SOLI DEO GLORIA
AS CINCO SOLAS • Sermon • Submitted
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· 67 viewsQuinta Mensagem sobre as solas da Reforma Protestante - Soli Deo Gloria
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GLÓRIA SOMENTE A DEUS
GLÓRIA SOMENTE A DEUS
ROMANOS 11.33-36
Almeida Revista e Atualizada (Capítulo 11)
Ó profundidade da riqueza, tanto da sabedoria como do conhecimento de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis, os seus caminhos! 34 Quem, pois, conheceu a mente do Senhor? Ou quem foi o seu conselheiro? 35 Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído? 36 Porque dele, e por meio dele, e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém!
INTRODUÇÃO
INTRODUÇÃO
No período que antecedeu a Reforma, o sistema eclesiástico fazia prevalecer a pompa e o sacramentalismo, ou seja, o sistema de fé estava centrado nos atos religiosos, como se eles pudessem, em si mesmos, conferir a graça necessária para a obtenção da salvação. A igreja havia sido submetida a um sistema de hierarquia, onde os líderes estavam espiritualmente acima dos demais mortais, em especial o “pontifex maximus”, sendo considerado como infalível, inerrante.
Ao invés da glória ser voltada somente a Deus na vivência da igreja, muitos eram erguidos a posições de destaque, fazendo com que a glória somente a Deus fosse ofuscada pela religiosidade. Santos eram cultuados, relíquias veneradas (se tornando em um sistema muito lucrativo). Homens e objetos haviam usurpado um lugar que pertence exclusivamente a Deus.
Em reconhecimento a textos da Palavra como:
“Não terás outros deuses diante de mim. Não farás para ti imagem de escultura, nem semelhança alguma do que há em cima nos céus, nem embaixo na terra, nem nas águas debaixo da terra. 5 Não as adorarás, nem lhes darás culto;” Ex 20.3-5
“Eu sou o SENHOR, este é o meu nome; a minha glória, pois, não a darei a outrem, nem a minha honra, às imagens de escultura.” Is 42.8
Alguns homens se levantaram em meio a todo o sistema corrupto da igreja e bradaram: Soli Deo Gloria. Glória somente a Deus!
Portanto, vejamos o que Paulo apresenta aos romanos acerca da glória de Deus.
CONTEXTO
CONTEXTO
Nos capítulos 1 a 11, Paulo abordou o sacrifício que Cristo fez por nós na cruz como prova da misericórdia de Deus. Para os romanos que não conheceram os ensinamentos de Jesus, Paulo ensina todas as doutrinas básicas.
Nestes quatro versículos podemos, facilmente, perceber o núcleo do conteúdo de Paulo. Por onze vezes ele se refere a Deus. Todas essas ocorrências mostram claramente que o apóstolo tinham em mente posicionar a Deus no centro de suas palavras.
A DOXOLOGIA
A DOXOLOGIA
Paulo interrompe sua argumentação teológica que vem fazendo desde o primeiro capítulo desta carta para, como um suspiro de louvor e adoração a Deus, introduzir em seus escritos uma doxologia.
Uma boa teologia resulta em doxologia
Uma boa teologia resulta em doxologia
É exatamente isso que Paulo faz. Ele passa da teologia para a adoração a Deus. Ele passa do argumento para o louvor. Antes de começar a descrever as implicações práticas do evangelho, Paulo prostra-se diante de Deus em adração.
Não devemos divorciar teologia de doxologia. Enquanto a teologia são argumentos a respeito daquilo que cremos, a doxologia é compreendida como o culto que nós prestamos a Deus.
Quando nos apegamos em teologia sem devoção, caímos em um grande erro. Por semelhante modo, quando nos afeiçoamos mais em expressar nossa adoração sem o conhecimento adquirido pela boa teologia, podemos errar terrivelmente.
Portanto, uma teologia saudável nos dará os pressupostos necessários para expressar nosso louvor e adoração a Deus.
O SER DE DEUS INSPIRA O LOUVOR
O SER DE DEUS INSPIRA O LOUVOR
1. Deus não pode ser totalmente compreendido - v.33
1. Deus não pode ser totalmente compreendido - v.33
Na revelação de Deus podemos encontrar muito do seu Ser, da sua glória, da sua Majestade, do seu poder, da sua grandiosidade. Mas tudo o que a Bíblia nos apresenta a respeito do Senhor não pode ser considerado como o todo de Deus. Ou seja, Deus é maior do que podemos aprender pelas Sagradas Escrituras. Nossa mente jamais poderia conhecê-Lo totalmente. Somos limitados demais para que tudo do seu Ser fosse desvendado. Deus não pode ser domesticado nem plenamente compreendido por nossa mente finita.
