Uma questão de honra

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 Uma Questão de Honra Introdução “A nota de 2 reais se encontrou com a nota de 100 reais e lhe perguntou: “Ei onde você esteve ? “Não tenho visto você por aqui”. A nota de 100 reais respondeu: “Passei um tempo nos cassinos; fui fazer um cruzeiro e passei de mão em mão no navio; voltei ao Brasil durante algum tempo, fui a alguns jogos, ao shopping… esse tipo de coisa. E você? A nota de 2 reais respondeu: “Bem você sabe… A mesma coisa de sempre: igreja, igreja, igreja.” (Melo, Edino. 300 ilustrações – histórias sobre o valor do seu dinheiro. Campinas: Transcultural, 2012, p. 61) Esta estória cômica pode ilustrar a triste realidade espiritual de um mundo secularizado que supervaloriza o materialismo em detrimento da prática do principio bíblico da honra a Deus através dos bens e primícias da renda. O reino eterno de Deus deve ser prioridade na vida dos Seus servos (Mt. 6:33), inclusive no aspecto financeiro. Na atualidade, a maneira como lidamos com as finanças impacta praticamente todas as dimensões do nosso viver. “Se uma pessoa adquire a atitude correta em relação ao dinheiro, isso ajudará a endireitar quase todas as áreas da vida”- Billy Graham. Deus, por meio da Bíblia Sagrada, estabeleceu princípios para desenvolvermos de maneira saudável a área financeira da vida, isto inclui prioritariamente honrá-Lo. Vamos juntos ouvir a voz divina a respeito deste tema através da Palavra de Deus. Abramos o nosso coração para a influência sublime e transformadora do Espírito Santo. Por gentileza, localize o texto bíblico, sagrado, inspirado pelo Espirito Santo - como cremos em nossa cosmovisão cristã - que se encontra em Provérbios 3: 9 e 10. Leiamos: “Honra ao Senhor com os teus bens e com as primícias de sua renda; e se encherão fartamente os teus celeiros, e transbordarão de vinho os teus lagares”. Podemos dizer que o que os Salmos são para a vida devocional, os Provérbios são para a vida prática. Ao meditarmos neste livro das Escrituras Sagradas, notamos que uma ênfase especial é dada ao fato de que a verdadeira sabedoria se origina do temor (reverência) do Senhor. A lei de Deus dada no Pentateuco é reforçada pela admoestação de Provérbios. A sabedoria é apresentada sempre como o caminho de Deus. Muitos assuntos são abordados: castidade, uso apropriado das riquezas, consideração pelos pobres, controle da língua, honestidade, justiça, humanidade, alegria, bom senso. Na estrutura deste fantástico livro da Bíblia, princípios divinos são apresentados em provérbios curtos e fáceis de lembrar. No contexto de Provérbios 3:1-12 encontramos uma lista de seis ordens e sua explicação ou motivo. O texto que lemos (Pov. 3. 9 e 10) apresenta a quinta ordem e a razão para ela. Este texto bíblico pode ser dividido em duas grandes partes: 1 - o que nós temos que fazer 2 - o que Deus fará depois que fizermos a nossa parte. Dele podemos extrair maravilhosas lições para crescermos em comunhão e fidelidade com o nosso Salvador e Senhor Jesus Cristo. 1 - Honrar ao Senhor com os bens e as primícias da renda é uma ordem divina a ser praticada por amor. 1.1 - Sabemos que tudo vem das mãos do Senhor e não existe nada que possamos dar a Deus que não tenhamos primeiramente recebido d’Ele (1 Cr. 29:10-22). Essa compreensão traz ao nosso coração uma disposição tão grande, profunda e gloriosa de sempre vivermos para honrá-lo. Às vezes parece ser tão simples honrarmos a Deus como nossos lábios, e até mesmo de outras maneiras, mas Bíblia fala de modo especial sobre honrarmos ao Senhor com nossos bens e primícias da renda. 