BUSCANDO UM SENTIDO PARA A VIDA.

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Os esforços humanos destituídos do temor do Senhor são desprovidos de significados em um mundo que não oferece realização pessoal (Ec 1.1-18)

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BUSCANDO UM SENTIDO PARA A VIDA.

Eclesiastes 1.1–18 RAStr
1 Palavra do Pregador, filho de Davi, rei de Jerusalém:2 Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade.3 Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol? 4 Geração vai e geração vem; mas a terra permanece para sempre.5 Levanta-se o sol, e põe-se o sol, e volta ao seu lugar, onde nasce de novo.6 O vento vai para o sul e faz o seu giro para o norte; volve-se, e revolve-se, na sua carreira, e retorna aos seus circuitos.7 Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; ao lugar para onde correm os rios, para lá tornam eles a correr.8 Todas as coisas são canseiras tais, que ninguém as pode exprimir; os olhos não se fartam de ver, nem se enchem os ouvidos de ouvir.9 O que foi é o que há de ser; e o que se fez, isso se tornará a fazer; nada há, pois, novo debaixo do sol.10 Há alguma coisa de que se possa dizer: Vê, isto é novo? Não! Já foi nos séculos que foram antes de nós.11 Já não há lembrança das coisas que precederam; e das coisas posteriores também não haverá memória entre os que hão de vir depois delas. 12 Eu, o Pregador, venho sendo rei de Israel, em Jerusalém.13 Apliquei o coração a esquadrinhar e a informar-me com sabedoria de tudo quanto sucede debaixo do céu; este enfadonho trabalho impôs Deus aos filhos dos homens, para nele os afligir.14 Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento.15 Aquilo que é torto não se pode; e o que falta não se pode calcular.16 Disse comigo: eis que me engrandeci e sobrepujei em sabedoria a todos os que antes de mim existiram em Jerusalém; com efeito, o meu coração tem tido larga experiência da sabedoria e do conhecimento.17 Apliquei o coração a conhecer a sabedoria e a saber o que é loucura e o que é estultícia; e vim a saber que também isto é correr atrás do vento.18 Porque na muita sabedoria há muito enfado; e quem aumenta ciência aumenta tristeza.
Antes dos filósofos gregos se debruçarem para pensar sobre "qual é o sentido da vida?" Salomão, no início do primeiro milênio antes de Cristo, abordou essa temática depois de longa análise da vida e registou, guiado pelo Espírito Santo, para nosso conhecimento.
INTRODUÇÃO AO LIVRO
Um livro mal-tratado, é o que poderíamos dizer a respeito de קֹהֶלֶת ou Ἐκκλησιαστῆς. Muitos o consideram como o livro mais mau-humorado da Bíblia e extremamente depressivo. Além disso a sua autoria, autoridade e aplicabilidade também são atacadas. Até mesmo o próprio Martinho Lutero, tem em sua biografia a mancha de haver rejeitado a autoria salomônica e o próprio livro. Fazendo coro com Lutero, muitos estudiosos ortodoxos também rejeitam a autoria salomônica.
Robert Gordis disse sobre a antiga posição universal de que Salmoão foi o autor de Eclesiastes acha-se "universalmente abandonada em nossos dias" R. Gordis, Koheleth – The Man and His World, p. 39.
O Dr.Carlos Osvaldo combate esse posicionamento apresentando argumentos: contextuais, conceituais e linguísticos.
CONTEXTUAIS
Argumenta-se primeiro: o autor fala frequentemente na terceira pessoa, e não do próprio rei (Ec 4.13-16; 10.17,20).
R.: nenhuma destas passagens é decisivamente contra a monarquia, pois Salomão podia muito bem estar avaliando o governo per se, não como rei, mas como um חָכָם (hakam, “sábio”). Pinto, C. O. C. (2014). Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento. (J. C. Martinez, Org.) (2a Edição Revisada e Atualizada, p. 555). São Paulo: Hagnos.
Argumenta-se em segundo lugar: Com fundamento em Ec 1.16 que uma longa sucessão de reis havia reinado em Jerusalém antes do livro ser escrito, tornando a autoria salomônica insustentável, já que apenas Davi e Absalão, o usurpador, haviam reinado ali antes de Salomão.
R.: o versículo não especifica “reis”, mas usa a palavra “todos”, o que poderia ser uma referência a outros חֲכָמִים (ḥăḵāmîm, “sábios”), bem como a reis anteriores, israelitas ou não" (Pinto,p555).
Argumenta-se em terceiro lugar: Fundamentados em Ec 1.12, que o pretérito perfeito do verbo "ser" implica que Salomão já era morto quando o livro foi escrito.
R.: "Parece perfeitamente natural que alguém, ao fim de sua vida, se refira à sua experiência passada com o uso do pretérito perfeito no hebraico" (Pinto, p.555). Ele continua dizendo que: "Mesmo o argumento frequente de que o fato do Epílogo se referir a Qohelet na terceira pessoa provar autoria diferente não é definitivo (não é sequer um bom argumento!). Se esse critério fosse aplicado a historiadores seculares, teríamos de negar De Bellum Gallicum a Julio César e Anabasis a Xenofonte" (Pinto, p. 559).
Por fim, argumenta-se: Uma data mais recente seria mais apropriada pois apontam para um clima de pobreza, insatisfação e opressão. Eles dizem que há uma contradição entre o quadro otimista pintado pelo autor de Reis e as palavras amargas de Ec 4.3; 7.10.
R.: "não há necessariamente contradição entre as duas passagens. O autor de Reis descreveu as condições que prevaleceram na primeira parte do reinado de Salomão, antes que seu estilo de vida causasse a opressão de Israel para o sustento da corte. Além disso, Salomão, como a mais alta corte do país, conheceria as causas mais complexas da jurisprudência israelita, as quais seria responsável por julgar. As palavras de 7.10 refletem bem as condições ao final de seu reinado, quando o governo ficara mastodôntico e a taxação, em Israel, se tornara insuportável. Aqui também os supostos anacronismos são perfeitamente reconciliáveis com autoria e data salomônicas; na verdade, podem até refletir uma mudança de atitude sobre a qual 1 Reis se omite" (Pinto,p.555 e 556)
CONCEITUAIS
Alguns alegam que Eclesiastes, ou o Pregador, compartilha alguns conceitos básicos com escolas filosóficas gregas, afirmando que o livro possui doutrina estoica, mas os estoicos, não tinham lugar para um Criador e Juiz soberano como encontramos Eclesiastes enfatizando.
Alguns alegam que ele era epicureu, cujo maior propósito da vida era desfrutar ao máximo dos prazeres. Mas o fato é que Epicuro via a realização como o escape à dor e à atenção dos deuses, já Eclesiastes, encarava a dor e a opressão de forma realista e estimulava a submissão a Deus. Epicuro encorajava o escapismo, mas Eclesiastes estimula o enfrentamento da vida com todas as forças e confiança em Deus.
LINGUÍSTICOS
Pinto diz que "Os argumentos mais pesados contra a autoria salomônica estão relacionados aos fenômenos linguísticos. Tanto liberais quanto conservadores apontam para o vocabulário, morfologia, sintaxe e estilo como prova de uma autoria recente (pós-exílica)". (Pinto, p. 556)
Ele tenta aliviar este questionamento por meio de dois fatores:

