Redescobrindo a Confissão

Pai Nosso  •  Sermon  •  Submitted
0 ratings
· 17 views
Notes
Transcript

Redescobrindo a Confissão

A confissão dos pecados deve ser uma parte regular de nossas orações, tanto particulares quanto coletivas. Aqui nosso Senhor está ensinando que a oração de confissão e o pedido de perdão são partes integrantes do modelo de oração. Por isso, ele diz que devemos orar da seguinte maneira:
Mateus 6.12 NVI
12 Perdoa as nossas dívidas, assim como perdoamos aos nossos devedores.
Na quinta parte de nossa oração Jesus nos ensina que na oração precisamos passar pela confissão de pecados e o perdão. É um pedido duplo, onde hoje veremos a primeira parte sobre a confissão e na semana que vem veremos sobre nosso dever de perdoar.
Nosso primeiro passo para a confissão é antes reconhecer que somos pecadores e devedores, precisamos saber da destruição que o pecado nos causa:

O probelma do pecado

1 - O pecado é uma dívida com Deus

Em primeiro lugar o pecado é uma dívida MORAL. Imagine um garoto entrando em uma sorveteria e pedindo uma casquinha com duas bolas. Ao entregar o sorvete à criança, a atendente diz: “São 5 reais.” Os lábios do menino começam a estremecer, e, desamparado, ele olha parra a garçonete e diz: “Minha mãe só me deu dois reais.” O que você faria se fosse uma testemunha? O mesmo que qualquer um faria: pegaria três reais do bolso, o entregaria à atendente e diria: “Deixe-me acertar a dívida do jovem.” O dinheiro pago seria legal. A vendedora teria de aceitá-lo como pagamento, e o garotinho poderia, então, desfrutar de sua casquinha.
Agora imaginemos a cena um pouco diferente. O menino faz o pedido e, assim que a atendente entrega a casquinha, ele sai correndo da loja sem pagar. Para seu azar, ele dá de cara com um policial em ronda enquanto a vendedora grita: “Pare, ladrão!” O policial leva o menino pelo colarinho de volta para a loja e pergunta à funcionária o que aconteceu. Ela explica que o garoto roubou a casquinha. Você testemunha tudo isso, coloca a mão no bolso e diz: “Espere um minuto, senhor. Por favor, não prenda esse menino. Não o denuncie. Eu pagarei o sorvete” Desta vez, contudo, a vendedora não tem de aceitar o seu dinheiro: a dívida é moral, não apenas monetária.

Ele nos mandou ser santos como ele é santo; ele nos ordena ser perfeitos como ele é perfeito. Estamos tão aquém de seu padrão, que é praticamente impossível pagarmos a dívida. Ouvimos por aí que todos têm o direito de errar uma vez, mas a única coisa a que realmente temos direito é de receber o castigo eterno no inferno

2 - Pecado é um Crime contra Deus

O Catecismo de Westminster pergunta: “O que é pecado?”. A resposta que ele dá é: “Pecado é qualquer falta de conformidade com a lei de Deus, ou qualquer transgressão desta lei”
Jeremias criticou o povo de Israel por endurecer o coração e adquirir a fronte de uma prostituta (Jr 3.3). O profeta estava dizendo às pessoas que elas haviam cauterizado a consciência a ponto de pecar sem sentir dores de culpa. Vale repetir que Deus não nos julgará por nossos sentimentos. Ele nos julgará por sua lei, e seu julgamento será perfeito e completamente justo. A única coisa que jamais desejaremos enfrentar é o justo juízo de Deus.

3 - O Pecado é Separação de Deus

É um ato de separação pelo qual ficamos seriamente necessitados de reconciliação. A Bíblia toda fala de reconciliação. A única condição necessária para que haja reconciliação é a separação. Aqueles que não estão separados não têm necessidade de ser reconciliados. Nós somos, por natureza, inimigos de Deus. Em nosso estado natural, estamos – conforme as Escrituras nos dizem – em guerra contra o próprio Deus. O homem em seu estado natural não acredita que é hostil a Deus, mas a Bíblia nos diz que ele, antes da regeneração, odeia Deus.
Romanos 3.23 NVI
23 pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus,

Encontrando o Perdão

1 - Lembrando da Graça:

Jesus pagou por nosso pecado. A condenação do pecado não pode mais recair sobre nós, que nos arrependemos e cremos nele (Rm 8.1). Se nos esquecermos disso, transformaremos a confissão em uma penitência fatigante, de autopunição, em vez de considerá-la como arrependimento conforme o evangelho.
O fato de que somos salvos e aceitos por meio de Cristo, sem que se levem em conta quaisquer das nossas boas obras ou esforços muda a natureza do arrependimento. Quando esquecemos a gratuidade da graça, o propósito do nosso arrependimento se torna o apaziguamento de Deus. Quando não estamos certos de que Deus nos ama em Cristo, então a confissão e o arrependimento se tornam um modo de nos mantermos bem com Deus, e para isso usamos expressões de dor na esperança de impressioná-lo por nossa sinceridade e levá-lo a ter piedade de nós. Quando se transforma nisso, o arrependimento é hipócrita e amargo até o fim.
Lutero acusava esse tipo de arrependimento legalista de ser farisaico por se tratar, na essência, de uma tentativa de expiar nosso pecado. Pode se tornar uma espécie de autoflagelação, de autocrucificação até, por meio da qual tentamos convencer a Deus (e a nós mesmos) de que estamos tão verdadeiramente infelizes e arrependidos que merecemos ser perdoados.
O apóstolo João escreve que se confessarmos nossos pecados, Deus é "fiel e justo para nos perdoar os pecados" (1Jo 1.9). A Bíblia afirma que ele perdoa quando confessamos porque é justo. Em outras palavras, seria injusto da parte de Deus negar-nos perdão porque Jesus fez por merecer nossa aceitação, como João prossegue, para ressaltar logo em seguida: "Se alguém pecar, temos um advogado junto ao Pai - Jesus Cristo, o justo. Ele é o sacrificio propiciatório por nossos pecados" (1Jo 2.1,2a). Todos aqueles que estão em Cristo devem ser e serão perdoados. Por quê? Ele tomou sobre si o castigo e pagou a dívida por todos os nossos pecados. Seria injusto da parte de Deus e desleal.
Ilustração de quando eu tentei me justificar pelo meu esforço de demostrar arrependimento.

