O Bom Samaritano

As Parábolas de Jesus  •  Sermon  •  Submitted
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Texto

Lucas 10.25–37 RA
25 E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna? 26 Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? 27 A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. 28 Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás. 29 Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo? 30 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto. 31 Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo. 32 Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo. 33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele. 35 No dia seguinte, tirou dois denários e os entregou ao hospedeiro, dizendo: Cuida deste homem, e, se alguma coisa gastares a mais, eu to indenizarei quando voltar. 36 Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores? 37 Respondeu-lhe o intérprete da Lei: O que usou de misericórdia para com ele. Então, lhe disse: Vai e procede tu de igual modo.

Introdução

Você talvez nunca tenha ouvido falar da história trágica de Jannie VanVelkinburgh. Em 18 de novembro de 1997, um skinhead chamado Nathan Thill assassinou um Oumar Dia, pelo simples fato de Omar ser negro. Jannie tentou intervir na situação e acabou baleada, como resultado dos ferimentos, Jannie ficou tetraplégica, tendo que viver sob constantes dores até que em 23 de julho de 2002 foi encontrada morta. O laudo diz que Jannie morreu de overdose.
No dia 6 de setembro de 2015, um homem abordou uma mulher dentro da catedral da Sé, em Sp. O homem levou a mulher pra fora ameaçando-a com uma arma, a polícia se posicionou mas o homem mantinha a mulher sob a mira da arma. Francisco Erasmo Rodrigues de Lima, morador de rua de 61 anos se aproxima por trás do homem armado. Se lança sobre o homem, consegue salvar a mulher mas é atingido por dois tiros e morre na hora.
O que essas histórias tem em comum? Acho que está evidente que são duas pessoas que se arriscam, e nesse caso, o risco que correram trouxe consequências terríveis, mas se arriscaram para ajudar alguém necessitado, num momento de vulnerabilidade. O texto que vamos ver nessa noite fala um pouco disso, Jesus vai contar uma parábola que vai ensinar muito para seus ouvintes originais e claro, ensinará muito a nós nessa noite.
E nossa história começa assim:
Lucas 10.25 RA
25 E eis que certo homem, intérprete da Lei, se levantou com o intuito de pôr Jesus à prova e disse-lhe: Mestre, que farei para herdar a vida eterna?
Um intérprete da Lei, ou seja, alguém habilidoso no sentido de interpretar os textos faz uma pergunta a Jesus. Mas note que o texto é claro ao dizer que tal pergunta tem a intenção de “Pôr Jesus à prova”, ou seja, ele quer testar a capacidade interpretativa do Senhor. Podemos dizer que ele está fazendo uma armadilha para testar Jesus.
O detalhe é que a pergunta que ele faz, é uma pergunta que costumeiramente nós vemos as pessoas fazendo a Jesus. São vários os casos de gente querendo saber o que devem fazer para serem salvos, ou para herdar o reino de Deus, ou herdar a vida eterna.
Lucas 10.26–27 RA
26 Então, Jesus lhe perguntou: Que está escrito na Lei? Como interpretas? 27 A isto ele respondeu: Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todas as tuas forças e de todo o teu entendimento; e: Amarás o teu próximo como a ti mesmo.
A resposta de Jesus direciona o homem exatamente para o campo de especialidade dele. Aos moldes dos rabinos, Jesus responde à pergunta com outra pergunta. E sentindo-se em terreno seguro o homem prontamente responde: “Amar a Deus, de todo o coração, de toda a alma, com todas as forças e de todo o teu entendimento. Junto a isso amar também ao próximo como a ti mesmo”.
A resposta não tinha como ter sido melhor, era exatamente isso que deveria ser feito. (A questão é: Quem consegue fazer isso, para assim então ser salvo?) Mas, a resposta está correta. Jesus então fecha a questão: Lc 10.28 “28 Então, Jesus lhe disse: Respondeste corretamente; faze isto e viverás.”
Perceba, a primeira questão do texto está respondida. A pergunta lá em cima era: “o que fazer?”. A resposta de Jesus nesta última parte foi: “faze isto”.
Mas o texto segue, e é interessante perceber que o autor coloca um motivo pelo qual virá a próxima pergunta, veja: Lc 10.29 “29 Ele, porém, querendo justificar-se, perguntou a Jesus: Quem é o meu próximo?”. Perceba que o texto deixa claro que o motivo da pergunta não é somente a informação, ele quer “justificar-se”.
