DE VOLTA A BETEL
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DE VOLTA A BETEL
“E esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Deus; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gênesis 28:22).
A Bíblia contém muitas promessas. Para muitos, elas são a parte mais bonita das Sagradas Escrituras. Precisamos dessas promessas porque, por meio delas, nossa fé é fortalecida. Qual é a promessa mais importante da Bíblia para você?
E uma das promessas mais importante da bíblia nós a encontramos de forma explícita pela primeira vez em Gênesis 28:15, e é: “Eis que estou contigo”. Não é dirigida a uma pessoa que, em nossa opinião, a mereça. Deus fala com aquele que enganou seu irmão, mentiu para seu pai e, constrangido pelo ódio de seu irmão, tornou-se um fugitivo. Seu nome é Jacó, que significa “o enganador”. A Bíblia chama isso de graça; é o que todos nós precisamos.
II – BETEL, PONTO DE ENCONTRO COM DEUS
Jacó deixou Berseba, o lugar da ira e vingança de seu irmão Esaú, por Harã (Gn 28:10). Lá, ele seria enganado e explorado por Labão. Atrás estava a ameaça, e à frente estava o desconhecido. A estrada era longa, cerca de 800 km e, nas condições da época, demorava cerca de um mês. A Bíblia não fala sobre tudo o que aconteceu durante esse tempo, mas apresenta a experiência de uma única noite que mudou a vida de Jacó.
O avô de Jacó, Abraão, havia viajado por essa estrada cerca de 125 anos antes, mas na direção oposta, chegando à Terra Prometida. Existem muitas outras diferenças entre Abraão e Jacó. Abraão estava com sua família, servos e muita riqueza, mas Jacó estava sozinho e sem qualquer apoio material. Mas, começando com esta noite, eles têm algo em comum, as promessas de Deus: a Terra Prometida, muitos descendentes e a bênção que incluiria todas as famílias da Terra. Jacó não esperava que Deus falasse com ele pessoalmente, principalmente sob tais circunstâncias. Ele tinha 15 anos quando Abraão morreu e certamente teve a oportunidade de aprender muito sobre o Deus de seu avô e pai.
É o primeiro encontro de Jacó com Deus; ele ouve a voz de Deus pela primeira vez. A escada que chega ao céu desceu até o lugar onde ele estava. A palavra “lugar” domina toda a narrativa (Gn 28.12, 16, 17, 19), não é apenas uma localização geográfica. É o lugar que marcou a vida de Jacó para sempre; é a “porta do céu”. Embora fosse apenas um sonho, esse sonho o acordou. As palavras ditas por Jacó, “O Senhor está neste lugar e eu não sabia”, apontam para sua maior revelação. Deus pode falar conosco de muitas maneiras e podemos não saber disso. Jacó precisava de proteção e Deus prometeu estar com ele. Ele precisava de perdão e descobriu a escada em que os anjos subiam e desciam. A imagem dessa escada aponta para Aquele que desce, Jesus Cristo, para “tirar o pecado do mundo” (Jo 1:29). Não se refere de forma alguma ao seu passado, apenas ao futuro (Gn 28:13-15). Nessa narrativa esplêndida, a revelação de Deus é paralela à resposta de Jacó (Gn. 28:18-22).
A resposta é chamada de adoração. Ninguém pode definir precisamente o que é adoração; nem a Bíblia define. Adoração, a maior necessidade e experiência mais profunda da humanidade, não pode ser definida, mas apenas experimentada. É atitude, ação, obediência, espanto, medo, alegria, celebração, mistério, vida, dedicação — isso é tudo. Cada dimensão da vida é tocada pela adoração. A adoração transforma vidas. O diabo não precisa de nossos bens; ele só quer uma coisa de nós: nossa adoração. O último livro da Bíblia, Apocalipse, nos diz que a adoração será o objeto final do grande conflito entre o bem e o mal (Ap 13:8).
Somos convidados a caminhar com Jacó neste espaço e experimentar a adoração verdadeira.
III – VOTOS NO LOCAL DE ADORAÇÃO
É impossível encontrar Deus, experimentar a adoração e permanecer o mesmo. Até agora, a vida de Jacó foi marcada por fracassos. O lugar aonde ele chegou e passou a noite estava dominado pela escuridão. Ellen White descreve o estado interior de Jacó, que também estava carregado de trevas: “Sentia-se como um rejeitado; e sabia que toda esta inquietação fora trazida sobre ele pelo seu próprio procedimento errado. As trevas do desespero oprimiam-lhe a alma, e atrevia-se dificilmente a orar. Mas achava-se tão completamente só que sentiu necessidade da proteção de Deus, como nunca antes a sentira. Com pranto e profunda humilhação confessou seu pecado, e rogou uma prova de que ele não estava inteiramente abandonado” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 126.).