2 - Lembrando do preço do perdão

Pode ser um perigo encarar o perdão com leviandade e esquecer o preço mediante o qual ele foi obtido. Claro que Deus é todo-poderoso e soberano. Entretanto, todos os pecados são como dívidas que precisam ser saldadas. Perdoar uma dívida significa que você absorve o custo e arca com o pagamento. Nossa grande dívida e pecado contra Deus exigiu um pagamento infinito, e a única maneira pela qual Deus poderia nos perdoar era arcando ele mesmo com o custo. Para isso, o Deus Pai enviou o Deus Filho para tomar sobre si nosso castigo, o qual, por sua vez, com o Pai enviou o Deus Espírito aos nossos corações, tanto para nos mostrar quanto para nos ajudar a receber esse perdão de altíssimo preço.
Por que isso é importante? Se você esquece o preço do pecado, suas orações de confissão e arrependimento serão superficiais e banais. Não honrarão a Deus nem mudarão sua vida.
Precisamos nos sentir internamente entristecidos e chocados o suficiente por um pecado-mesmo cercando todo o processo com o conhecimento da nossa aceitação em Cristo- a fim de que ele perca o poder sobre nós.
É possível meramente concordar que algo é pecado sem adotar uma nova perspectiva a respeito disso nem sentir uma nova aversão interior a esse pecado que lhe dê poder e liberdade para mudar. Em outras palavras, existe um tipo de arrependimento falso que na verdade não passa de autocomiseração. Você pode admitir seu pecado, mas não se entristece de fato pelo pecado em si. Fica triste apenas pelas consequências dolorosas em sua vida. Você quer que a dor pare, então põe fim ao comportamento. No entanto, talvez não tenha havido nenhuma mudança interior real em relação a crenças e expectativas falsas, a desejos desordenados e a autopercepções equi vocadas que causaram o pecado.
Um outro problema é tentar encobrir o pecado colocando a culpa em outros. Podemos justificá-lo ou minimizá-lo pondo a culpa nas circunstâncias e em outras pessoas. Todavia, o arrependimento real primeiro reconhece o pecado como pecado e assume total responsabilidade por ele. A verdadeira confissão e o verdadeiro arrependimento começam quando se põe fim ao processo de colocar a culpa no outro.
Assim como o arrependimento verdadeiro só começa quando termina o processo de colocar a culpa no outro, ele também só começa quando a autopiedade termina, e nós começamos a nos afastar do nosso pecado por amor a Deus e não por mero interesse próprio.

Se confessando

1 - Nomeando nossos pecados:

Será que a oração é algo fácil. E porque não oramos ou oramos pouco? Não há nenhuma parte na Bíblia dizendo que orar é fácil, antes temos várias exortações para orar e perseverar em oração. Jesus ensina seus discípulos a orar “Perdoa-nos as nossas dívidas”. “Ele sabe que nos achegamos ao nosso Pai com o fardo e a dor irritante da culpa. Jesus nos ensina a manter o que antigos cristãos chamavam de “prestação de contas com Deus”. Pedimos por perdão. Damos nome às dívidas que, conscientes, sabemos ter, não mais tentando escondê-las do Senhor em nossa tolice. Nós as admitimos trazendo-as tona, mencionando-as pelo nome em Sua presença e pedindo que sejamos perdoados.”(COMO ORAR E VIVER - Sinclair Ferguson)
A Confissão de pecados pode ser poderosa e libertadora ou simplesmente não ter sentido algum. Quando você generaliza, fazendo aquela oração tipo perdoa todos os meus pecados, quando você procura justificar transferindo culpa e fica cheio de autocomiseração, se vitimizando o tempo todo, essa confissão não tem nenhum poder e não terá efeito perdoador. Mas quando a confissão é um derramar da alma a Jesus, em uma profunda consciência de que o pecado é pessoal, é sujo, adoece e mata e é por isso que se precisa do perdão do Pai, isso realmente é poderoso e libertador.

2 - Faça um autoexame:

Tenho menosprezado alguém? Tenh sentido orgulho? Meus pensamentos tem sido santos? Tenho amado mais alguma coisa do que a Deus? Tenho pensado mal de alguém? Faço o que faço para glória de Deus ou para satisfazer meus próprios desejos?
Exemplo:
Ó Senhor, caí no pecado do orgulho, mas na cruz tu te converteste em alguém sem reputação nenhuma e abriste mão de todo teu poder e glória- por mim! Quanto mais te agradeço e me regozijo por teres feito isso, menos preciso me preocupar com minha própria honra e reputação, com o fato de as pessoas me aprovarem ou não.
Related Media
See more
Related Sermons
See more
Earn an accredited degree from Redemption Seminary with Logos.