Está muito claro para o homem quem é Deus, e o dever de amar a Deus. No entanto, o que o inquieta é a questão do próximo. Quem é o meu próximo? Como cumprir o mandamento do amor ao próximo? A quem quem direcionar esse amor?
William Hendriksen comentando esse texto afirma o seguinte: “Sobre isso havia uma grande variedade de opiniões entre os judeus. Havia quem pervertia o mandamento de Levítico 19.18, fazendo-o dizer: “Amará ao seu próximo e aborrecerá ao seu inimigo”. Jesus refuta essa interpretação em Mateus 5.43–48. Um ponto de vista amplamente aceito parece ter sido este: “Ame ao seu próximo, o israelita”. Não obstante, os fariseus restringiam isso muito mais, ou seja: “Ame ao seu próximo, o fariseu”. Eles arrazoavam assim: “Essa plebe que não conhece a lei é maldita” (Jo 7.49). E os habitantes de Qumran declaravam que todo aquele que não pertencesse ao seu pequeno grupo era um “filho das trevas”, e devia ser odiado. Daí tornar-se evidente que, com a pergunta: “E quem é o meu próximo?”, o especialista na lei tentava tranquilizar sua própria consciência e embaraçar Jesus”.
O homem está buscando uma aprovação de sua conduta, para tranquilizar sua própria consciência e poder afirmar então que fazia tudo o que era necessário para ser salvo, logo, ele era um salvo. O problema reside na forma como eles interpretava a questão do “próximo”. Se “próximo” for somente quem faz parte do meu clã religioso e familiar é muito fácil cumprir esse mandamento. Se “próximo” se refere somente a quem pensa igual a mim, então fica fácil cumprir esse mandamento. Se “próximo” se refere a somente quem tem a mesma posição política que eu, então fica fácil cumprir esse mandamento. E é isso que ele espera ouvir, por isso o texto afirma que ele queria “Justificar-se”.
Como a pergunta agora é outra, Jesus vai responder de uma forma diferente. Ele sai da proposição e passa a comparação, pra isso ele vai contar uma parábola, no final da parábola novamente ele vai fazer uma pergunta pra consolidar aquilo que ele está ensinando.
Lucas 10.30 RA
30 Jesus prosseguiu, dizendo: Certo homem descia de Jerusalém para Jericó e veio a cair em mãos de salteadores, os quais, depois de tudo lhe roubarem e lhe causarem muitos ferimentos, retiraram-se, deixando-o semimorto.
O caminho de Jerusalém para Jericó era um caminho de aproximadamente 27km. Havia uns trechos bem íngremes onde os assaltantes se espreitavam para atacar pessoas vulneráveis. Não somos informados sobre quem é o homem, se é um judeu, um egípcio, um romano, etc. Fato é que alguém está trafegando naquela rota, e é atacado por ladrões. Ele é roubado, espancado e deixado nu, como se estivesse morto.
Lucas 10.31 RA
31 Casualmente, descia um sacerdote por aquele mesmo caminho e, vendo-o, passou de largo.
Um sacerdote passava pelo mesmo caminho. Imagina-se que nesse ponto da explicação de Jesus, muitos ouvintes judeus, nacionalistas, etc., pressupunham que o sacerdote de pronto ajudaria aquele homem. Mas Jesus afirma que o sacerdote “passou de largo”. Ou, como diz a Almeida 21, “passou longe”.
Aqui a gente já visualiza o malabarismo que alguns dos ouvintes podem ter feito mentalmente, para justificar o motivo pelo qual o sacerdote passou longe. Talvez o medo de parar pra ajudar e ser igualmente atacado. Ou talvez, as restrições que ali colocava ao sacerdote que tivesse contato com um cadáver. Se o sacerdote tivesse contato com um cadáver se tornaria impuro, e estando impuro não poderia oficiar. Então muitos devem ter “justificado” a escusa do sacerdote.
Lucas 10.32 RA
32 Semelhantemente, um levita descia por aquele lugar e, vendo-o, também passou de largo.
Agora os ouvintes de Jesus são informados de que um Levita passava. Provavelmente de pronto pensaram que o levita, por talvez ter menos responsabilidades em relação às responsabilidades do sacerdote iria para. Mas, segundo Jesus, o levita também passou de longe. As mesmas desculpas usadas para ‘justificar” a atitude do sacerdote cabem à atitude do levita.
