Família Missionária
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Famílias Missionárias
Introdução
A Bíblia relata histórias de famílias que vivenciaram experiências incríveis ao realizarem a missão de Deus, como a de Abraão, por exemplo. No Novo Testamento, Deus também chama de maneira especial a família de Zacarias para preparar o caminho para o Messias. João Batista nasceu como cumprimento de uma profecia registrada na conclusão do Antigo Testamento (Malaquias 4: 5 e 6). Assim como Deus usou poderosamente esta família para viabilizar o caminho da primeira vinda de Jesus, hoje, também Ele conclama as famílias adventistas para preparar um povo para a segunda vinda de Jesus. Ao meditar na marcante experiência missionária da família de Zacarias, podemos extrair lições para o bom desenvolvimento do discipulado cristão em nossas respectivas famílias.
As famílias missionárias devem vivenciar uma experiência real com Deus (Lc 1:5 e 6)
O texto de Lucas 1:6 descreve a experiência espiritual de Zacarias e Isabel: “Ambos era justos diante de Deus, vivendo irrepreensivelmente em todos os preceitos e mandamentos do Senhor”. Este texto sagrado tem um sentido muito solene da onipresença ativa do Senhor, rememorando passagens do Antigo Testamento (Números 3:4 e Salmo 139). Temos expressões sinônimas como Lucas 24:19, que descreve o próprio Cristo: “Jesus o nazareno que era varão profeta, poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo”. Zacarias e Isabel eram pessoas como Jó (Jó 1:1) e Simeão (Lc 2:25). Se tratava de pessoas convertidas em processo de santificação. Eles serviam fielmente a Deus. Zacarias e Isabel, provavelmente, pertenciam ao pequeno grupo que avidamente estudava as profecias e aguardava a vinda do Messias (DTN, 44, 47, 98). Se propuseram a obedecer a Deus, buscando a salvação pelos meios previstos e, como resultado, foram considerados como “justos diante de Deus”. Isso indica que antes de fazer discípulos para Cristo, precisamos ser discípulos de Cristo. Todo serviço cristão praticado pela nossa família deve ser fruto de uma experiência real com Deus. A família missionária deve desenvolver alguns hábitos como fruto da sua experiência de salvação em Cristo Jesus, como: culto familiar; adoração com os dízimos e as ofertas; frequência a igreja; Evangelismo; etc. É tempo de investirmos na preparação do caminho de nossa família para o encontro com o Senhor. Precisamos limpar o caminho, mudar de atitude e remover os empecilhos que nos impedirão de apresentarmos nossa família ao Rei dos reis e Senhor dos senhores, naquele grande dia!
Ilustração: Uma pessoa que visitara um farol, disse ao guarda: "Você̂ não tem medo de viver aqui? É um lugar terrível, para viver sempre." "Não", respondeu o homem, "não tenho medo. Aqui eu não penso em mim mesmo." "Nunca pensa em si mesmo?! Como é isso?" O guarda deu uma boa resposta: "Sabemos que estamos bem seguros, pensamos somente em ter nossa lâmpada acesa, o refletor bem limpo para que aqueles que se acham em perigo possam ser salvos." É isto o que devem fazer as famílias adventistas, precisam estar seguras na casa edificada na Rocha eterna, Cristo Jesus, a qual não pode ser abalada pelo furacão mais forte. E, com um espírito de santa renúncia, devem fazer brilhar a sua luz através das trevas do pecado, para que os que estão em perigo possam chegar ao porto de segurança eterna.
As famílias missionárias devem formar filhos missionários (Lc 1:13-17)
O trecho bíblico de Lucas. 1: 13 – 17 relata como casal foi comissionado para formar o missionário João Batista, que segundo Jesus foi o maior nascido de mulher (Lc. 1:28). João Batista, como precursor de Jesus, havia dado um poderoso testemunho a toda a nação israelita, e muitos foram batizados por ele em símbolo de arrependimento (Marcos 1:5; Lucas 3:15, 16). O Seu trabalho rendeu grandes frutos como Apolo, homem eloquente e poderoso nas escrituras (Lucas 18:24 a 28). A essência da obra que Zacarias e Isabel realizaram na educação de João Batista deve ser copiada hoje pelos pais cristãos, como aconselha Ellen G. White: “Nossos lares devem ser postos em ordem, assim como nos cumpre fazer fervorosos esforços para interessar todos os membros da família nos empreendimentos missionários. Devemos interessar nossos filhos em zelosa obra pelos que não estão salvos, de maneira que eles façam o máximo que lhes for possível em todos os tempos e em toda parte, a fim de representarem a Cristo” (The Review and Herald, 4 de julho de 1893).
