Discipulo produz discipulos 2

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II Tm 2:2 - A continuidade do discipulado. At 9:26,27 - O discipulado de Saulo. At 11:25,26 - O cuidado de Barnabé com Saulo. Mt 4:18,19 - Jesus e seus discípulos. Mt 28:19,20 – A nossa incumbência.

INTRODUÇÃO:

- O discipulado é a continuidade da integração.
- É o processo em que o novo convertido recebe todas as instruções indispensáveis ao crescimento de sua fé e a conscientização de suas responsabilidades. - Depois de integrado á igreja, o novo convertido precisa continuar desfrutando de cuidados especiais até que alcance a maturidade espiritual e se torne, ele mesmo um discipulador.

1 - O DISCIPULADO E SUA CONTINUIDADE.

a) O discipulado é uma necessidade Assim como o bebê recebe, nos seus primeiro dias de vida, uma alimentação adequada ao seu organismo, da mesma forma o novo convertido nesta fase. b) A continuidade do discipulado II Tm 2:2 O que eu aprendi, devo ensinar a outros, para que esses passem a diante; é fazer discípulos que façam discípulos.

2 - O DISCIPULADO DE SAULO (PAULO).

a) Seu principal discipulador foi Barnabé. Barnabé o tomou para si, quando sofreu discriminação da igreja em Jerusalém At 9:26.
- Barnabé manteve Saulo ao seu lado por um ano At 11:25,26.
- Observe que logo ele começa a ajudar Barnabé At 11:26.
- Veja a importância do discipulado, Saulo se torna o grande Paulo, o precioso apostolo dos gentios.

3 - QUALIDADES DE BERNABÉ QUE TODO DISCIPULADOR DEVE TER.

a) Era homem de bem, era cheio do Espírito Santo e cheio de fé At. 11:24, fiel nas contribuições At 4:37. b) Seu nome destacava sua conduta(Barnabé, filho da consolação) At 4:36. Era amoroso, encorajador, consolador, amigo etc. c) Outras qualidades do discipulador. Deve amar incondicionalmente. Deve ser respeitável. Ser confiável. Ser equilibrado. Cuidadoso com as criticas. Transparente também nas fraquezas.

4 - JESUS E SEU DISCIPULOS MT 4:18,19.

a) Eu vos farei pescadores. Está claro que discipulado é treinamento. Está claro que ninguém é inútil, basta ser treinados.

5 - A INCUBÊNCIA É PARA TODA Á IGREJA MT 28:19,20.

a) Todos devem fazer discípulos. b) Aperfeiçoando os santos (preparando a igreja). c) Para a obra do ministério (que é a edificação do corpo). d) É a igreja cuidando da igreja (é crente cuidando de crente).

6 - QUANTO TEMPO DEVE DURAR O DISCIPULADO?

a) Enquanto houver necessidade de aprender. b) E não somente até o batismo, como às vezes pensamos.

7 - PROBLEMAS DA FALTA DE DISCIPULADO HB 5:12.

a) Quem não tem um discipulador já tem um problema. Está propenso a se desviar com facilidade. Não cresce adequadamente. É presa fácil para heresia. É improdutivo. É uma brasa só, e logo esfriará. Por que ser dois, é um principio divino Ec 4:9-12.

8 - BENÇÃOS DO DISCIPULADO.

