Perto do Poço

Em Cristo foi apagado  •  Sermon  •  Submitted   •  Presented
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No primeiro capítulo desta série, vimos que antes de falar da cura (perdão), precisávamos conhecer um pouco a doença (pecado) pela perspectiva do médico (Deus).
Já no segundo capítulo, vimos o plano de Deus para tratar o pecado. Jesus foi além do necessário, para nos dar a cura para a pena do pecado, como está em Fp 2:8, Sua morte foi de Cruz!
A pergunta para hoje é: o fazer para ser perdoado?
João 4.1–10 RA
Quando, pois, o Senhor veio a saber que os fariseus tinham ouvido dizer que ele, Jesus, fazia e batizava mais discípulos que João (se bem que Jesus mesmo não batizava, e sim os seus discípulos), deixou a Judeia, retirando-se outra vez para a Galileia. E era-lhe necessário atravessar a província de Samaria. Chegou, pois, a uma cidade samaritana, chamada Sicar, perto das terras que Jacó dera a seu filho José. Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta. Nisto, veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber. Pois seus discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. Então, lhe disse a mulher samaritana: Como, sendo tu judeu, pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana (porque os judeus não se dão com os samaritanos)? Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Na Bahia tem uma região muito famosa belas belezas, chamada de Chamapada Diamantina. Das muitas belezas do lugar, visitei uma chamada Poço Encantado. Fica dentro de uma caverna e a água, por causa dos minerais, é de um azul fascinante. A impressão é de que é raso, mas são 60 metros de profundidade de uma água intensamente azul. Quando fiz essa visita, usei boa parte do meu tempo disponível para contemplação para aproveitar a beleza e o silência e orar. Não podia perder a oportunidade de estar naquele poço e conversar com Deus.
Em Jo 4:1-18 é um poço diferente do da Chapada Diamantina. O poço encantado tinha esse nome porque as características dele parecem deixar o observador enfeitiçado. Além disso, sem conhecer os detalhes científicos da coloração da água, os descobridores achavam que era um lugar encantado. O poço de Jacó não tinha a beleza do encantado, mas em um lugar simples, que não tinha o apelo contemplativo do que eu estive, aquela mulher teve a mais profunda experiência com Deus de sua vida.

O cenário

Da Judeia para Galiléia são três dias de viagem e “era-lhe necessário” passar por aquele lugar não só porque geograficamente era a rota mais curta, mas também porque espiritualmente havia uma pessoa sedenta e que precisava ser despertada para isso.
Jesus chegou ao poço ao meio-dia e sentou-se. Nada é por acaso: o horário, o poço, a espera! Já podemos tirar uma boa lição disso:

No plano de Deus, estamos em Seu caminho!

E em algum momento – ou em vários – nos encontraremos com Ele. Como perceber esse encontro? Vamos ver no texto!

O diálogo

O desafeto entre judeus e samaritanos tinha raízes centenárias. Depois da morte de Salomão as 10 tribos do norte, descontentes, foram falar com Roboão sobre as questões tributárias. Este, por falta de habilidade em lidar com as questões políticas, deu uma resposta que resultou na divisão o reino em norte, com 10 tribos, e sul com duas. posteriormente conhecidos como Judá e Israel. Um dos reis de Israel, Onri, estabeleceu uma capital chamada Samaria. Esse nome era dado às vezes a todo o reino do norte.
Uma série de fatos fez com que o relacionamento entre judeus e samaritanos fosse tensa e até odiosa: judeus não comiam com samaritanos, não compartilhavam pratos com eles e principalmente mulheres. Isso pelo medo de se contaminar. Assim, a iniciativa de Jesus, sendo judeu, em conversar com a mulher samaritana a deixa muito surpresa.
No diálogo Cristo oferece água, afirmando que seria uma muito melhor em seus efeitos do que a do poço de Jacó. Como a proposta era espiritual, ela não entendeu. Muitos não entendem isso, como Nicodemos (10-12). A proposta dEle é algo que seja eterno (13-15). A mulher deseja essa água porque não quer mais voltar ali.
As mulheres iam em grupo e no início ou fim do dia. Havia algo de errado com aquela mulher: não tinha amigas? Perdeu o horário? Os textos seguintes esclarecem.
João 4.16–19 RA
Disse-lhe Jesus: Vai, chama teu marido e vem cá; ao que lhe respondeu a mulher: Não tenho marido. Replicou-lhe Jesus: Bem disseste, não tenho marido; porque cinco maridos já tiveste, e esse que agora tens não é teu marido; isto disseste com verdade. Senhor, disse-lhe a mulher, vejo que tu és profeta.
Qual era o problema dela? Percebe por que ela ia sozinha buscar água? Você já se sentiu assim? Tendo de andar a margem por causa de suas ações ou palavras? O pecado nos marginaliza entre os outros pecadores! É como um criminoso que precisa ser separado dos outros criminosos... o pecado às vezes nos coloca em uma condição solitária entre os iguais.

