O Cinturão da Verdade (2)

A Luta e as Batalhas 2025  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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Apresenta o conceito de luta espiritual como a resistência às investidas dos poderes espirituais contra a credibilidade do amor de Deus.

Notes
Transcript

Introdução

Hoje daremos mais um passo na direção de compreender a luta espiritual que acontece por trás das dificuldades que enfrentamos todos os dias. No capítulo 6 Efésios, a partir de verso 10, Paulo revela as características de uma luta que acontece nos bastidores dos acontecimentos corriqueiros da vida. Convido você a ler comigo esse texto.
Efésios 6.10–17 NVI
10 Finalmente, fortaleçam-se no Senhor e no seu forte poder. 11 Vistam toda a armadura de Deus, para poderem ficar firmes contra as ciladas do Diabo, 12 pois a nossa luta não é contra seres humanos, mas contra os poderes e autoridades, contra os dominadores deste mundo de trevas, contra as forças espirituais do mal nas regiões celestiais. 13 Por isso, vistam toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e permanecer inabaláveis, depois de terem feito tudo. 14 Assim, mantenham-se firmes, cingindo-se com o cinto da verdade, vestindo a couraça da justiça 15 e tendo os pés calçados com a prontidão do evangelho da paz. 16 Além disso, usem o escudo da fé, com o qual vocês poderão apagar todas as setas inflamadas do Maligno. 17 Usem o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.
Essa luta acontece em uma dimensão espiritual que não é visível aos olhos humanos. Dela participam forças espirituais poderosíssimas que assumiram posições opostas sobre a seguinte pergunta: Deus é digno da minha confiança, da minha obediência e do meu amor?

O Motivo da Luta

Há milênios atrás esses poderes espirituais rebeldes, criados por Deus, decidiram não confiar na bondade dEle e carimbaram seus passaportes para uma eternidade distante do criador. Sua rebeldia os está conduzindo para uma existência sem propósito, porque a vida encontra seu propósito naquele que é o seu autor.
Ao decidirem não confiar no caráter do Autor da vida, essas forças espirituais (Paulo as chama de principados, potestades, dominadores do mundo das sombras e forças espirituais da maldade) selaram para si mesmas uma eternidade cheia de vazio existencial; porque não há nada que satisfaça, que dê sentido final à existência quando estamos longe do Autor da vida.
Quando alguém decide viver a vida de costas para Deus, como fizeram essas forças espirituais, algumas coisas acontecem:
(1) a vida perde gradativamente o seu propósito;
(2) ele associa seu destino eterno ao destino daquelas forças espirituais rebeldes;
(3) ele se torna exemplo vivo da acusação contra o caráter de Deus.
Por isso, a grande luta travada na dimensão espiritual é em torno da resposta de cada ser humano à mesma pergunta: Deus é digno da minha confiança, obediência e amor?

A Vitória de Cristo

A pergunta é intrigante. É possível experimentar o amor de Deus nesse mundo? É possível viver uma vida de confiança em Deus? Quem já foi vítima ou algoz da maldade humana, que brota feito erva daninha, é tentado a responder NÃO; não possível viver uma vida de confiança em Deus. A resposta tem fundamento prático e também encontra respaldo na Bíblia.
Romanos 3.10–18 BS:NVT
10 Como afirmam as Escrituras: “Ninguém é justo, nem um sequer. 11 Ninguém é sábio, ninguém busca a Deus. 12 Todos se desviaram, todos se tornaram inúteis. Ninguém faz o bem, nem um sequer.” 13 “Sua conversa é repulsiva, como o odor de um túmulo aberto; sua língua é cheia de mentiras.” “Veneno de serpentes goteja de seus lábios.” 14 “Sua boca é cheia de maldição e amargura.” 15 “Apressam-se em cometer homicídio; 16 por onde passam, deixam destruição e sofrimento. 17 Não sabem onde encontrar paz.” 18 “Não têm o menor temor de Deus.”
O que dizer dessas afirmações do apóstolo Paulo? Têm razão os principados e potestades? Se até as Escrituras reconhecem que o homem não tem em si mesmo recursos para viver uma vida que reflita a bondade de Deus, o que fazer?

Olhe para a cruz de Cristo!