o estilo peculiar de Eclesiastes pode apontar para determinado gênero literário que tinha sua origem na Fenícia e se fez presente na corte cosmopolita de Salomão. Isso explicaria não apenas o estilo do livro, mas também seu vocabulário peculiar. O segundo fator é o grande número de paralelos entre Eclesiastes e os livros históricos, o que sugere Salomão como o melhor candidato à autoria de Eclesiastes.

Assim, encontramos:

Paralelos entre Eclesiastes e os livros históricos

Eclesiastes 1.16

1 Reis 3.12

sabedoria inigualável

Eclesiastes 2.4–10

1 Reis 4.27–32

tesouros incomparáveis

Eclesiastes 2.4–10

1 Reis 7.1–8

riqueza sem paralelo

Eclesiastes 2.4–10

1 Reis 9.17–19

servos numerosos

Eclesiastes 2.4–10

1 Reis 10.14–29

projetos arquitetônicos

Eclesiastes 12.9

1 Reis 4.32

atividade literária intensa

Eclesiastes 2.8; 7.28

1 Reis 11.3

mulheres em profusão

Pinto acrescenta dizendo que:

nem o contexto, nem o conteúdo, nem a língua oferecem provas que nos levem a rejeitar a autoria salomônica. As semelhanças entre Salomão e Qohelet são muitas e, legitimamente explicadas, apontam para o filho de Davi como o mais provável autor do livro.

