.
Esse homem não pede "me cure". Ele pede "me purifique".
Ele quer mais que a pele sã: quer voltar para casa, para a comunidade, para a adoração.
E a forma como ele se aproxima é diferente da multidão. Ele se ajoelha e adora, com o mesmo gesto que Mateus usa para os magos diante do menino e para os discípulos diante do Ressuscitado.
A multidão podia admirar Jesus de longe, em segurança. O leproso não tinha como fingir que estava limpo.
E talvez a diferença entre admirar Jesus e adorar Jesus esteja exatamente aí: saber a realidade de quem se é.
"Para se valer do poder transformador de Jesus, é preciso vir como um humilde solicitante necessitado — ou não vir."
D. A. Carson
O homem se aproxima de forma completamente diferente da multidão.
E ele diz uma frase que carrega toda a sua esperança e todo o seu medo: "Senhor, se quiseres…".
Ponto 2 - Quero, a bondade da Sua vontade
Ponto 2 - Quero, a bondade da Sua vontade
3 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Quero. Seja purificado!” Imediatamente ele foi purificado da lepra.
Senhor, se quiseres…". Esse homem não duvidava do poder de Jesus. Ele sabia que Jesus podia. A dúvida era outra: será que Ele quer?
Será que quer alguém como eu? Depois de anos gritando "impuro" pela rua, essa era a pergunta que ele carregava.
E Jesus responde antes de curar: "Quero". Carson diz que a cura "gira em torno da vontade de Jesus, e nada mais:
'Eu quero' — e a questão está resolvida".
E Jesus estendeu a mão. Ele podia ter curado só com a palavra, e vai fazer isso logo depois com o servo do centurião.
Mas fez questão de tocar. Imagino a multidão prendendo a respiração:
Ele vai tocar mesmo? Ele não conhece a Lei? Talvez fizesse anos que ninguém encostava naquele homem. E agora ele não recebe só um toque humano. Recebe purificação.
Na Lei, a santidade precisava se proteger da impureza. Em Jesus, a direção se inverte. "Jesus não fica, com isso, impuro, mas o leproso é que se torna puro!".
Tolkien escreveu que "as mãos do rei são mãos que trazem a cura; e assim será conhecido o rei legítimo". É isso que Mateus quer que a gente veja: a mão estendida é a credencial do Rei.
Nosso encontro com Cristo acontece no meio da convicção que temos, que não merecemos, que somos pecadores, o que imaginamos é que Ele se afaste de nós, porque Ele é santo, mas Cristo nos toca. Não precisamos lutar para sermos puros para merecemos o toque Dele, mas é o toque Dele que nos torna limpos.
E esse toque teve um preço. Aqui Ele tocou o impuro e continuou limpo. Na cruz, fora da cidade, Ele tomou sobre si a nossa impureza, para que nós fôssemos purificados.
Mas a história não termina no toque. Jesus ainda tem uma ordem para aquele homem. Porque não basta estar limpo: ele precisa voltar para casa.
E há um caminho de volta.
Ponto 3 - O Caminho de volta
Ponto 3 - O Caminho de volta
4 Em seguida Jesus lhe disse: “Olhe, não conte isso a ninguém. Mas vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, para que sirva de testemunho”.
E Jesus ainda tem uma ordem para aquele homem: "Olhe, não conte isso a ninguém". Jesus não queria uma multidão atrás de milagres. O milagre de Jesus não foi apenas a cura da doença, mas foi o retorno da dignidade daquele homem
Mas vem a segunda parte: "vá mostrar-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou". Jesus manda o homem cumprir a Lei, a mesma Lei que o tinha mandado para fora.
Lembram do Sermão do Monte? "Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir".
Aqui está isso acontecendo. O sacerdote era como um perito: examinava e dava o laudo. Na agência a gente conhece bem isso. O avaliador atesta o imóvel, mas não levanta a casa. A Lei podia declarar alguém limpo, mas não podia limpar ninguém. Quando aquele homem chegasse ao sacerdote, a própria Lei ia assinar o laudo de uma obra que só Jesus podia fazer.
E aí vem o que Levítico chama de volta ao acampamento. Casa, família, mesa, culto. O milagre não foi só a pele limpa, foi a dignidade devolvida.
No dia seguinte, aquele homem não grita mais. Pode até ser que, por costume, ele se pegue se afastando das pessoas. Mas ele não precisa mais.
Jesus o reintegrou, o trouxe para casa, lhe mostrou seu amor e vontade.
A lepra era uma imagem do que o pecado faz com a gente: afasta de Deus e afasta dos outros. A cruz desfaz isso.
Quem foi tocado por Jesus é livre para viver sem culpa e sem medo. Não porque não erra mais, mas porque o Rei o tocou e agora caminha com ele.
E alguém precisava receber aquele homem de volta no acampamento.
Essa é a parte que cabe a nós. A igreja não cura como Jesus cura, mas pode ser o lugar onde quem foi tocado encontra casa. Estamos prontos para receber de volta quem Jesus curou?
Conclusão - Ele te toca
Conclusão - Ele te toca
Há 13 anos, eu segui um homem pelo corredor porque estava maravilhado com o que ele tinha falado. Foi bom, mas não mudou quem eu era. Dá para fazer isso com Jesus também: admirar de longe a vida inteira, numa distância segura, como aquela multidão. Mas ninguém é tocado de longe.
Talvez você esteja nessa multidão hoje. Ouviu, gostou, admira, mas nunca se aproximou. O convite é o mesmo que aquele homem aceitou: vir como necessitado, sem esconder o que você é. Você não precisa se limpar primeiro. É o toque Dele que limpa.
Talvez você já tenha sido tocado há muito tempo, mas ainda vive como se estivesse do lado de fora. Por costume, continua se afastando, se escondendo, gritando "impuro" por dentro. Escute: você não precisa mais. O laudo já foi assinado. Você está em casa.
E nós, como igreja, somos o acampamento para onde aquele homem voltou. Alguém em Caruaru está esperando uma mão estendida. Não somos nós que curamos, mas podemos ser o lugar onde quem foi tocado encontra casa.
Por isso, eu quero convidar você a orar agora, em silêncio, com as palavras daquele homem: "Senhor, se quiseres…". E Jesus, vivo, está aqui, olha para você, que tem medo de não ser aceito, e diz: "Eu quero. Eu toco. Eu trago você de volta".