a) Se você tem um discipulador você tem um pai, um amigo. Alguém que ouça você. Alguém que ore com você. Alguém que fale sobre a sua vida (chame a sua atenção). b) Resultado.
Seremos melhores servos de Deus, melhores obreiros. Teremos raízes bem firmadas. Teremos melhor colheita.
Jesus e o discipulado - Jesus encarava seu ministério como a materialização do *reino de Deus, que havia se tornado real em sua pessoa e na comunidade de discípulos que ele estava reunindo (Lc 11.20–23); para compartilhar essa nova existência, ele convidou a integrar seu círculo de convivência uma grande variedade de pessoas: um cobrador de impostos, um zelote, trabalhadores, gente comum e, numa atitude revolucionária, mulheres, além de homens. Ele não levava em conta antecedentes sociais, religiosos, políticos e étnicos, nem mesmo gênero. Convocou o cobrador de impostos que vivia alienado da comunidade de adoração e o zelote que ameaçava a ordem social. Ele os instruiu a abandonarem seus antigos contatos, a deixar os barcos de pesca, a coletoria, família, e abraçar o discipulado. Seu chamado exigia uma completa ruptura com família, vocações e objetivos de vida independente (Mc 1.16–20; 2.14; 8.34; Lc 9.57–60; 14.26–27). Exigia que as pessoas negassem a si mesmas e deixassem para trás as velhas responsabilidades, rompendo de forma radical com os valores aos quais estavam acostumadas. O compromisso assumido pelo discípulo não era de um mero aluno, mas incluía: (1) um profundo relacionamento com Jesus como pessoa, não simplesmente como adepto de seus ensinos; (2) um relacionamento vitalício como participante de uma missão — um compromisso de “erradicação social”, dissidência política e uma vida na qualidade de residente estrangeiro disposto a correr o risco de sofrer, de morrer e de um possível martírio; (3) como consequência, representar o modo de vida do novo reino, do qual o discípulo deveria depender pelo resto da vida quando enviado ao mundo na condição de presença e testemunha da visão radical de Jesus.O equivalente mais próximo do modelo de discipulado criado por Jesus encontra-se no relato que as Escrituras hebraicas fazem da vocação do profeta, ou seja, Deus chama, e a pessoa abandona compromissos da vida pregressa e aceita um relacionamento exclusivo que é firme embora questionador, incondicional embora voluntário e sustentável através das lutas próprias das incertezas e de sacrifícios de alto preço. O discípulo não é retratado como um super-homem, não é nenhum modelo de perfeição, não está imune a erros, nem sempre revela uma total compreensão de seu Mestre e de seus ensinos, mas é simplesmente um seguidor que, assumindo um compromisso radical, trilha o caminho da obediência fiel por amor. Em suma, as narrativas do evangelho mostram com clareza que Jesus procura pessoas, contempla-as com amor profundo, apresenta-lhes um chamado inesperado e gera discípulos por meio desse chamado, do relacionamento que se forma em seguida, da dinâmica de sua vida compartilhada, do serviço, do ministério, do testemunho, do amor incondicional, do sofrimento e da absoluta fidelidade ao chamado de Deus.O discipulado está inteiramente fincado na *cristologia e dela depende. É de Jesus Cristo que se é discípulo, não de uma teoria, de uma teologia ou de um modo de vida. Discipulado é estar a serviço de Jesus, representá-lo com a autoridade oferecida em sua humildade característica, com a compaixão que transforma o ato de cuidar numa oportunidade para a graça de Deus, é ser um pacificador ainda que oferecendo a própria vida na busca da paz de Deus.3. Discipulado como ato de seguir CristoDiscipulado é seguir Cristo. Em muitas tradições cristãs, é o principal fundamento para o viver cristão. Nos primeiros escritos dos pais da igreja, em particular das ordens católicas, na reforma radical dos anabatistas, em muitos movimentos de renovação que procuram retornar aos padrões neotestamentários e nas manifestações carismáticas que se difundem por todas as igrejas tradicionais, existe uma volta à linguagem do discipulado como forma de expressão do relacionamento imediato e íntimo de obediência viva e fidelidade a Jesus como o grande vínculo capacitador e motivador da espiritualidade, da