Depois que Deus fala com ele, vemos um Jacó diferente. Oprimido pelas promessas de Deus, pela grandeza de Sua presença, ele responde a Deus com um voto. É o primeiro voto que encontramos na Bíblia e é baseado no que Deus já prometeu. Jacó não faz nada de novo, mas repete as promessas de Deus em uma escala muito menor, contente apenas com as necessidades básicas da vida e a certeza de voltar para casa em paz. Ele diz: “Se Deus estiver comigo, cuidar de mim nesta viagem que estou fazendo, prover-me de comida e roupa, e levar-me de volta em segurança à casa de meu pai, então o Senhor será o meu Deus” (Gn 28:20, 21).
Nesse voto, Jacó promete a Deus três coisas: primeiro, sua total lealdade a Ele. O compromisso de Jacó, no qual ele promete colocar Deus em primeiro lugar em sua vida, inclui o fato de que neste mundo de pecado, isso não pode ser realizado sem determinação e luta. É uma escolha que deve ser renovada a cada dia, e a biografia da vida de Jacó demonstra essa verdade.
O segundo elemento da adoração é a “pedra”, que representa o lugar para ser a casa de Deus. Uma coisa comum, que primeiro serviu como travesseiro e foi regada com lágrimas. Então, ela se tornou um monumento de lembrança e a “casa de Deus”. Sobre esta pedra, Jacó derramou óleo, um símbolo de dedicação. O local de culto público, as casas de oração, deve ser respeitado e apreciado hoje também. Perto dali ficava a cidade da Luz, mas ela perdeu seu significado por causa da glória de Betel. As casas de oração devem ser os edifícios mais limpos e bonitos, e o culto deve ser adequado a um lugar onde os anjos sobem e descem.
O terceiro elemento da adoração é o dízimo que Jacó prometeu ser “de tudo” que Deus lhe desse (versículo 22). Jacó não concebia adoração sem dar. Davi pensou a mesma coisa quando disse a Ornã: “Não, antes, pelo seu valor, a quero comprar; porque não tomarei o que é teu, para o SENHOR, para que não ofereça holocausto sem custo” (1Cr 21:24). A verdadeira adoração sempre custa. Se há quem considere que não custa, não sabe o que é culto. Se quisermos ver quanto custa a adoração, vamos dar uma olhada no Gólgota. Nossa adoração custou tudo a Deus. Ele é a “escada” que Jacó viu descendo do céu. Ellen White, comentando a promessa de Jacó, não pode deixar de dizer com espanto: “Dízimos para Cristo! Oh... mesquinha esmola, vergonhosa recompensa daquilo que tanto custou! Da cruz do Calvário Cristo pede uma consagração sem reservas. Tudo que temos, tudo que somos, deve ser dedicado a Deus” (Ellen G. White, Patriarcas e Profetas, p. 128.) Isso meus amados é MEU TUDO EM RESPOSTA AO TUDO DE DEUS.
Certa vez ouvir alguém disser que tudo o que precisamos saber sobre Deus, sobre homens e mulheres e sobre a salvação se encontra no livro de Gênesis. Aqui está outro aspecto que não podemos ignorar. Muitos não entendem por que Deus instituiu o sistema de dízimos. Eles têm a impressão de que o único motivo é apoiar a igreja e sua missão. Quando Jacó prometeu ser fiel no dízimo, não havia igreja organizada, nem pastores, nem instituições evangelísticas. O princípio do dízimo já existia antes mesmo de o primeiro homem e a primeira mulher caírem em pecado (Gn 2:16, 17). A prática do sistema de dízimos começou com Adão e, portanto, era parte da experiência de Abraão (Gn 14:20). O princípio do dízimo não foi instituído para levantar fundos, mas para proteger os humanos da tentação mais insidiosa: esquecer quem é o verdadeiro Dono. Teoricamente, aceitamos que tudo pertence a Deus, mas muitas vezes, na prática, não é assim, nos consideramos donos de tudo. Quando isso se torna realidade, tudo muda na vida. Alguns se perguntam, porém, a quem Jacó devolveu o dízimo? Você sabe? A resposta é simples e deve ser lembrada por qualquer adorador: ele a devolveu a Deus! Sempre devolvemos nossos dízimos a Deus. O fato de que Deus mais tarde o estabeleceu para ser usado no templo (Nm 18:24) e para espalhar o evangelho (1Cr 9:13), mas esse é outro assunto, porém Deus é o seu verdadeiro Dono. O dízimo tem a função de colocar ordem em nosso mundo material, colocando Deus em primeiro lugar de forma prática e tangível, assim como o sábado tem a função de colocar ordem na administração do tempo. Ambas as instituições têm o papel de nos proteger da idolatria. Ambos pertencem a Deus; ambos são sagrados; ambos expressam nossa dependência de Deus; e ambos nos lembram que Deus é a fonte de todas as bênçãos.