O livro de Eclesiastes contém uma variedade de formas literárias:
Narrativas em prosa na primeira pessoa, geralmente concluídas com um comentário (Ec 1.17; 2.11; 4.16; 6.9)
Provérbios, às vezes dentro dos moldes da sabedoria tradicional (Ec 5.10)
Perguntas retóricas (Ec 2.22; 3.9)
Bela alegoria sobre a velhice, que o autor descreve no epílogo (Ec 12.1-7)
Pinto considera o "contraponto", como ele mesmo chama, a característica literária mais fundamental do livro, pois é a que nos permiter ver os dois lados da moeda.

Qohelet conseguiu produzir unidade com as melodias aparentemente conflitantes do otimismo cauteloso e de um pessimismo realista à medida que trata, dialeticamente, de temas como juventude e velhice, sabedoria e insensatez, esperança e desespero, trabalho e prazer, permanência e efemeridade, amizade e solidão, pobreza e riqueza.23

A última característica literária é a conhecida como quest ("busca"), a exploração ou perseguição de uma ideia até suas últimas consequências (forma narrativa, lírica ou poética, cf. Ec 3.1-9)
TEMAS TEOLÓGICOS DE ECLESIÁSTES

O livro serve, todavia, para retratar o fato do decreto da permissão do mal e a tentativa frequente do homem, como indivíduo, em resolver e explicar tal problema. A teodiceia de Eclesiastes consiste em demonstrar a impossibilidade humana em resolver o problema e a necessidade de viver na fé em um universo onde o Criador determinou que o mal exista até o dia em que Ele vai julgar os justos e os ímpios (3.17).

A DOUTRINA DE DEUS
CRIADOR
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) Deus é Caracterizado em Seu Papel de Criador

O nome exclusivo de Deus em Eclesiastes é אֱלֹהִים (ʾĕlōhîm), usado quarenta vezes. Deus é transcendente (5.2), Criador (11.5; 12.1), doador da vida (8.15; 9.9) e organizador da vida (3.1–8). Ele controla os ciclos da existência terrena (1.5–7) e dela cuida como um Pastor (12.11).25

PESSOAL E JUSTO
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) Deus é Apresentado Como Pessoal e Justo

Qohelet atribui a Deus atividades de intelecto (percepção e discernimento [5.20]), de emoção (agrado [2.26; 7.26] e ira [5.6]), e de vontade (benevolência [2.24–26; 3.13; 5.18–19; 6.2] e generosidade [2.26; 5.19; 6.2]). Ele possui um caráter moral santo (5.1,2) e exercerá justiça (3.17; 8.13).

INESCRUTÁVEL

Qohelet demonstra com seu livro que mesmo a sabedoria do povo a quem Javé se revelou não consegue abranger todo o propósito divino e as maneiras pelas quais o Criador lida com as criaturas (3.11; 8.17; 9.1; 11.6). Tal inescrutabilidade, todavia, não é egoísta ou malévola, nem mesmo isolacionista; tem, antes, como objetivo, que o homem tema a Deus (3.14).

A DOUTRINA DO HOMEM
UM SER FINITO QUE DERIVA SUA EXISTÊNCIA DE DEUS
O homem é criatura (Ec 11.5; 12.1), preso à terra (Ec 5.2) e sujeito à morte (Ec 3.19, 20; 6.6)
UM SER COMPLEXO
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) O Homem é Apresentado Como um Ser Complexo

Qohelet usa duas palavras hebraicas para “homem”, אָדָם (ʾāḏām, usada 49 vezes no livro e ligada à origem “terrena” do homem),26 e אִישׁ (ʾîš, usada dez vezes no livro e ligada à ideia do homem como indivíduo).27 Além de sua carne ou corpo (heb. בָּשָׂר, ḇāśār), por meio da qual o homem experimenta as dificuldades do mundo paradoxal em que vive (11.10; 12.10), ele possui uma parte imaterial que funciona em três níveis: alma (נֶפֶשׁ, nep̄eš,), o centro dos desejos humanos de alegria e realização (6.2–3; 7.9) e sede da investigação e contemplação espiritual (7.28); espírito (רוּחַ, rûaḥ), que pode ser uma referência ao temperamento do indivíduo (7.8, 9) e ao princípio animador da vida (3.19, 21; 12.7);28 e coração (לֵב, lēḇ) a designação mais frequente do ser interior do homem e que inclui seu intelecto (1.13), suas emoções (7.3,4) e sua vontade (7.7; 8.11).

