“Onde estás?”

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“Onde estás?”
(Gn 3,6-10).
“Onde estás?”
É a primeira pergunta que Deus faz ao homem na Bíblia.
Deixar-se envolver por essa pergunta significa
refletir sobre si mesmo, sobre a própria história.
Significa colocar diante de si novos horizontes existenciais:
que sentido tem a minha vida? Que valor têm os meus afetos? Que sentido têm as minhas alegrias e as minhas dores? Por que são aquilo que são?
Mais que uma curiosidade de Deus,
essa pergunta representa uma bússola para o homem de hojeÀs vezes nos sentimos desorientados, incapazes de dar sentido àquilo que vivemos.
Abrir-se para essa pergunta de Deus nos dá a possibilidade de iluminar a "questão das questões".
Aquela do sentido da vida humana sobre a terra.
Enquanto o nosso tempo parece querer remover tal questão,
o “Onde estás?” de
Deus nos leva ao centro de nós mesmos.
Aceitar essa pergunta de Deus nos
desperta para a profunda necessidade de dar sentido ao nosso coração.
Procurar entender "onde estamos" significa saber
por que vivemos e para quem vivemos, e admitir que a nossa vida e as nossas experiências têm um objetivo.
“Onde estás?”
Com essa pergunta Deus se dirige ao Adão de hoje,
que somos nós. A nós esposos, pais, trabalhadores, a nós pastores, obreiros , a nós estudantes. A nós que frequentemente nos sentimos confusos em constante busca - com maior ou menor consciência
Conta o dramaturgo irlandês George Bernard Shaw (Dublin, 1856-1950) que um dia, no trem, o fiscal lhe pede a passagem. Shaw procura-a nos bolsos, mas não a encontra. "Tudo bem - diz o fiscal que, naquele espaço de tempo, reconhecera o célebre escritor - você o perdeu!" "Está bem para você, jovenzinho, - replica Shaw - mas, para mim, como faço agora para saber para onde estou sendo levado?"
A situação vivida por Shaw é a mesma que nós, freqüentemente, experimentamos: passamos pelos dias, desinteressados de nos preocupar com o fim último e o porquê da nossa existência. Cada vez mais raramente temos tempo e condições de parar, de nos interrogar e de gastar tempo com a formação da nossa pessoa. Em nossos dias, perguntas como: "Que sentido faz continuar a correr?" "O que realmente merece ser tratado como prioridade?" "Para mim, que valor tem a morte?", estão cada vez mais distantes dos nossos pensamentos.
Poderíamos definir o perfil da narrativa acima como a do
"viajante que esquece a sua meta".
Se nasce porque se nasce, se sorri porque se sorri, se chora porque se chora, se morre porque se morre.
E tudo acaba ali, em um viver inconcebível e superficial. "Ninguém está mais perdido do que aquele que não sabe onde se encontra: não sabe de onde vêm nem para onde vai" (S. Fausti).
Na Bíblia a primeira forma de caridade(amor) com a qual Deus nos presenteia é o dom da verdade total sobre nós mesmos, o dom de uma luz que torna definitivamente compreensível a nossa existência terrena. E Ele a faz através de uma pergunta bem clara e precisa: “Onde estás?”. a pergunta de Deus nos leva a crescer em nossa humanidade, tornando-nos capazes de refletir sobre a responsabilidade que temos como criaturas livres.
“Onde estás?” Não fugir a essa pergunta de Deus significa viver em plenitude e na verdade a própria existência. Se, de fato, considerarmos o contexto no qual está inserida a primeira pergunta de Deus ao homem,
I o “Onde estás?” colocado por Deus a Adão é utilizado não tanto para saber o lugar físico onde se encontra Adão, mas para colocar a verdade em seu coração.
É uma pergunta que requer a coragem da responsabilidade, a honestidade de reconhecer que cometeu um erro e que violou a comunhão com Deus. (cf. Gn 2).
“Onde estás?”
Deus dirige a pergunta a Adão, quando este se escondera para evitar um encontro com Deus.
ao ouvir a voz de Deus,
Adão se apressa em esconde-se atrás de uma árvore,
Porém, ao ouvir a voz de seu Deus, Adão sai imediatamente de seu esconderijo, tornando-o inútil, como se revelasse a irresistível saudade de Deus que cada um de nós traz no coração.