Craig Blomberg afirma uma coisa que nos faz refletir um pouco: “Por mais paradoxal que possa parecer, a religião muitas vezes nos impede de demonstrar a compaixão de Deus pelas pessoas. Mas para Jesus isso não é desculpa!”.
Essa declaração de Blomberg faz todo o sentido. Tanto o sacerdote quanto o levita podem ter suas atitudes “desculpadas” por causa dos compromissos religiosos, e isso é um problema, pois a mesma lei que estabeleceu as obrigações do sacerdote e do levita, também estabelece o amor a Deus e ao próximo como sendo prioritários. E algumas pessoas tem dificuldade de entender isso.
Aplicação: Existe a lei de Deus, mas dentro da própria lei existem casos onde uma coisa é prioritária à outra. Por não entender isso muitas pessoas estão fazendo interpretações equivocadas, colocando pecado onde Deus não coloca. Entendendo serem mais sábias do que Deus e com suas tradições humanas invalidam a Palavra de Deus para seguirem suas próprias tradições. Enquanto isso, as pessoas que deveriam ser o alvo do amor, da compaixão e do auxílio dos crentes, são alvo apenas da Lei fria que condena e esconde a graça perdoadora e reconciliadora de Cristo.
Quantos estão sendo jogados pra fora por causa de uma rigidez que não provém de Deus?
Quantos estão sendo deixados à beira do caminho por causa de leis que não provém de Deus?
E é óbvio que eu não estou dizendo que nós vamos abrir mão da verdade que a Palavra de Deus nos escancara sob o argumento do amor. Claro que não. Pecado é pecado, erro é erro e deve ser abandonado. Quem quer servir a Cristo tem que primeiramente abrir mão de si mesmo e não existe aquela história de “Deus te ama do seu jeito”. Se Deus te amasse do seu jeito a Bíblia não utilizaria termos como: “nova criatura”, “nascer de novo”, “velho homem”, etc.. (Lc 3.10-14
Lucas 3.10–14 RA
10 Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer? 11 Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver comida, faça o mesmo. 12 Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que havemos de fazer? 13 Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado. 14 Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo.
Mas o problema que eu estou pontuando baseado nessa parábola de Jesus, é que esperamos que as pessoas venham prontas, santas e perfeitas. E se existe algo nelas que não se enquadra nas nossas regras denominacionais nós as excluímos de nosso grupo, ou então dizemos: “ você ainda não está pronto para se juntar a nós”. Esse é o problema!
A situação é tão complicada que se Jesus e os apóstolos fossem submetidos a muitos concílios e regras que as denominações colocam, fato é que nenhum deles passariam, pois os critérios que as pessoas estabelecem vão muito além do que os que o próprio Deus estabeleceu.
Já pensou: Jesus indo às igrejas que pregam a guarda exclusiva do domingo? E Jesus de repente cura alguém de uma doença no domingo. Ele seria expulso!
Ou então, Paulo sendo submetido a um concílio e afirmasse: “Eu fugi das autoridades”. A idolatria ao estado é tão grande de alguns nichos que muitos diriam: “Você não é apto, você quebrou o mandato civil”.
Novamente, parafraseando Craig Blomberg: “As denominações muitas vezes nos impede de demonstrar a compaixão de Deus pelas pessoas”.
Lucas 10.33–34 RA
33 Certo samaritano, que seguia o seu caminho, passou-lhe perto e, vendo-o, compadeceu-se dele. 34 E, chegando-se, pensou-lhe os ferimentos, aplicando-lhes óleo e vinho; e, colocando-o sobre o seu próprio animal, levou-o para uma hospedaria e tratou dele.
Essa é a parte embaraçosa da parábola. Havia uma inimizado histórica entre os samaritanos e os judeus. Os samaritanos são uma espécie de hebreus mestiços com outros povos. Em 722 a.C o Império Assírio levou cativo todo os israelitas do norte. Eles então trazem pessoas de outras partes do império, não israelitas, para habitarem aquele local. Algumas mortes misteriosas começa a acontecer, com isso o povo que habitava a terra pede que fossem enviados pessoas daquele local para habitarem ali e, segundo a fala deles, “acalmar” a divindade do local. Então o Império envia israelitas para lá que se casam com os estrangeiros. Dando assim origem ao povo samaritano. Os judeus nunca reconheceram os samaritanos como parentes, por essa origem mista. Aí então a rixa começa.
