DEUS FALOU
Sermon • Submitted
0 ratings
· 15 viewsNotes
Transcript
DEUS FALOU
DEUS FALOU
(Ler Hebreus 1.1–4)
Antigamente, Deus falou, muitas vezes e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, mas, nestes últimos dias, nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também fez o universo. O Filho, que é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu Ser, sustentando todas as coisas pela sua palavra poderosa, depois de ter feito a purificação dos pecados, assentou-se à direita da Majestade, nas alturas, tendo-se tornado tão superior aos anjos quanto herdou mais excelente nome do que eles.
O seu apetite foi um pouco provocado? Você sente que gostaria de conhecer melhor esta carta de que falamos na introdução? Se este for o caso, podemos começar já.
Como essa tão útil e maravilhosa carta se inicia? O apóstolo vai direto ao assunto. Ele começa assegurando-nos quatro coisas e, com isso, prepara nossa mente para aquilo que se seguirá. Vejamos o que são:
1. O fato de uma revelação divina: Deus falou (1.1–2)
1. O fato de uma revelação divina: Deus falou (1.1–2)
Existe um Deus. Esse ponto não precisa de discussão. Nossa própria consciência sabe que é verdade.
Não precisamos adivinhar como Deus é. Ele falou! A verdade é que nem homem nem mulher o descobriram, mas ele se revelou. Deus se deu a conhecer.
Sendo assim, nossa maior obrigação é óbvia. Não é indagar, especular, filosofar ou adivinhar, mas, sim, ouvir o que Deus revela a respeito de si mesmo – e obedecer. A pergunta que nós mortais devemos fazer não é “Como essas coisas são possíveis?”, mas, sim, “O que exatamente Deus disse?”.
2. A realidade do Antigo Testamento como revelação divina (1.1)
2. A realidade do Antigo Testamento como revelação divina (1.1)
O Antigo Testamento é verdadeira revelação divina: “Havendo Deus, outrora, falado”. Contudo, temos de observar que ele não falou apenas uma vez. Não disse tudo que tinha a dizer numa só tacada. Falou “muitas vezes e de muitas maneiras”. O Antigo Testamento é uma revelação progressiva. Deus revelou alguma coisa, depois ficou calado. Mais tarde, disse mais alguma coisa e, então, calou-se. E assim foi ao longo dos séculos: mais, então mais e ainda mais foi revelado.
Deus nem sempre se revelou do mesmo modo. Às vezes falou em voz audível. Certa vez, escreveu algo com o próprio dedo. Às vezes usou visões. O mais usual era que seu Espírito viesse sobre um homem de tal forma que esse humano conseguiria expressar seus pensamentos em palavras exatamente como Deus queria. Uma revelação seguiu a outra, mas todas elas foram incompletas. Por exemplo, Abraão ouviu Deus falar. Foi um privilégio que muitos anos mais tarde Moisés, Davi e outros experimentariam. Cada um deles sabia que não recebera a palavra final de Deus, porque o Messias prometido ainda não havia chegado. Mas não sabiam quando Deus falaria novamente nem exatamente quando seria dada sua revelação final.
Ninguém deve desprezar ou desvalorizar o Antigo Testamento. Mas também não se deve supervalorizá-lo. É autêntica revelação divina, mas que veio de forma esporádica, fragmentada, variada, progressiva – e incompleta!
Ao iniciar sua carta, é importante o apóstolo mencionar tudo isso. Seus leitores estão pensando em desistir do cristianismo e voltar ao judaísmo. Precisam saber, desde o começo, que se fizerem isso, estarão voltando para uma revelação incompleta. É verdade que Deus falou no Antigo Testamento. Mas o Antigo Testamento não contém tudo que ele tinha para dizer. É apenas uma parte do quadro.
3. A superioridade de Cristo como revelação divina (1.2a)
3. A superioridade de Cristo como revelação divina (1.2a)
“Nestes últimos dias” Deus falou novamente. O apóstolo, é claro, está escrevendo em grego e suas palavras também podem ser traduzidas por: “no final desses dias”. Noutras palavras, novamente Deus falou, mas desta vez, essa é a sua última revelação. Agora que essa última revelação foi dada, não há mais nada a dizer.
