A Negação de Pedro

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Introdução

Hoje vamos viajar um pouco pelo evangelho João, para buscarmos compreender melhor a mentalidade de um personagem biblico e o impacto da ação do Senhor Jesus Cristo sobre sua vida. Muitas vezes nós tendemos a compreender mal alguns eventos biblicos desse personagem. Hoje eu quero trazer alguns pontos para entendermos melhor esses eventos, mas tambem para compreender a extensao maravilhosa da ação do Senhor Jesus também na nossa vida.
Mas para compreendermos tudo isso melhor, é importante estabelecermos um conceito muito importante para a realidade de Israel no tempo de Cristo: a Expectativa Messiânica

Contexto

Dentro do contexto histórico-cultural em que o Senhor Jesus estava inserido uma característica era muito marcante em meio a grande parte da população judaica, a chamada: “Expectativa Messiânica”. Mas como podemos descrevê-la brevemente?
Para entendermos isso, precisamos lembrar que o povo judeu possuia uma forte identificação própria como povo de Deus, isso se iniciou com mais força desde a aliança que Deus fez com Moisés, onde estabeleceu com eles a Lei e, com isso, proporcionou uma identidade para esse povo, trazendo algo que os diferenciava das demais nações. Algo que eles deveriam seguir para ser luz para essas. mas se tornou
Porém essa identificação ganhou ainda mais força, durante o exílio, crescendo para se tornar um sentimento de exclusivismo judaico. Isso por que o povo (do Reino do Sul, remanescente fiel) sofreu tanto durante o exílio que finalmente a prendeu sua lição de não praticar idolatria e vendo o estilo de vida que as outras nações seguiam, passou a despresa-las mais e mais se sentindo superiores.
Esse sentimento de superioridade, acabava também potencializando um outro sentimento que era a frustração por ainda estarem sob o dominio desses outros povos. Ainda mais quando tinham práticas tão ímpias. Essa frustração e espera pela libertação, foi, ao longo do tempo, fortalecida mais e mais, pela esperança no messias que os profetas anunciavam. Alguem que seria o libertador da nação. Que finalmente a colocaria na posição que consideravam ser estabelecida por Deus, ou seja, acima das demais nações.
Essa é a chamada expectativa messiânica, que teve diversas formas e movimentos decorrentes ao longo do tempo e refletia essa ansiedade profunda pela vinda de um Messias militar e politico que conduziria Israel à Gloria, derrotando as demais nações. Essa era a concepção do Messias na época do Senhor Jesus e não algo mais aproximado da imagem do Servo sofredor de Is 53. isso, na verdade, era totalmente absurdo para eles.

Pregação

É nesse contexto cultural de Expectativas Messiânicas, que nasce um menino judeu, chamado Simão (posteriormente chamado de Pedro, por Jesus). Assim como todas as demais pessoas esse menino cresce e se torna um homem com anseios pelo messias militar e libertador que viria. Não sabemos a intensidade desse sentimento em seu coração, mas sabemos que ele estava lá, devido a acontecimentos posteriores.

Ato 1 | O Messias aparece

Um belo dia, seu irmão André aparece dizendo que o Messias havia chegado e o leva até ele. João não dá detalhes desse encontro, mas vemos que, após aquilo, Pedro se torna um discípulo do Senhor Jesus.
A partir disso, esse homem inicia uma caminhada com Jesus e coisas incríveis acontecem! Ele testemunha a transformação da água em vinho (Jo 2:1-12), a purificação do templo (Jo 2:13-22), a cura do filho de um oficial romano (Jo 4:46-54), de um paralítico (Jo 5:1-18), entre diversos outros acontecimentos, ao longo do tempo.
Pedro provavelmente observava tudo aquilo maravilhado, afinal as escrituras diziam que a ação de Deus traria cura às doenças (Is 33:23-24; 35:5-6), algo que era um símbolo da libertação que viria com o nascimento de um rei davídico, cujo reinado inauguraria uma era eterna de paz, justiça e retidão (Is 9:6-7).
Não só Pedro observava essas situações maravilhado, como também o próprio povo! Pois, após a multiplicação dos pães em Jo 6:15, a multidão, que acabou de presenciar o poder sobrenatural de Jesus, tentou tomar Jesus, para fazê-lo rei à força.
Parecia que tudo progredia para esse entendimento! Estava claro para as pessoas que todas aquelas curas e aquele poder divino sobre Ele, além de sua autoridade no ensino, deveriam significar que ele era o Messias. Mas ainda faltava uma coisa: Quando é que o Messias pararia de curar enfermos e “apenas” ensinar as escrituras e passaria a exercer o seu papel militar? Quando é que os romanos seriam finalmente subjugados?

