Habacuque
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Introdução
Introdução
Sentença revelada ao profeta Habacuque.
Sobre o profeta Habacuque
Sobre o profeta Habacuque
Não sabemos nada sobre a pessoa do profeta Habacuque.
É possível que seu nome venha de rais hebraica que significa “abraçar”.
O período de seu ministério é de 612 à 589 a.C. Foram seus contemporâneos Jeremias (627-588 a.C.), Naum (627-620 a.C.) e Sofonias (650-612 a.C.). Também nesse período Daniel e seus amigos foram para o exílio na Babilônia.
Por sua familiaridade com as praticas do Templo (Hc 2.20) é possível que Habacuque tenha sido um sacerdote (como foram Samuel, Jeremias e Ezequiel) e também um membro do grupo de músicos levitas que cantavam durante o rituais do templo (1Cr 25.1-7). Isso infere-se do hino de vitória composto pelo profeta em Hc 3.
Uma peculiaridade de Habacuque é que ele fala para Deus e não para o povo. A “sentença revelada ao profeta” é a reposta de Deus à oração do profeta (Hc 1.5-11; 2.1-20).
Habacuque aparentemente tinha um profundo senso de pecaminosidade da humanidade e da natureza santa de Deus. Cercado pelo pecado em Judá, ele estava infeliz porque pensava que Deus parecia indiferente. Ele começa seu livro reclamando a Deus sobre Judá, mas depois passa a questionar por que Deus usaria a ímpia Babilônia para punir Judá. Seus escritos demonstram familiaridade com os babilônios (ele aparentemente viveu pouco antes da invasão de Judá). Deus confortou Habacuque, lembrando-o de que os ímpios não ficariam impunes, e a justiça seria finalmente mantida.
Miller, J.E. (2016). Habacuque, o Profeta. Em J. D. Barry, D. Bomar, D. R. Brown, R. Klippenstein, D. Mangum, C. Sinclair Wolcott, ... W. Widder (Orgs.), The Lexham Bible Dictionary. Bellingham, WA: Lexham Press.
Sobre o livro de Habacuque
Sobre o livro de Habacuque
Há indicativos no livro que colocam no período do reinado de Jeoaquim de Judá, que reinou de 609 à 598 a.C.
O contexto social/espiritual de Judá (Hc 1.3-4) aponta para um época de impiedada. Judá tinha passado por uma reforma espiritual no reinado de Josias, mas Jeoaquim “fez o que era mau perante o Senhor” (2Rs 23.37; 2Cr 36.5-8).
A descrição dos caldeus (Hc 1.5-11) mostra que a Babilônia já era uma nação forte e conhecida por seu poder bélico e perversidade. Nesse período os babilônicos já tinham conquistado a Assíria o e Egito e continuavam a expandir seu território. Jeoaquim foi vassalo da Babilônia por 3 anos, mas depois rebelou-se contra Nabucodonosor. Como consequência foi preso e morto pelos caldeus (2Rs 24.1-4). Depois, reinou Joaquim por três meses apenas e, então, foi exilado para Babilônia e Judá sucumbiu diante dos caldeus.
Os acontecimentos de 2Reis 24.1-4 foram os profetizados por Habacuque e Jeremias (Jr 22.13-26).
Contexto histórico
O período histórico inaugurado pela morte do rei Josias foi um dos mais amargos da história do reino de Judá. Em 612 a.C. os babilônios destruíram a cidade assíria de Nínive e, em dois anos, eliminaram os últimos vestígios do domínio assírio formal na Mesopotâmia. Os egípcios, que haviam sido aliados dos assírios, procuraram solidificar seu domínio na porção ocidental do antigo Império Assírio. Eles marcharam para Carquemis, uma cidade importante no rio Eufrates, onde foram atacados por Josias, que morreu naquela batalha.
Os egípcios colocaram Jeoaquim no trono no lugar de Joacaz, o legítimo sucessor de Josias. Jeoaquim era um vassalo egípcio, e a terra de Judá foi forçada a pagar pesados tributos, sua independência se foi para sempre.