Eu preciso ter plena consciência dos meus pecados para sentir a necessidade do perdão!

O preconceito

Quando os discípulos vêem a cena ficam admirados (v. 27). Por certo Deus em sua sabedoria sabia que eles atrapalhariam o encontro porque não estavam maduros para entender esse momento e seus resultados.
Houve uma situação em que estava estudando a Bíblia com alguém e a pessoa que me acompanhava era muito incisiva com os argumentos. Percebi que isso estava afugentando o interesse do estudante e desejava estar sozinho. Entendo porque Cristo preferiu ficar sozinho.
Em Israel, as mulheres menstruadas estavam imundas por sete dias e todos os que nela tocassem ou objetos que ela manuseasse também (Lv 15:19-20). Parece discriminação, mas a Bíblia foi escrita em outra época e outra língua e era mais uma medida protetiva e higiênica do que discriminatória. “Imundo” hoje tem a ideia de sujo, mas na época era cerimonialmente incapaz. “Provavelmente, esse medo [de se contaminar] era intensificado quando o samaritano era uma mulher: dentro de uma geração, os líderes judeus codificaram uma lei (Mishná Niddah 4) que refletia um sentimento popular existente havia muito tempo, no sentido de que todas ‘as filhas dos samaritanos menstruam desde o berço’ e, portanto, estão perpetuamente em estado de impureza cerimonial” (CARSON, 2007, pág. 218). Daí vem a preocupação dos discípulos. Era algo visceral.
Para um judeu, o contato com uma mulher samaritana era estar à beira da contaminação, mas:

Jesus não se contamina quando é tocado, mas purifica a quem ele toca!

João 4.10 RA
Replicou-lhe Jesus: Se conheceras o dom de Deus e quem é o que te pede: dá-me de beber, tu lhe pedirias, e ele te daria água viva.
Para uma pessoa perdida pelo pecado, discriminada pela sociedade, marginalizada pelas consequências de seus erros, sejam eles na prática ou nas ideias, Cristo tinha um presente e esse presente de Deus para aquela mulher e para todos hoje é o mesmo: o perdão!
Perdão é o pagamento de sua dívida espiritual, é a cura para o câncer da alma. Perdão é quando seu pecado, em Cristo é apagado. Perdão é o resgate que Deus faz de sua condição no fundo do poço e para que aconteça eu preciso reproduzir em minha vida a experiência daquela mulher:
Reconhecimento do estado de pecado;
Confissão do pecado;
Arrependimento e abandono.
A mulher volta para a cidade e diz: “Venham conhecer um homem que me disse tudo quanto eu já fiz na vida!” Novidade... todos sabiam! Mas o conhecimento que eu tenho do pecado de outra pessoa não me permite resolver sua vida nesse sentido. a alegria daquela mulher era porque Jesus tinha um conhecimento redentivo do que ela tinha feito. Em Cristo, seu pecado podia ser apagado.
Você tem vergonha do que já fez na vida? Se você aceitar o presente que Jesus tem para você, o perdão, sua história de vida vai ser o maior argumento para ajudar outros a compreenderem também!
Em Cristo, seu pecado será apagado, se você reconhecer, confessar e se arrepender. Ele tem um presente maravilhos para você também.
Referências: D. A. CARSON. O Comentário de João. São Paulo: Shedd, 2007.
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