Ato 2 | O Messias servidor

Após esses eventos e essa concepção já bem formada em suas mentes, acontece um evento muito interessante: Alguns gregos que haviam ido a Jerusalém para adorar na cidade devido à festa da Páscoa, mostraram profundo desejo por ver Jesus.
Isso é importante por que é justamente quando Jesus fica sabendo desse desejo que Ele diz “É chegada a hora do filho do homem ser glorificado” (Jo 12:20). Perceba que interessante: até então diversos judeus já estavam exaltando Jesus como Messias, afinal ele tinha acabado de fazer sua entrada triunfal em Jerusalém. Mas é justamente quando gentios passam a mostrar desejo por ver Jesus que Ele afirma que é chegada a sua hora.
A missão havia chegado ao seu ponto derradeiro. Era o momento de se iniciar a narrativa da sua glória. Era o momento de conquistar dormar a sua Igreja.
Tudo isso é íncrivel quando pensamos sobre, mas eu gostaria que vocês procurassem entender a visão de Pedro quando ouviu Jesus dizer isso.
Certamente, conseguimos imaginar ele pensando algo do tipo: “é agora! Finalmente o momento chegou! É hora de irmos à luta contra os Romanos! O Messias vai se manifestar!”.
Isso é ainda mais marcante quando vemos o que o apóstolo João narra logo em seguida: o lavapés (Jo 13:1-19).
Durante a sua última ceia com os discípulos, mesmo com Judas Iscariotes ainda ali, Jesus toma uma atitude inacreditavel! Ele se posiciona para lavar os pés dos seus discípulos!
Você percebe o que significa isso? Essa era uma das ações mais absurdas que poderiam ser pensadas para o Messias. Lavar os pés de alguém era uma tarefa humilhante, destinada aos escravos, nem mesmo as esposas ou crianças judias tinham esse costume. Para um judeu era algo infame, então como esperar que Jesus, o Messias faria isso com seus servos?
Pedro, certamente pensou sobre isso e em um ímpeto disse que Jesus jamais lavaria seus pés. Esse momento muitas vezes é mal compreendido por nós, pois muitos entendem como uma atitude dotada de humildade da parte de Pedro nessa negação, mas dado o contexto, é muito mais provavel que o que estava passando em sua mente não era algo do tipo: “Jesus eu sou mínimo, não lave os meus pés, eu não sou digno!”; mas algo do tipo: “Como é que você vai lavar os meus pés? Eu jamais faria isso por alguém! Pare! Isso é absurdo!”.
Esse parece ser um pensamento mais condizente com o que passada pela mente de Pedro (e provavelmente, dos demais apostolos), principalmente devido à exortação que Jesus faz em seguida. Mas primeiro Jesus o repreende, diz que se não lavar seus pés Pedro não teria parte com Ele (um simbolismo do fato de que aquele que não é lavado pelo sangue de Cristo, por meio da fé) e então, temos um novo exagero de Pedro.
Por fim, vem a exortação: “Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também. Em verdade, em verdade vos digo que o servo não é maior do que seu senhor, nem o enviado, maior do que aquele que o enviou.” (Jo 13:14-16).
Jesus fez tudo isso para mostrar que o Messias não veio para destruir, mas para servir. Ele não veio para matar, mas para dar vida e vida em abundancia. E não é desejando o mal e a destruição que os discipulos de cristos devem caminhar, mas no servir uns aos outros. Aliás, como vemos nessa exortação de Jesus, quando deixamos de servir os outros assim como Cristo serviu, nos colocamos como servos que se consideram superiores ao seu senhor.
Imagine tudo isso na cabeça de Pedro!
Ainda após da ceia, Jesus ainda diz novamente que chegara a hora de ser glorificado e prediz que Pedro iria nega-lo 3 vezes, antes que o galo cantasse; logo após Pedro dizer que daria a vida por ele. Temos aqui um importante sinal de algo que seria um dos pontos mais marcantes da vida de Pedro.