ética e da vida que se manifesta no testemunho e na comunidade. O paradigma do discipulado da vida cristã considera a igreja um corpo de pessoas que creem (discípulos) e se comprometem a seguir Jesus Cristo em comunidade. Esse paradigma finca a identidade da igreja no resgate da história do Novo Testamento, estende-a a uma expressão contemporânea culturalmente adequada da história da fé bíblica e vincula o ser igreja hoje à igreja retratada no relato bíblico de Atos e das epístolas. A ênfase em imitação e participação cria uma estreita continuidade entre os relatos bíblicos da ligação dos discípulos com Jesus e a busca atual de uma ligação semelhante pela comunidade dos que creem. “Ninguém tem condições de conhecer verdadeiramente Cristo, a não ser aqueles que o seguem na vida do dia a dia”, escreveu Hans Denck, teólogo e mártir anabatista do século 16.4. Discipulado como vivência dos ensinos de JesusO discipulado não pode ser separado da cruz nem das bem-aventuranças do Sermão da Montanha, nem da via do sofrimento, nem do andar diário pelo caminho de Jesus. Os cristãos são muitas vezes tentados a fazer uma separação entre Jesus como Salvador — a salvação mediante sua morte e ressurreição que transformam — e Jesus como Mestre dos mestres, o Senhor acima de todos os outros césares, o exemplo acima de todos os outros modelos de identidade e integridade. O desconforto com os ensinamentos do Sermão da Montanha tem sido a causa desse enorme salto da encarnação de Cristo diretamente para sua paixão, com a consequente perda da essência do verdadeiro discipulado. O chamado para que voltemos ao caminho dos discípulos se faz ouvir hoje, incisiva e poderosamente, no cristianismo oriental e no Hemisfério Sul. O crescimento da igreja cristã fora da Europa e dos Estados Unidos tem muitas vezes ocorrido em situações nas quais a vida de Jesus tem uma ligação mais imediata com os padrões culturais do dia a dia, onde os ensinos de Jesus falam mais diretamente aos valores que confrontam os padrões religiosos abandonados quando se aceita o evangelho de Cristo e onde existe um chamado ao discipulado caracterizado por um convite irresistível a uma nova vida em Cristo. Um novo compromisso com o discipulado fiel é verbalizado nesses contextos em que oposição, perseguição e altos sacrifícios são inevitáveis para aquele que crê.5. Defensores do discipulado de alto preçoNa turbulenta década de 1930, o teólogo alemão de confissão luterana Dietrich Bonhoeffer formulou uma teologia do discipulado marcada pelo radicalismo em seu clássico Nachfolge ou Discipulado, que apresenta um fervoroso chamado a seguir Jesus Cristo numa obediência pessoal e coletiva orientada pelo ensino, pelo exemplo e pela obediência radical de Jesus ao Pai. Ele escreve: “Cristianismo sem discipulado é sempre um cristianismo sem Cristo”. Vinculando o discipulado à obediência radical a Cristo, ele declara com autoridade: “Somente os que creem obedecem, e somente os obedientes creem”. Bonhoeffer dizia que Jesus ensinou uma obediência somente pessoal, moral, vocacional, relacional e devocional (mais facilmente assimilada pelas categorias tradicionais de pensamento e prática religiosos), mas exigiu também uma obediência política e, no final das contas, de vida e morte. Ele faz um contraste entre a graça barata e a graça de alto preço, dizendo:Graça barata é graça sem discipulado, graça sem a cruz, graça sem Jesus Cristo vivo e encarnado. A graça de alto preço é o evangelho que precisa ser buscado constantemente, a dádiva que precisa ser pedida, a porta na qual devemos bater. Essa graça é de alto preço porque nos convoca a seguir Jesus Cristo. É de alto preço porque nos custa a vida. É graça porque nos concede a única e verdadeira vida (Bonhoeffer, 46).Entre os muitos teólogos do Ocidente que escrevem incisivamente sobre discipulado encontram-se Karl Barth, Jürgen Moltmann, John Howard Yoder, Stanley Hauerwas, James McClendon, Miroslav Volf, Glen Stassen e líderes de movimentos como Ronald Sider, Jim Wallis, Lee Camp e Brian McLaren. Um profundo reconhecimento do discipulado como centro da obediência fiel a Cristo também pode ser encontrado em teologias formuladas na Ásia, África e América Latina.