Realmente estaríamos sem esperança se a Escritura não revelasse Jesus Cristo, o filho unigênito de Deus. Ele deixou sua condição de glória e submeteu-se às limitações humanas para provar que não apenas é possível, mas que vale a pena confiar em Deus. Falando sobre isso, o apóstolo Paulo se expressou assim:
Filipenses 2.6–8 NVI
6 que, embora sendo Deus, não considerou que o ser igual a Deus era algo a que devia apegar-se; 7 mas esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo, tornando-se semelhante aos homens. 8 E, sendo encontrado em forma humana, humilhou-se a si mesmo e foi obediente até a morte, e morte de cruz!
Diferente de nossa experiência e do senso comum, depois de se tornar uma ser humano como eu e você, Jesus viveu uma vida de plena confiança no Pai. O escritor de Hebreus se expressa assim falando sobre Jesus:
Hebreus 4.15 NVI
15 pois não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas, mas sim alguém que, como nós, passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado.
Por isso, a Bíblia diz que principados e potestades foram expostos à vergonha na cruz do calvário. Ali foi definitivamente provado que é possível ser novamente amigo de Deus. Não através da nossa força ou habilidade, mas pelo poder do Espírito de Deus. Para nós, que estávamos perdidos, mortos em nossos delitos e pecados, Deus providenciou salvação através da perfeição de Cristo Jesus.
A morte de Cristo pode evitar nossa morte e a vida perfeita de Jesus pode ser aplicada a nós, de maneira a restaurar nosso relacionamento com Ele. Essa possibilidade é um presente do próprio Deus, mas há um jeito certo de receber esse presente: pela fé.
Quando alguém percebe que está na direção errada, decide voltar-se para Deus e confiar nele, e pela fé aceita que a vida, morte e ressurreição de Cristo sejam aplicadas a sua vida, são quebradas as ligações com aquelas forças espirituais rebeldes. O seu destino eterno, que estava ligado ao destino delas, passa a ficar ligado para sempre ao destino eterno de Cristo Jesus.

Nos dias comuns

A luta pelo coração humano é espiritual, mas as batalhas dessa luta acontecem nos fatos corriqueiros de um dia comum e ensolarado.
Elas acontecem na igreja, na família, no trabalho, na escola, nas festas de aniversário, ao ser assaltado na porta de casa e na saída com os amigos; a luta é ao navegar na Internet, na conversa com uma vizinha e ao negociar qualquer coisa; acontecem na perda de um ente querido, na alegria de emprego novo, ao abastecer o carro e em frente a TV. É em cada simples momento da vida que nossa confiança em Deus é testada e precisa ser experimentada.

A Armadura de Deus

Como vimos antes, Paulo escreveu a carta aos irmãos de Éfeso quando estava preso, provavelmente vigiado por soldados romanos. E foi da armadura usada por aqueles soldados que ele retirou essa ilustração para explicar os recursos que Deus colocou a nossa disposição para nos defendermos nas batalhas de todo dia: a armadura de Deus.

Sua Atitude

Antes de começarmos a ver cada peça dessa roupa de guerra, vamos pensar um pouco sobre nossa atitude em relação a ela. Esse é um ponto importante porque ela não é mágica. Nossa atitude a respeito dela vai definir sua eficácia em nossas vidas
Efésios 6:13
...tomai toda a armadura de Deus (RA)
...usem cada peça da armadura de Deus (BV).
…vistam toda a armadura (NVT)

Usem

Nenhum soldado sairia para a guerra sem seus equipamentos. Não é sensato, porque é seria muito perigoso fazer isso. Por mais sofisticado sejam os recursos à nossa disposição, eles não valem nada se não forem usados. Isso vale para todas as peças.
Não existem palavras mágicas ou frases de efeito que substituam o uso da armadura. Não adianta evocar o poder da armadura e dizer que tem a força ou determinar que ninguém tem o direito de lhe tocar. É preciso usar a armadura. Não adianta esbravejar contra o inimigo, xingá-lo ou amaldiçoá-lo, tem que vestir a roupa de guerra.
Veja só: se você encontrar um soldado sem a sua armadura no meio de uma guerra, existem algumas possibilidades para isso:
É possível que ele seja um novato e precise ser ensinado sobre a existência da armadura;
É possível que ele não tenha sido bem treinado e precise ser melhor orientado sobre como usá-la;
Ou pode ser um soldado antigo e arrogante, que esqueceu porque estava lutando, perdeu o gosto pela vida e gasta seus dias falando mal da comida e do desconforto do campo de batalha.
Portanto precisamos usar os recursos que Deus colocou à nossa disposição. Ou usamos ou seremos mortalmente feridos na batalha.

