Judas 1-2
Série expositiva na epístola de Judas • Sermon • Submitted
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· 54 viewsJudas apresenta-se como modelo de verdadeiro pastor da igreja, através das marcas da humildade e amor a igreja, por meio das quais exorta a igreja a observar sua liderança e amar a comunhão dos santos, vendo a grandeza da obra salvadora do Deus Triúno realizada pelos santos chamados, eleitos e amados em Cristo.
Notes
Transcript
“ [...]exortando-vos a batalhardes, diligentemente, pela fé”. (Jd 3.)
Pr. Paulo Rodrigues
Introdução
A provável data da escrituração da carta de Judas é incerta, podendo ser possível somente uma conjectura dada o teor e a proximidade entre uma possível citação feita por Pedro em sua segunda carta. Alguns historiadores sugerem que a carta teria sido escrito por volta dos anos 65-67 d.c.
Este período é bastante conturbado e controverso para a igreja, pois desde que o imperador Nero pôs fogo em Roma no ano 65 d. C., os cristãos, tendo sido acusados falsamente por Nero deste crime, e também devido a forte antagonia entre a fé cristã e a cosmovisão pagã do império, começaram a ser vistos como inimigos do estado, e iniciou-se uma ferrenha perseguição contra a igreja.
Porém, ademais da perseguição que se levantava contra a igreja, um problema maior começa a se levantar: como veremos à luz dos versos 3 e 4: falsos mestres estavam se infiltrando na igreja, levando os crentes a cogitarem seguir caminhos e doutrinas contrárias ao ensino dos apóstolos dado pelo próprio Cristo. Assim, o esforço de Judas é de escrever uma epístola para que os crentes pudessem ser exortados a batalhar pela fé, permanecendo fiéis aos princípios do Reino de Deus, conforme ensinado por Cristo através dos apóstolos e dos pastores que, como ele, foram verdadeiramente chamados por Cristo.
Mas como reconhecer quem fala a verdade e quem mente, dado o tamanho da confusão de hereias e ensinos que estavam sendo propagados no meio da igreja?
Judas aponta o caráter do verdadeiro pastor da igreja de Cristo, contrastando os falsos mestres de acordo com três aspectos destacados por ele já em sua saudação: 1) a humildade como marca do verdadeiro pastor (v. 1a), 2) a consideração para como a igreja como marca do verdadeiro pastor (v. 1b) 3) os votos em favor da igreja como marca do verdadeiro pastor (vs. 1a – 2).
Veremos esta noite, como a identidade do verdadeiro pastor impacta diretamente na saúde da igreja, através deste texto.
Elucidação
1) a humildade como marca do verdadeiro pastor (v. 1a).
2) a consideração para como a igreja como marca do verdadeiro pastor (v. 1b).
3) os votos em favor da igreja como marca do verdadeiro pastor (vs. 1a – 2).
Aplicações
Devemos reconhecer que a humildade e amor a igreja são as marcas do verdadeiro pastor, e também nós, individualmente, devemos ser levados a amar uns ao outros de maneira a zelar para que na igreja não se intrometam homens ímpios, isso através da valorização tanto da própria igreja, quanto dos verdadeiros líderes.
Além disso, podemos extrair deste texto pelo meno três aplicações que nos apontam verdades que o Espírito Santo deseja que vivamos:
1. Devemos reconhecer o valor da igreja de cristo.
É mister observar que a igreja de Deus é o ajuntamento daqueles que foram chamados, ou seja, eleitos. A obra da eleição foi operada pelo Deus Triuno na eternidade, ou seja, antes que qualquer coisa viesse a existir, Pai, Filho e Espírito Santo, amavam seus eleitos de maneira profunda. Tratar a igreja aquém de tal situação é ir de encontro a própria obra redentora, nivelando-nos ao caráter escuso e reprovável dos falsos mestres.
Da mesma forma, e por causa disso, por intermédio de Cristo, a igreja de Deus é amada e bem quista por seu SENHOR. Nossa alta conta pela igreja de Deus, deve levar-nos naturalmente, a amar estar na casa do SENHOR para prestar culto aqueles que nos transformou de inimigos seus, a seus filhos, e assim, irmãos em Cristo. Amando a igreja de Deus, demonstramos o cuidado do próprio SENHOR para conosco, o que nos leva a terceira consideração que Judas destaca em seu escrito com relação a igreja: somos guardados.
