Fidelidade
O sabor da vida • Sermon • Submitted
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Transcript
Como estamos estudando a ação de Deus em nós, dando um sabor especial a vida, por sua ação sobrenatural, de dentro para fora. É bom lembrar:
O fruto do Espírito não é um traço de personalidade ou qualidade; é Deus agindo em você!
O fruto do Espírito não é um traço de personalidade ou qualidade; é Deus agindo em você!
Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.
Hendriksen sugere que podemos dividir as nove partes do fruto em três grupos (2009, pág. 167-168): um com as primeiras três partes, que são qualidades espirituais básicas; o segundo com as três seguintes que são as virtudes manifestas nas relações interpessoais e as últimas três, que estão ligadas a Deus (fidelidade) o próximo (mansidão) e ao eu (domínio próprio). Estou seguindo essa sugestão e hoje vamos estudar sobre a fidelidade, a sétima parte do fruto; a primeira característica do terceiro e último grupo.
Fidelidade
Fidelidade
A palavra é pistis e aparece 243 vezes em o Novo Testamento. É traduzida 237 vezes como “fé” e outras quatro como “fidelidade” – Isso inclui Gl 5.
Otto Michel em seu artigo sobre a palavra grega no Dicionário Internacional de Teologia do Novo Testamento (COENEN e BROWN, 2000, pág. 815) afirma que “o emprego do grupo de palavras pistis/pisteuō pelo NT inclui, em primeira instância, o desenvolvimento adicional da tradição vétero-testamentária e judaica.” Sendo assim, um estudo no Antigo Testamento aponta que o sentido de pistis é “ser leal, digno de confiança, fiel” (Idem, pág. 801). “Pode significar tanto ‘confiança’ quanto ‘fidelidade’; e ambas essas facetas dessa virtude certamente procedem do Espírito de Deus” (CHAMPLIN, pág. 511).
Se observarmos como essa fé se revela, podemos entender, em termos práticos, o que essa porção do Fruto do Espírito pode produzir em nós.
Jairo e a mulher com hemorragia
Jairo e a mulher com hemorragia
Lc 8:40-55 (Nova Versão Internacional) “Quando Jesus voltou, uma multidão o recebeu, pois todos o esperavam. Então um homem chamado Jairo, dirigente da sinagoga, veio e prostrou-se aos pés de Jesus, implorando-lhe que fosse à sua casa porque sua única filha, de cerca de doze anos, estava à morte. Estando Jesus a caminho, a multidão o comprimia. E estava ali certa mulher que havia doze anos vinha sofrendo de uma hemorragia e gastara tudo o que tinha com os médicos; mas ninguém pudera curá-la. Ela chegou por trás dele, tocou na borda de seu manto, e imediatamente cessou sua hemorragia. Quem tocou em mim? perguntou Jesus. Como todos negassem, Pedro disse: Mestre, a multidão se aglomera e te comprime. Mas Jesus disse: Alguém tocou em mim; eu sei que de mim saiu poder. Então a mulher, vendo que não conseguiria passar despercebida, veio tremendo e prostrou-se aos seus pés. Na presença de todo o povo contou por que tinha tocado nele e como fora instantaneamente curada. Então ele lhe disse: Filha, a sua fé a curou! Vá em paz. Enquanto Jesus ainda estava falando, chegou alguém da casa de Jairo, o dirigente da sinagoga, e disse: Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre. Ouvindo isso, Jesus disse a Jairo: Não tenha medo; tão-somente creia, e ela será curada... ele a tomou pela mão e disse: Menina, levante-se! O espírito dela voltou, e ela se levantou imediatamente. Então Jesus lhes ordenou que lhe dessem de comer.”
O que você faria por um filho à beira da morte? Jairo não só fez todo o possível, mas o necessário. Aqui nós temos uma pausa na história de Jairo: uma mulher o tocou. O que significa isso? Bem, a doença dela tinha uma consequência social (cultos, objetos, pessoas), conf. Lv 15.
Lembro que nessa época de pandemia algumas pessoas sofreram tanto preconceito, que apresentando sintomas ou não, outros não queriam chegar perto, muito menos tocar em alguém.