V – VOTO DE RENOVAÇÃO
Cada um de nós, como Jacó, passa por momentos em que prometemos a Deus a consagração e a fidelidade em todas as áreas da vida. Mas, como já mencionamos, para preservar nossa consagração, precisamos de vigilância, determinação e luta diária. Deus estava com Jacó, mas isso não significa que ele estava livre de problemas, angústia e até mesmo fracasso. É por isso que Jacó teve que passar por uma nova experiência. A agonia de outra noite, quando Deus, vestindo um corpo humano, desce para estar com ele. Aqui vemos novamente como é difícil para nós abrir mão do controle de nossas vidas e deixar que Deus seja seu Mestre. Existem tantos paradoxos nessa história única.
Primeiro, por que o Deus Todo-Poderoso lutou a noite toda com Jacó, um punhado de pó, e não pôde derrota-lo (Gn 32:24, 25). Foi preciso um toque sobrenatural para que Jacó desistisse, e sua derrota se tornou uma vitória (Gn 32:28). Depois de encontrar Deus, encontrar Esaú se tornou uma das experiências mais bonitas e emocionantes de sua vida. O verdadeiro problema não estava fora dele, e não era Esaú. Era deixar Deus ser o líder de sua vida.
Existem muitas lições para nós na biografia de Jacó, mas vamos parar em apenas mais um episódio. O capítulo 35 do livro de Gênesis é mais uma vez triste. Quando olhamos para a família de Jacó, descobrimos que todas as piores coisas deste mundo estavam acontecendo nesta família. Ver sua única filha sendo zombada, sendo enganada por seus filhos e a crueldade manifestada em Siquém mostra o verdadeiro caráter dos irmãos. Jacó ficou horrorizado ao ver rebanhos de animais entrando em seu quintal, crianças chorando e esposas gritando. Houve uma nova crise na vida de Jacó. Ao mesmo tempo, vemos Deus lutando por Sua graça para trazer transformação e mudança para esta família que se tornaria Seu povo.
É por isso que Deus interveio e falou a Jacó novamente: “Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu, quando fugiste da face de Esaú teu irmão” (Gn 35:1). Por que em Betel? Betel domina todo o capítulo novamente, é o lugar onde Deus foi revelado a ele pela primeira vez, é o lugar onde Jacó fez o primeiro voto de sua vida a Deus. Lá, Deus prometeu: “Eu estarei com você”. Dez anos se passaram desde que Jacó voltou à terra de Canaã (30 anos depois de sair de casa), mas ele parou em Siquém, talvez se esquecendo de Betel. Retornar a Betel envolveu um trabalho menos agradável. Jacó sabia que as coisas não estavam bem em sua família, mas ele as tolerava. Até agora, ele sempre ia sozinho ao encontro de Deus, mas dessa vez ele se recusou a fazê-lo. Ele percebeu que estava perdendo sua família, por isso sua coragem dessa vez foi sem precedentes e exigiu que todos participassem desse evento. Ele sabia que a adoração requer renúncia, limpeza e consagração, então ele ordenou: “Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes” (Gn 35: 2).
A idolatria nos impede de colocar Deus em primeiro lugar. E dar o dízimo e sacrificar-se pela casa de Deus, que é o local de adoração, são formas tangíveis de colocá-lo nesse lugar que deve pertencer somente a Ele. Podem ser os ídolos do materialismo, egoísmo, ego ou qualquer outra forma. Mas não nos esqueçamos: ídolos destroem nossas vidas e famílias. Eles são cruéis. Eles exigem tudo de nós e não nos oferecem nada em troca. Jacó teve a coragem de dizer que não queria mais essas coisas. Os ídolos foram enterrados sob o carvalho perto de Siquém (Gn. 35:4). Chegando a Betel, ele construiu o altar, preparou o sacrifício e reuniu sua família ao redor do altar. O sermão que Jacó proferiu ali não pôde ser esquecido por ninguém, pois estava ancorado na experiência de sua vida. Ele disse: “Este é o lugar onde Deus falou comigo pela primeira vez; Ele prometeu estar comigo e cumpriu Sua palavra”.
Deus sempre mantém Sua palavra. Esse era o caso, e é o mesmo hoje. O problema não está com Deus; está conosco. Jacó admitiu que houve atrasos em seu compromisso, mas quis uma nova consagração, dessa vez de toda a sua família. Estamos falando sobre reavivamento e reforma, e quanto a igreja precisa disso. Se houve um dia em nossas vidas em que prometemos fidelidade e consagração, agora é a hora de renovar esse voto. É hora de voltar ao Betel dos nossos primórdios.
APELO
Esses são os três aspectos essenciais do compromisso: Deus em primeiro lugar, a casa de Deus ou Sua igreja local ou mundial e a fidelidade no dízimo. Se queremos uma mudança em nossas vidas pela primeira vez, não esqueçamos a experiência de Jacó. Deus está pronto para perdoar o passado e nos dar um novo começo. Betel é o lugar de novos começos, bem como o lugar de renovação da nossa consagração. O dia dessa experiência é hoje.
