DO TRIBUNAL À RESTAURAÇÃO

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ILUSTRAÇÃO

“QUEM É O IMPOSTOR?” — AMONG US

Talvez alguns conheçam o jogo Among Us.
Para quem não conhece, a ideia é relativamente simples.
Várias pessoas entram numa nave espacial. Cada jogador recebe uma função. A maioria é da tripulação.
Mas existe um ou mais jogadores que são os “impostores”.
E o objetivo do impostor é eliminar os outros sem ser descoberto.
Enquanto isso, os restantes jogadores precisam realizar tarefas...
e, ao mesmo tempo, descobrir:
“Quem é o impostor?”
E aqui começa a parte engraçada.
De repente alguém encontra uma situação suspeita.
Alguém viu uma pessoa perto do local.
Alguém diz:
— “Eu vi o João ali!”
Outro responde:
— “Não fui eu!”
E começa a investigação.
— “Onde estavas?”
— “Com quem estavas?”
— “O que estavas a fazer?”
— “Eu vi-te passar!”
— “Não, não viste!”
— “Eu acho que é ele!”
— “Eu voto nele!”
[Aqueles que já jogaram já devem estar a rir]
E às vezes a pessoa é inocente.
Mas foi acusada.
Porquê?
Porque parecia suspeita.
E outras vezes...
o verdadeiro impostor está ali no meio...
calado...
a observar todos...
e provavelmente a votar contra outra pessoa!
Mas há algo interessante neste jogo.
Todos estão muito preocupados em descobrir quem é o impostor.
Todos olham para os outros.
Todos observam os outros.
Todos desconfiam dos outros.
Todos querem descobrir:
“Quem está errado?”
E, irmãos, se trouxermos isto para a vida cristã… podemos descobrir algo muito desconfortável.
Porque também podemos passar muito tempo da nossa vida espiritual a jogar uma espécie de “Among Us” espiritual.
Estamos sempre a procurar:
Quem está errado?
Quem falou mal?
Quem não veio?
Quem não serviu?
Quem fez isto?
Quem fez aquilo?
Quem devia mudar?
Quem precisa de ser corrigido?
E Jesus entra no Sermão do Monte e diz:
“Não julgueis...”
E nós poderíamos pensar:
“Então Jesus quer que ninguém diga nada quando alguém está errado?”
Não!
Porque o próprio Jesus passou grande parte do seu ministério a corrigir pessoas.
Jesus confrontou os fariseus.
Jesus corrigiu os discípulos.
Jesus denunciou o pecado.
Jesus chamou o pecado pelo nome.
Jesus não veio para dizer às pessoas:
“Está tudo bem.”
Jesus veio para transformar pessoas.
Então o que Jesus quer dizer quando diz:
“Não julgueis”?
Jesus não está a proibir o discernimento.
Ele está a condenar o espírito de condenação, orgulho e hipocrisia.
Há uma diferença entre dizer:
“Isto está errado. Quero ajudar-te a voltar para Cristo.”
e dizer:
“Eu sabia! Tu és mesmo assim.”
Uma procura restaurar. A outra procura condenar.
Uma nasce do amor. A outra nasce do orgulho.
E Jesus vai explicar isto através de uma imagem quase absurda:
um cisco...
e...
uma trave.
Mateus 7.1–2 BEARA
1 Não julgueis, para que não sejais julgados. 2 Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e, com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também.
PONTO PRÉVIO
Se olharmos para trás, parece que entramos num novo ensino, parece que estes versículos nada têm a ver com o que temos antes; se começarmos por ler a partir daqui, parece que não perdemos nenhuma informação, é nisto que o sermão do monte se torna num complexo compendio de ensino.
quem lê o que vem antes pode extrair 4 blocos
• Bloco 1: A Identidade e o Propósito do Cidadão do Reino (Mateus 5:1-16)
• Engloba as Bem-Aventuranças e o chamado para ser Sal e Luz. Define a postura e o impacto do cristão no mundo.
• Bloco 2: A Lei Elevada ao Coração (Mateus 5:17-48)
• Reúne todas as antíteses (homicídio, adultério, amor aos inimigos). Mostra que a verdadeira justiça vai além das regras externas e transforma as intenções internas.
• Bloco 3: A Devoção Sincera vs. Hipocrisia (Mateus 6:1-18)
• Junta a esmola, a oração (Pai-Nosso) e o jejum. O foco aqui é fazer tudo para Deus em secreto, e não para ser visto pelos homens.
• Bloco 4: Prioridades e Confiança na Providência (Mateus 6:19-34)
• Une os tesouros no céu e a ansiedade. Desafia o discípulo a libertar-se das preocupações materiais e a "buscar primeiro o Reino".
Estes quatro blocos preparam o terreno para o capitulo 7, que funciona como a aplicação prática e o veredito de tudo o que foi dito:
A palavra que surge aqui Krino - tem vários significados, no seu termo mais geral julgar, mas tem outros aspetos, discernir, condenar, bater o martelo (Juiz), sentenciar. Sendo assim como deve ser lido nesta passagem.
tem a ver com o contexto, é isso que determina o papel que toma Krino.
Tendo em conta o desenvolvimento de todo o sermão do monte, e até mesmo toda a bíblia, vemos que o foco tem a ver com o termo Condenar / sentenciar.
Hoje vou tentar usar mais o termo condenar / sentenciar do que o julgar, só para entendermos melhor.