É compreensível que a fé de muitas pessoas tenha começado a vacilar naquele tempo. As reformas religiosas de Josias resultaram não em bênçãos nacionais, mas na perda de sua liberdade. O clima da sociedade havia mudado de um de relativa estabilidade para um de opressão e violência (ver Jer 22:17).
Em 604 a.C. os babilônios avançaram para a área Siro-Palestina, encontrando apenas uma fraca resistência. Naquela época, Jeoaquim transferiu sua lealdade a Nabucodonosor, que continuou seu avanço para o sul. Quando o exército do faraó Neco desafiou os invasores, ambos os lados sofreram pesadas perdas e Nabucodonosor se retirou para a Babilônia. O vacilante Jeoaquim transferiu sua lealdade ao Egito. Em 598 a.C. os babilônios avançaram novamente para a Siro-Palestina, iniciando uma campanha que levou à queda de Jerusalém em 586 a.C.
McComiskey, T. E. (1988). Habakkuk, Book Of. In Baker encyclopedia of the Bible (Vol. 1, p. 907). Grand Rapids, MI: Baker Book House.
A mensagem
A mensagem
O diálogo entre o profeta e o Senhor
O diálogo entre o profeta e o Senhor
O livro do profeta Habacuque é um diálogo entre o profeta e Deus. Habacuque é um homem piedoso que se mostra preocupado com progresso da impiedade do povo de Judá e a aparente indiferença do Senhor.
Até quando, Senhor, clamarei eu, e tu não me escutarás? Gritar-te-ei: Violência! E não salvarás? Por que me mostras a iniquidade e me fazes ver a opressão? Pois a destruição e a violência estão diante de mim; há contendas, e o litígio se suscita.
Contudo, a reposta do Senhor (Hc 1.5-11) causa uma preocupação ainda maior no coração do profeta. Como o Senhor, que é santo e puro, pode usar uma nação ímpia e idólatra para punir seu próprio povo e permite que ela prevaleça sobre as demais nações?
Não és tu desde a eternidade, ó Senhor, meu Deus, ó meu Santo? Não morreremos. Ó Senhor, para executar juízo, puseste aquele povo; tu, ó Rocha, o fundaste para servir de disciplina. Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar; por que, pois, toleras os que procedem perfidamente e te calas quando o perverso devora aquele que é mais justo do que ele? Por que fazes os homens como os peixes do mar, como os répteis, que não têm quem os governe? A todos levanta o inimigo com o anzol, pesca-os de arrastão e os ajunta na sua rede varredoura; por isso, ele se alegra e se regozija. Por isso, oferece sacrifício à sua rede e queima incenso à sua varredoura; porque por elas enriqueceu a sua porção, e tem gordura a sua comida. Acaso, continuará, por isso, esvaziando a sua rede e matando sem piedade os povos?
Ainda que em certa confusão, Habacuque resolve esperar pela repostado Senhor (Hc 2.1). A segunda vez que Senhor fala com o profeta, não é para responder suas perguntas, mas para dizer-lhe que, no tempo determinado, Deus disciplinará seu povo e, da mesma forma, punirá a Babilônio por sua perversidade.
O Senhor me respondeu e disse: Escreve a visão, grava-a sobre tábuas, para que a possa ler até quem passa correndo. Porque a visão ainda está para cumprir-se no tempo determinado, mas se apressa para o fim e não falhará; se tardar, espera-o, porque, certamente, virá, não tardará. Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé. Assim como o vinho é enganoso, tampouco permanece o arrogante, cuja gananciosa boca se escancara como o sepulcro e é como a morte, que não se farta; ele ajunta para si todas as nações e congrega todos os povos.
