Quem é ele?

O sabor da vida  •  Sermon  •  Submitted
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Gálatas 5.22–23 RA
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Nesta série chamada O SABOR DA VIDA vamos estudar sobre o fruto do Espírito, mas o texto de Gl 5 fica para o próximo estudo. Primeiro, já que o fruto é uma manifestação do Espírito em nós, afinal, QUEM É ELE?
Quando estava escrevendo este estudo meu filho me perguntou se eu estava fazendo um sermão. Disse que sim e ele me perguntou sobre o que era e eu respondi que era sobre o Espírito Santo. Ele me disse: “ah, é sobre o herói!” Como assim sobre o herói? - eu lhe perguntei. Ele me respondeu que têm três heróis: Pai, Filho e Espírito Santo. Não lembro de ter ensinado isso a ele, mas confesso que gostei.
Estudar sobre o Espírito Santo é um grande desafio. Aliás sobre a divindade! Não espero dar respostas aqui a questões milenares sobre a natureza divina ou personalidade do Espírito, mas, a partir de uma parte do discurso de Cristo em Jo 16, apresentar três lições importantes para a série onde vamos estudar o fruto do Espírito.
João 16.7–13 RA
Mas eu vos digo a verdade: convém-vos que eu vá, porque, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei. Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado, da justiça e do juízo: do pecado, porque não creem em mim; da justiça, porque vou para o Pai, e não me vereis mais; do juízo, porque o príncipe deste mundo já está julgado. Tenho ainda muito que vos dizer, mas vós não o podeis suportar agora; quando vier, porém, o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade; porque não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e vos anunciará as coisas que hão de vir.

O Ajudador

Toda despedida é triste, mas Jesus disse que Ele precisava ir. Os discípulos, é claro, não entenderam de imediato, mas a afirmação de Cristo de que se não fosse o Espírito não viria, não quer dizer que Ele já não atuasse aqui, mesmo antes da vinda do Filho. Jesus estava falando de uma missão específica que era dar testemunho em favor do Salvador (VELOSO, 1984, pág. 309) e isso nos ajuda a tirar uma ótima lição sobre os efeitos do que o Salvador fez por nós:

Tudo, absolutamente tudo, depende do que Cristo fez por nós na cruz!

Não dá para entender nossa vida agora sem passar pelo que aconteceu na cruz pois a condição presente e futura, bem como o abandono do peso do passado depende disso. O Espírito Santo viria para continuar o ministério de Cristo, isso fica evidente mais adiante.
A palavra usada aqui para o Espírito Santo é “Consolador” (παράκλητος - paraklētos). O conceito popular na época era de um assistente legal ou advogado, mas “não é necessário um advogado no sentido humano do termo para induzir o Pai a ter misericórdia. Aquele que deseja aprender do amor e da compaixão do Pai precisa apenas olhar para o Filho. Em outras passagens da literatura pré-cristã, parakletos conserva o sentido mais geral de ‘alguém que se levante em favor de outro’, ‘um mediador’, ‘intercessor’ ou ‘ajudador” (NICHOL, 2013, pág. 1153)
A maneira como Jesus apresenta o “Consolador” em João enfatiza “o legal e o relacional: advogado e ajudador” (MANGUM, 2014). Podemos perceber isso na maneira como a palavra é traduzida em várias versões da Bíblia*: “Consolador” (ARA, NBV), “Conselheiro” (NVI), “Amigo” (Ms), “Defensor” (CNBB), “Auxiliador” (NTLH), “Encorajador” (NVT). A Bíblia de Jerusalém (1985) e a TEB preferiram transliterar como “Paráclito”. “Ajudador... seria, no entanto, uma palavra em Português que tem significado e que se encaixa em todas as passagens em que paraklētos ocorre no Novo Testamento” (BROWN, 2000, pág. 27).

A missão do Ajudador

O Espírito Santo tem uma missão de convencimento!

“Convencer” é um verbo grego de difícil interpretação em Jo 16:8 e o sentido mais comum é o de “expor”, “convencer” ou “condenar” (CARSON, 2007, pág. 535). No entanto, nenhuma das traduções tem sentido completo para a obra que o Ajudador realiza. “O verbo ocorre dezoito vezes no Novo Testamento… Pode-se argumentar que em cada ocorrência o verbo refere-se a mostrar a alguém seu pecado, geralmente como um chamado ao arrependimento” (Idem).
Assim, sem Ele a salvação não tem efeito na vida. Esse convencimento se dá na conscientização da humanidade da ação divina em três aspectos e a NTLH* traz uma tradução interessante do texto e Jo 16:8 “Quando o Auxiliador vier, ele convencerá as pessoas do mundo de que elas têm uma ideia errada a respeito do pecado e do que é direito e justo e também do julgamento de Deus.”
“Ideia errada sobre o pecado.” Porque, por misericórdia quer levar ao arrependimento.
“Ideia errada sobre a justiça.” Há justiça no mundo? Sim, como está escrito em Mt 5:20, Rm 10:3, Fp 3:6-9 e Tt 3:5, por exemplo. Essa é uma justiça institucional ou autojustificação. Quando Jesus volta ao Pai o Espírito continua Sua obra e mesmo com Cristo distante, o Ajudador continua mostrando, assim como o Filho, a vazia justiça mundana. O Ajudador mostra a ideia errada sobre a justiça que o mundo tem por Jesus ter voltado ao Pai, e assim negar essa realidade é justiça mundana, e também por não mais vÊ-lo, afinal não há restos mortais do Salvador. “O mundo vê vitória no visível. Porém o verdadeiro significado da vitória jaz precisamente no triunfo do invisível sobre o visível” (VELOSO, 1984, pág. 310).
“Ideia errada sobre o juízo.” Um juízo que está em andamento, será final, mas para o inimigo já chegou. Jesus disse que não devemos julgar por padrões humanos (Jo 7:24), exatamente a ideia errada que o Ajudador veio mostrar, um julgamento equivocado e perverso.