Ato 4 | A derrocada final

Após toda a narrativa da santa ceia, os eventos passam a ser conduzidos para a glorificação do Senhor Jesus. O Senhor passa aos seus discípulos diversas instruções, promete a vinda de um consolador e finalmente, chegam ao Getsemani em Jo 18.
Lá, após as orações do Senhor Jesus, um grupo de soldados e guardas enviados pelos sacerdotes e conduzidos pelo traidor Judas, chegam para prender Jesus.
Talvez esse tenha sido mais um grande momento para Pedro, afinal era a cena perfeita! Não poderia ser em outro momento! Aqueles homens chegavam para levar o Messias preso! Em sua mente, talvez finalmente o momento do combate, dessa vez, realmente tinha chegado.
Assim ele saca sua espada e corta a orelha de Malco, um servo do sumo sacerdote, em uma tentativa bastante provavel de tirar-lhe a vida.
Mas novamente, Jesus faz o impensável. Ele repreende Pedro, cura a orelha de Malco e se entrega aos guardas! Mas como assim? O Messias, aquele que estabeleceria um reino eterno para Israel se entregou?
Nesse provavel estado de choque Pedro e João passam a seguir Jesus de longe, eles entram no pátio da casa do sumo sacerdote, ainda tentando esconder a sua identidade, ao mesmo tempo em que procuram entender o que está acontecendo.
Uma série de perguntas provavelmente passava pela mente deles. Não podemos afirmar quais, mas algo do seguinte tipo não seria improvavel: “como ele pode ter se deixado entregar? Ele não é o Messias? Ele curou enfermos, então ele deve ser o Messias. Mas, ao mesmo tempo, o Messias não pode ser dominado pelos nossos dominadores. Mas, espera aí, ele expulsou demônios e nós o vimos no monte da transfiguração, então ele tem que ser o Messias. Mas ao mesmo tempo, o messias não pode morrer, por que é ele quem vai estabelecer o nosso reino… Então o que está acontecendo? Quem é ele? Ele é o messias não é? O que isso significa?”
Em meio a esse mar de questionamentos, uma vocês se destaca, enquanto Pedro tenta se esquentar proximo da fogueira: “Você não é um dos discípulos desse homem?” Jo 18.17. Perguntou uma mulher.
Em meio a todos esse cenário em seu coração, Pedro nega pela primeira vez: “Não sou”.
Veja bem, muitos pregadores tem interpretado essas passagens como um simbolo de medo e covardia da parte de Pedro; outros tem entendido que não foi medo que o levou a negar Jesus, afinal, isso não faria sentido, porque pouco tempo antes ele estava pronto para a luta contra os guardas.
Não vejo porque as duas explicações não podem coincidir na enxurrada de pensamentos e emoções que Pedro provavelmente sentia. Muito provavelmente ele se sentia receoso por estar em um ambiente opressor e periculoso como aquele, ainda mais para um seguidor de Jesus. Mas também é muito provavel que, junto disso, ele também abrigasse certa duvida em seu coração; algo totalmente natural dado o entendimento cultural referente ao messias.
Pedro estava em choque, ele havia depositado toda a sua vida e esperança nas mãos daquele homem que agora estava entregue aos seus inimigos. Será que ele realmente conhecia aquele homem? Será que ele era realmente quem ele esperava? Sera que ele era realmente seu discipulo? O que pensar em uma situação dessas?
A narrativa é cortada abruptamente para o interrogatório de Jesus por meio do sumo sacerdote (Anás). Aqui vemos como é fascinante a literatura de João, pois ele cria uma preparação para o que irá acontecerá logo na sequencia, gerando um contraste entre Jesus, que nada negou, pelo contrário, em tudo disse a verdade (Jo 18:23); e Pedro que o negaria mais 2 vezes.
Novamente, nos voltamos para Pedro — provavelmente observando Jesus de longe (segundo o relato de Lucas). Ali, mais duas pessoas lhe perguntam o mesmo e Pedro nega Jesus por mais duas vezes. Assim, que o faz pela terceira vez (sendo questionado por um parente de Malco, o homem de quem havia cortado a orelha, e que portanto poderia reconhecê-lo e acusá-lo contra mas autoridades), movido pelo medo dos inquisitores e do cenario em que estava inserido, além da duvida, da frustração e da perplexidade em seu coração, o galo canta, cumprindo a profecia que o próprio Senhor Jesus havia feito sobre ele. É aqui que ele olha para Jesus, que o encara diretamente (ev. de Lucas).
Ali é o bastante para ele ter completamente desmantelada toda base de autoconfiança, orgulho e tudo mais que possuia. Aquele homem que era seu senhor e amigo, aquele que ele, no fundo, sabia que de fato era o messias, aquele que ele havia jurado proteger com a vida, sabia que ele o negaria e o olha direto nos olhos quando o faz.
Pedro se destroça. Não podemos sequer imaginar o que passou pela mente dele.