A grande comissão

Segundo Mateus, Jesus disse aos discípulos: Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado (v. 19–20a). Há quatro imperativos nesta comissão: (1) ir, (2) fazer discípulos, (3) batizar e (4) ensinar.

Nos registros dos evangelhos, vemos Jesus chamando pessoas em alguns momentos. Em um de seus convites mais conhecidos, ele disse: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11.28). Ele chamava as pessoas a fim de que encontrassem descanso, vida, provisão, conforto e ajuda de qualquer espécie. Porém, vemos também que, quando iam até ele, o Senhor muitas vezes as despedia com uma missão. Assim foi com os discípulos. Ele ordenou que saíssem por aí. A primeira ordem da grande comissão é “ir”.

No início de 2010, um terremoto devastador atingiu as proximidades de Porto Príncipe, no Haiti. Um conhecido falou-me a respeito de um médico que estava reunindo uma equipe com o objetivo de dar assistência aos haitianos gravemente feridos ou à beira da morte. Eu apresentei a situação à minha igreja, a Saint Andrew’s, e, em uma única manhã de domingo, arrecadamos mais de 10.000 dólares para aquela missão de socorro no Haiti. Recentemente, conversei com o médico, e ele falou: — Sproul, eu voltei ao Haiti na semana passada e encontrei muitas pessoas que eu achava que não conseguiriam sobreviver. Então ele me mostrou fotos de alguns indivíduos com quem havia trabalhado e começou a me contar sobre eles. Enquanto falava, entretanto, começou a chorar. Ele disse: — Eu não consigo acreditar no que Deus fez ali, e sua igreja foi uma parte importantíssima dessa obra. Este é o tipo de coisa que acontece quando decidimos ir.

Contudo, não devemos apenas ir; devemos fazer discípulos. Constatei que é relativamente fácil arrecadar fundos para sustentar missões focadas no evangelismo. As pessoas enxergam a importância de converter outras a Cristo. Da mesma forma, é fácil arrecadar dinheiro para ajudar crianças famintas ou outros tipos de ministério de misericórdia, pois necessidades assim são bem evidentes. Porém, nunca é fácil arrecadar dinheiro para missões que envolvem educação cristã. As pessoas não acham que educação cristã é tão importante. No entanto, quando um indivíduo se converte, seja com 10, 50 ou 90 anos de idade, ele é espiritualmente um recém-nascido. Precisa ser alimentado no aspecto espiritual e receber amadurecimento na fé.

Eu me lembro de ler uma biografia de Billy Graham na qual ele comenta que, com frequência, ficava acordado à noite pensando nas pessoas que tomaram uma decisão a favor de Cristo em suas reuniões. Ele se perguntava se havia alguém acompanhando-as, ensinando e ajudando a se firmar na fé. Fico feliz por ele ter esta preocupação, pois é uma preocupação bíblica. A grande comissão nos chama a ser mais do que instrumentos para a conversão de pessoas. Ela nos chama a ensiná-las, a firmá-las, a ajudá-las a crescer em conformidade com Cristo. Esta é a nossa missão.

Jesus também comissionou sua igreja a batizar. Por que ele achou apropriado incluir este ritual na grande comissão? Assim como a aliança que Deus fez com Abraão foi selada com o sinal pactual da circuncisão, a nova aliança que Cristo fez com a igreja é selada com o sinal do batismo. O batismo comunica que nós fomos unidos a Jesus Cristo. Ele mostra que fomos purificados do pecado, regenerados pelo Espírito Santo, sepultados e ressuscitados com Jesus Cristo, dentre muitos outros significados. Deus promete que aqueles que têm fé no seu Filho, Jesus Cristo, participarão de todas as promessas, de todos os benefícios que Cristo garantiu. O batismo não é um sinal de fé; é um sinal da fidelidade de Deus em conceder seu Filho a todos os que creem. É por isso que os apóstolos não apenas pregavam, mas também batizavam pessoas e lares inteiros, isto é, todos aqueles que passavam a fazer parte do corpo de Cristo na igreja do primeiro século. Também é muito importante o fato de o batismo ser realizado na fórmula trinitária: Pai, Filho e Espírito Santo.

Por último, devemos ensinar. Jesus mandou que os discípulos ensinassem os outros a “guardar” – isto é, obedecer – “todas as coisas” que ele havia ordenado. Temos de tornar conhecido todo o conselho de Deus, inculcando-o no coração e na mente das pessoas.