Nossa experiência nos ensina que, muitas vezes, também tentamos nos esconder atrás das árvores do nosso
orgulho,egoísmo, medo superficialidade. Não é fácil vir para fora, a descoberto, e deixar-se atingir pela potência da pergunta de Deus. A autojustificativa e o engano próprio são verdadeiras PARECE QUE E, atrás das quais formamos o nosso caráter.
Os nossos medos não são causados pela pergunta em si,
mas pela consciência de que ela nos obrigará a percorrer com Deus as profundezas do nosso ser.
A pergunta de Deus muitas vezes nos leva a um caminho doloroso, oúnico, porém, que nos impede de sermos levados pela vida, fazendo-nos pegar nas mãos as rédeas da própria existência, dirigindo-a para a verdade profunda de nós mesmos.
Nesse sentido, mais que esconder-se de Deus, Adão procura esconder-se de si mesmo.
As astúcias e desculpas que usamos para evitar a pergunta de Deus são inumeráveis e sempre mais sutis e enganadoras. Eis por que a Bíblia nos apresenta um Adão escondido na tentativa de evitar Deus.
A finalidade dessa pergunta é destruir nossa capacidade de nos escondermos de Deus, dos outros e de nós mesmos. O “Onde estás?” de Deus dá-nos novas energias para abandonarmos comportamentos e atitudes negativas; quer nos levar a perceber por dentro a beleza da nossa pessoa e o mistério da nossa existência na terra.
Adão sou eu, Adão és tu. É a nós que ainda hoje Deus pergunta: onde estás?
O que queres ser na tua vida? O que queres fazer da tua vida? Como queres usá-la? a que ponto chegaste nas tuas relações? (família, o teu trabalho, a tua casa, os teus afazeres, os teus parentes, as tuas amizades)
tudo vai depender de nos deixarmos alcançar por tal pergunta.
Sair de detrás das árvores que nos escondem significa decidir evoluir e parar de ter uma vida de segunda categoria.
Quando vivo uma vida de segunda categoria? Quando nela há pouco de mim e muito daquilo que os outros querem; quando não sou verdadeiro, mas artificial, incapaz de relacionamentos autênticos e sinceros; quando me comporto segundo os ditames da publicidade; quando me adeqüo à cultura dominante produzida pela mídia e imposta diariamente nas nossas casas.
“Onde estás?”
é uma pergunta eterna, que nos permite provar o sabor da vida.
Mais: impede-nos de sermos homens insípidos, sem sabor, resignados pelo cansaço e pela rotina.
“Onde estás?”
é a pergunta de um Deus que se manifesta ao homem como o re-criador, como aquele que está em condição de recriar a nossa vida, a nossa família, a nossa relação conjugai, paternal e maternal.
Viver fora do alcance dessa pergunta significa privar-se da possibilidade de descobrir a beleza de um Deus que tem condições de nos tornar melhores do que somos hoje. É um caminho que começa com o ouvir a pergunta, presente inesperado de Deus, mas que, ao mesmo tempo, consegue apontar para o ponto exato da nossa 'ferida aberta.
Aceitar o “Onde estás?” de Deus não é uma fuga da dor mas a decisão de atravessá-la de mãos dadas com o Criador.
“Onde estás?”
revela que cada um de nós tem um desejo infinito de ser encontrado por Deus, pelo Deus da Bíblia,
deixarmos ser encontrar por Deus.
Abraão, Moisés, Davi, Pedro, Paulo de Tarso...
foram encontrados pelo seu Deus.
tornaram-se, por sua vez, pessoas capazes de despertar nos outros a mesma saudade e desejo de serem buscados por Deus.
“Onde estás?”
é uma pergunta que não deve ser feita somente uma vez e uma vez por todas.
É preciso que a 'respiremos' todos os dias, assim alcançaremos aproximação sempre maior do nosso coração com o de Deus e com a sua Palavra.
Deixando-nos envolver por esta pergunta, sentiremos cada vez mais toda a preocupação de Deus por nós:
"Onde estás, para que eu possa te ajudar?
Onde estás, para que eu possa te ajudar a encontrar o teu lugar no mundo?" E ficaremos felizes por termos saído de detrás das árvores.
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