Paulo destaca alguns pontos interessantes:
a. A profundidade da riqueza de Deus
a. A profundidade da riqueza de Deus
A ideia predominante é que a salvação é um presente generoso de Deus que enriquece imensamente aqueles a quem é concedida.
b. A grandiosa sabedoria de Deus
b. A grandiosa sabedoria de Deus
Deus, para o cumprimento de seus santos propósitos, utiliza sua sabedoria como a capacidade de selecionar os melhores meios para a obtenção do alvo mais elevado.
Foi a sabedoria de Deus que planejou a salvação e foi sua riqueza que a concedeu.
c. Os insondáveis juízos e caminhos de Deus
c. Os insondáveis juízos e caminhos de Deus
O termo juízos” pode ser melhor compreendido no sentido de suas decisões ou determinações. Os seus atos judiciais de levar a culpa dos pecadores sobre Jesus e tornar os culpados em inocentes. Ele, livremente, decidiu perdoar a culpa dos pecadores através do sacrifício vicário de Cristo.
Os juízos de Deus são insondáveis, e os seus caminhos, inescrutáveis. Os caminhos que Deus toma para cumprir os seus propósitos salvíficos também são inescrutáveis (aquilo que não pode ser escrutado, ou seja, não pode ser investigado, compreendido).
Quem pode alcançar a profundidade da riqueza da sabedoria e do conhecimento de Deus? Ficamos impressionados com pessoas que possuem uma vasta formação, e, no entanto, a mente humana mais brilhante está repleta de enormes lacunas de conhecimento. A mente do ser humano mais genial tem mais ignorância do que conhecimento, mas na mente de Deus não há desconhecimento ou ignorância. Nela não há senão sabedoria e conhecimento.
2. Deus é um ser autossuficiente - v. 34,35
2. Deus é um ser autossuficiente - v. 34,35
Paulo faz três perguntas que apoiam a autossuficiência de Deus. Esse adjetivo aponta para o fato de que Deus se basta, Ele possui tudo o que é necessário para o cumprimento do seu propósito.
a. Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?
a. Quem, pois, conheceu a mente do Senhor?
A mente de Deus não pode ser exaurida pela mente finita dos homens. Jamais algum conselho humano tornaria Deus mais sábio. De modo algum Deus dependeria do auxílio do conhecimento dos seres criados.
“Pois quem conheceu a mente do Senhor, que o possa instruir?” I Co 2.16
b. Ou quem foi o seu conselheiro?
b. Ou quem foi o seu conselheiro?
Deus jamais teve qualquer conselheiro a quem pudesse recorrer. Nem a mente mais inteligente entre toda a criação teria uma capacidade intelectual para direcionar a Deus em alguma questão.
“Quem guiou o Espírito do SENHOR? Ou, como seu conselheiro, o ensinou?” Isaías 40.13
c. Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
c. Ou quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?
Em outros termos: “Quem já fez de Deus seu devedor?”
“Quem primeiro me deu a mim, para que eu haja de retribuir-lhe?Pois o que está debaixo de todos os céus é meu.” Jó 41.11
Infelizmente, já ouvi dizer que ofertar a Deus é o mesmo que emprestá-lo, portanto, Ele devolverá com juros, pois não permitiria ter seu nome manchado.
O quê?! Deus, nosso devedor? Absurdo! Impossível! Pelo contrário, nosso débito para com Ele é tão imenso que nosso coração estremece sempre que meditamos no que Ele já fez, faz, e continuará fazendo por nós.
“pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico, se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos.” 2 Co 8.9
A DEUS TODA GLÓRIA - 36
A DEUS TODA GLÓRIA - 36
O estudo da doutrina deve nos levar a completa rendição diante de Deus. Paulo registra que Deus é a fonte de nossa salvação; é por meio de sua graça e poder que a salvação se torna uma realidade em nossa vida; e a ele, consequentemente, se deve toda a glória. Ele é a fonte, o realizador e o alvo de nossa salvação.
a. Deus é a fonte (origem) de todas as coisas
a. Deus é a fonte (origem) de todas as coisas
Porque dele
Ele é a origem do mundo natural e espiritual. Todas as coisas são de Deus, pois Ele é o autor de tudo. A partir do seu “querer” todas as coisas vieram a existir.