UM SER PECADOR
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) O Homem é Apresentado Como um Ser Pecador

Qohelet cria na universalidade do pecado (7.20) e na depravação total do homem (9.3). Tais fatores redundam em várias formas de pecado, como a opressão (4.1–3; 5.8), a inveja (4.4), a ganância (5.10), o orgulho (7.8), a ira (10.4) e a imoralidade (7.26). A ideia do obscurecimento espiritual do homem está presente em Eclesiastes (3.11; 11.5).

UM SER MORTAL
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) O Homem é Apresentado Como um Ser Mortal

A morte, em Eclesiastes, é um fato do qual não se pode escapar. Todos morrerão (2.14–16; 3.18–20) e o homem não pode alterar o que já está determinado, o dia de sua morte (3.2; 8.8). A morte significa a entrega do espírito a Deus (3.21; 12.7).

UM SER MORALMENTE RESPONSÁVEL
Foco & Desenvolvimento no Antigo Testamento (Nova Edição) O Homem é Apresentado Como um Ser Moralmente Responsável

Diante de uma vida curta que não pode controlar, o homem deve, acima de tudo, temer a Deus (3.14; 5.7; 7.18; 8.12,13; 12.13). Deve ainda lembrar-se de Deus (12.1, 6), adorar sinceramente a Deus (5.1,2), ser sábio (2.13; 4.13–16; 8.5), ser diligente (9.10; 11.2–6), e desfrutar a vida (2.24–26; 3.12,13, 22; 5.18–20; 8.15; 9.7–9; 11.8,9).

Sobre o propósito do Livro, o Dr. Carlos Osvaldo C.Pinto disse que:

O propósito aparente de Eclesiastes, estimular o temor do Senhor como a chave para uma vida significativa em um mundo que é, em tudo o mais, desprovido de significado, é obtido pela demonstração da incapacidade humana de obter proveito da vida, isto é, encontrar realização como indivíduo (1.12–6.9), e pela demonstração da incapacidade humana de encontrar ou perceber o sentido da vida (6.10–11.6).

Entremos, agora, no nosso texto.
O autor parece tentar alcançar o propósito do livro mostrando que:

Os esforços do homem são desprovidos de significado em um mundo que não lhe oferece realização pessoal (1.2–11).