Ato 5 - A restauração

O sabado deve ter sido um pesadelo e um choque imenso para Pedro. Aquele que ele e os demais discipulos acreditavam que era o messias havia morrido da forma mais absurda e hedionda possivel: na cruz.
Mas, no domingo, o inesperado acontece: seu corpo não estava mais na tumba! Ainda por cima, algumas mulheres afirmavam que ele havia ressuscitado! Em meio a duvida e remanescente incredulidade, os discipulos passam a tarde a portas fechadas, até que um novo convidado chega à reunião. Era Ele! Jesus ressuscitou!
Todos ficaram em choque, em um misto de alegria e espanto. É aqui que Lucas traz um ponto muito importante, pois Lc 24:45 diz que foi então que Jesus lhes abriu o entendimento para que compreendessem as escrituras, logo após explicar-lhes todas as coisas que estavam escritas sobre ele (inclusive que o Messias teria que morrer para ser glorificado). Após 8 dias Jesus se apresentou novamente para eles.
Tudo estava excelente para os discipulos, de fato Jesus era o messias! Eles jamais estiveram enganados! E agora eles compreendiam como as escrituras testificavam dEle e de sua obra!! Jesus é o Messias! Isso fortalecia o coração deles. Mas um pessoa, provavelmente ainda estava inquieta. Ainda carregava um peso sobre os ombros. Talvez não se sentisse digno de tudo aquilo. Pedro, possivelmente ainda estava imerso em um mar de culpa e vergonha, mesmo em meio a tanta graça.
Então, em um belo dia, Jesus aparece para eles pela terceira vez após a ressurreição (Jo 21:14), dessa vez em uma forma que não puderam reconhecer (não ao menos até efetuar um milagre que lhes proporcionou com mais uma pesca abençoada - Jo 21:6-7). Pedro pula do barco e vai ao encontro de Jesus, que lhes prepara uma refeição simples e pede para que pegassem mais dos peixes.
Após o momento da refeição, foi finalmente chegado o momento da restauração.
Jesus, trata com Pedro, provalvemente em meio aos demais discipulos, ou seja, em público (entendemos isso pela forma das perguntas de Jesus - “Você me ama mais do que esses me amam?”). Da mesma forma que Pedro o negara em público, Jesus trata de restaurá-lo em público também. E lhe pergunta 2 vezes: Você me ama? A que Pedro responde: “Sim, senhor. O senhor sabe que eu te amo.” Mais uma terceira vez, Jesus pergunta o mesmo: “Pedro, você me ama?” Pedro fica triste pelo fato de Jesus lhe perguntar pela terceira vez, mas confirma novamente o seu amor por Jesus.
Muitos pregadores, com baixo conhecimento em exegese, acabam observando essa passagem e pregando como se o sentido dela residisse nos verbos gregos “agapao” e “fileo”, ambos traduzidos como amor (nas duas primeiras perguntas Jesus pergunta usando agapao e Pedro responde com fileo, e na terceira ambos usam fileo). Como se João estivesse dizendo que Jesus se referia a um amor sacrificial e Pedro a um amor mais relacionado com a afeição. Porém, dentro do contexto do evangelho de João, isso não é verdade!
De fato, as duas palavras possuem nuances diferentes quando olhamos no dicionario, mas muitas vezes eram usadas como simples sinônimos. E esse é exatamente o caso aqui. Em seu evangelho, João intercala as duas palavras como um simples recurso literario para não repetir ao mesma palavra ao se referir a amor. Podemos ver isso nos exemplos abaixo:
- Jo 3.35: “O Pai ama (άγαπάω) o Filho e entregou tudo em suas mãos.”
- Jo 5.20a: “Pois o Pai ama (φιλέω) ao Filho e lhe mostra tudo o que faz.”
- Jo 17.23b: “Que eles sejam levados à plena unidade, para que o mundo saiba que tu me enviaste, e os amaste (άγαπάω) como igualmente me amaste.”
- Jo 16.27: “pois o próprio Pai os ama (φιλέω), porquanto vocês me amaram (φιλέω) e creram que eu vim de Deus.”