Acho que aquela mulher não queria se expor, já que estava cerimonialmente imunda. Era uma prescrição da lei e a transmissão da “impureza religiosa” estava a distância de um toque, justamente o que ela fez com Jesus, por isso deve ter sido um momento tenso quando Ele pergunta “quem me tocou?”
Sobre a exposição que Jesus fez dela, creio que era necessário por dois motivos: sua condição social e para deixar claro que não era a roupa de Cristo, mas a fé o meio para o milagre acontecer. Os soldados tocaram o manto dEle, mas não foram curados da iincredulidade, porque não havia fé.
Não podemos receber algo que saiu dEle e esconder isso. A fé nos expõe!
Não podemos receber algo que saiu dEle e esconder isso. A fé nos expõe!
Seguindo o fluxo do texto, a história volta para Jairo. Imagino sua aflição com a demora de Cristo, dando atenção àquela mulher...
O pior acontece: a menina morreu antes da chegada de Cristo. Leon Morris em Introdução e Comentário de Lucas analisa a passagem paralela em Marcos e propõe que a construção gramatical de Lucas é “coloca tua fé em mim” e a de Marcos “continue crendo” (1983, p. 152). Dá pra tirar uma lição fantástica disso tudo:
No momento mais dramático, coloque sua fé nEle e continue crendo!
No momento mais dramático, coloque sua fé nEle e continue crendo!
Os últimos versos dizem que o milagre aconteceu: a menina voltou a viver.
O que essas duas histórias têm em comum? A necessidade da fé e o resultado dela. Embora o problema de ambas fosse físico, precisava do elemento fé, para que as coisas acontecessem. Os resultados também foram espirituais, mas a causa não foi a roupa de Cristo ou a caminhada que Ele fez até a casa, e sim a confiança que tanto a mulher tinha, quanto Jairo foi chamado a ter.
Quando usamos um remédio para alguma doença não precisamos de fé para isso. Crendo ou não o remédio fará efeito. Compreendendo ou não como funciona a química da medicação, ela vai fazer efeito. A ação de Deus na vida curando não é assim, precisa do elemento fé.
A fé provoca a ação de Deus na vida. O resultado é salvação!
A fé provoca a ação de Deus na vida. O resultado é salvação!
Esse é o resultado da fé: a salvação. Jesus disse à mulher “a tua fé te salvou” e a Jairo “crê somente, e ela será salva.”
Conclusão
Conclusão
Na vida daquela mulher com hemorragia, que queria tocá-lo e nem sequer sentia a necessidade de conversar com ele para que o milagre acontecesse, pois tinha vergonha de sua condição; ou na vida de Jairo que fez todo o possível para curar sua filha e descobriu que se mantivesse o foco em Cristo e cresse ela estaria salva, estava presente aquilo que Paulo disse em Gl 5:23 que seria um resultado da ação do Espírito em nós, dando sabor à vida.
Fidelidade é confiança. Fé e salvação andam juntas nesse texto de Lucas, e como Fruto do Espírito na vida não é diferente. Mais uma vez percebemos a importância de receber o Espírito na condição que Jesus disse que Ele viria: como nosso Ajudador.
Minha oração, enquanto lembrar desta mensagem, é para que você que está lendo tenha a alegria de Receber o Espírito nos termos de Gl 5:22-23 e ter fé uma fé/fidelidade que cura e salva, como aquela mulher e Jairo.
Graça e Paz!
Soli Deo Gloria
Referências: Colin BROWN e Lothar COENEN (org.). Dicionario internacional de teologia do Novo Testamento. 2ª ed. São Paulo: Vida Nova, 2000; Russell Norman CHAMPLIN. O Novo Testamento interpretado: versículo por versículo. Vol. 4. São Paulo, SP: Hagnos, 2002; William HENDRIKSEN, Gálatas, ed. Comentário do Novo Testamento. 2ª ed. São Paulo, SP: Editora Cultura Cristã, 2009. Leon L. MORRIS. Lucas: introdução e comentário. Tradução de Gordon Chown. São Paulo: Vida Nova, 1983.