Toda

Mas não adianta se usar apenas algumas peças deixar outras de lado. Deus preparou uma armadura completa. Cada peça tem sua utilidade e todas são imprescindíveis. Um soldado bem treinado não se deixa enganar pelas histórias mentirosas de que a armadura é pesada demais ou de que algumas peças se tornaram antiquadas. Ele sabe que a proteção só é completa quando toda a armadura é usada.
As peças dessa armadura são: um cinturão, uma couraça, sandálias, um escudo, um capacete e uma espada. A partir de hoje vamos aprender sobre cada peça dessa maravilhosa armadura que Ele nos Deus fazendo três perguntas:
(1) A que se destina cada peça?
(2) Como deve ser usada?
(3) É possível usá-las no dia-a-dia?

O Cinturão da Verdade

A primeira peça da armadura é um cinturão. O cinturão da verdade. Pode parecer estranho que a armadura de Deus comece um cinto, não? Ele não se parece com uma arma. De fato não é um arma, ainda assim o cinturão era indispensável para o soldado romano, assim com a verdade é para nós.
O cinto dos soldados romanos era uma peça larga e forte que rodeava a cintura, servindo para prender a armadura, ajustando-a em volta do corpo, e segurar a espada, sendo responsável pela estrutura e sustentação de toda a armadura. O cinto também firmava o corpo do soldado, dando-lhe segurança ao caminhar ou lutar. Ele era apoiado pelo ombro direito e passava atravessado sobre o peito, pois a espada ficava normalmente no quadril esquerdo. O cinturão era uma peça estratégica.
Em uma das versões que lemos diz que devemos nos cingir com o cinturão da verdade, mas a maioria de nós não sabe o que é isso. A NVT fala que devemos usar o cinto da verdade, mas não explica nada mais que isso. Pela descrição, o cinto usado pelos soldados romanos era semelhante a um cinto de segurança: passava pela cintura por cima do ombro, como que abraçando o corpo do soldado e lhe dando segurança nos movimento, ao mesmo tempo que sustentava o restante da armadura.
Era preciso algo que desse sustentação à armadura. É preciso algo que nos dê segurança para viver e sustente todo o resto. Esse algo é a verdade.
Mas a verdade tem perdido espaço no coração e na alma do homem. O que está em alta é o fake. Muita gente não está preocupada se é verdade ou não; o importante é fortalecer meu argumento… político, religioso, acadêmico, relacional…
Tudo é relativo, dizem alguns, e a verdade é uma questão de ponto de vista. O vazio deixado pela expulsão da verdade tem destruído relacionamentos, pessoas e a própria vida. Na ausência da verdade, tudo o mais se torna uma questão de gosto próprio e cada um tem o direito de fazer o que quiser.
Jesus fez uma das afirmações mais ousadas da história.
João 14.6 NVI
6 Respondeu Jesus: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai, a não ser por mim.
Então, verdade não só existe, mas tornou-se viva na pessoa do filho de Deus. Jesus, a verdade feita gente, ao orar pelos seus discípulos, e por nós, pediu a Deus que fôssemos santificados na verdade e orando ao Pai disse: a tua palavra é a verdade.
João 17.17 NVI
17 Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade.
Jesus é a verdade e a sua palavra é a verdade. Por isso, para usar a armadura de Deus precisamos nos deixar abraçar pela verdade. A Palavra de Deus precisa ser a sustentação da nossa vida. A pessoa de Jesus (seu caráter e sua visão de mundo) precisa ser a base de nossos comportamentos. É preciso enxergar a vida pelos olhos de Cristo e apropriar-se dessa visão como sendo a sua própria. Isso é cingir-se da verdade. Isso é usar o cinto da verdade.
Quando a vida está estruturada na verdade, a gente se tornar mais ágil para as batalhas, porque a verdade nos faz andar com segurança.
Ninguém que um pouco das implicações eternas dessa luta, como nós temos visto aqui, pode abrir mão da verdade. Não podemos abrir mão de Jesus e de Sua Palavra. O preço de abandoná-lo é perceber, cedo ou tarde, que a vida perdeu o sentido e que você se tornou um náufrago em um mar de insegurança e medo.