Essa revelação não está fragmentada, é completa. Não é temporária, é permanente. Não é preparatória, é final. Não veio por diversos modos, mas está encerrada naquele que é supremo.
A revelação de Deus em Jesus Cristo é de caráter superior porque é completa. É superior no tempo porque nenhuma revelação virá depois dela. É superior em seu destino porque foi feita a nós. É superior em seu agente porque, diferente do Antigo Testamento, que veio por meio de fracos profetas humanos, veio por meio do próprio Filho de Deus.
Observe que existe uma continuidade, mas também um contraste entre o Antigo e o Novo Testamento. Jesus não é um instrumento de Deus – ele é o próprio Deus. A palavra final que Deus falou ao mundo vem por intermédio de seu Filho. A palavra “Filho”, que aqui encontramos, é central para toda a Carta aos Hebreus. Ocorre sete vezes, sempre em lugares cruciais na argumentação do apóstolo.
4. As provas da superioridade de Cristo (1.2–4)
4. As provas da superioridade de Cristo (1.2–4)
O apóstolo poderia ter dito diretamente o que Deus falou por meio do seu Filho. É o que nós teríamos esperado. Em vez disso, ele irrompe numa descrição das glórias do Filho. Faz isso para mostrar-nos que a revelação de Deus através do Filho realmente é superior a tudo quanto antes fora experimentado ou conhecido.
Ele nos diz sete coisas sobre Jesus. Sete é um número importante na Bíblia – é o número da perfeição. Assim, o apóstolo nos diz sete coisas sobre o Filho como mais um modo de destacar em nossa mente o fato de que Cristo é perfeito, tanto em si mesmo quanto como revelação da divindade. Nós o vemos como:
(i.) Cristo, o herdeiro (versículo 2)
(i.) Cristo, o herdeiro (versículo 2)
Imagine uma pessoa muito rica que possua apenas um único filho. O que acontece com suas riquezas quando ele morre? Passam para o filho, assim como vão para ele todos os títulos e privilégios. Tudo está agora nas mãos do filho e todos os olhos se voltam para ele. Claro, Deus, o Pai, não pode morrer. Mas o apóstolo utiliza esta figura para ajudar-nos a entender que tudo que pertence, por direito, a Deus, pertence a Cristo. Em especial, Cristo é a coroa, o clímax e a consumação da história. Todo o futuro pertence a ele. Vem a hora quando todo olho estará fixo nele e verá quem ele realmente é.
(ii.) Cristo, o criador (versículo 2)
(ii.) Cristo, o criador (versículo 2)
Cristo é o fim de todas as coisas, mas é também o seu começo! O original em grego no versículo 2 diz que ele é aquele “por meio de quem [Deus] fez todas as eras”. Noutras palavras, não apenas o começo e o fim estão nas mãos de Cristo, mas também tudo que está entre o começo e o fim. E este é aquele através de quem Deus falou naqueles últimos dias!
(iii.) Cristo, o revelador (versículo 3)
(iii.) Cristo, o revelador (versículo 3)
Agora nos é dito quem Cristo é eternamente. O que ele é em si, antes de existir qualquer outra coisa. Ele é o “resplendor da glória de Deus e a expressão exata de seu Ser”. É o esplendor, o brilho irradiado de Deus. É a representação exata de seu ser. Em sua essência, a divindade, o ser de Deus, é invisível. Ele só pode ser conhecido por alguém que é eternamente gerado do Pai. Ninguém pode ver, jamais viu, ou jamais verá o Pai. Nós o enxergamos quando olhamos a gloriosa segunda pessoa da Trindade, que é o próprio Deus, no entanto, procede eternamente do Pai. Onde quer que alguém tenha visto ou experimentado algo de Deus, foi a Jesus Cristo que ele viu e experimentou.