É necessário começar a leitura do livro pensando no seu final se quisermos enfrentar a mata fechada e encontrarmos a luz do outro lado. Precisamos acreditar que o sábio pregador quer nos ensinar coisas positivas, preciosas e edificantes. Ele deseja levar os homens a temer a Deus e guardar os seus mandamentos.
I) FALTA DE REALIZAÇÃO (EC 1.1-3)
A primeira divisão introduz a observação inicial sobre a natureza da vida (Ec 1.2). À luz da natureza enigmática da vida, os esforços do homem não lhe trazem realização (Ec 1.3)
O tema de Eclesiástes: o homem não encontra proveito ou propósito na vida (Ec 1.2,3)
Duas expressões são utilizadas aqui e que são importantíssimas para compreensão do livro. Ele lança a hipótese:
"VAIDADE DE VAIDADES"
Santos diz que "Quando o Pregador diz que algo “é futilidade” ( 1.2,14; 2.15,17,19,21,23,26; 3.19; 4.4,8; 5.10; 6.2,9; 7.6 ), trata-se de uma avaliação que ele fez sobre algo e essa é a conclusão a que chegou. O termo hebraico aqui traduzido por “futilidade” é normalmente traduzido nas Bíblias de língua portuguesa como “vaidade”. A dificuldade, porém, é que o termo vaidade pode ser confundido com o apego pessoal à beleza, em vez de apontar, como deveria, para coisas que são vãs, inúteis e passageiras.
Em suma, o que é postulado nesse versículo é que todas as coisas ligadas à vida são passageiras e não têm sentido em si, ou melhor, não dão sentido à existência humana. Todas elas são inúteis para nos explicar por que e para que existimos.
Todo o livro deve ser lido e analisado à luz da conclusão do autor, na qual ele compara o temor do Senhor a todos os meios de vida sem ele. Entretanto, antes de chegar a tal conclusão, o escritor quer impactar seus leitores com as implicações inevitáveis da visão incorreta sobre o mundo à parte do conhecimento e do relacionamento com seu criador. Seu intuito parece ser o de mostrar a vacuidade das coisas nelas mesmas, sem que o relacionamento saudável com o Senhor dê sentido a tudo mais. (Santos, Locais do Kindle 213-215).
Se, pelos olhos da fé, o homem não consegue olhar para acima do céu, para o Deus criador e salvador que a tudo dá sentido e significado, tudo que conhecerá na vida será “futilidade de futilidades”.
"DEBAIXO DO SOL"
Santos entende que "sua preocupação não é com a localização desse astro dentro do sistema solar ou em relação às galáxias, mas oferecer uma ideia equivalente à expressão “debaixo do céu” em Êxodo 17.14 e em Deuteronômio 7.24 e 9.14 , referindo-se a “este mundo”. [1] Assim, ele nos ajuda a olhar pela lente do homem que vive apenas pelo que vê e não pelo que está acima do Sol e do céu, a saber, o Deus criador de tudo e redentor daqueles que creem nele. A perspectiva que Salomão está abordando em seu livro é a do mundo “debaixo do Sol”, no qual o homem ignora a existência do Senhor ou simplesmente não se importa com ela, herdando do universo, com isso, uma mensagem vazia e insatisfatória". (Santos, Locais do Kindle 160-168).
Para Santos, a intenção do autor é chocar seus leitores com tal perspectiva, fazendo-os perceber que, do ponto de vista “debaixo do Sol” os mortos não têm mais parte nas coisas que ocorrem aqui e que há perdas irreparáveis quando se levam em conta apenas as coisas visíveis e palpáveis.(Santos, Locais do Kindle 190-192).
Tendo analisado as expressões, voltamos à pergunta feita pelo pregador: "que proveito em o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?" A pergunta é retória e exige um "nenhum" como resposta.
Santos diz que "Seu intuito parece ser o de mostrar a vacuidade das coisas nelas mesmas, sem que o relacionamento saudável com o Senhor dê sentido a tudo mais. (Santos, Locais do Kindle 368-369).
II) FALTA DE CONTRIBUIÇÃO (EC 1.4-11)
Por meio da observação inicial a conclusão chegada é confirmada pela aparente falta de contribuição do homem a um mundo que está irremediavelmente preso a ciclos enfadonhos (Ec 1.4-11)
O homem transitório vive em um mundo que permanece e apresenta de ciclos cansativos (Ec 1.4-8)
Ele dá um golpe no existencialista, especialmente àqueles que se acham importante, mostrando a sua transitoriedade.
O homem é frágil. Vai sofrer de dor de deus, sofrer acidente de trânsito; será assaltado; perderão parentes; será diagnosticado com alguma doença. Vai morrer (um pra um morre)
Ao contrastar a sucessão de gerações com a permanência da Terra, o autor quer tirar dos leitores qualquer tipo de pretensão de que suas vidas tenham em si importância atemporal e contínua. (Santos, Locais do Kindle 394-396).
O homem não oferece qualquer contribuição nova à vida (Ec 1.9-10)
a Terra e a natureza continuam seu curso constante sem qualquer alteração por causa dos homens, independente do que eles pensem de si. (Santos, Locais do Kindle 418-419).
É óbvio que não há nada errado com os ciclos que mantêm a criação. É a renovação diária dos recursos naturais que nos possibilita viver e que mantém a fauna, a flora, a sucessão das estações do ano e a produção de alimentos. Mas a repetição de voltas nos elementos da criação o Sol, os ventos e a água dos rios , mais do que observações científicas ou análises do que veem os nossos olhos, parece ser a tentativa do escritor de provocar certa sensação no leitor, uma sensação de pequenez e de transitoriedade em um mundo que existia antes dele e que continuará a existir normalmente depois de sua morte, sem sentir sua falta. Outro efeito de mencionar as sucessivas voltas do Sol no sentido Leste-Oeste, dos ventos no sentido Norte-Sul e das águas descendo e subindo morros é a sensação de monotonia. (Santos, Locais do Kindle 433-437).
O homem não alcança memória duradoura (Ec 1.11)
Quando olhamos para a história passada e percebemos que só conhecemos pequenos grãos daquilo que ela foi, temos nisso mais uma prova da futilidade da vida quando considerada completa em si mesma.
A conclusão que se pode tirar desse trecho inicial é que todo progresso que o homem julga conhecer ou promover é inexistente e vão, pois seu alcance é ínfimo na natureza, seu conhecimento completo é inatingível e suas conquistas são esquecidas nas gerações futuras, esvaziando-o de qualquer sentido ou valor duradouro. Mas o que o autor quer produzir com essa reflexão? Simplesmente desanimar seus leitores e tirar deles o prazer de viver? Não! Na verdade, ele tem propósitos bem maiores e nobres que esses. Porém, para atingi-los, é preciso, primeiro, que o leitor entenda qual é o resultado da perspectiva da vida apenas da visão existencialista, ateísta ou simplesmente de alguém que não se importa com Deus ou com aquilo que não vê, olhando apenas para as coisas “debaixo do Sol”. Se, pelos olhos da fé, o homem não consegue olhar para acima do Sol, para o Deus criador e salvador que a tudo dá sentido e significado, tudo que conhecerá na vida será “futilidade de futilidades”. Santos, Locais do Kindle 491-494).
III) RESUMO DA INVESTIGAÇÃO (EC 1.12-18)