As batalhas

Penso que ao ao falar do cinturão da verdade, Paulo não perdeu de vista também que o inimigo de Deus nessa luta espiritual, Satanás, foi chamado pelo próprio Jesus como o pai da mentira.
João 8.44 (NVI)
44 “Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira.
Por isso quem se cinge da verdade e se deixa envolver por Jesus e sua Palavra, deve zelar por uma vida pautada na verdade, em oposição ao pai da mentira. E a decisão pela verdade com um modo de vida é tomada a todo momento.
Você atende ao telefone no escritório e o outro pede para que você diga que ele não está (uma mentira branca, como se diz por aí);
O estágio na empresa é para jovens carentes, mas o empregado arranja uma vaga para o sobrinho com uma pequena mentira;
A aposentaria era para filhas solteiras, por isso ela nunca teve uma certidão de casamento e arrastou uma mentira por toda a vida;
O aluno não estudou, mas tirou dez na prova. Um pedaço de papel no bolso da calça ajudou na mentira;
A esposa mente ao marido sobre a qualidade da vida sexual do casal porque tem medo da reação dele;
O marido navega madrugada a dentro em sites pornográficos, mas jura de pés juntos que estava fazendo pesquisas para o trabalho;
Na igreja, um irmão se sentiu ferido com a atitude de outro, mas mente domingo após domingo com um sorriso no rosto e a paz do Senhor;
O patrão não paga um salário justo e explica mentindo sobre a situação da empresa;
O empregado faz de conta de trabalha e mente para quem lhe paga um salário pra trabalhar;
A filha saiu com o namorado, mas mente aos pais com medo do que eles vão dizer;
Homens públicos, que deveriam ocupar-se com a boa administração dos recursos da comunidade, mentem dizendo fazer o que nunca fizeram.
É em situações com essas e tantas outra que o cinturão da verdade nos deixará seguros sobre como agir. Quando ganhamos essas batalhas pelo poder de Deus, principados e potestades são humilhados e a luta espiritual é vencida. É a nossa confiança na bondade de Deus demonstrada em Jesus que nos ajuda a insistir na verdade como um modo de vida.
A mentira pode evitar desconfortos, constrangimentos ou até esconder algo de que nos envergonhamos, mas ela gera em nós medo e insegurança. Ela é uma bomba relógio que mais cedo ou mais tarde vai explodir e ferir muita gente. Mas você não precisa esperar até que ela venha a explodir. Você pode desarmar essa bomba confessando a mentira e pedindo perdão. Não é fácil, mas é o único caminho para desarmar a bomba.
Sua primeira confissão deve ser a Deus, porque ele foi o primeiro a ser ofendido quando você mentiu. Depois, você precisa pedir sabedoria a Deus quanto ao tempo e o modo de confessar sua mentira às pessoas envolvidas. O desafio pode parecer intransponível, mas é digno da nossa vocação e está à altura do tudo o que Cristo fez por nós na cruz.
A mentira aprisiona, mas a verdade liberta. Jesus disse “conhecereis a verdade e Ela vos libertará” (Jo. 8:32) e ainda “Se o filho vos libertar, sereis realmente livres” (Jo. 8:36).
João 8.32 NVI
32 E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
João 8.36 NVI
36 Portanto, se o Filho os libertar, vocês de fato serão livres.
A roupa de guerra que Deus preparou para nós começa com a Verdade.
Cinja-se da verdade! Ajuste o cinto e declare diante de principados e potestades que a sua vida pertence àquele que é a verdade! Jesus.
Cinja-se da verdade! Ajuste o cinto e experimente a segurança que há em Jesus.
Cinja-se da verdade! Ajuste o cinto e você vai estar pronto para usar as demais peças da armadura de Deus.
Que ele nos abençoe.
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