Os 12
Jesus se encontra no auge de seu trabalho na Galiléia. Agora ele quer estender a sua atividade para fora da Galiléia e “multiplicá-la”. Por isso ele envia seus doze discípulos para dentro de todo o povo de “Israel”.
Passagem:
5 A estes doze enviou Jesus, dando-lhes as seguintes instruções: Não tomeis rumo aos gentios, nem entreis em cidade de samaritanos; 6 mas, de preferência, procurai as ovelhas perdidas da casa de Israel;
Estudo:
1 Tendo chamado os seus doze discípulos, deu-lhes Jesus autoridade sobre espíritos imundos para os expelir e para curar toda sorte de doenças e enfermidades. 2
Mateus parece dar por comprovado que os leitores de seu Evangelho já sabiam que os Doze, tomados como um grupo, haviam sido escolhidos antecipadamente, embora ele mesmo não registre essa vocação.
O termo grego proskaléo quer dizer “chamar para junto de si”, “avocar”. É o mesmo termo usado por Marcos, ao passo que Lucas emprega a palavra synkaléo, isto é, “convocar”
Jesus envia esses homens a um giro missionário. Eles seriam seus embaixadores oficiais ou “apóstolos”, investidos de autoridade para representar aquele que os enviava.
O que exatamente pretende Mateus quando diz que Jesus deu aos Doze “autoridade” [isto é, poder mais direito de exercê-lo] “sobre os espíritos imundos, para expulsá-los e curar toda sorte de doenças e toda enfermidade”? Ele quer dizer que, por meio e como resultado da expulsão desses demônios, os discípulos granjearam autoridade para curar toda sorte de doença e toda enfermidade”? Se esse é o sentido, seria quase como dizer que toda doença e toda enfermidade eram como que causadas pelos demônios. Ora, em conexão com 9.32 já se demonstrou: a. que, segundo os Evangelhos, em certos casos, as doenças estavam de fato associadas com a possessão demoníaca, mas também b. que de modo algum isso era sempre verdade. Às vezes uma doença física é atribuída mais à influência satânica do que à possessão demoníaca (Lc 13.16; cf. Jó 2.7). Às vezes nem Satanás nem seus subordinados são mencionados em conexão com a enfermidade humana. É verdade que de um modo muito geral e indireto toda manifestação de distúrbio humano, quer física quer espiritual, pode ser atribuída a Satanás, pois se Adão, como cabeça da raça, tivesse resistido à tentação, tais males não estariam agora em evidência (Gn 2.16,17; 3.3,6,19; Rm 5.17).
No contexto judaico, a máxima demonstração de poder é realizar milagres. É com isso, pois, que inicia a incumbência do Senhor Jesus aos apóstolos. Os demônios terão de obedecer aos apóstolos por causa de sua autoridade apostólica, e de fato lhes obedecerão por causa de seu poder apostólico.
É verdade que de um modo muito geral e indireto toda manifestação de distúrbio humano, quer física quer espiritual, pode ser atribuída a Satanás, pois se Adão, como cabeça da raça, tivesse resistido à tentação, tais males não estariam agora em evidência (Gn 2.16,17; 3.3,6,19; Rm 5.17). Tudo isso não basta para justificar a conclusão: “Mateus 10.1 significa a. que toda doença e toda enfermidade é diretamente causada por demônios, e b. que os discípulos, ao receberem autoridade para expulsá-los, granjearam poder para curar toda doença”.
Gramaticalmente, é inteiramente justificável interpretar 10.1 de modo diferente, ou seja, que Jesus deu aos Doze “autoridade sobre os espíritos imundos, de modo que esses homens foram capacitados e foram instruídos a expulsá-los, e deu-lhes autoridade para curar toda doença e toda enfermidade”. A forma breve pela qual isso é expresso em 10.1 pode ser considerada um dos muitos exemplos de discurso abreviado.
A similaridade de 10.1 com 4.23 e 9.35 revela que, ao cumprir fielmente sua designação, os Doze estão verdadeiramente representando seu Mestre, pois estão fazendo o que ele mesmo faz e o que lhes fora ordenado fazer. Da mesma forma, o próprio Jesus representa o Pai (Jo 5.19).
Os Apóstolos
2 Ora, os nomes dos doze apóstolos são estes: primeiro, Simão, por sobrenome Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; 3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu; 4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que foi quem o traiu.