- Jo 11.5: “Jesus amava Marta (άγαπάω), a irmã dela e Lázaro.”
- Jo 11.3 e 36: “Então as irmãs de Lázaro mandaram dizer a Jesus: ‘Senhor, aquele a quem amas (φιλέω) está doente’.” & “Então os judeus disseram: ‘Vejam como ele o amava (φιλέω)!’”
- Jo 8.42a: “Disse-lhes Jesus: ‘Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam (άγαπάω), pois eu vim de Deus e agora estou aqui.’”
- Jo 16.27: “pois o próprio Pai os ama (φιλέω), porquanto vocês me amaram (φιλέω) e creram que eu vim de Deus.”
Como vemos, o significado do interrogatório de Jesus não reside nas palavras gregas escritas por João, mas sim no próprio fato de Jesus ter perguntado a Pedro 3 vezes. É por isso que Pedro fica triste, a culpa e a vergonha pela negação ainda o consomem. Talvez até se sentisse como se sua declaração soasse como hipocrisia, pelo fato de dizer aquilo 2 vezes para Jesus após tê-lo negado Jesus por três vezes.
Você já se sentiu assim? Com vergonha de buscar a Deus e declarar o seu amor a Ele, após ter cometido um pecado? Lembre-se que somos pecadores, mas Cristo nos redime e fortalece desde que nos rendamos e entreguemos a Ele.
Aqui, vemos que Pedro não tenta responder em termos da força relativa a seu próprio amor por Ele, ele apenas apela para ao conhecimento do próprio Senhor. Parafraseando D.A Carson, é como se dissesse: “Senhor, apesar do meu amargo fracasso, eu te amo. O Senhor sabe que eu te amo”.
E aqui vemos o grande propósito de Jesus com aquilo: restaurá-lo! E a cada uma das três perguntas de Jesus e respostas afirmativas de Pedro, Jesus replica dizendo: apascenta as minhas ovelhas/cordeiros.
O que vemos aqui é Jesus trazendo a Pedro: “se você me ama Pedro, então cuida (um verbo imperativo e não um substantivo) das minhas ovelhas. Por que não é tentando matar o servo do sumo sacerdote ou iniciar uma revolução contra os guardas dele, que você vai me servir e honrar, mas sim se entregando por mim a cada dia e cuidando daqueles que são meus.”
Quantas vezes não temos matado mais pessoas no nosso coração do que servido, não é mesmo?
Ao fim, das suas perguntas, a restauração que Jesus produz em Pedro é tão profunda, que Ele pode até dizer para Pedro como ele o glorificaria em sua morte: sendo conduzido para onde não quer.
Jesus restaura, mesmo aqueles que acreditam em seu coração que são hipocritas, imundos, perdidos, etc. Basta se entregarem a Ele!
Talvez você esteja sentindo que está vivendo uma vida longe dos caminho de Cristo a tanto tempo que, como dissemos a pouco, se sente envergonhado de orar, de pedir ajuda a Deus, de pedir perdão etc. Mas saiba que se você entregar o seu coração e a sua vida a Ele, Ele vai te restaurar! E lembre-se que você nunca vai ser perfeito e sempre vai ser um pecador, a diferença é que em Cristo, cada vez mais você vai buscar caminhar em perfeição.
É claro que mesmo durante a caminhada você vai ter tropeços, o próprio Pedro passou por isso logo após a sua restauração. Pois, enquanto caminhava com Jesus, viu João logo atrás deles e perguntou (logo após Jesus ter lhe dito como ele O glorificaria com a morte): “e quanto a este?”
A resposta de Jesus é bastante abrupta: “que te importa?”. Jesus demonstra aqui que aquilo que ele tratava com Pedro, era referente a Pedro. E não aos demais. A relação era com ele! Era o propósito de vida dele e a forma como ele glorificaria a Jesus com a morte. Ou seja, se Jesus quisesse que João permanecesse vivo até Ele voltar, o que isso impactava na vida de Pedro? É uma advertencia clara para Pedro e para todos nós: em nossa caminhada cristã, o que nos importa é aquilo que Jesus trata conosco e não a forma com que Jesus trata com os outros. Isso simplesmente não é da nossa conta. Deus trata com cada um de forma individual.