1. O PECADO DO OUTRO GRITA — O MEU PASSA DESPERCEBIDO

Gostava de me apoiar nesta verdade com um exemplo que vamos entender claramente
O grande rei David (2ª Samuel 11 a 12)
1. O Pecado e a Descoberta 2ª Samuel 11.1-5
Comete Adultério com Batseba e ela engravida
2. Plano A: O disfarce (Trazer Urias a casa) 2ª Samuel 11.6-13
Tenta que o seu marido se deite com Batseba de forma a esconder
3. Plano B: O homicídio (A conspiração na guerra) 2ª Samuel 11.14-27
O plano A corre mal e David engendra plano B mais radical
4. O Confronto com o Profeta Natã 2ª Samuel 12.1-15
Então Deus envia Natã. Natã chega diante de David.
Mas não começa imediatamente por dizer: “David, tu pecaste.”
Ele conta uma história.
Havia um homem rico. Esse homem tinha muitos rebanhos.
E havia um homem pobre. Esse homem tinha apenas uma cordeirinha. Uma só.
Mas o rico recebeu uma visita. Precisava preparar uma refeição.
E, em vez de tirar um animal do seu próprio rebanho… roubou a cordeirinha do homem pobre.
David ouviu. E ficou indignado.
“Esse homem merece morrer!”
David conseguiu ver o pecado. David conseguiu identificar a injustiça. David conseguiu condenar o culpado.
Mas então Natã olha para David...
e diz:
“Tu és esse homem!”
David estava a julgar alguém...
sem perceber que estava a julgar-se a si mesmo.
E aqui está uma das maiores doenças do coração humano:
É muito mais fácil identificar pecado nos outros do que reconhecer pecado em nós.
Nós conseguimos ver rapidamente:
A arrogância dos outros.
A falta de amor dos outros.
A impaciência dos outros.
A falta de compromisso dos outros.
A maneira errada como os outros falam.
A maneira como os outros tratam a família.
A maneira como os outros servem.
Mas Jesus coloca um espelho diante de nós e pergunta:
“E tu?”
Talvez saibamos exatamente quem precisava ouvir esta mensagem hoje.
Mas talvez Jesus esteja a dizer:
“Não olhes para ele. Olha para ti.”
David estava tão concentrado no pecado daquele homem...que não percebeu que Deus estava a falar com ele.

FRASE FINAL

" Como nos atrevemos a subir ao tribunal de Deus para ditar a condenação do nosso irmão, se a única razão pela qual não fomos consumidos pelo fogo de santidade do Nosso Deus é a Sua paciência que tantas vezes desprezamos.”
REFLEXÃO
"O homem que conhece a sua própria miséria não tem tempo nem pedras para atirar aos outros."