Ilustração: Um menino adotivo russo manifestou alegria ao ver centenas de pessoas entregarem o coração a Jesus, durante seu primeiro evangelismo em um parque de uma cidade, em Ruanda. Dillon Smith, que vive em Maryland, EUA, deveria pregar sermões para crianças, a cada noite, antes de sua mãe apresentar a mensagem aos adultos. Mas a falta de tempo impeliu Kent Sharpe, coordenador dos vários locais de reuniões. Então foi sugerido que o Dillon assumisse a principal reunião de sua mãe… Depois de algum preparo e encorajamento, Dillon concordou – e ficou emocionado ao ver centenas de pessoas responderem a seu apelo para aceitarem a Cristo, naquela primeira noite. “Fiquei realmente emocionado”, ele disse na terça-feira. “Eu fiquei surpreso, porque não imaginei que tantas pessoas viessem.” Dillon, que foi batizado no sábado anterior à sua chegada a Ruanda, agora se juntou às fileiras de oradores que estão realizando reuniões adventistas do sétimo dia de evangelismo em mais de 2.200 cidades em Ruanda. Os membros da igreja local prepararam seus vizinhos e comunidades para as reuniões, durante vários meses, com estudos bíblicos. Os líderes das igrejas locais estão orando para que as reuniões, iniciadas na semana passada, culminem no batismo de cem mil pessoas. Embora Jackie O. Smith, mãe de Dillon, não esteja mais pregando, ela não poderia estar mais feliz. “Acredito que esta será uma experiência que mudará a vida do Dillon”, disse Smith, diretora assistente do departamento do Ministério Pessoal e Escola Sabatina da igreja mundial. “Ele está eufórico com a resposta e por saber que o que ele disse está, realmente, tocando as pessoas e que elas estão respondendo ao convite”, ela disse, falando em uma chamada por Skype, com o Dillon sentado ao lado. “Mas não podemos receber o crédito. O povo local realizou um árduo trabalho antes de nossa chegada. Seu trabalho, sob a influência do Espírito Santo, é a chave para o sucesso dessas reuniões (Fonte: adventistaseuropa.org).
A família missionária colhe maravilhosos frutos do seu trabalho
O ministério pessoal é fortalecido quando a missão da igreja é cumprida em família; ensinar o evangelho de Cristo a famílias vizinhas, amigas ou apresentadas é uma forma eficaz de plantar no coração de todos os membros no núcleo familiar a paixão pela missão. É projeto de Deus que as famílias sejam agências ganhadoras de almas para o Reino de Deus. Ellen G. White descreve o sonho de Deus a respeito do compromisso missionário das famílias remanescentes: “Deus deseja que nossas famílias sejam símbolos da família do Céu. Conservem pais e filhos em mente este fato cada dia, mantendo entre si relações de membros da família de Deus. Então sua vida será́ de tal natureza que dará́ ao mundo uma lição objetiva do que podem ser famílias que amam a Deus e guardam os Seus mandamentos. Cristo será́ glorificado; Sua paz, graça e amor impregnarão o círculo da família como um precioso perfume” (The Review and Herald, 17 de novembro de 1896). Cada família da igreja pode orar e trabalhar intencionalmente pela salvação de outras famílias vizinhas, amigas ou do rol de parentes. Existem muitas ações missionárias possíveis, como: Formar um Pequeno Grupo a partir da família ou comprometer-se em apoiar um dos PGs da igreja; Se engajarem num projeto de evangelismo público (apoio a série de conferências); Formar uma Classe bíblica em casa; Enviar cartas missionárias para interessados cadastrados na igreja; Atuando como representantes da TV Novo Tempo; Distribuir impressos; etc. Quando a família é fiel a Deus e está engajada na missão recebe benção especiais do Senhor, como no caso da família Sacramento (história a seguir).
Ilustração: Narciso chegou em Cândido Sales – BA e alugou uma casa, sem saber que o proprietário era membro da IASD. Se tratava do irmão Nena, que não perdeu tempo e começou a ministrar estudos bíblicos para o novo inquilino, e logo o convidou para ir à Igreja no culto de oração numa quarta-feira. No momento da oração, um irmão chamado Oswaldo Ferraz orou com a mão em seu ombro e disse para que Deus o convertesse antes que fosse tarde demais; isto o preocupou muito, pois Narciso era mecânico e tocava em cabaré à noite. Ainda pensando na oração, foi tocar em uma festa, e uma mulher tocou fogo no corpo, morrendo queimada ainda no local. Este episódio o chocou, e esta foi a última festa que Narciso tocou. Poucos dias depois em uma noite, ele passou mal, e pelos sintomas, hoje, sabemos que foi por conta de um infarto. Era madrugada quando Narciso foi para fora de sua casa. Sua esposa e filhos estavam dormindo, quando em meio à dor, orou a Deus e prometeu que se fosse curado e não morresse, se tornaria cristão, juntamente com sua família. Deus o curou, e o agora irmão Narciso cumpriu sua promessa. Batizou-se com sua esposa e sua filha mais velha no dia 19 de março de 1955, em Cândido Sales. No ano seguinte ao batismo, o irmão narciso foi morar em Eunápolis - BA, na época um povoado conhecido com KM 64. A meditação do pastor Alejandro Bullón, “Mais semelhante a Jesus” do dia 7 de agosto de 1994 conta a história da chegada do irmão Narciso e sua família em Eunápolis e como o Espirito Santo o usou para pregar o evangelho na referida cidade e circunvizinhança.