Tudo é de Deus no sentido de ser sua possessão. Não pertencem a Deus apenas o evangelho e o mundo. Ele possui tudo no mundo. O gado sobre milhares de montanhas é seu, e a isso acrescentamos ovelhas, burros, camelos, carros, casas e toda a criação. Este é o mundo do nosso Pai.
b. Deus é o realizador de todas as coisas
b. Deus é o realizador de todas as coisas
Por meio dele
De onde todas as coisas surgiram? Por meio de Deus. Todas as coisas são por Deus, pois todas as coisas são criadas por ele como grande agente.
Todas as coisas que vieram a existir neste mundo, em última instância, vieram a existir por meio da ação soberana do próprio Deus. Precisamos aceitar isso porque a grande alegria do cristão é saber que todas as coisas estão nas mãos de Deus e são usadas por ele para seus propósitos, sejam quais forem os meios que ele use para fazer tudo o que lhe apraz. Num sentido último, não há acasos no universo governado por Deus.
c. Deus é o alvo de todas as coisas
c. Deus é o alvo de todas as coisas
Para ele
Para onde todas as coisas irão? Qual o propósito para que todas as coisas existam? Para Deus!
Qual é o objetivo do universo? Qual o propósito último de toda a História? Numa palavra, a resposta é Deus.
Ele é o alfa e o ômega, o princípio e o fim. Ele é a fonte. Tudo se move na História e no universo para cumprir o propósito de Deus.
Deus é o criador, sustentador e herdeiro de tudo, sua fonte, seu meio e seu fim. Todas as coisas são para Deus, pois todas as coisas tendem à sua flória como seu objetivo final.
d. Portanto, Gória a Deus!
d. Portanto, Gória a Deus!
A ele, seja a glória eternamente. Amém!
O salmista foi dominado pela admiração ao olhar as estrelas: “Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra de suas mãos” (Sl 19.1).
É porque todas as coisas são de Deus, vieram por intermédio de Deus e vão para Deus que a glória só pertence a ele.
A doutrina da glória de Deus enfatiza sua grandeza e transcendência, seu esplendor e santidade. Deus é descrito nas Escrituras como estando revestido de glória e majestade. A criação de Deus manifesta a glória do seu Criador.
Deus é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, o primeiro e o último. A ele não somente devemos tributar toda a glória, mas para ele redundará toda a glória.
Quando chegamos à presença de Deus para adorá-lo, a única resposta adequada é reverência, admiração, humildade e submissão. A igreja contemporânea muitas vezes apresenta uma abordagem gentil da adoração. Muitos não possuem a menor ideia de que estão lidando com aquele de quem os próprios anjos escondem os olhos enquanto louvam-lhe a glória. Nossa glória vai e vem, mas a glória de Deus permanece para sempre.
A essa sincera e arrebatadora doxologia o escritor anexa sua própria palavra pessoal e entusiástica de solene afirmação e aprovação: AMÉM
CONCLUSÃO
CONCLUSÃO
Lembremos de algumas verdades:
a. Somente a Deus toda glória pelo que Ele é o por aquilo que Ele faz
a. Somente a Deus toda glória pelo que Ele é o por aquilo que Ele faz
“Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” Sl 19.1
b. O fim principal do homem é glorificar a Deus
b. O fim principal do homem é glorificar a Deus
“O fim principal do homem é glorificar a Deus e nele deleitar-se para sempre” (CMW).
Deus nos fez para o louvor da sua glória. Assim como Paulo exaltou ao Senhor em sua doxologia, Deus requer adoração dos seus servos.
Em Coríntios 10.31, Paulo adverte no sentido de que ninguém deve se vangloriar na presença de Deus. Tudo deve ser feito para a glória de Deus: “ Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus”.
Assim como o salmista louvou ao Senhor dizendo: “Não a nós, Senhor, não a nós, mas ao teu nome dá glória, por amor da tua misericórdia e da tua fidelidade” (Sl 115.1).
c. No fim de todas as coisas, tudo convergirá para que a glória de Deus seja manifesta
c. No fim de todas as coisas, tudo convergirá para que a glória de Deus seja manifesta
Sua glória será manifesta quando julgar os ímpios em suas impiedades e quando receber seu povo na cidade celestial. Em sua glória, Deus dará a luz necessária que iluminará a cidade de Deus. As nações andarão mediante a sua luz (Ap 21.23-26).
Somente ao Senhor toda Glória! Soli Deo Gloria!