(iv.) Cristo, o sustentador (versículo 3)
(iv.) Cristo, o sustentador (versículo 3)
Agora nos é dita qual a relação de Cristo com o universo. O que impede o mundo de se desintegrar ou deixar de existir? Que poder mantém coesos todos os átomos e moléculas? Momento após momento, ano após ano, século após século, o universo continua existindo. Qual a explicação? Sua existência contínua não é apenas algo que “acontece”. A palavra de Cristo o trouxe à existência; uma palavra de Cristo acabará com tudo e é essa mesma palavra que mantém tudo coeso. Paulo diz o mesmo em Colossenses 1.17: “Nele tudo subsiste”.
(v.) Cristo, o redentor (versículo 3)
(v.) Cristo, o redentor (versículo 3)
Esta pessoa gloriosa a quem o apóstolo descreve é o redentor dos crentes!
Desceu do céu para a terra
Aquele que é Deus e Senhor de tudo.
Seu abrigo foi um estábulo
e seu berço uma manjedoura.
Com os pobres, rudes e humildes
viveu na terra nosso santo Salvador.
Mas Cristo fez mais que isso. Sozinho, foi crucificado, sangrou e morreu ali e por esse ato fez a nossa “purificação dos pecados”. Retirou o pecado de cada crente de todos os tempos. Ele limpou a ficha deles. Destruiu cada obstáculo que impedia os crentes de desfrutarem da comunhão com Deus, tornando-os puro perante seus olhos. Meus pecados foram tratados por uma pessoa – a pessoa a quem os versos acima se referem em toda sua magnificência – aquele por intermédio de quem Deus falou nestes últimos dias!
(vi.) Cristo, o dominador (versículo 3)
(vi.) Cristo, o dominador (versículo 3)
Ele foi crucificado, mas onde está Cristo agora? Ele não está morto, mas ressurreto. Não apenas ressurreto, mas elevado. Não apenas elevado, mas glorificado. O eterno Filho de Deus, que se tornou homem, está assentado como o Deus-Homem no lugar de sua glória anterior, “à direita da Majestade, nas alturas”. Está assentado, pois completou a obra que veio realizar. Nenhum sacerdote no Antigo Testamento se sentou enquanto cumpria seu dever, pois o trabalho não havia sido finalizado. Como Cristo é diferente! Seu sacrifício único e eficaz está acabado. Consumado.
(vii.) Cristo, o mais elevado (versículo 4)
(vii.) Cristo, o mais elevado (versículo 4)
Nenhum anjo, mesmo o mais exaltado de todos, se atreveria a sentar-se na presença de Deus, muito menos à sua mão direita. Mas Cristo é mais elevado do que o mais elevado dos anjos. Ao contrário deles, não é um servo, é o Filho eterno. O lugar onde está assentado é o mais elevado em todo o universo e é seu por direito. É sua herança. Esse é o nosso Senhor Jesus Cristo, profeta (por meio de quem Deus fala, versículo 2), sacerdote (por quem os pecadores se aproximam de Deus, versículo 3) e rei (reina como Deus, versículos 3–4).
Se você nunca se aproximou de Cristo, foi deste Cristo. Se seu coração está frio em relação a ele, tal frieza está relacionada a este Cristo. E se está pensando em abandonar a Cristo, é este Cristo que está considerando abandonar!
Afastar-se de Cristo é afastar-se de algo imenso para algo menor – muito, muito menor. É afastar-se do ser mais glorioso que há em direção a algo comum. É dar as costas ao esplendor da glória de Deus para andar nas trevas exteriores.
Seu nome é maravilhoso, seu nome é maravilhoso,
Seu nome é maravilhoso, Jesus, meu Senhor.
Ele é o rei poderoso, senhor de tudo.
Seu nome é maravilhoso, Jesus, meu Senhor.
É o grande pastor, a rocha eterna.
É o Deus Todo-Poderoso.
Prostrem-se diante dele em amor e adoração.
Seu nome é maravilhoso, Jesus, meu Senhor.
Stuart Olyott, A Carta aos Hebreus Bem Explicadinha: E Como Seu Ensinamento Se Desenvolve na Prática, trad. Elizabeth Gomes, 1a edição (São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2012), 14–18.