1.2 - A supremacia de Deus e seu domínio completo sobre todas as coisas são reconhecidos, no contexto do Antigo Testamento desta forma, seja com a primeira parte da colheita (Lv. 23:16 e 17), ou com o primogênito dos seres humanos ou animais (Ex. 13:1-3; Nm. 3:13). Este princípio de honrar a Deus com bens e primícias da renda não ocorre só no contexto veterotestamentário, mas também no conteúdo do Novo Testamento, por exemplo, em Marcos 12:41-44, no relato da oferta da viúva pobre, onde encontramos uma serva fiel priorizando a adoração sincera e autêntica a Deus, apesar da dificuldade financeira que ela experimentava. O modelo de como os nossos bens devem servir aos propósitos do Reino de Deus pode ser visto também no próprio ministério do Senhor Jesus (Lc. 8:1-13). A igreja primitiva também é um modelo de fidelidade a Deus nesta área. 1.3 - Hoje Deus exige esta mesma atitude de Seus filhos, como resposta ao Seu amor e a Sua graça por nós. Ellen White ratifica a validade deste ato de adoração na atualidade: “Devemos fazer ao Senhor a primeira doação de todas as nossas receitas. No sistema de beneficência ordenado aos judeus, ou deles se exigia que levassem ao Senhor as primícias de todas as suas dádivas, fosse aumento de seus rebanhos e manadas como no produto dos campos, pomares ou vinhedos, ou deveriam eles redimi-las, dando em substituição o equivalente. Quão diversa é a ordem de coisas nos nossos dias! As reivindicações e exigências do Senhor são deixadas para o fim, se é que recebem alguma atenção. No entanto, nosso trabalho necessita de dez vezes mais meios agora do que necessitavam os judeus. A grande comissão dada aos apóstolos foi a de irem todo o mundo pregar o evangelho. Mostra isso a extensão da obra, e a crescente responsabilidade, que repousa sobre os seguidores de cristo, nos nossos dias. Se a lei exigia dízimos e ofertas milhares de anos atrás, quão mais necessários são eles agora ! Se ricos e pobres deviam dar uma importância, proporcional a sua prosperidade, na economia judaica, isso agora é duplamente indispensável.” (Testemoinies, vol. 4, pág. 474) 1.4 - O Princípio da honra - Não é o apenas dar em si, mas a atitude de honra que demonstramos por trás do dar. Deus não esta interessado essencialmente em nossos dízimos e ofertas, e sim na atitude que nos leva a entregar-lhe. Um dos maiores exemplos disto está no que Deus pediu a Abraão: o sacrifício de seu filho Isaque (Gen. 22.1-10) na hora de imolar o seu filho, o patriarca foi impedido de fazê-lo, e o Senhor deixou claro que só queria a expressão de honra, e não privá-lo de seu filho. Ao pedir justamente o que Abraão mais amava o Senhor estava dando uma oportunidade de honrá-lo tremendamente. Este é um principio que Deus usa na lei das primícias, ao pedir ao seu povo que lhe entregasse os primeiros frutos, Deus queria ser distinguido no coração de seus filhos. 1.5 - Na atualidade, também, quando entregamos os dízimos e ofertas, por consequência da nossa comunhão com Senhor, estamos honrando-o. Honrar a Deus com os bens e com as primícias da renda deve ser uma atitude de adoração natural, na vida de um discípulo verdadeiramente convertido e fiel, que mantém comunhão com o Senhor, a quem ama de todo coração, de toda alma e de todo entendimento. 2 - Os que honram ao Senhor com os bens e as primícias da renda recebem bênçãos especiais. 2.1 - A promessa bíblica é clara e explícita, fartura, conforme a benção e a vontade do Senhor, para os que O honram. O celeiro era o local empregado para depósito de alimento e os lagares o local usado para prensa do vinho. Isso ilustra e indica a provisão e o cuidado divino para os Seus servos fieis. Hoje também somos alvo desta maravilhosa promessa do nosso soberano criador e mantenedor. 2.2 - “Eu honro aqueles que me honram, porém os que me desprezam serão desmerecidos” (1sam. 2:30). Não há nada mais precioso sobre a face da terra do que sermos horados por Aquele que merece honra e toda glória. 