Evidências da verdadeira santificação

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Introdução

Semana passada nós falamos sobre as evidências do novo nascimento, a verdadeira conversão. hoje falaremos sobre as evidências da verdadeira santificação - que é o desdobramento prático do novo nascimento. Esse desdobramento prático não se resume a apenas uma área ou algumas áreas da nossa existência, mas ela afeta nossa vida por completo. A nossa herança religiosa (católica), criou uma idéia de dicotomia entre o que fazemos no dia-a-dia e o que fazemos no contexto religioso. Essa dicotomia (ou dualismo) não tem nenhum sentido, e é sobre isso que o apóstolo Paulo fala para a igreja em Colossos, sobre uma santificação integral a partir do evangelho.
Já viu pessoas falando assim: A minha opinião como profissional é essa, mas a minha opinião como crente é outra. Para um cristão autêntico, não existe diferença de opinião como cristão e sua profissão, por exemplo.
Colossenses 3.12–17 NAA
12 Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda compaixão, de bondade, de humildade, de mansidão, de paciência. 13 Suportem-se uns aos outros e perdoem-se mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outra pessoa. Assim como o Senhor perdoou vocês, perdoem também uns aos outros. 14 Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição. 15 Que a paz de Cristo seja o árbitro no coração de vocês, pois foi para essa paz que vocês foram chamados em um só corpo. E sejam agradecidos. 16 Que a palavra de Cristo habite ricamente em vocês. Instruam e aconselhem-se mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão no coração. 17 E tudo o que fizerem, seja em palavra, seja em ação, façam em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.
A vida cristã é marcada por um constante despojar-se de um lado e um revestir-se do outro. Se por um lado devemos fazer morrer a nossa natureza terrena, por outro devemos buscar as coisas lá do alto. Antes de dizer o que devemos fazer para Deus, Paulo relembra o que Deus fez por nós. Vida cristã não é algo que construímos pelos nossos méritos e esforços, mas o resultado daquilo que Deus fez por nós em Cristo Jesus. Logo, a verdadeira santificação é centrada em Cristo e não em mim. O ponto de partida da vida cristã é o que Cristo fez, o evangelho, e não sobre o que eu posso e devo fazer. Não é sobre o meu esforço de chegar a Deus, mas sobre o Deus que me alcançou mediante a minha incapacidade de chegar a Ele. Por isso, a santificação centrada em Cristo está na obra redentora de Deus em Cristo:

Criação - Queda - Redenção - Consumação

Essa é a lente pelo que enxergamos tudo, de forma que para o um cristão autêntico não pode haver divergência entre a minha fé e as demais esferas da vida. Logo, o evangelho afeta a minha visão sobre mim. Uma vez que nasci denovo...

Como eu me vejo (vv.12).

Já que Deus te escolheu - Iniciativa de Deus, o que Deus fez por nós. Não combina viver como você vivia antes, logo compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência são marcas de alguém que foi salvo por Deus. Essas características estão em direta oposição as caracteriísticas mencionadas por Paulo anteriormente e vimos na semana passada (ira - indgnação - maldade - blasfêmia - linguagem indecente). Paulo traça um contraste entre a vida antes da conversão, marcada por ira, indignação, maldade, maledicência, obscenidade e mentira. Ser misericordioso é lançar o coração na miséria do outro. É uma genuína simpatia pelas necessidades dos outros. O cristão deve ter um coração compassivo. A vida de Jesus foi motivada pela compaixão. Ele chorou ante o sofrimento que afligiu seus amigos em Betânia. Compadeceu-se da viúva que estava indo sepultar seu único filho (Lc 7.13). Ele é o grande sumo sacerdote que se compadece de nós. podemos afirmar que o cristão, quanto mais perto de Jesus estiver, tanto mais será cheio de sua compaixão pelos homens (não tem como não chorar quando vemos as cenas de guerra).
Humildade - ser humilde é ter uma autoestima adequada, que nem se exalta com orgulho nem se autodeprecia. Trata-se de uma correta compreensão de si mesmo diante de Deus, de si mesmo e dos homens. Ralph Martin (teólogo) diz que a verdadeira humildade é o antídoto ao amor-próprio que envenena os relacionamentos entre os irmãos. Ser humilde é não ter um elevado conceito de si mesmo, como o centurião romano disse para Jesus: “Não sou digno de que entres em minha casa”. Uma pessoa humilde está pronta a reconhecer o valor dos outros e a reconhecer seus próprios erros. Humildade é honrar os outros mais do que a si mesmo. Uma pessoa humilde é aquela que reconhece seus erros e está pronta a aceitar admoestação. O publicano humildemente orou: “Senhor, sê propício a mim, pecador”.
Mansidão não é fraqueza, mas poder sob controle. Os homens mais vigorosos foram mansos. Moisés, o líder de punhos de aço, que tirou o povo de Israel do poderoso império egípcio, é considerado o homem mais manso da terra (Nm 12.3). Jesus, o homem perfeito, foi manso e humilde de coração (Mt 11.29). A mansidão é uma disposição de ceder os direitos. É a pessoa que está pronta a sofrer danos em vez de causar danos.
Entender quem eu sou e quem Cristo me fez, enxergar que o mal no mundo existe por causa do pecado, que o meu coração pecador também é parte do problema no mundo.