Conclusão | Aplicação Prática:

Sei que tratamos de muitas coisas e por isso eu gostaria de ressaltar alguns pontos para nós carregarmos na memória e tentar resumir tudo isso que vimos:
A que Cristo você tem seguido? Será que você pode estar comentendo o mesmo erro de Pedro e buscando um Jesus que é uma concepção cultural de alguns ou sua própria? Será que você pode crer em um jesus da hipergraca? Que "te aceita do jeito que você é e nao exige nada de voce"? (Sendo que ele exige tudo). Ou você crê no Jesus da Bíblia, que se entregou pela renovacao do cosmos — onde voce está incluso, para que você pudesse ter a vida eterna e desfrutar de parte dela desde já?
A sua fé tem atuado como força geradora de um atitude de servo em seu coração? Irmãos, isso é muito importante. O próprio Senhor Jesus serviu seus discipulos e nos disse para fazer o mesmo. Inclusive dizendo que o servo não é maior que o seu Senhor. Ou seja, sempre que deixamos de servir aos nossos irmãos e agir em serviço na igreja, nos posicionamos como se nos considerassemos superiores a Jesus. Será que estamos vivendo agindo como Pedro, permitindo que o nosso orgulho, esteja fazendo com que confundamos serviço com humilhação e deixando de servir nossos irmãos?
Se você tem vivido uma vida longe dos caminhos de Cristo, saiba: Ele pode te restaurar! Assim como Jesus perdoou e restaurou a Pedro, Ele também pode o restaurar! Talvez você esteja há muito, longe da igreja, retornando hoje ou talvez há pouco tempo. Ou talvez você venha sempre na igreja, talvez mesmo há anos, mas sabe, lá no fundo, que em seu coração, tem caminhado longe daquilo que o Senhor Jesus exige de nós. Ou ainda, talvez você se sinta mais como uma pessoa que peca e se sente envergonhada de orar ou de buscar a Deus, pelo peso da culpa, ou por se considerar impócrita, talvez da forma semelhante a Pedro. Pare de pensar isso! Não importa qual seja a sua situação, Cristo pode te restaurar! Você só precisa entregar a sua vida a Ele, se rendendo em submissão profunda! Deixar que Ele tome conta de tudo! Confiar tudo à Ele! Nós sempre seremos pecadores, mas o que nos difere dos não crentes é que, a cada vez, caminhamos mais e mais em arrependimento e buscando a mudança de vida, em entrega e rendição a Deus.
Não viva em função da vida espiritual dos seus irmãos! Na sua caminhada cristã você vai se deparar com pessoas que você percebe muito da presença de Deus sobre suas vidas. Não fique comparando a sua vida com a vida dos seus irmãos, no sentido de querer almejar e cobiçar aquilo que eles vivem e possuem. O sacerdócio é universal e todos temos livre acesso ao Pai, por meio de Cristo! Então construa o seu próprio relacionamento com Deus, se entregue a Ele e confie nEle! Pois “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que foram chamados segundo o seu propósito”. Rm 8:28
Se você ouve isso e sente que algum desses pontos faz sentido no seu coração. Se ouvindo isso você se vê inclinado a mudança. Esse pode ser o momento de você realizar uma oração de arrependimento e declaração de amor a Deus.
Oremos.
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