2. A TRAVE NO MEU OLHO DISTORCE TUDO O QUE VEJO

Mateus 7.3–4 BEARA
3 Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio? 4 Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?
Jesus agora utiliza uma imagem quase cómica.
Imaginemos um homem com uma trave enorme atravessada nos olhos...
...e aproxima-se do irmão: — “Espera aí... tens qualquer coisa no olho.”
O outro pergunta:
— “Tenho?”
— “Tens um cisco.”
— “Consegues tirá-lo?”
— “Claro!”
Irmãos...
é absurdo!
Um homem com uma trave no olho preocupado com um cisco no olho do outro.
Mas Jesus está a dizer:
“É assim que vocês estão a agir.”
Reparem:
Jesus não diz que o cisco não existe.
Existe.
O irmão pode realmente ter um problema.
Pode realmente estar a pecar.
Pode realmente precisar de ser corrigido.
O problema é:
Quem está a tentar corrigi-lo?
E com que coração é para restauração?
Há pessoas que conseguem ver pecado a quilómetros de distância...
mas não conseguem vê-lo no espelho.
Conseguem diagnosticar toda a igreja...
mas não conseguem diagnosticar o próprio coração.
Sabem exatamente onde o outro falhou...
mas têm dificuldade em admitir onde elas próprias caíram.
E Jesus diz:
“Tira primeiro a trave.”
Primeiro!
Antes do irmão...
Eu.
Antes da correção...
arrependimento.
Antes de apontar...
examinar.

DISCERNIMENTO NÃO É CONDENAÇÃO

Discernimento diz:
“Isto está errado. Como posso ajudar o meu irmão?”
Condenação diz:
“Eu sabia! Ele é mesmo assim!”
Discernimento procura restaurar.
Condenação procura humilhar.
Discernimento ajoelha-se.
Condenação aponta o dedo.
“Quando corrijo alguém, quero realmente restaurá-lo ou simplesmente provar que estou certo?”

FRASE FINAL

"O discernimento bíblico chora pelo pecado do irmão e corre para o restaurar; a condenação farisaica celebra secretamente o pecado do irmão porque ele serve de moldura para a nossa falsa justiça."

3. DEUS TRATA PRIMEIRO DE MIM PARA PODER USAR-ME NA RESTAURAÇÃO DO OUTRO

Mateus 7.5 BEARA
5 Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.
Jesus utiliza uma vez mais uma palavra muito forte:
“Hipócrita!”
O hipócrita não é simplesmente alguém que vê o pecado.
O hipócrita é aquele que vê o pecado no outro...
enquanto finge que não existe pecado nele.
É bem claro e extraordinário.
Jesus não diz:
“Deixa o teu irmão com o cisco.”
Não!
Jesus diz:
“Tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o argueiro do olho do teu irmão.”
Jesus quer que ajudemos o irmão.
Mas quer que o façamos...
depois de sermos tratados por Deus.
Já não dizemos:
“Eu sou melhor.”
Passamos a dizer:
“Também eu preciso da graça.”
Foi isso que aconteceu com David.
Natã confrontou David.
Mas o objetivo não era destruir David.
Era levá-lo ao arrependimento.
E David finalmente diz:
“Pequei contra o Senhor.”
É isto que a correção bíblica procura.
Não procura destruir.
Procura restaurar.
Não procura humilhar.
Procura ganhar o irmão.
Não procura mostrar:
“Eu sou melhor.”
Procura mostrar:
“Cristo é melhor.”

FRASE FINAL

"Quando tiramos a trave que está nos nossos olhos, a primeira coisa que vemos claramente não é o cisco do nosso irmão - é a imensidão da Graça de deus que nos perdoou. E é com essa mesma Graça que vamos ajudar o nosso irmão”
"Deus não te limpa para que fiques a olhar para os outros de cima; Ele limpa-te para que possas descer à lama e puxar o teu irmão para fora com mãos santas."

CONCLUSÃO

O IMPOSTOR NÃO ESTÁ SEMPRE DO OUTRO LADO

Lembram-se do Among Us?
Todos procuram o impostor.
Todos desconfiam.
Todos fazem perguntas.
Todos apontam.
“Onde estavas?”
“Com quem estavas?”
“Eu vi-te!”
“Acho que é ele!”
Façamos uma pausa para olhar para nós mesmos
Quem estou tão ocupado a acusar que já não consigo examinar o meu próprio coração?
Que trave me impede de ver a minha própria necessidade de arrependimento?
Quero provar que o meu irmão está errado ou quero ajudá-lo a voltar para Cristo?
«Irmãos, talvez tenhamos passado demasiado tempo a tentar descobrir quem é o impostor. Mas hoje Jesus não nos chama a uma investigação sobre os outros. Chama-nos a um exame do nosso próprio coração.
Antes de apontarmos o dedo, abramos as mãos. Antes de condenarmos um irmão, dobremos os joelhos. Antes de tentarmos corrigir a vida de alguém, permitamos que Deus trate da nossa.
Porque a igreja de Jesus não deve ser um tribunal onde os pecadores competem para condenar uns aos outros, mas uma comunidade de pessoas alcançadas pela graça, que se arrependem, se ajudam e caminham juntas em direção a Cristo.

