Oração do Pai Nosso
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Mateus 6.9-15 “Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]! Porque, se perdoardes aos homens as suas ofensas, também vosso Pai celeste vos perdoará; se, porém, não perdoardes aos homens [as suas ofensas], tampouco vosso Pai vos perdoará as vossas ofensas.”
Introdução
Introdução
A análise e interpretação de todo texto da Bíblia exige análise de seu contexto geral e específico. O contexto geral, que é livro inteiro, e o específico, que diz respeito aquele onde a passagem está inserida.
Contexto Amplo - O livro
Contexto Amplo - O livro
Pode-se analisar o Evangelho de Mateus sob duas perspectiva:
A primeira ressalta a pessoa e a obra de Jesus e divide o livro em três partes, cada um delas sinalizadas pela expressão “Daí por diante” ou “Desde esse tempo”.
A primeira ressalta a pessoa e a obra de Jesus e divide o livro em três partes, cada um delas sinalizadas pela expressão “Daí por diante” ou “Desde esse tempo”.
Mt 1.1-4.16 - identidade de Jesus
Mt 4.17-16.20 - autoridade e majestade de Jesus
Mt 16.21-18.20 - messias sofredor
2. A segunda ressalta os ensinos de Jesus e divide o livro em cinco grandes discursos de Jesus, cada uma deles encerra-se com a expressão “acabado Jesus de proferir estas palavras”.
2. A segunda ressalta os ensinos de Jesus e divide o livro em cinco grandes discursos de Jesus, cada uma deles encerra-se com a expressão “acabado Jesus de proferir estas palavras”.
Mateus 7.28 “Quando Jesus acabou de proferir estas palavras, estavam as multidões maravilhadas da sua doutrina;”
Mateus 11.1 “Ora, tendo acabado Jesus de dar estas instruções a seus doze discípulos, partiu dali a ensinar e a pregar nas cidades deles.”
Mateus 13.53 “Tendo Jesus proferido estas parábolas, retirou-se dali.”
Mateus 19.1 “E aconteceu que, concluindo Jesus estas palavras, deixou a Galileia e foi para o território da Judeia, além do Jordão.”
Mateus 26.1 “Tendo Jesus acabado todos estes ensinamentos, disse a seus discípulos:”
Contexto Imediato - aquele no qual o texto está inserido
Contexto Imediato - aquele no qual o texto está inserido
O texto de Mateus 6.9-15, oração do Pai Nosso, está inserida dentre os ensinos proferidos por Jesus no primeiro grande discurso - O Sermão do Monte. Portanto, não poderemos entender o ensino por trás da oração do Pai Nosso sem entender o significa desse Sermão.
Sinclair Ferguson olha para o Sermão do Monte e o classifica como “o manifesto de Jesus — a política do Reino de Deus exposta de forma oficial e pública. (O Sermão do Monte, Editora Trinitas, 2019), p. 11.). É dele também a seguinte definição para o Sermão do Monte: “O Sermão é a descrição do estilo de vida daqueles que pertencem a esse reino. (p. 15).
Martin Lloyd Jones, no livro que se tornou um clássico: “Estudos no Sermão do Monte”, sustenta que: “O Sermão do Monte destina-se ao povo cristão inteiro. Trata-se de uma perfeita representação da vida no reino de Deus”. Depois ele acrescenta: “no Sermão do Monte não nos é recomendado: “Vivei deste modo e vos tornareis cristãos”. Pelo contrário, somos ali ensinados: “Visto que sois cristãos, vivei deste modo”. É desse modo que os cristãos deveriam viver; assim é que se espera que eles vivam.” (Editora FIEL, 2017, p.21).
I - Por que Jesus ensinou a oração do Pai nosso?
I - Por que Jesus ensinou a oração do Pai nosso?
1. A dicotomia entre realização e a motivação - A conjunção “portanto” no início do versículo 9 nos remete para os versos imediatamente anteriores:
1. A dicotomia entre realização e a motivação - A conjunção “portanto” no início do versículo 9 nos remete para os versos imediatamente anteriores:
Mateus 6.1 (RA) -
Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens (realização), com o fim de serdes vistos por eles (motivação); doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.
Exemplos:
acudir o necessitado - Mateus 6.2 “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.”
exercícios espirituais como
orar - Mateus 6.5 “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.”
jejuar Mateus 6.16 “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.”
2. A espiritualidade encenada
2. A espiritualidade encenada
Mateus 6.2 (RA)
Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
Mateus 6.5 (RA)
E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.
3. A tentativa de impressionar pela quantidade e não pela qualidade
3. A tentativa de impressionar pela quantidade e não pela qualidade
Mateus 6.7 (RA)
E, orando, não useis de vãs repetições, como os gentios; porque presumem que pelo seu muito falar serão ouvidos.
4. A ingenuidade quanto à origem da recompensa e de sua qualidade
4. A ingenuidade quanto à origem da recompensa e de sua qualidade
Mateus 6.1 “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles; doutra sorte, não tereis galardão junto de vosso Pai celeste.” - μισθος
Mateus 6.2 “Quando, pois, deres esmola, não toques trombeta diante de ti, como fazem os hipócritas, nas sinagogas e nas ruas, para serem glorificados pelos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.” - μισθος
Mateus 6.4 “para que a tua esmola fique em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” - αποδιδωμι
Mateus 6.5 “E, quando orardes, não sereis como os hipócritas; porque gostam de orar em pé nas sinagogas e nos cantos das praças, para serem vistos dos homens. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.” - μισθος
Mateus 6.6 “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechada a porta, orarás a teu Pai, que está em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” - αποδιδωμι
Mateus 6.16 “Quando jejuardes, não vos mostreis contristados como os hipócritas; porque desfiguram o rosto com o fim de parecer aos homens que jejuam. Em verdade vos digo que eles já receberam a recompensa.” - μισθος
Mateus 6.18 “com o fim de não parecer aos homens que jejuas, e sim ao teu Pai, em secreto; e teu Pai, que vê em secreto, te recompensará.” - αποδιδωμι
II - Como a natureza transformada dos filhos do reinos se revelam na oração do Pai nosso,
II - Como a natureza transformada dos filhos do reinos se revelam na oração do Pai nosso,
1. O centro da oração é Deus e não o ser visto pelos homens
1. O centro da oração é Deus e não o ser visto pelos homens
Mateus 6.9–13 (RA)
Portanto, vós orareis assim:
Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome; venha o teu reino; faça-se a tua vontade, assim na terra como no céu; o pão nosso de cada dia dá-nos hoje; e perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós temos perdoado aos nossos devedores; e não nos deixes cair em tentação; mas livra-nos do mal [pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre. Amém]!
2. Pede o essencial para o momento
2. Pede o essencial para o momento
Mateus 6.11 “o pão nosso de cada dia dá-nos hoje;”
3. O fluxo da relação com Deus tem seu refluxo na relação com o outro
3. O fluxo da relação com Deus tem seu refluxo na relação com o outro
Mateus 6.12 “e perdoa-nos as nossas dívidas (fluxo da relação com Deus), assim como nós temos perdoado aos nossos devedores (refluxo na relação com o outro);”
Conclusão
Conclusão
Como cidadãos do reino de Deus, devemos manifestar as credenciais de nossa nova natureza. Portanto
a motivação de toda nossa existência não é ser vistos pelos homens, mas pelo nossa Pai, que vê e recompensa em secreto (αποδιδωμι);
viver segundo os valores do reino, e não encená-los (hipocrisia);
experimentar o fluxo da intimidade com Deus, e seu refluxo na relação com o próximo