O próprio Cristo nos garante segurança do mal, quando intercede por nós junto ao Pai na oração sacerdotal: "Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal" (Jo 17.15). Nossa salvação está confiada em Deus, e nos mantém a salvo de nos contaminar com as heresias e distorções dos falsos ensinos, que são tantos em nossos dias. Garante-nos também a vigilância de que em nosso meio, apesar ser possível que hajam lobos em peles de ovelhas, prevalecerá o amor de Deus que nos mantém seguros em nossa convicção de que somos ovelhas do Supremo Pastor.
Porém, tais observações asseveram ainda um segundo aspecto elaborado por Judas em sua carta.
2. Devemos ter cuidado em observar aqueles que lideram a igreja.
O Espírito Santo elencou de maneira magistral os requisitos para que alguém seja um servo na casa de Deus. O primeiro requisito é a humildade e serviço ao crentes. Calvino, comentando a expressão usada por Judas para se apresentar, salienta:
"Ele se denomina de servo de Cristo, não como o título se aplica a todos os piedosos, mas com respeito ao seu apostolado; pois só era considerado peculiarmente servo de Cristo aquele a quem se confiasse algum ofício público. E sabemos por que os apóstolos costumavam dar a si mesmos este honroso título. Todo aquele que não for chamado, arroga para si, presunçosamente, o direito e autoridade de ensinar. Então sua vocação era para os apóstolos uma evidência de que não abraçaram seu ofício por sua própria vontade. Não obstante, por si só não era suficiente ser designado para seu ofício, a menos que o cumprisse fielmente. E, sem dúvida, aquele que se declara servo de Deus inclui ambas estas coisas, a saber, que Deus é o outorgante do ofício que ele exerce, e que fielmente realiza o que lhe fora confiado. Muitos agem falsamente, e falsamente se gabam de ser o que estão muito longe de ser; é preciso que examinemos sempre se a realidade corresponde com a declaração solene".²
2 João Calvino, Epístolas Gerais, org. Tiago J. Santos Filho e Franklin Ferreira, trad. Valter Graciano Martins, Primeira Edição, Série Comentários Bíblicos (São José dos Campos, SP: Editora FIEL, 2015), 499.
Isto posto, a igreja precisa considerar atentamente que aqueles que são verdadeiramente chamados ao cuidado das ovelhas, refletem o caráter do próprio Cristo, de maneira que, mesmo sendo considerado líder na igreja de Deus, o individuo que fora comissionado para essa obra, não fora chamado para dominar na igreja, como faziam os falsos mestres a quem Judas está combatendo. Humildade e serviço são as características básicas do servo da casa de Deus.
Além disso, nós, como igreja do SENHOR precisamos considerar que esse exame é primordial para que a igreja de Cristo se mantenha saudável. Ter na liderança homens ímpios provocará, inevitavelmente, que o juízo do Cabeça da Igreja recaia sobre seu povo, pois é também nossa responsabilidade zelar para que homens verdadeiramente chamados estejam na atividade de liderança e pastoreio, e evitar ferrenhamente que falsos mestres sequer se aproximem do ajuntamento solene do povo de Deus.
Conclusão
A introdução da epístola de Judas mostra para nós o quão importante é atentarmos para o caráter da liderança da igreja, aferindo se estes estão de acordo não com nosso padrão, pois os falsos mestres a quem Judas se refere, eram até aceitos por muitos que queriam dar-lhes ouvidos, mas a motivação de tal aceitação é a corrupção do coração é não a ordenança divina e o chamado do Espírito, e também que alta consideração que devemos ter para com os santos é uma das barreiras que o próprio Criador usa para manter a salvo sua igreja de hereias e falsos mestres.
Que possamos orar a Deus a fim que de ele livre esta igreja de falsos mestres, e que possamos pedir que o SENHOR infunda amor em nosso coração, para vermos este ajuntamento solene como sendo a família da fé da qual fazemos parte unicamente por causa da graça e amor de Deus por seus eleitos.