Há muito a dizer, mas...

Acho fantástico quando Cristo diz: “Tenho ainda muito que lhes dizer, mas vocês não o podem suportar agora.” Isso quer dizer que Cristo compreendia e respeitava os limites do entendimento humano, mesmo daqueles que andavam com ele. Como discípulo dEle, preciso conduzir as pessoas a uma experiência progressiva com a verdade, não despejar tudo o que é certo sem o que o Espírito guie o processo.
Só um pouco mais de maturidade prepararia os discípulos para receber mais verdade. Mas essa não é uma verdade diferente da que já conheciam, porque eles já tinham recebido a Cristo. O que Jesus queria dizer e eles não estavam preparados para ouvor era uma perspectiva mais profunda dEle. Como diz Bruce (1987, pág. 274) em seu comentário sobre João, “a verdade que o Espírito irá revelar não acrescenta nada à ‘verdade que está em Jesus’ (Ef 4.21, BLH); é um desvendamento mais completo dela.”

O Espírito da verdade

A palavra “Espírito” é πνεῦμα, de onde vem as palavras pneu, pneumatologista (…) e “pode referir-se ao vento, ao sopro de humanos ou animais, ao espírito animador dos humanos ou ao Espírito Santo” (MANGUM, 2014). Isso torna interessante declarações como At 2:2 e Jo 20:20.
O Ajudar tem um missão no mundo, que é convercer, e uma na igreja, que é guiar ou, “literalmente: ‘mostrar o caminho’. O Espírito não usa armas externas. Não empurra, ele guia” (HENDRIKSEN, 2014, pág. 643).
Esse é o Espírito e o que ele pode fazer por nós. Ele é o aplicador da salvação, é o Ajudador na jornada da vida.

Ele é como um sopro que nos dá vida e como vento que nos leva a fazer coisas extraordinárias. Ele é Deus!

É fácil de entender isso? Quem disse que temos que entender para receber os beneícios espirituais? Vou ilustrar isso com uma conversa que tive com meu filho há alguns anos.
Paquímetro é um instrumento de medição de precisão usado em várias aplicações. Eu aprendi a usar um paquímetro quando fiz um curso técnico de mecânica industrial e tenho um junto com minhas ferramentas. Meu filho o encontrou em minha caixa de ferramentas, quando era menor. Ele me perguntou o que era e eu, achando que uma explicação complexa o intimidaria e ele abandonaria o instrumento de medição disse: “é um instrumento de precisão que dividia o milímetro em 20 partes e a polegada em até 1/128 e que, portanto, é muito delicado e não era brinquedo. Entendeu?” - perguntei. “Não!” - ele respondeu - e saindo, foi brincar com o “delicado instrumento de precisão.” A complexidade do que eu disse não o impediu de usufruir de uma momento divertido.
Se você não compreende o Espírito Santo, é porque não há nada igual ou melhor que Sua presença na vida. O Salvador abriu as portas para que o Ajudador fizesse a obra de salvação e nos guiasse à verdade. Em seu comentário expositivo, Wiersbe (2014, pág. 466) faz uma declaração interessante: “assim como o Filho de Deus precisou ter um corpo a fim de fazer sua obra na Terra, também o Espírito de Deus precisa de um corpo para realizar seus ministérios, e esse corpo é a igreja.”
Já sabemos que o fruto vem de uma procedência divina, qua age em nós nos ajudando, convencendo e guiando. Essa é uma ação de fora para dentro. Imagine o que Ele pode fazer de dentro para fora? Ele dá sabor a vida e é isso que vamos estudar nos próximos capítulos desta série.
Minha oração é para que você seja guiado pelo Ajudador, e instrumento dEle para transformação do mundo, porque só tem sentido saber quem Ele é se estivermos dispostos a receber o que Ele pode fazer.
Soli Deo gloria
* ARA, Almeida Revista e Atualizada (1993); NBV, Nova Bíblia Viva (2010); NVI, Nova Versão Internacional (2000); Ms, A Mensagem (2011); CNBB, Bíblia Sagrada Tradução da CNBB (2008); NTLH, Nova Tradução na Linguagem de Hoje (2000); NVT, Nova versão Transformadora (2016); TEB, A Bíblia Tradução Ecumênica Brasileira.
Referências: Colin BROWN e Lothar COENEN (org.). Dicionario internacional de teologia do Novo Testamento. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2000; F. F. BRUCE. João; intodução e Comentário. São Paulo: Vida Nova, 1987; D. A. CARSON. O Comentário de João. São Paulo: Shedd, 2007; William HENDRIKSEN. Comentário do Novo Testamento: João. São Paulo: Cultura Cristã, 2014; R. J. Lowther. “Spirit”. D. MANGUM, et al. Orgs. Lexham Theological Wordbook. Bellingham, WA: Lexham Press, 2014; Francis D. NICHOL (ed.). Comentário Bívlico Adventista do Sétimo Dia. Tatuí, SP: Casa Publidacora Brasileira, 2013; Mário VELOSO. Comentário o Evangelho de João. Santo André, SP: Casa Publicadora Brasileira, 1984; W. W. WIERSBE. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento. Vol 1. Santo André, SP: Gráfica, 2006.
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