Qohelet, nos versículos 1.12–18, apresenta um resumo de sua investigação e indica seu princípio direcionador. Seu escopo foi todo o campo do esforço (atividade) humano (1.13) e seu princípio direcionador foi a sabedoria (חָכְמָה, ḥoḵmâ, 1.13). Ele afirma que a vida se apresenta como uma série de paradoxos desprovidos de sentido (1.14,15) que mesmo a sabedoria humana sem paralelo não conseguiu resolver. Em última análise, sua capacidade de discernir e entender ideias e situações serviu apenas para torná-lo mais agudamente cônscio dos problemas insolúveis da vida.

Ele em sua busca multifacetada empreendida por Qohelet, sob a direção da sabedoria, resultou em frustração (Ec 1.12-18)
Eclesiastes B. 1.12–18— A Busca Pela Sabedoria Como a Nossa Resposta

se Salomão vai dar conselho, deve primeiro declarar suas qualificações para procurar a indagação proposta: “Que proveito (ou vantagem) tem o mortal nesta vida?”

Simplificando, suas qualificações incluíam:

• Ele vinha reinando (ou “fui rei”, como tempo passado, ou presente perfeito, “venho sendo rei”) sobre todo o Israel em Jerusalém (v. 12).

• Ele se aplicara diligentemente a responder essa questão (v. 13).

• Ele havia observado atentamente tudo o que se referia a essa questão (v. 14).

• Ele tinha alcançado mais sabedoria e conhecimento do que a maioria das pessoas (v. 16).

• Ele encontrou muita dor e pesar nas coisas tal como estavam (v. 17).

Conclusão:
"O homem moderno levanta poucas questões existenciais ― ele nem pensa nelas, pra dizer a verdade. Entretanto, nem tudo são flores. No mesmo ritmo em que cresce a busca por satisfação pessoal, cresce também a decepção de nunca viver tudo que se pode ― ou se imagina ―, nem obter tudo que se almeja. Não pensar sobre questões profundas da vida e dos seus significados não faz com que elas deixem de existir ou parem de ter implicações práticas na vida das pessoas". Santos, Thomas Tronco dos. O Caminho Acima do Céu: Comentário de Eclesiastes (Portuguese Edition) (Locais do Kindle 131-135). Redenção Publicações. Edição do Kindle.
Essa nova série em Eclesiástes tentará nos levar a vivermos uma vida protegida contra os raios solares desta vida "abaixo do Sol". Precisamos entender a necessidade de usarmos uma roupa UV. A roupa do UNICO VENCEDOR, Jesus, que vivendo neste mundo não foi queimado pelos seus devaneios, mas viveu em temor e obediência ao Pai celestial. Ele viveu acima do sol e não correu atrás do vento.
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