Guia Cristão de Leitura da Bíblia (Encantador ou Radical? (Mateus 5.1–12))
Encantador ou radical?MATEUS 5.1–12Voltamo-nos, agora, para o grande Sermão do Monte de Jesus a fim de observar que tipo de vida Ele quer que seus discípulos abracem. Essa leitura é sobre as declarações de Jesus acerca do caráter do verdadeiro cristão — as bem-aventuranças. Certa vez, ouviram uma senhora exclamar: “As bem-aventuranças não são encantadoras?”. Se ela conhecesse a intenção revolucionária de Jesus não teria dito “encantadoras”! Jesus quer que os discípulos virem o mundo de cabeça para baixo sendo radicalmente distintos do mundo.O mundo diz: “Afirme-se se quiser progredir! Agarre o prazer de qualquer maneira, mesmo que isso signifique desobedecer às leis de Deus quanto à vida correta. Passe por cima das outras pessoas na competição da vida diária. Esqueça o bem-estar dos outros se quiser ter sucesso. Seja duro; não ceda a sentimentos suaves como misericórdia ou as pessoas acabarão por atropelar você.”
Guia Cristão de Leitura da Bíblia O Discipulado na Estrada (Marcos 9.9–50)

MARCOS 9.9–50

O discipulado não é aprendido na sala de aula; ele só pode ser aprendido na estrada da vida. Muitos dos profundos ensinamentos de Jesus foram inspirados por incidentes aparentemente casuais ou por perguntas espontâneas. Além disso, as lições profundas surgem das tensões da vida conjunta dos discípulos. Como veremos nesse capítulo, Jesus transformou naturalmente tudo isso em situações de ensino.

Mateus: Jesus, o Rei dos Reis A Grande Comissão de Jesus (28.16–20)

A grande comissão de Jesus (28.16–20)

Carlos Osvaldo Pinto ressalta que esse último parágrafo do evangelho (28.16–20) deve ser comparado em primeiro lugar ao capítulo 10, para que a mudança seja vista em toda a sua magnitude. Ali (cap. 10), Cristo, o filho de Davi, delegou seu poder para a evangelização de Israel. Aqui, Cristo, o filho de Abraão, delega sua autoridade para a evangelização do mundo.

Os onze discípulos atenderam à ordem de Jesus e deixaram Jerusalém, rumando para a Galileia, e ali, no monte designado pelo Senhor, ele se deu a conhecer a eles. Logo que o viram, eles o adoraram. Alguns, porém, duvidaram. É nesse cenário, num dos montes da Galileia, que Jesus entrega a seus discípulos a grande comissão.

Todos os quatro evangelistas deram ênfase à grande comissão. Lucas ainda a repete no livro de Atos. Fica evidente, na grande comissão, que o propósito de Deus é o evangelho todo, por toda a igreja, em todo o mundo, a toda criatura. R. C. Sproul destaca o fato de que Jesus não está dando uma grande sugestão, mas uma grande comissão, ou seja, trata-se de uma ordem expressa do Rei dos reis, o qual possui toda a autoridade no céu e na terra.

Tasker, citando H. B. Swete, é oportuno, quando escreve:

Este evangelho começou com uma afirmação de que Jesus era da linhagem real de Davi, e registrou que, enquanto criança, foi reconhecido como “Rei dos judeus” pelos astrólogos vindos do oriente. Agora, depois de ser crucificado como “Rei dos judeus”, ressuscitou dos mortos; e em seu estado glorificado como o Cristo ressurreto, sem reservas arroga-se a posse de completa autoridade no céu e na terra. Com esta conotação termina o evangelho.

Cinco verdades devem ser aqui ressaltadas, como vemos a seguir.

Em primeiro lugar, a competência do comissionador (28.18). Que constrate havia nessa cena na Galileia com os gemidos no Getsêmani e com a escuridão do Gólgota! Jesus afirmou a sua onipotência e soberania universal. Na cruz, ele foi proclamado “rei dos judeus”, mas, quando João o vê glorificado em sua visão apocalíptica, na sua cabeça havia muitos diademas, e em seu manto e em sua coxa havia um nome escrito: “Rei dos reis e Senhor dos senhores”. Jesus tem toda a autoridade (ARA) e todo o poder (ARC). Exousia, “autoridade”, nesse contexto, refere-se ao poder e à jurisdição absolutos. Nada existe fora do controle soberano do Cristo ressurreto. É nesse fundamento que os discípulos deverão ir, fazendo discípulos de todos os povos.