Como eu vejo meu irmão (vv.13 e 14)

Perdão e suporte fraternal. Suportar não significa aguentar (tolerar) o outro, mas servir para ele de escora, de suporte, levando com prazer a sua carga. Suportar não é simplesmente tolerar, mas amparar o fraco para que ele se levante. Isso significa que em uma igreja espiritual, os cristãos mais fracos e débeis na fé se tornam fortes; os tristes são consolados, e os que enfrentam problemas e lutas são fortalecidos. O apóstolo Paulo registra: “Nós que somos fortes devemos suportar as debilidades dos fracos e não agradar a nós mesmos” (Rm 15.1).
Perdão - Um tema fácil, até você ter que perdoar. Devemos perdoar porque fomos perdoados. A igreja é a comunidade dos perdoados. Aqueles que são receptáculos do perdão devem ser também canais do perdão. O perdão que recebemos de Deus é sempre maior do que aquele que concedemos ao próximo. Na parábola do credor incompassivo, a proporção é de dez mil talentos para cem denários. Dez mil talentos são mil vezes mais do que cem denários. Jamais podemos sonegar perdão aos que nos ofendem, pois o perdão que recebemos de Deus é sempre maior do que o perdão que conseguimos oferecer.
Devemos perdoar porque temos queixas uns dos outros. As pessoas nos decepcionam, e nós decepcionamos as pessoas. Ferimos as pessoas, e elas nos ferem. Mais pessoas sofrem por causa de outras pessoas que por causa de circunstâncias. Nós temos queixas uns dos outros, por isso o perdão é uma necessidade vital. Quem não perdoa não pode adorar, ofertar ou mesmo ser perdoado. Quem não perdoa adoece física e espiritualmente. Não perdoar alimenta o sentimento de vingança que foi definido por alguém como a tentativa de tomar um veneno esperando que o outro morra. O perdão é a assepsia da alma, a faxina da mente, a cura das memórias amargas.
Devemos perdoar assim como Deus em Cristo nos perdoou. Deus nos perdoa completamente e esquece os nossos pecados. Assim também devemos perdoar. Obviamente, quando a Bíblia diz que Deus perdoa e esquece, ela não está dizendo que Deus tem amnésia. Deus se lembra de tudo e de todos. Quando a Bíblia diz que Deus perdoa e esquece, isso significa que Ele não lança em nosso rosto aquilo que Ele mesmo já perdoou. Ele não cobra novamente essa dívida. É assim que devemos perdoar. Perdoar é zerar a conta. É lembrar sem sentir dor.
Devemos perdoar reciprocamente. O perdão não é unilateral, mas bilateral. Devemos perdoar-nos uns aos outros. Quem ofendeu deve pedir perdão, e quem foi ofendido deve perdoar. O perdão recíproco não tem limites. Devemos perdoar até setenta vezes sete!
Eu devo olhar e agir com o meu irmão pelo vínculo do amor. As outras virtudes podem existir sem o amor, mas o amor não pode existir sem as outras virtudes. É o amor que coloca todas as outras virtudes juntas. William Hendriksen diz que o amor é o lubrificante que permite que as outras virtudes funcionem suavemente. O amor é a graça que liga todas as outras graças. O amor é o mais importante aspecto da vida do cristão. O amor é a evidência cabal do discipulado. O amor é a apologética final - Francis Shaffer.
O que é a ortodoxia sem amor? Legalismo frio e repulsivo! O que é a santidade sem amor? Farisaísmo reprovado por Jesus! O que é a caridade sem amor? Exibicionismo egoísta! O que é o culto sem amor? Formalismo abominável aos olhos de Deus! O que é a pregação sem amor? Apenas um discurso vazio!
Mas o a santificação centrada no evangelho impacta como eu vejo o mundo.