Cinco “ais” (juízos) são declarados contra os babilônicos:
Ai daquele que acumula o que não é seu (altos impostos): Hc 2.6b-8
Ai daquele que ajunta em sua casa bens mal adquiridos: Hc 2.9-11
Ai daquele que edifica a cidade com sangue e a fundamenta com iniquidade: Hc 2.12-14
Ai daquele que dá de beber ao seu companheiro, misturando à bebida o seu furor: Hc 2.15-17
Ai daquele que diz à madeira: Acorda!: Hc 2.19-20
Por esse cinco ais o Senhor revela que se vingará da Babilônia. Ele retribuirá a ela conforme suas obras más e o que ela fez aos povos, ela mesma sofrerá.
Em sua sentença contra a Babilônia e seus ídolos, o Senhor afirma que somente a Ele pertence a glória, pois Ele é único Deus vivo e verdadeiro.
Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar.
O Senhor, porém, está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.
A mensagem
A mensagem
A mensagem do livro do profeta é simples, porém necessária para todos os tempos.
Deus é o Senhor soberano da história. Seus olhos contempla todos (Pv 15.3). Ele nunca é indiferente e passivo quanto ao mal. Como soberano sobre todas as coisas, Ele domina sobre os maus desígnios das nações, controlando-os e os usando para seus próprios fins. Contudo, nenhum mal ficará sem castigo. Nesta perspectiva:
O justo vive pela fé
Eis o soberbo! Sua alma não é reta nele; mas o justo viverá pela sua fé.
e se alegra nas promessas pactuais e infalíveis do Senhor
todavia, eu me alegro no Senhor, exulto no Deus da minha salvação. O Senhor Deus é a minha fortaleza, e faz os meus pés como os da corça, e me faz andar altaneiramente. Ao mestre de canto. Para instrumentos de cordas.
O canto de vitória de Habacuque 3
O canto de vitória de Habacuque 3
O capítulo 3 revela que o profeta entendeu, mesmo sentido-se alarmado, a reposta do Senhor. Isso não significa que as coisas se resolveram imediatamente, mas que Habacuque, apesar de toda calamidade, encontrou alegria na fidelidade pactual (Dt 28-30) de Deus. Habacuque sabe o Senhor não é indiferente ao mal, por isso Ele disciplinará seu povo por meio da Babilônia e, depois, julgará a Babilônia por seus crimes. Tudo isso trará calamidade política, econômica, social e religiosa, mas apesar disso o Senhor, no tempo determinado, salvará seu povo.
Aplicação
Aplicação
Como Habacuque, ficamos preocupados com o estado da Igreja visível: o mau testemunho, a vileza de alguns líderes, a imoralidade e falta de temor e, consequentemente, a vergonha sobre o santo nome de Deus. Será que Senhor é indiferente a isso e assiste passivamente a impiedade dentro do seu próprio povo? Certamente não! Com temor, devemos olhar para isso, pois certamente o juízo a disciplina virá. Desta forma, Deus purificará sua Igreja (1Pe 4.12-19).
Nações ou regimes impios podem se levantar, inclusive para disciplinar a Igreja. Digamos que a China com seu regime comunista totalitário se estabeleça no mundo como grande potência. Certamente, os cristãos serão especialmente perseguidos. Se isso acontecer, temos que saber que Deus é o Senhor da história e que Ele governa sobre os negócios das nações. No final, “a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor” (Hc 2.14).
O justo vive pela fé! (Hb 2.4). Confiaremos em Deus e em suas promessas feitas em Cristo. Deus é fiel a sua aliança. Se Ele nos disciplina é por que nos ama e em sua fidelidade continuará as nos santificar por cooperação de todas as coisas que nos acontecem.
Todavia, nós nos alegramos no Senhor (Hc 3.18a). Alegria é fruto do Espírito Santo (Gl 5.22-23), que é o selo do nosso resgate e que testifica como somos filhos de Deus. Ele é penhor de Deus para nossa salvação. Por isso, quanto tudo se tornar em caos à nossa volta, o Espírito nos lembrará da fidelidade de Deus. Ele nos conduzirá a toda verdade e nos fará andar por fé e não por vista. Então, sem importar a circunstância, nós nos alegraremos no Senhor.good beautiful and true