Essa declaração mostra que quem dá a ordem tem autoridade e competência para fazê-lo. Havia autoridade em seus ensinamentos (7.29); ele exerceu autoridade para curar (8.1–13) e até mesmo para perdoar pecados (9.6). Jesus tinha autoridade sobre Satanás e delegou autoridade a seus apóstolos (10.1). Ao final de seu evangelho, Mateus deixa claro que Jesus tem toda a autoridade (28.18). A. T. Robertson diz que o Cristo ressurreto, sem dinheiro, ou exército, ou estado governamental, comissiona esse grupo num dos montes da Galileia para conquistar o mundo.29 Esse é o maior empreendimento que os seres humanos foram chamados a executar.

É condição básica de êxito, no cumprimento da grande comissão, sabermos que Jesus nos dará as condições de enfrentar o inimigo e as circunstâncias adversas sem temer e vacilar. Qualquer ordem dada pela autoridade máxima do universo exige atenção e respeito total. Portanto, ao proferir a ordem, Jesus quer ser obedecido de forma clara, completa e urgente.

Em segundo lugar, o cerne da grande comissão (28.19). A. T. Robertson diz corretamente que aqui está o programa mundial do Cristo ressurreto. Todos os verbos desse versículo estão no gerúndio, mas fazer discípulos é uma ordem. Indo + batizando + ensinando = fazei discípulos. Robert Mounce apresenta assim essa ideia: “Tanto baptizontes quanto didaskontes são particípios governados pelo imperativo matheteusate. A ideia principal da sentença é ‘fazer discípulos mediante o batismo e o ensino’ ”.

Fica claro que Jesus não mandou fazer fãs. Quem precisa de fãs são os artistas. Jesus não mandou fazer admiradores. Os atores e jogadores de futebol é que buscam admiradores. Jesus não mandou apenas evangelizar e ganhar almas, abandonando os bebês espirituais. Ele quer discípulos. Jesus não mandou apenas recrutar crentes e encher as igrejas de pessoas. Ele quer convertidos maduros.

Um discípulo é um seguidor. Isso implica: 1) fazer do reino de Deus seu tesouro; 2) renunciar a tudo por amor a Jesus; 3) guardar as palavras de Jesus. Hoje, temos muita adesão e pouca conversão. Temos grandes ajuntamentos e pouco quebrantamento. Temos igrejas cheias de pessoas vazias de Deus e vazias de pessoas cheias de Deus. Temos grandes multidões que buscam as bênçãos, mas não a Deus. São religiosos, mas não discípulos de Cristo.

Em terceiro lugar, o alcance da grande comissão (28.19). A ordem de Jesus é: Fazei discípulos de todas as nações. A palavra “nações” significa “etnias”. Onde houver um povo, com sua língua, cultura e raça, ali o evangelho deve chegar. Deus comprou com o sangue de Cristo aqueles que procedem de toda tribo, língua, povo e nação (Ap 5.9). Esses devem ser chamados e discipulados. Concordo com John A. Broadus quando ele diz que o cristianismo é essencialmente uma religião missionária.

Em quarto lugar, as implicações da grande comissão (28.19). Há duas implicações no cumprimento da grande comissão. A primeira delas é a integração dos novos convertidos. Fazer discípulo implica integrar o indivíduo à igreja, por meio do sacramento do batismo em nome do Pai, do filho e do Espírito Santo. David Stern é oportuno quando escreve: “O Novo Testamento não ensina o triteísmo, que é a crença em três deuses. Ele não ensina o unitarismo, que nega a divindade de Jesus, o filho, e do Espírito Santo. Não ensina o modalismo, que diz que Deus aparece às vezes como o Pai, às vezes como o filho, e às vezes como o Espírito Santo, como um ator trocando as máscaras”. Embora a palavra “Trindade” não apareça nas Escrituras, o conceito dela está por toda a Bíblia.

Todo convertido deve ser batizado e integrado à igreja. A igreja é importante. Não existe crente isolado, “desigrejado”, fora do corpo. Uma ovelha fora do rebanho é presa fácil do devorador. Uma brasa fora do braseiro logo se cobre de cinzas. A igreja foi instituída por Cristo, e os novos crentes devem ser integrados a ela pelo batismo.