Como eu vejo o mundo (vv.15-17)

O cristão entende que o cristianismo é a lente que vou enxergar tudo ao meu redor. Nossa base não é simplesmente existencial, humanista, mas bíblica. Entendemos por exemplo, que o relato da criação em Gênesis não somente como Deus fez todas as coisas, mas a parametrização de como tudo deveria ser, como tudo deveria continuar acontecendo. Entender que há uma questão teológica por trás de todas as nossas decisões, desde a mais simples como escolher qual série assistir em uma plataforma de streaming.
Se a minha fé não afeta todas as áreas da minha vida, eu não a tenho, desde as escolhas mais simples até as motivações para tudo que eu faço. E não se engane, essa busca pela vontade de Deus não é algo místico (isso é uma pespectiva pagã), mas a partir do conhecimente de Deus na pessoa de Jesus Cristo e sua Palavra. Por isso a igreja em Colossos é exortada a que a paz de Cristo deve ser o árbitro, quem decide, quem apita a sua vida e que a Palavra de Deus habite ricamente em seu coração. Como você tem interpretado a vida? A partir da Palavra de Deus ou a outras vozes que competem no seu coração para interpretar a vida para você? Como a Palavra de Deus pode habitar se eu não a leio, não estudo, não me aprofundo, se o meu conhecimento bíblico é raso (teologia da caixinha de promessas). Como issi ocorre? No estudo privado das Escritura? Obviamente que sim, Mas observe o imperativo de Deus para a Sua igreja: Ïnstruam e aconselhem mutuamente", e o apóstolo Paulo vai além quando fala inclusive que o louvor é um instrumento de ensino (princípio do canto congregacional - Na idade média existiam corais que se apresentavam e a reforma acabou com isso - Letas bíblicas - A igreja se ouve cantando). A partir desse aprendizado comunitário em torno da Palvara eu calço os óculos do evangelho para ver o mundo.
O ocidente passa por um processo de secularização, porque começou a difundor a idéia que a natureza é autônoma, que ela funciona sem o auxilio da graça e o passo seguinte foi o de profanar o sobrenatural (a carne odeia a lei de Deus).

Conclusão

Nenhuma área da vida pode ficar autônoma, Cristo tem que governar todas as áreas da sua vida, se alguma área da sua vida ficar autônoma a carne toma conta. A carne vai achar que ela se basta e vai expulsar todos os demais princípios cristãos da sua vida e você vai entrar em contradição, quando rejeitamos o espírito, entramos em contradição (nascemos denovo mas vivemos como se ainda estivéssemos mortos pra Deus). Por isso quando o cristão é dualista (tem uma vida secular e outra espiritual), automaticamente ele está sendo conivente com esse sistema, esse processo de secularização. Mas quando a paz de Deus é o árbitro no meu coração e a Palavra de Deus habita ricamente em nossos corações a minha visão é impactada, minha visão sobre o mundo, sobre o próximo também, mas com uma visão clara de quem sou (a pior coisa é a forma como aguém vê o próximo sem ter uma visão clara sobre quem ele de fato é).
Olhe para cruz e para o evangelho, para que este sim se torne a lente pela qual eu vejo tudo ao meu redor e a mim mesmo.
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