2.3 - Todos os seres humanos, até os que afirmam ser ateus, recebem as bênçãos gerais de Deus, como o Ar que respira, habilidade, etc. Porém as bênçãos especiais somente os servos fieis recebem. Há bênçãos especiais reservadas para o discípulo fiel que permite que Deus ocupe o primeiro lugar em sua vida (Mt. 6:33; Mal. 3:10-12; Is. 58:13 e 14) “O Senhor cumpre Suas promessas em proporção ao lugar que Lhe designamos em nossa vida. ‘Os que são prontos e dispostos a empregar seus recursos na causa de Deus, serão abençoados em seus esforços por ganhar dinheiro’ (Nossa Alta vocação, pág. 192).” (O Sábio Uso da Vida / Paul G. Smith. Tatuí - SP: CPB, p. 83) 2.4 - “Deus é a fonte da vida, e alegria do Universo. Como raios de luz do Sol, Dele fluem bênçãos a todas as criaturas que Ele criou. Em Seu infinito amor, tem concedido aos homens o privilégio de se tornarem participantes da natureza divina, e por seu turno, difundirem bênçãos aos seus semelhantes. É essa mais elevada honra a maior alegria que Deus pode conceder ao homem. Os que assim se tornam participantes de trabalhos de amor são levados para mais perto do criador. Os que recusam tornar-se ‘cooperadores de Deus’ – o homem que por causa da sua condescendência egoísta ignora as necessidades de seus semelhantes, o avarento que aqui amontoa os seus tesouros – estão afastando de si mesmos as mais ricas bênçãos que Deus pode lhes dar.” (Review and Herald, 6 de dezembro de 1887) 2.5 - Infelizmente, ainda existem pessoas que estão insensíveis a respeito da promessa das bênçãos especiais que Deus deseja conceder aos Seus amados filhos. Por serem infiéis ao Senhor, além de não usufruírem de tais bênçãos, acabam não cooperando com a causa divina da proclamação da iminente volta de Cristo. “Aqueles que se opõem aos dízimos e ofertas são mui frequentemente lerdos em contribuir com a obra de Deus. Escondem-se atrás de suas evasivas para não revelar quanto o dinheiro os domina… Se todos os membros da igreja fossem como eles, as portas do templo seriam fechadas. Se dependessem de sua contribuição, os missionários precisariam abandonar seus campos. Se todos os crentes contribuíssem na mesma proporção deles, a Bíblias deixariam de ser impressas e a evangelização dos povos cessaria.” (Lopes, Hernades Dias. Dízimos e ofertas são pra hoje ?. São Paulo: Hagnos, 2017, p. 50). Que não venhamos trilhar este caminho de infidelidade a Deus, nosso criador e mantenedor. Ele deseja ver-nos cada vez mais felizes à medida que o honramos. 3 - Como honrar ao Senhor com as primícias da renda hoje. 3.1 - “A carteira é um documento teológico, ela vai dizer quem você adora” Billy Graham. 3.2 - Renda no Dicionário Aurélio é sinônimo de Importância recebida como resultado de atividade econômica, rendimento, receita. Hoje Deus também exige honra com as primícias de nossa renda em dois níveis: Honrar ao Senhor com Dízimos - A palavra dízimo significa “décima parte”. Ele é santo e pertence ao Senhor (Lv. 27:30). Ao devolvermos a Deus o dízimo das nossas rendas, reconhecemos que todas as coisas pertencem a Ele e participamos do cumprimento da missão de pregar o evangelho a todo o mundo (Salmo 24:1; Ageu 2:8; Mateus 24:14). Dizimar é um ato de adoração e honra a Deus. Honrar ao Senhor com as Ofertas - “O Dízimo não deve ser um teto que paramos de contribuir, mas um piso a partir do qual começamos.” J. Blanchard. Além do Dízimo devemos levar ao Senhor as Ofertas (Sl. 96:8; Mal. 3:8). Assim como o Dízimo deve ser levado para a igreja, as ofertas voluntárias também devem ser conduzidas à presença de Deus. O dízimo reflete nossa fidelidade a Deus. As ofertas expressam nossa gratidão por tudo o que Ele nos da.