A segunda implicação é que a grande comissão envolve ensino aos novos convertidos. Três coisas merecem destaque nesse ensino. Primeiro, ensinar o que Jesus mandou (28.19). Não se trata de ensinar doutrinas de homens, modismos, tradições humanas e legalismo, mas ensinar o que Jesus ordenou. Segundo, ensinar todas as coisas (28.19). Ensinar não apenas as coisas mais agradáveis. Devemos ensinar toda a verdade, toda a Palavra, e dar não apenas o leite, mas também o alimento sólido. Terceiro, ensinar a guardar (28.19). Russell Norman Champlin tem razão ao dizer que devemos observar que o ensino precisa incluir os ensinamentos morais e éticos do Senhor Jesus, além de quaisquer outros ensinamentos que formam o corpo de doutrinas que ele nos deixou. Robert Mounce explica que o ensino aqui está estabelecido como algo ético, mais do que doutrinário.35 Ensinar não é apenas guardar na cabeça doutrinas certas, mas é obedecer a essas doutrinas. O discípulo é aquele que obedece. Hoje, as pessoas querem conhecer, mas não querem obedecer. Jesus disse: Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando (Jo 15.14).

Em quinto lugar, motivos para cumprir a grande comissão (28.18–20). Jesus oferece três motivos eloquentes para cumprirmos a grande comissão, como vemos a seguir.

Primeiro, o poder de Jesus à nossa disposição (28.18). Jesus expressou sua exousia, sua autoridade e liberdade absoluta de ação para enviar os apóstolos. Se Jesus tem todo o poder e toda a autoridade, não sobrou nada para o diabo. O diabo é astuto, ardiloso e sagaz, mas Jesus tem todo o poder no céu e na terra. O poder do diabo foi tirado na cruz (Cl 2.15). Ele foi despojado. Está oco, vazio. O diabo não tem poder nem no inferno. As chaves da morte e do inferno estão nas mãos de Jesus (Ap 1.18). As portas do inferno não prevalecem contra a igreja (16.18). Toda a suprema grandeza do seu poder está à nossa disposição (Ef 1.19).

Segundo, a ordem de Jesus (28.19). Se o Jesus ressurreto, o Rei soberano do universo, deu uma ordem, cabe-nos obedecer a ela de modo intransferível e impostergável. A grande comissão não pode transformar-se na grande omissão.

Terceiro, a presença de Jesus (28.20). O discipulado não constitui uma estrada solitária, porque o Senhor ressurreto promete que estará com os discípulos sempre, todos os dias, até a consumação dos séculos. Champlin esclarece que Jesus está conosco não meramente como um rádio orientador, mas como amigo e salvador. A presença de Jesus é contínua, em todo lugar. Ele nunca nos desampara, nunca nos deixa. Ele é como sombra à nossa direita. Ele é o vigia que não dormita nem dorme. Não há situação em que sua presença não esteja conosco. Ele está conosco na vida e na morte, no tempo e na eternidade. John Charles Ryle escreve da seguinte forma sobre a presença de Jesus conosco:

Cristo está conosco todos os dias. Cristo está conosco em todo lugar que vamos. Ele está conosco diariamente para perdoar e absolver; conosco diariamente para santificar e fortalecer; conosco diariamente para defender e guardar; conosco diariamente para conduzir e guiar; conosco em tristezas e alegrias; conosco em saúde ou enfermidade; conosco na vida e na morte; conosco no tempo e na eternidade.

A. T. Robertson diz que Jesus emprega aqui o presente profético. Ele está conosco todos os dias até que volte em glória. Ele há de estar com os discípulos quando for embora; estará com todos os discípulos, com todo o conhecimento, com todo o poder, com eles todos os dias (todos os tipos de dias: dias de fraqueza, tristeza, alegria e poder). O mesmo autor é oportuno quando alerta sobre o fato de que essa bem-aventurada esperança não é um sedativo para uma mente ociosa e uma consciência complacente. Trata-se de um incentivo ao mais pleno esforço de prosseguirmos energicamente, apesar das dificuldades, até os rincões mais distantes do mundo, para que todas as nações conheçam Jesus e o poder da sua vida ressurreta. Assim, o evangelho de Mateus se encerra em uma chama de glória.41

O Cristo ressurreto garante, assim, a seus discípulos e a todos os seus seguidores ao longo da história a maior conclusão que qualquer livro poderia ter. A Jesus, o Rei dos reis, glória pelos séculos sem fim. Amém!

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