A coisa era tão grave que uma forma de insultar alguém era chamá-lo de samaritano. Os judeus inclusive, fizeram isso com Jesus. Jo 8.48 “48 Responderam, pois, os judeus e lhe disseram: Porventura, não temos razão em dizer que és samaritano e tens demônio?”
Jo 4.9 “9 Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)?”
A rixa existia também por parte dos samaritanos, veja: Lc 9.52-53 “52 e enviou mensageiros que o antecedessem. Indo eles, entraram numa aldeia de samaritanos para lhe preparar pousada. 53 Mas não o receberam, porque o aspecto dele era de quem, decisivamente, ia para Jerusalém.”
Agora, em meio a essa rixa histórica, Jesus introduz um samaritano na conversa. Vamos relembrar: Nós temos um viajante atacado por ladrões. Ele está caído no chão, machucado e semi morto. Um sacerdote veio e não lhe ajudou, passou longe. Um levita também veio e de igual forma não ajudou, também passou longe. Agora se aproxima um samaritano, inimigo ferrenho dos judeus. E Jesus afirma que o samaritano: “encheu-se de compaixão”. Veja, Jesus não disso que sacerdote teve compaixão. Jesus também não disse que o Levita teve compaixão. Agora ele está dizendo que o samaritano “encheu-se de compaixão”. Não é simplesmente ter compaixão, mas “encher-se” de compaixão. Ninguém esperaria que Jesus contasse uma história onde um samaritano seria colocado como tendo mais virtude que um sacerdote ou um levita. Ora, na visão daquele povo eles eram menores, indignos, impuros. Mas é exatamente isso que Jesus está dizendo.
Isso foi um choque!
Ao final, Jesus faz então uma pergunta: Lc 10.36 “36 Qual destes três te parece ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos salteadores?”
O doutor da lei logo responde: Aquele que teve misericórdia dele. Ao que Jesus diz, vai e faze o mesmo.

Aplicação

A grande lição que se extrai dessa parábola é que nós, os servos de Deus somos chamados a demonstrar compaixão por qualquer um que esteja em necessidade. Esse é ponto prioritário da passagem, compaixão. E o interessante é que o termo compaixão, no grego vem da palavra σπλαγχνον que significa literalmente “intestino”. A ideia é que ter compaixão de alguém é sentir profundamente a dor daquela pessoa. É sentir o sofrimento daquela pessoa e agir. Fazer o que tiver ao seu alcance para remediar a dor e o sofrimento. Como cristãos somos chamados a isso. E o ponto da passagem é exatamente este, independente de quem seja.
Nossa sociedade está polarizada politicamente falando. Em cidades pequenas a coisa é séria. Mas num sentido geral, todo o país está polarizado entre Lula e Bolsonaro. Há quem ame o presidente e há quem odeie. Há quem ame o Lula e há quem odeie. Não entre nessa. Tenha sim suas posições, mas não alimente inimizades por causa disso. Tenha compaixão das pessoas que pensam diferente de você. E, se for necessário estenda a mão, ajude, auxilie. Não deixe a polarização política te desumanizar.
O samaritano, um estranho odiado, demonstra amor compassivo. Desta forma a parábola é um ataque mortal contra os preconceitos comunais e raciais.
Essa parábola também nos ensina que devemos sempre nos apoiar na misericordiosa graça de Deus e não nos nossos méritos próprios pois o padrão de Deus é elevado demais e só Cristo foi capaz de alcançá-lo. Lembre-se, o homem estava certo de que fazia tudo o que devia fazer para ser salvo. Mas quando uma simples questão étnica foi colocada diante dele, ele percebeu o quanto distante estava. Ele tem tanta dificuldade com a questão do samaritano, que quando Jesus pergunta: “Quem é o próximo daquele homem?”, ele não diz: “O samaritano”. Ele diz: “O que usou de misericórdia para com ele. Apoie-se em Cristo, creia somente em Cristo.
Oremos!
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