́ O Dízimo é um percentual definido (10%). As ofertas são proporcionais as bênçãos divinas, segundo o valor que o doador tiver proposto em seu coração (Deuteronômio 16:17; 2 Coríntios 9:7). No plano de Deus as ofertas, assim como os Dízimos, devem ser: De boa vontade (2 Cor. 8:12); De forma generosa (2 Cor. 8:20); Com alegria (2 Cor. 8:2); Com prontidão (2 Cor. 8:11); De forma voluntária (2 Cor. 8:3); Sem tristeza, sem avareza e nem por obrigação (2 Cor. 9:7); Com gratidão (2 Cor. 9:11,12); Com regularidade (1 Cor. 16:2); Proporcional as bênçãos (Dt.16:17). O ideal é que se estabeleça, um pacto de ofertas percentual. O adorador decide, em oração a porcentagem das rendas que será entregue em adoração a Deus regularmente como o é o Santo Dízimo (Ex: 10%), deve decidir também a validade deste pacto, ou seja, se o pacto é permanente ou mutável (Ex: por 12 meses, ou com possibilidade de acrescentar ou decrescer a porcentagem, ou até mesmo se será uma porcentagem vitalícia). 3.3 - Esses recursos oriundos deste ato de adoração são destinados para o cumprimento da missão de Deus neste mundo, através da instrumentalidade da igreja. A honrarmos a Deus com nossos bens e primícias da renda estaremos também ajudando na multiplicação de discípulos de Jesus Cristo para o reino eterno de Deus em toda Terra. Ellen G. White (Dom Profético da Igreja Remanescente) afirma que: “O único plano que o Evangelho tem indicado para a manutenção da obra de Deus é o que deixa o sustento de sua causa á honra dos homens. Tendo em vista só a glória de Deus, deve os homens dar-lhe na proporção que Ele requer. Contemplando a Cruz do Calvário, olhando para o redentor do mundo, que por amor de nós se fez pobre, para que pela sua pobreza enriquecêssemos, concluiremos não dever amontoar para nós mesmos tesouros na terra, mas acrescentar tesouros no céu, que nunca suspende o pagamento ou falha. O Senhor deu Jesus ao nosso mundo, e vem a pergunta: ‘que poderemos devolver a Deus em dádivas e ofertas, para demonstrar nossa apreciação por seu amor ? ‘De graça recebestes de graça dai”. (White, Ellen G. Conselho Sobre Mordomia: vivendo de acordo com o plano de Deus. Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2007, p. 287) Conclusão e Apelo Terantius, capitão do exército de Adriano, apresentou ao imperador romano uma petição, na qual solicitava permissão para os cristãos construírem um templo. Adriano rasgou o documento em pedaços, atirou-o ao chão e disse a Terantius que seria melhor que pedisse alguma coisa em seu próprio beneficio e seria atendido imediatamente. Terantius humildemente recolheu os pedaços de sua petição e, com dignidade, falou ao imperador: "Se eu não tenho o direito de ser ouvido quanto à causa do meu Deus, então nada quero pedir em meu favor". A atitude de Terantius evidencia que ele experimentou o novo nascimento e priorizava honrar ao seu soberano Senhor. Deus deseja ser Senhor em todas as áreas de nossa vida, inclusive do aspecto financeiro. A fim de ser o Senhor da área financeira do ser humano, visando estar integrado nesta dimensão importante do cotidiano de Seus filhos, Ele estabeleceu a adoração por meio dos santos Dízimos e Ofertas. Este ato de adoração gera os recursos para a manutenção e expansão da igreja Remanescente de Deus em todo mundo, conforme a ordem divina de fazer discípulos. Como dono de tudo e sendo um Pai extremamente amoroso e bom, muitas vezes ele nos dá muito mais do que imaginamos. Que possamos sempre honrá-lo com nossa confiança e fidelidade, em todas as áreas da vida. Para tanto, avalie suas prioridades. O que de fato mais importa em sua vida? "Onde está o teu tesouro, aí está também o teu coração". Mateus 6.21 Você deseja pela graça de Deus e pelo poder do Espírito Santo ser fiel a este princípio divino revelado nas Sagradas Escrituras, a Palavra de Deus? Se esta é a sua decisão, venha ao altar do Senhor neste momento e receba este cartão que deve estar constantemente em sua carteira, como um símbolo desta decisão. Vamos juntos em oração buscarmos a consagração e a plenitude de vida que tanto o Senhor deseja nos conceder. Pr. Henrique de Souza – Líder do Ministério de Mordomia Cristã da ABS.
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