O irmão Narciso e sua família chegaram à cidade com apenas 2 bíblias e algumas lições. Eles não tinham contato com o restante do mundo pois não possuíam aparelho de rádio e nenhum outro meio de comunicação. Das duas bíblias, uma foi dividida entre os filhos que já sabiam ler, e a outra para os pais. A mesma lição era estudada todos os dias pela família durante o culto familiar, já que não tinham as edições atualizadas, por isso todos já sabiam as perguntas e as repostas de cor. A família do irmão Narciso sempre o reconheceu como um homem de oração e temente a Deus. Sempre que surgia alguma dúvida ou dificuldade, lembram que ele sempre procurava buscar a Deus para que pudesse iluminá-lo e fazê-lo entender o bom caminho. A fidelidade a Deus e a Sua santa palavra foi uma marca na vida deste homem e na sua família. O irmão Narciso sempre ensinou a sua família ser fiel a Deus e a prestar-lhe reverência e adoração ainda que o culto fosse feito em casa e somente com os membros da família; as moedas eram lavadas antes de ser entregues como ofertas, e as cédulas eram embrulhadas em saquinhos de pano, e por vezes passadas a ferro para não juntar mofo, já que ficavam guardadas por muito tempo.
No tempo em que moravam na roça o irmão Narciso não permitia que seus filhos colhessem nada no Sábado, e orientava que tudo devia ser colhido na sexta-feira, inclusive a alimentação do sábado. Até o banho de todos era mais caprichado na sexta-feira, como preparação para o dia santo. Não era permitido cozinhar no sábado, somente esquentar a comida. Aos sábados o irmão Narciso colocava os filhos na carroceria do caminhão, onde eles cantavam e faziam trabalho missionário na região. As pessoas se emocionavam e pediam que eles cantassem e orassem por elas. Após alguns anos apareceu no vilarejo outro adventista, o irmão Felipe, que juntamente com sua família residiu ali por vários meses. O irmão Felipe era de Ibicaraí, e era colportor. Esse irmão ensinou à família do Sr. Narciso vários hinos da igreja, e informou à Associação que ali havia uma família Adventista.
Anos depois chegou ao vilarejo mais uma família adventista, os irmãos Ibraim e Moisés Vieira, assim, com um grupo maior, e com muita dificuldade, fora construída uma Igreja, no lugar em que hoje é chamado de Colônia. Nessa época, após o culto de sábado todos os irmãos iam almoçar na casa do irmão Narciso. Como o pastor demorava a comparecer à pequena congregação, os dízimos e as ofertas eram guardados em um cofre de barro, que só era quebrado na presença do pastor.
O irmão Narciso tinha alegria em construir Igrejas nas áreas rurais. A última que construiu foi em Agrovila – Porto Seguro. Entre os anos de 1997 e 1998, o irmão Narciso já não conseguia ir sozinho à igreja, por conta da idade avançada, e ao ver seu desejo de visitar as pequenas igrejas, seu filho José Sacramento teve a ideia de reunir a família, agora com novos membros (genros, noras e netos), juntamente com seus pais idosos e assim visitar as igrejas que o irmão Narciso havia construído. Tal atitude deixou seu pai muito feliz em ver sua família participando ativamente da programação das igrejas.
Em 1999 foi realizado o 1º Retiro Espiritual da Família Sacramento, onde fora contada a história da família. Tradição esta que permanece até os dias de hoje. O retiro ainda é realizado todo o ano, no segundo final de semana de janeiro.
Ainda hoje os 14 filhos de irmão Narciso são membros bem efetivos da IASD. Atualmente a família Sacramento conta com mais de 120 membros, todos atuantes e líderes de igrejas, evidenciando que os ensinamentos passados pelo irmão Narciso permanecem vivos no coração e na vida de cada um. Onde existia apenas a família missionária do irmão Narciso, hoje existem centenas de famílias adventistas que continuam pregando a mensagem do evangelho eterno.
Conclusão:
As famílias desta igreja, hoje, são chamadas para realizar o sonho de Deus, que envolve essencialmente ter uma experiência real com Ele para cumprir a Sua missão de fazer discípulos. Ellen G. White escreveu: “Deus deseja que nossas famílias sejam símbolos da família do Céu. Conservem pais e filhos em mente este fato cada dia, mantendo entre si relações de membros da família de Deus. Então sua vida será́ de tal natureza que dará́ ao mundo uma lição objetiva do que podem ser famílias que amam a Deus e guardam os Seus mandamentos. Cristo será́ glorificado; Sua paz, graça e amor impregnarão o círculo da família como um precioso perfume” (The Review and Herald, 17 de novembro de 1896). Quais famílias aqui presentes desejam ser missionárias como um precioso perfume que exale O Lírio dos Vales e a Rosa de Sarom, Jesus!?
Pr. Henrique de Souza – Líder do Ministério da Família da Associação Bahia Sul