Transição da mensagem para a Ceia

Irmãos, ao terminarmos esta mensagem, Jesus deixa-nos um desafio muito claro: antes de olharmos para os erros dos outros, precisamos de permitir que Deus examine o nosso próprio coração.
Mas a boa notícia é que Deus não nos mostra a nossa trave para nos destruir, mas para nos transformar. E é precisamente por isso que precisamos de olhar para a cruz.
Na cruz, encontramos o amor que não merecíamos, o perdão de que precisávamos e a graça que nos dá uma nova oportunidade.
Não nos aproximamos da mesa porque somos perfeitos, mas porque Jesus foi perfeito por nós e entregou a sua vida para nos salvar.
Vamos, por isso, preparar o nosso coração e recordar o imenso amor do Pai por nós, cantando o hino «Profundo Amor do Pai por Nós».
(Enquanto a igreja canta, são servidos o pão e o vinho. No final do hino, manter alguns instantes de silêncio.)

Reflexão sobre o pão

Irmãos, ao segurarmos este pão, recordamos as palavras de Jesus em 1 Coríntios 11:24:
«Isto é o meu corpo, que é dado por vós; fazei isto em memória de mim.»
O pão lembra-nos o corpo de Cristo, entregue na cruz por causa dos nossos pecados.
Aquele que nunca pecou tomou sobre si a nossa culpa. Aquele que merecia toda a honra aceitou a humilhação. Aquele que nos podia condenar escolheu entregar-se para nos salvar.
Ao lembrarmos o sacrifício de Jesus, examinemos o nosso coração. Abandonemos o orgulho, confessemos os nossos pecados e reconheçamos quanto precisamos da sua graça.
A cruz lembra-nos que o nosso pecado é sério, mas também nos revela que o amor de Deus é maior do que a nossa culpa.
Oração

Reflexão sobre o vinho

Agora, ao segurarmos o cálice, recordamos as palavras de Jesus em 1 Coríntios 11:25:
«Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim.»
O vinho lembra-nos o sangue de Jesus, derramado para o perdão dos nossos pecados.
Não foi o nosso mérito que nos aproximou de Deus. Não foram as nossas boas obras que nos reconciliaram com Ele. Foi Jesus, através do seu sacrifício na cruz.
Por isso, quem recebeu misericórdia não deve viver a condenar os outros. Quem foi perdoado é chamado a perdoar. Quem foi alcançado pelo amor de Cristo é chamado a demonstrar esse amor.
O sangue de Jesus não apenas nos limpa do pecado; lembra-nos também que fomos chamados a viver como pessoas transformadas pela sua graça.
Oração

Bênção apostólica

Irmãos, levemos conosco a mensagem desta mesa: fomos amados, fomos perdoados e fomos chamados a viver de maneira diferente.
Que a cruz continue a tratar o nosso coração. Que a graça de Cristo transforme as nossas atitudes. E que, ao olharmos para o nosso próximo, vejamos alguém a quem também devemos amar, servir e tratar com misericórdia.
Recebamos a bênção da Palavra de Deus, em 2 Coríntios 13:13:
«A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vós.»
Que a graça que nos salvou nos sustente, que o amor do Pai nos envolva, que o poder do Espírito Santo nos transforme e que a presença de Deus nos acompanhe em cada passo.
Que saiamos daqui reconciliados com Deus, unidos em Cristo e comprometidos em viver para a sua glória.
E que, até ao dia em que estivermos diante do Senhor, permaneçamos firmes na fé, abundantes no amor e cheios da esperança da sua vinda.
A Ele seja a glória, agora e para todo o sempre. Ámen!
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